sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sistema digestório e seus mecanismos: humanos, ruminantes e aves

O sistema digestório é responsável por obter dos alimentos ingeridos, os nutrientes necessários para as diferentes funções do organismo, como crescimento, energia para reprodução, locomoção, entre outras.

HUMANOS
O sistema digestório no homem (Fig. 1) é dividido em trato digestório, constituído por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, e órgãos acessórios, como dentes, língua e glândulas anexas (fígado, pâncreas e glândulas salivares).
                                          Figura 1: Constituintes do sistema digestório humano.

A boca está limitada lateralmente pelas bochechas, superiormente pelo palato e inferiormente por músculos que constituem o assoalho da boca. A faringe é um tubo que começa nas narinas internas e estende-se até a cartilagem cricóidea, estando situada atrás das cavidades nasal e oral, acima da laringe e a frente das vértebras cervicais. O esôfago situa-se atrás da traqueia, começando na extremidade inferior da parte laríngea da faringe, passa pelo mediastino, perfura o diafragma pela abertura hiato esofágico, terminando na parte superior do estômago, sendo dividido em porção cervical, torácica e abdominal. O estômago situa-se abaixo do diafragma, com sua maior porção à esquerda do plano mediano, sendo constituído pelas regiões zona cárdica, fundo, corpo e zona pilórica (Fig. 2).
                                               Figura 2: Regiões do estômago humano.

O intestino delgado está dividido nas regiões duodeno, porção primária; jejuno, porção secundária; e íleo, porção terciária. O intestino grosso é a parte terminal do trato digestório, sendo dividida em ceco; cólons ascendente, transverso, descendente e sigmóide; reto e ânus (Fig. 3).
                                          Figura 3: Regiões do intestino grosso humano.

As glândulas salivares são constituídas pela parótida, submandibular e sublingual (Fig. 4). A glândula parótida situa-se adiante da orelha sobre o ramo da mandíbula e o músculo masseter, e seu canal excretor, o ducto parotídeo, abre-se ao nível do 2º molar superior. A submandibular localiza-se anteriormente a parte mais inferior da parótida, protegida pelo corpo da mandíbula, e o seu ducto submandibular abre-se no assoalho da boca, abaixo da língua. A sublingual é a menor das três, situando-se lateral e inferiormente à língua, sob a mucosa que reveste o assoalho da boca, tendo a abertura dos seus ductos sublinguais no assoalho da boca.
                        Figura 4: Glândulas salivares em humano: parótida, submandibular e sublingual.

O fígado está localizado abaixo do diafragma e à direita, embora uma pequena porção ocupe também a metade esquerda do abdome. Este órgão é ainda dividido em lobos direito, caudado, quadrado e esquerdo, e é uma importante glândula exócrina que produz a bile, a qual é armazenada na vesícula biliar, sendo conduzida pelos ductos hepáticos esquerdo e direito. A bile tem a função emulsionar as micelas de gordura e é liberada da vesícula pelo ducto cístico, indo até o duodeno pelo ducto biliar comum ou colédoco (Fig. 5). A vesícula biliar situa-se ao longo da borda direita do lobo quadrado do fígado em uma depressão rasa, e tem a função de armazenar a bile secretada pelo fígado nos intervalos entre as fases ativas da digestão, distribuindo-a para a parte distal do intestino para a digestão e absorção (Fig. 5).
O pâncreas é uma glândula mista que se estende quase transversalmente na parede abdominal posterior, atrás do estômago, desde o duodeno até o baço. Sua extremidade direita, larga, é denominada cabeça, e está unida à parte principal ou corpo, por um colo ligeiramente estreitado, e sua extremidade esquerda, estreita, forma a cauda (Fig. 5).  O pâncreas tem como função exócrina a produção e liberação do suco pancreático, composto basicamente de bicarbonato, o qual age no duodeno como neutralizador do ácido clorídrico proveniente do estômago.
                               Figura 5: Anatomia do fígado, vesícula biliar, pâncreas e seus ductos.

FIQUE ATENTO!
O pâncreas também tem a função endócrina de produzir dois hormônios extremamente importantes para a saúde, a insulina e o glucagon, os quais regulam o nível de glicose no sangue.

