sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Comparando o útero humano com o da paca (Caniculus paca)

No texto abaixo comparamos o órgão do sistema reprodutor feminino segundo sua localização e morfologia, tendo como base os dados de Reis et al. (2011) e Spence (1991).

Localização
 O útero humano (Fig. 1A) está localizado na pelve, atrás da bexiga urinária e à frente do colo sigmóide e do reto. O peritônio que recobre as faces da bexiga urinária dirige-se para as faces anterior e posterior do útero a partir do assoalho da cavidade pélvica, formando as escavações vesicouterina e retouterina, respectivamente. Por outro lado, o útero das pacas (Fig. 1B) se localiza na região sublombar, caudal aos rins, contínuo aos ovários e às tubas uterinas, estendendo-se até a região próxima a entrada da pelve, onde se posiciona dorsalmente a vesícula urinaria.


Figura 1: Região pélvica humana, onde se localiza o útero atrás da bexiga urinária (A), e região sublombar da paca (Caniculus paca), onde se encontra o útero (U), caudal aos rins (R) e cranial à bexiga (Be) (B).

Morfologia
O útero humano (Fig. 2A) é um órgão ímpar, oco, com forma análoga a uma pêra, e com comprimento entre 6 a 9 cm e espessura de 2 a 3 cm. A porção superior do útero é chamada corpo, onde sua abertura para as tubas uterinas recebe o nome de junção uterotubária. Logo abaixo, o útero se estreita formando o istmo, o qual ao se juntar a vagina adquire uma forma cilíndrica constituindo o colo. A sua abertura na vagina é chamada de óstio do útero. A região em forma de cúpula do corpo uterino, acima e entre os pontos de entrada das tubas uterinas, é chamada de fundo.
O útero de roedores como a paca (Fig. 2B) é formado por dois cornos uterinos retilíneos com comprimento médio de 96,3 mm e 26,0 mm de diâmetro. A parede medial de cada corno uterino converge caudalmente formando um septo interno, o “velum” uterino, que embora incompleto, determina a formação de dois canais cervicais quase individuais, com a presença de dois óstios uterinos internos e apenas um óstio uterino externo que se abre na vagina.

Figura 2: Morfologia do útero humano (A) e do útero da paca (Caniculus paca) (B). U: cornos uterinos; V: vagina; L: ligamento mesométrio; : ligamento intercornual (“velum”).

Escrito por: João Vitor Marani Amaral

Referencias consultadas

MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 2 ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 580 p., 2004.
REIS, A. C. G. et al. Morfologia do sistema genital feminino da paca (Cuniculus paca, Linnaeus, 1766). Brazilian Journal Veterinary Research Animal Science, São Paulo, v. 48, n. 3, p. 183-191, jun. 2011.
SPENCE, A. P. Anatomia humana básica. Manole: São Paulo, 713 p., 1991.

Fonte das imagens
Figura 1A: http://www2.unifesp.br/dmorfo/histologia/ensino/utero/
Figura 1B e 2B: REIS et al. (2011).
Figura 2A: MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia Humana. 6 ed. Artmed: Porto Alegre, p. 734, 2009.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Comparando a anatomia dos rins: homem e bovino

O sistema urinário é responsável pela produção e eliminação da urina, a qual é composta por 95% de água, além de ureia, cloreto de sódio e ácido úrico. Os órgãos responsáveis por esse sistema são os rins, que produzem a urina através da filtração do sangue; os ureteres, que conduzem a urina dos rins até a bexiga; a bexiga, que armazena a urina; e a uretra, a qual expele a urina do corpo.

Figura 1: Morfologia externa do rim do homem (A) e do bovino (B).


Os rins são órgãos pares, que possuem formato de feijão no homem (Fig. 1A), mas nos bovinos são lobulados (Fig. 1B), localizados na cavidade abdominal, um de cada lado da coluna vertebral predominantemente na região lombar em ambos (Fig. 2). Nos bovinos, o rim esquerdo é empurrado na metade direita do abdome pelo grande desenvolvimento do estômago (Fig. 2B).

Figura 2: Sistema urinário no homem (A), incluindo rim, ureteres, bexiga e uretra, e a disposição dos rins no bovino (B).


Esses órgãos têm por função extrair os produtos residuais provenientes do sangue através das suas unidades funcionais, os néfrons. Os néfrons são unidades produtoras de urina e tem seu funcionamento semelhante em humanos e bovinos, possuindo uma cápsula glomerular (cápsula de Bowman), que em seu interior há arteríolas ramificadas formando um emaranhado de capilares, chamado de glomérulo renal. A estrutura do néfron se distribui entre o córtex e a medula renal.

Figura 3: Anatomia interna do rim do homem (A) e do bovino (B), apresentando o córtex, a medula e os lóbulos renais.


Na anatomia interna dos rins é possível observar o córtex e a medula renal (Fig. 3). O córtex emite projeções para a medula, as colunas renais, que separam porções cônicas chamadas de pirâmides. Os ápices das pirâmides são denominados de papilas renais, local em que os ductos coletores se desembocam e por onde a urina escoa para os cálices, a pelve renal e o ureter.