MAMÍFEROS RUMINANTES
Os ruminantes são animais herbívoros, portanto ingerem grande quantidade de celulose. O alimento que é ingerido chega ao rúmem (pança) onde ocorre uma digestão preliminar por ação de bactérias e protozoários que ali vivem (Fig. 6). Estes micro-organismos vivem em simbiose com esses mamíferos e produzem enzimas capazes de degradar a celulose (celulases e celobiases). Do rúmem, o alimento passa para o reticulum (barrete), onde, por compressão, formam-se bolos alimentares que são regurgitados e atingem a boca para uma nova mastigação, processo também chamado de ruminação, daí o nome ruminante. Então, o alimento bem mastigado, desce novamente pelo esôfago, passando pelo omaso onde é emulsionado, ficando mais digerido. Em seguida, atinge o abomaso ou coagulador, onde se dá parte da digestão química. Por fim, o duodeno recebe o alimento semi-digerido do coagulador.


                                       Figura 6: Sistema digestório dos mamíferos ruminantes.

O processo digestivo comum, semelhante ao dos humanos e outros mamíferos, ocorre no coagulador. No rúmem, o alimento sofre intensa fermentação por ação microbiana e os produtos da decomposição, principalmente os ácidos acético, propiônico e butírico, são absorvidos e utilizados pelo organismo. A concentração de micro-organismos no rúmem é muito alta e sua participação na nutrição do ruminante é bastante importante. (Fig. 6). Os ruminantes secretam saliva que atua como uma solução tampão, pois tem alto teor de bicarbonato de sódio, cuja finalidade é diminuir a acidez crescente em consequência da fermentação na pança. No caso dos humanos, esse trabalho é feito pelo pâncreas através do suco pancreático.

AVES
As aves consomem os mais variados tipos de alimentos: frutos, néctar, sementes, insetos, vermes, crustáceos, moluscos, peixes e outros pequenos vertebrados. Elas possuem um sistema digestório completo, composto de boca, faringe, esôfago, papo, proventrículo, moela, intestino, cloaca e órgãos anexos (fígado e pâncreas) (Fig. 7). Ao serem engolidos, os alimentos passam pela faringe, pelo esôfago e vão para o papo, cuja função é armazenar e amolecer os alimentos. Em seguida vão para o proventrículo, que é o estômago químico das aves, onde os alimentos sofrem a ação de hidrolases e começam a ser digeridos. Passam, então, para a moela (estômago mecânico) que tem paredes grossas e musculosas, onde os alimentos são triturados. Finalmente atingem o intestino, onde as substâncias nutritivas são absorvidas pelo organismo. Os restos metabólicos não aproveitados são transformados em fezes. As aves possuem uma bolsa única, a cloaca, onde desembocam as partes finais dos sistemas digestório, urinário e reprodutor.
                                               Figura 7: Sistema digestório de aves.


Escrito por: Adriele Cristiana e Priscila Ferrari


REFERÊNCIAS CONSULTADAS 
Autor desconhecido. Escola Gurdjieff São Paulo. Disponível em: 
        <http://www.ogrupo.org.br/glandula_pancreas.asp> Acesso em: 06 Jul. 2014.
BRASIL ESCOLA. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/biologia/digestao-dos-ruminantes.htmcirculatorio-dos-repteis>. Acesso em: 05 Jul. 2014.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo: Manole, 1991.
TOLEDO, M., HERMOSILLA, L. ESGB – Ferramenta para o estudo do sistema gástrico bovino utilizando técnicas de realidade virtual.
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6.ed. Porto Alegre: Artmed. 2006.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 2: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 3: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 4: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 5: http://atlasdeanatomiahumano.blogspot.com.br/2013_04_01_archive
Figura 6 editada: http://blogdodomdom.blogspot.com.br/2011/07/sistema-digestorio-dos-ruminantes.html e http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/mylinks/viewcat.php?cid=6&min=920&orderby=hitsA&show=10
Figura 7: http://simbiotica.org/digestivo.htm

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sistema linfático: uma comparação

O sistema linfático trabalha junto ao sistema circulatório auxiliando na remoção de resíduos, na coleta e na distribuição de ácidos graxos e gliceróis absorvidos no intestino delgado, e contribuindo para a defesa do organismo. Na sua constituição encontramos uma vasta rede de capilares, vasos e de pequenas estruturas chamadas de linfonodos que se distribuem por todo o corpo.
Este sistema transporta o fluido linfático chamado de linfa, dos tecidos para o sistema circulatório. Os vasos linfáticos possuem válvulas que impedem o refluxo da linfa em seu interior, permitindo com que ela circule pelo vaso num único sentido. A linfa assemelha-se ao sangue, diferenciando-se apenas por não apresentar células sanguíneas, sendo constituído principalmente por água, eletrólitos e quantidades variáveis de proteínas plasmáticas que escapam do sangue através dos capilares sanguíneos.
Quando comparamos o sistema linfático do cão, da vaca e de humanos percebemos que são extremamente semelhantes (Figs. 1 e 2).

                                    Figura 1. Sistema linfático de cães e de humanos.

O sistema linfático é dividido em órgãos linfóides primários que incluem a medula óssea e o timo, locais onde os linfócitos se diferenciam e sofrem maturação; órgãos linfóides secundários, ou órgãos linfóides periféricos, que são locais de desencadeamento da resposta imunitária.

                                     Figura 2. Sistema linfático de bovinos.

A circulação linfática é produzida por meio de contrações do sistema muscular ou de pulsações de artérias próximas aos vasos linfáticos, e nela são transportados os linfócitos para todo o organismo. Os vasos linfáticos passam através dos gânglios linfáticos, os quais contém um grande número de linfócitos e atuam como filtros, capturando organismos infecciosos, tais como as bactérias e os vírus. Por isso, eles aumentam de tamanho e ficam dolorosos quando existe algum processo infeccioso em andamento no organismo ou pela presença de um tumor no sistema linfático, muito conhecido como linfoma.
O baço e o timo também são órgãos linfóides, sendo que o baço tem como função a fagocitose de micro-organismos e células velhas do sangue, além de produzir linfócitos e ser reservatório de células sanguíneas; já o timo tem importância maior no animal jovem e regride na puberdade, sendo quase ausente no animal adulto, com função de maturar linfócitos do tipo T.

CURIOSIDADE!
O sistema linfático não possui um órgão equivalente ao coração. A linfa, portanto, não é bombeada como no caso do sangue. Mesmo assim se desloca, pois as contrações musculares comprimem os vasos linfáticos, provocando o fluxo da linfa. Em alguns vertebrados, como os peixes, os anfíbios e os répteis, existem estruturas conhecidas como "corações linfáticos" (Fig. 3), que auxiliam no bombeamento de água e íons absorvidos através da pele, em direção as veias. Esses órgãos são dilatações dos vasos que têm paredes com capacidade de se contrair, e seu ritmo de pulsação é independente do verdadeiro coração. Essas estruturas estão presentes em répteis e embrião de aves. O coração linfático é do tipo neurogênico, pois sua atividade é comandada pelo sistema nervoso central.


                                              Figura 3. Coração linfático de anfíbio.



                                                                                                        Escrito por: Maria Paula Carvalho e Laura Ribeiro 


REFERÊNCIAS CONSULTADAS
PINHEIRO, J. N.; Morfofuncional II. Sistema Linfático. 2014. Disponível em: <http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf>. Acesso em: 29 Jun. 2014.
Autor desconhecido. Fisiologia e Importância do Sistema Linfático. Disponível em: <http://www.roche.pt/sites-tematicos/linfomas/index.cfm/o_que_e/sistema-linfatico/fisiologia-sistema-linfatico/>. Acesso em: 29 Jun. 2014.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-linfatico.html;  
http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf.
Figura 2: http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf.
Figura 3: http://player.mashpedia.com/player.php?q=iEggiawJUcE&lang=pt

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sistema respiratório em diferentes ambientes

A respiração é uma das funções básicas presente nos seres vivos, sendo o órgão respiratório por excelência o pulmão. Em geral é controlada pelo bulbo cerebral, garantindo a amplitude e presença da respiração, enquanto o nervo frênico controla o diafragma, um dos músculos participantes da respiração.
O principal objetivo da respiração é suprir as células do corpo com oxigênio e remover o dióxido de carbono produzido pelas atividades celulares. Além disso, o sistema respiratório também está relacionado com o olfato e a fonação.
O sistema respiratório humano é constituído por cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, pulmões, brônquios, bronquíolos e alvéolos.
- O nariz é divido em nariz externo, que se constitui de uma passagem para o ar, funcionando como uma estrutura condicionadora que filtra, aquece e umidifica o ar; a cavidade nasal de onde se estendem as narinas anteriormente e as coanas posteriormente; além dos seios paranasais que são cavidades presentes em alguns dos ossos do crânio, como o frontal, a maxila, o esfenoide e o etmoide (Fig. 1).