Escrito por: Nathália Barbar Cury Rodrigues

Referencias consultadas
Autor desconhecido. Anatomia veterinária. Órgãos urinários. Ano desconhecido. Disponível em: <http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html>. Acesso em: 05 jan. 2015.
Autor desconhecido. Manual Merck. Funcionamentos dos rins e das vias urinárias. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.manualmerck.net/?id=148>. Acesso em: 05 jan. 2015.
SANTOS, V. S. Alunos onlines. Sistema urinário. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-urinario.html>. Acesso em: 05 jan. 2015.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. São Paulo: Manole, 1991.

Fonte de imagens
Figura 1A: http://pt.dreamstime.com/fotografia-de-stock-royalty-free-rim-humano-image20446327
Figura 1B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html
Figura 2A: http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-urinario.html
Figura 2B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html
Figura 3A: http://nantescestabasica.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html

Figura 3B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Diabetes mellitus: uma doença que se manifesta em diversas espécies

O diabetes mellitus é uma desordem metabólica de etiologia múltipla, caracterizada por hiperglicemia crônica com distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, resultante da incapacidade ou insuficiência na produção ou ação da insulina, a qual é um hormônio produzido e secretado pelo pâncreas.

O pâncreas é uma glândula mista, pois possui atividade endócrina, sintetizando e secretando hormônios que serão encaminhados para os vasos sanguíneos, como é o caso da insulina, e exócrina, produzindo e secretando enzimas digestivas e bicarbonato na forma de suco pancreático que será liberado no intestino delgado pela papila duodenal juntamente com a bile produzida pelo fígado (Fig. 1).

Figura 1: Porções endócrina e exócrina do pâncreas.


















Em seres humanos, o pâncreas está localizado na parte superior da cavidade abdominal e posterior ao estômago (Fig. 2A), enquanto nos cães, essa glândula encontra-se ao lado do estômago (Fig. 2B). Em ambos os animais citados, o pâncreas apresenta-se como um órgão achatado no sentido ântero-posterior com uma face anterior e outra posterior, uma borda superior e uma inferior, tendo como função comum a regulação de diversos mecanismos celulares e bioquímicos.
Além disso, o pâncreas pode ser dividido em três principais porções: cabeça, corpo e cauda. A cabeça situa-se na parte direita do abdômen e é ligada ao duodeno (porção inicial do intestino delgado) por meio de ductos pancreáticos (principal e comum). Logo após, tem-se o corpo, que é toda a região situada entre a cabeça e a cauda dessa glândula. A cauda é apenas a extremidade afilada do lado esquerdo do abdômen.

Figura 2: Localização do pâncreas no homem (A) e no cão (B).

O diabetes mellitus não é uma doença restrita aos seres humanos, podendo ser encontrada em muitos animais, como por exemplo, em cães e gatos. É uma doença que não possui cura e necessita de cuidados adequados, pois pode resultar em coma.
O mellitus é o tipo mais comum do diabetes, tanto no homem como em outros animais. Pode ainda ser dividido em dois principais tipos: I e II. O primeiro indica destruição de células beta que eventualmente leva ao estágio de deficiência absoluta de insulina. Já o segundo, é uma deficiência relativa do hormônio, havendo células produtoras, porém em quantidade insuficiente ou os tecidos do corpo são relativamente resistentes a ela. O controle da doença do tipo I requer injeções diárias de insulina para regular o nível de glicose no sangue e para o tipo II geralmente são utilizados medicamentos orais, em ambos os animais citados.

Escrito por Letícia Rodrigues Novaes

Referências consultadas
ABC.MED.BR, 2008. Diabetes Mellitus. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/diabetes-mellitus/22360/diabetes+mellitus.htm>. Acesso em: 3 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Aula de anatomia. Sistema digestório. Disponível em: < http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm > Acesso em 5 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Digestive Disorders Health Center. Disponível em: <http://www.webmd.com/digestive-disorders/picture-of-the-pancreas >  Acesso em 5 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. The Animal Hospital. Diabetes Mellitus. Disponível em: < http://theanimalhospital.com/resources/health-topics/dog-health-articles/diabetes-mellitus/ > Acesso em 5 jan. 2015.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cadernos de atenção básica. Diabetes mellitus. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF > Acesso em 5 jan. 2015.
SANTORO, Natália A. Diabetes mellitus em cães. Disponível em: <http://arquivo.fmu.br/prodisc/medvet/nasa.pdf > Acesso em 5 jan. 2015.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Definition, Diagnosis and classification of Diabetes Mellitus and its complications. Disponível em: < https://www.staff.ncl.ac.uk/philip.home/who_dmc.htm > Acesso em 4 jan. 2015.


Fonte das imagens
Figura 1 (modificada): http://www.saffioraire.com/resources/Pancreas.gif