                                                Figura 1: Vista lateral da cavidade nasofaringe.

- A faringe é um tubo muscular situado posteriormente a cavidade nasal, oral e laringe, e está associada a dois sistemas, o respiratório e o digestório, sendo divida em três parte: nasal, oral e laríngea. As pregas vocais (Fig. 2) são um par de lábios simétricos formados por um músculo e um ligamento elástico localizado na laringe abaixo da epiglote. Quando respiramos, as pregas vocais se afastam, e quando falamos ou cantamos, se aproximam e vibram.

                                   Figura 2: Imagem endoscópica da laringe e das pregas vocais.

Curiosamente, as baleias não produzem sons da mesma maneira que nós, já que as nossas cordas vocais não funcionariam tão bem debaixo d´água. As baleias produzem sons inalando o ar através da cavidade nasal que fica na frente dos buracos respiratórios. Por outro lado, no mundo dos insetos, somente os grilos machos produzem sons e o fazem para atrair as fêmeas para a reprodução. Para tanto, os machos possuem uma série de pelos nas bordas de suas asas, alinhados como pentes, que produzem os sons roçando uma asa contra a outra, produzindo um canto peculiar que varia com a época do ano, e que é mais intenso para atrair a fêmea.

- A laringe é um órgão muscular, situado no plano mediano e anterior do pescoço, anterior a faringe e continuada pela traqueia. Suas funções incluem servir como via aerífera e participar da fonação. 
- A traqueia é uma estrutura cilindróide constituída por uma série de anéis cartilaginosos em forma de C (16 a 20 anéis). A parede posterior, desprovida de cartilagem constitui a parede membranácea da traqueia, que apresenta musculatura lisa.
- Os brônquios principais, um em cada pulmão, seguem ínfero-lateralmente do término da traqueia até os hilos pulmonares, onde subdivide-se no interior do pulmão formando a árvore bronquial. Dentro dos pulmões, os brônquios dividem-se de forma e em direções constantes, de modo que cada ramificação supre um setor claramente definido no pulmão (Fig. 3).

                                      Figura 3: Vista anterior da traqueia e dos brônquios.

- Os pulmões são órgãos essenciais na respiração. No seu interior, o ar inspirado é colocado em estreita relação com o sangue nos capilares pulmonares. Cada pulmão apresenta um ápice e uma base, três faces (costal, diafragmática e mediastinal) e três margens (anterior, posterior e inferior). O hilo do pulmão é a região onde os brônquios, vasos pulmonares, vasos bronquiais, vasos linfáticos e nervos entram e saem do pulmão (Fig. 4).

                                 Figura 4: Anatomia do pulmão. 
                                 (A) Veias e artérias pulmonares que adentram os pulmões através do hilo pulmonar.
                                 (B) Hilo pulmonar direito.

A ventilação pulmonar é o processo pelo qual os gases são trocados entre o meio externo e os alvéolos pulmonares no homem. O ar se relaciona entre a atmosfera e o pulmão pela diferença de pressão que existe entre os meios externo e interno. Nós inspiramos quando a pressão de dentro dos pulmões é menor que a pressão do ar na atmosfera, e expiramos quando a pressão dentro dos pulmões é maior que a do ar na atmosfera. Além disso, a troca de gases ocorre por difusão através da membrana alveolocapilar (Fig. 5).

                                          Figura 5: Pulmões e troca gasosa alveolocapilar.

Sistema respiratório em ambiente aquático: Peixes ósseos
Ao contrário dos animais terrestres que utilizam o pulmão como órgão principal para a respiração, os peixes utilizam as brânquias que exercem papéis vitais. Isso é, embora seja o principal sítio de trocas gasosas, as brânquias também estão envolvidas nos processos de osmorregulação, equilíbrio ácido-básico e excreção de compostos nitrogenados.
As fendas branquiais apresentam expansões, os rastros, direcionadas à cavidade faríngea, variando em forma, tamanho, quantidade e distribuição para cada espécie. Os peixes adquiriram grande eficiência na absorção do oxigênio da água, graças à estrutura das brânquias que permitem um fluxo constante de água pelo epitélio respiratório, em qualquer estágio da respiração. No processo respiratório dos peixes, os opérculos fecham-se e a cavidade bucal aumenta, permitindo a entrada de água pela boca. Simultaneamente, as câmaras branquiais aumentam de volume, produzem uma pressão negativa e a água passa sobre as brânquias. Em seguida, a boca se fecha e as câmaras branquiais contraem-se, forçando a água para fora através das aberturas operculares. Em resumo, a cavidade bucal e as câmaras branquiais atuam alternadamente como bombas de sucção e pressão para manter um fluxo contínuo de água sobre as brânquias (Fig. 6).
                                               Figura 6: Sistema respiratório dos peixes.

O epitélio branquial, um epitélio estratificado composto por diversos tipos celulares, reveste o arco branquial, os rastros, os filamentos branquiais e as regiões interlamelares. Além deste, o epitélio respiratório recobre as lamelas respiratórias.
É interessante sabermos que o sistema respiratório se adaptou de formas variadas para suprir a necessidade de cada espécie. Convictos de que a vida teve início na água, as adaptações que a natureza deu aos indivíduos para a saída ao ambiente terrestre são impactantes, uma vez que a pressão atmosférica, densidade do ar e noção de peso em terra são maiores e as dificuldades para se manter vivo eram grandes. Mas a evolução resolveu esse problema criando um órgão surpreendente, o pulmão.

                                                                                Escrito por: Adriele Cristiana e Priscila Ferrari 

REFERÊNCIAS CONSULTADAS 
Autor desconhecido. Como Tudo Funciona. Disponível em:<http://ciencia.hsw.uol.com.br
        /baleias3.htm> Acesso em: 20 Jun. 2014.
Autor desconhecido. Wikipédia – A Enciclopédia Livre. 2014. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Grilo> Acesso em: 20 Jun. 2014.
MACHADO, R. M. Uso de brânquias de peixes como indicadores de qualidade das águas. Disponível em: <http://revistas.unopar.br/index.php/biologicas/article/view/104/101> Acesso em 20 Jun. 2014.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo. Manole, 1991.
TORTORA, G. J. & GRABOWSKI, S. R. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6.ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. 

FONTE DAS IMAGENS
Figuras 1 e 3: http://www.auladeanatomia.com/respiratorio/sistemarespiratorio.htm
Figura 2: http://www.vozecantoporfaninineves.com/tecnica-vocal-/fisiologia-da-voz/
Figura 4A: http://enfermeirosinformados.blogspot.com.br/2008/02/imagens-artrias-e-veias-pulmonares.html
Figura 4B: http://bloganatomiahumana.blogspot.com.br/2009/06/pulmoes.html
Figura 5: http://amandaraphaelabioifes.wordpress.com/2011/02/25/sistema-respiratorio/
Figura 6: http://auladecienciasdanatureza6.blogspot.com.br/2011/12/respiracao-dos-peixes.html

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sistema circulatório: humanos versus répteis

        As funções básicas do sistema circulatório humano (Fig. 1A) são levar material nutritivo e gases às células; transportar produtos residuais do metabolismo celular, desde os locais onde foram produzidos até órgãos encarregados de eliminá-los; proteger o organismo contra perda sanguínea por meio da coagulação e contra os micro-organismos pelo sistema imunológico; além de realizar regulação hormonal e da temperatura corporal. O coração possui um formato de um cone truncado, apresentando uma base, um ápice e faces (esternocostal, diafragmática e pulmonar). E está situado na cavidade torácica, atrás do esterno, acima do músculo diafragma, sobre o qual em parte repousa, no espaço entre os dois sacos pleurais, denominado mediastino.
                                         Figura 1: Sistema circulatório humano (A) e réptil (B).

As mesmas funções são desempenhadas por este sistema nos répteis, exceto em relação à regulação da temperatura, que nos répteis é realizada através do aumento do ritmo de batimentos cardíacos, aumentando o bombeamento de sangue através do corpo e por consequência a taxa de troca de calor. Isso implica em esquentar ou esfriar num menor tempo. Além disso, por possuírem o coração com três câmaras, os répteis (Fig. 1B) são capazes de realizar desvios cardíacos, ou seja, enviar sangue do ventrículo para a circulação pulmonar ou sistêmica, e evitar um dos circuitos. O sangue, ao ser desviado para a circulação pulmonar, entra em contato com as superfícies respiratórias úmidas, podendo perder calor por resfriamento evaporativo. Desviando desse circuito, se evita resfriar o sangue mandando-o de volta para o corpo e ainda aumentando a taxa de aquecimento.

O sistema circulatório é dividido em:
Sistema cardiovascular, com vasos (artérias, veias e capilares), o coração e o sangue.
Sistema linfático, com vasos, capilares, troncos, ductos, linfonodos, tonsilas e linfa.
Órgãos Hemopoiéticos, como a medula óssea e timo (órgãos linfáticos primários), e o baço (órgão linfático secundário).

As estruturas do coração em humanos incluem o pericárdio, valvas, artérias, veias e capilares, os quais suprem de sangue o músculo cardíaco. O pericárdio consiste de uma capa fibrosa externa e de uma membrana serosa interna. A camada interna, o pericárdio visceral, adere ao coração e torna-se a camada mais externa do mesmo, o epicárdio.
O coração humano é constituído por quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo. Os átrios se localizam na parte superior do coração, e os ventrículos localizam-se na parte posterior e constituem o principal volume do órgão. Vários vasos sanguíneos de grande calibre entram e saem do coração pela sua base e margem superior, como veia cava superior e veia cava inferior, artéria troncopulmonar, veias pulmonares e artéria aorta (Fig. 2).
Sistema cardiovascular, com vasos (artérias, veias e capilares), o coração e o sangue.
Sistema linfático, com vasos, capilares, troncos, ductos, linfonodos, tonsilas e linfa.
Órgãos Hemopoiéticos, como a medula óssea e timo (órgãos linfáticos primários), e o baço (órgão linfático secundário).
As estruturas do coração em humanos incluem o pericárdio, valvas, artérias, veias e capilares, os quais suprem de sangue o músculo cardíaco. O pericárdio consiste de uma capa fibrosa externa e de uma membrana serosa interna. A camada interna, o pericárdio visceral, adere ao coração e torna-se a camada mais externa do mesmo, o epicárdio.
O coração humano é constituído por quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo. Os átrios se localizam na parte superior do coração, e os ventrículos localizam-se na parte posterior e constituem o principal volume do órgão. Vários vasos sanguíneos de grande calibre entram e saem do coração pela sua base e margem superior, como veia cava superior e veia cava inferior, artéria troncopulmonar, veias pulmonares e artéria aorta (Fig. 2).

                                         Figura 2: Anatomia externa do coração humano.

Existem dois tipos de valvas localizadas no coração humano (Fig. 3), as valvas atrioventriculares localizadas entre os átrios e ventrículos (tricúspide no lado direito e bicúspide, no esquerdo), e as valvas semilunares (pulmonar e aórtica) localizadas entre os ventrículos e a artéria pulmonar.

                                                      Figura 3: Valvas do coração humano.

Nos répteis, o coração fica na parte anteroventral do tórax e é formado por um pequeno seio venoso, duas aurículas e dois ventrículos que são imperfeitamente separados. Pode-se considerar que o coração possui apenas três cavidades: dois átrios e um ventrículo separados pelo septo de Sabatierque, que é parcialmente partido (Fig. 4).

                                              Figura 4: Anatomia interna do coração de répteis.

O lagarto Tupinambis merianae (Fig. 5), conhecido popularmente como lagarto-do-papo-amarelo ou teiú, é uma espécie diurna ectodérmica, ou seja, absorve calor de fontes externas, para poder elevar sua temperatura corpórea. Quando um réptil aumenta o ritmo de batimentos cardíacos, o seu bombeamento de sangue também aumenta e por consequência a taxa de troca de calor aumentará, sendo o inverso também verdadeiro.

                                                 Figura 5: Lagarto Tupinambis merianae.

Algumas constatações podem ser feitas quando comparamos o coração do homem e do lagarto:
1) o coração de um réptil é mais simples em relação ao coração humano, em relação ao número de câmaras.
2) o fato de possuir apenas três câmaras (dois átrios e um ventrículo) permite aos répteis realizar desvios cardíacos, exceto os crocodilianos; o que não é possível em humanos que possuem quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos).
3) nos répteis os sangues arterial e venoso não se misturam e possuem dupla circulação, se assemelhando aos humanos.

A circulação é dividida em grande e pequena circulação:
Grande circulação ou sistêmica: Tem início no ventrículo esquerdo à artéria aorta à sistemas corporaisà veias cava superior e inferior à átrio direito. Em resumo refere-se a circulação coração-tecidos-coração.
Pequena circulação ou pulmonar: Tem início no ventrículo direito à artéria tronco pulmonar à pulmões à veias pulmonaresà átrio esquerdo. Em resumo refere-se a circulação coração-pulmão-coração.

Pressão arterial
É a pressão exercida pelo sangue contra a parede das artérias, quando é bombeado pelos ventrículos e penetra nesses vasos sob pressão. O homem tem pressão arterial média de 120 x 80 mmHg; entretanto,  quando analisamos outros organismos, temos uma surpresa (Tabela 1). Por exemplo, a tartaruga tem pressão arterial média de 34 x 29 mmHg e os sapos de 35 x 24 mmHg.
                                  Tabela 1. Pressão arterial em mamíferos e aves.

O fluxo sanguíneo dos humanos depende do diâmetro e do comprimento do vaso, e da viscosidade do sangue. Esse fluxo pode ser controlado por regulação neural ou humoral, por exemplo, quando temos uma emoção muito grande o fluxo sanguíneo aumenta devido à regulação neural. O mesmo ocorre com os animais quando escutam fogos de artifício e o coração dispara. Por outro lado, tartarugas e escamados tem a capacidade de alterar o fluxo do sangue de acordo com a necessidade respiratória e de temperatura. 
CURIOSIDADE!                             
O fluxo sanguíneo em répteis é controlado através de diferenças de pressão entre o circuito sistêmico e pulmonar, e pela contenção e liberação do sangue remanescente na cava venosa. Desvios na circulação, feitos pelo próprio organismo, são utilizados para que o animal tenha as condições necessárias para a sua sobrevivência; com isso, o sangue fica circulando e o calor recebido do ambiente é mantido no corpo. Esse mecanismo evita que o réptil disperse calor pela respiração enquanto se aquece ao sol. Esses mesmos desvios são utilizados durante períodos em que o animal não está respirando, em mergulho, por exemplo. Assim, o animal economiza o ar que está nos pulmões e aproveita o máximo de oxigênio que está no sangue sistêmico.

Escrito por: Adriele Cristiana e Maria Paula Carvalho


REFERÊNCIAS CONSULTADAS

COLUNISTA PORTAL. O Sistema Circulatório dos Répteis. 2012. Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/23736/osistema-circulatorio-dos-repteis>. Acesso em: 14 Jun. 2014.

JACOB, S.W.; FRANCONE, C.A.; LOSSOW, W.J. Anatomia e Fisiologia Humana. 5ª ed. Tradução: Carlos Miguel Gomes Sequeira, Rio de Janeiro: Guanabara, 1990.

SPENCE, A. P. Anatomia Humana básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti, São Paulo: Manole, 1991.

TENÓRIO, A. UNIFAP. Sistema Circulatório. 2012. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABmn8AH/sistema-circulatorio>. Acesso em: 14 Jun. 2014.

VEIGA, M.; NOSKOSKI, M.; BEVILACQUA, M.; ROMANI, R.; ROMANI, R.; ROMANI, R.; RITTER, F.; OLIVEIRA, D. S.Emprego das técnicas de vinilite e criodesitratação para Evidenciar a anatomia do sistema circulatório de um Lagarto (tupinambis merianae), RAMVI, Getúlio Vargas, v. 01, n. 01, p. 98-105, 2014.

TAVANO, T.P. Coração dos Vertebrados: Filogenia, Revista Eletrônica de Ciências, v. 46, São Carlos, 2014. Disponível em: <http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/ art_46/aprendendo.html>. Acesso em: 10 Jun. 2014.


FONTE DAS IMAGENS E TABELAS
Figura 1: http://www.infoescola.com/anatomia-humana/sistema-venoso/ e
http://www.monografias.com/circulacion-animal/circulacion-animal.shtml
Figura 2: http://dc248.4shared.com/doc/0AXBC9hm/preview.html
Figura 3: http://dc248.4shared.com/doc/0AXBC9hm/preview.html
Figura 4: http://negritosbio.blogspot.com.br/p/anfibios-e-repteis.html
Figura 5: http://ecoblogando.wordpress.com/2009/03/25/espcies-brasileiras-tei-tupinambis-merianae/
Tabela 1: http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/02/a-origem-da-pressao-arterial-i/