sexta-feira, 18 de julho de 2014

Comparando a anatomia e a fisiologia do sistema urinário: aves e humanos

O sistema urinário é responsável pela produção e eliminação de urina, a qual é composta por ureia, cloreto de sódio e ácido úrico. Os órgãos que fazem parte do sistema urinário são os rins, os ureteres, a bexiga e a uretra (Fig. 1).

 Figura 1. Órgãos do sistema urinário humano.

 Além destes órgãos, encontramos no sistema urinário as glândulas supra-renais ou adrenais (Fig. 1) as quais estão localizadas entre as faces supero-mediais dos rins e do diafragma, sendo revestidas por uma cápsula fibrosa. Esta glândula endócrina é dividida em duas partes, córtex e medula supra-renal, e tem a função de produzir diferentes hormônios. A zona glomerulosa, mais externa da glândula secreta o hormônio mineralocorticóide conhecido como aldosterona. A zona fasciculada vem logo a seguir e produz o glicocorticóide cortisol e, por fim, a zona reticular produz os hormônios sexuais ou esteróides androgênicos. A medula adrenal é a região central da glândula e secreta os hormônios chamados de catecolaminas. Nas aves as glândulas adrenais encontram-se encobertas pelas gônadas e os tecidos medular e cortical se apresentam entremeados. As funções que estes hormônios exercem são vitais para o corpo humano, pois regulam o metabolismo de sódio, potássio, água e carboidratos, além das reações do corpo humano ao estresse.
Os rins são órgãos pares, que possuem o formato de feijão, localizados na cavidade abdominal. Também são considerados órgãos retroperitoneais, devido a sua posição no corpo humano. Sua função é de extrair os produtos residuais provenientes do sangue através das suas unidades funcionais, os néfrons. Os néfrons são unidades produtoras de urina e tem funcionamento semelhante em humanos e aves, possuem uma cápsula glomerular (cápsula de Bowman), que em seu interior há arteríolas que se ramificam formando um emaranhado de capilares, chamado de glomérulo renal.
Os ureteres, localizados na região abdominal, são dois tubos pouco calibrosos que conduzem a urina para a bexiga por contrações peristálticas e gravidade. A bexiga urinária é um órgão muscular oco e elástico, e funciona como um reservatório temporário para armazenamento da urina. Na saída da bexiga há um músculo chamado esfíncter interno, que contrai involuntariamente prevenindo a saída da urina, e também há o esfíncter externo que é controlado voluntariamente, permitindo a saída da urina. A uretra é o local de excreção da urina, havendo diferenças no tamanho comparando o homem e a mulher (Fig. 2). Isto é, a uretra masculina mede aproximadamente 20 cm e estende-se do orifício uretral na bexiga urinária até o orifício uretral da extremidade do pênis, e além da excreção da urina, serve também para a liberação do esperma no ato da ejaculação. Por outro lado, a uretra feminina é menor, pois se estende da bexiga urinária até o orifício externo no vestíbulo, medindo aproximadamente 5 cm, com a única função de excretar urina.

                        Figura 2. Sistemas urinários masculino e feminino.

O sistema urinário das aves difere dos mamíferos, pois o produto final do metabolismo de compostos nitrogenados é o ácido úrico, e não a ureia. Isto acontece devido a amônia ser muito tóxica para todos animais, não excretando esta substância. A formação do ácido úrico nas aves acontece no fígado e é essencial para a produção dos ovos, pois estes necessitam de muita água para conservação do vitelo; isso seria incompatível com a liberação de ureia, a qual necessita de grande quantidade de água para ser eliminada. Assim, o ácido úrico atinge uma determinada concentração e se precipita oferecendo os nutrientes necessários para sua formação.
As aves, diferentemente dos humanos, não possuem bexiga, portanto não há armazenamento. A substância produzida tem uma consistência mais grossa e esbranquiçada, e sua formação ocorre em três fases no néfron (Fig.3), que se assemelham à produção de urina em humanos. A primeira fase é a filtração que ocorre no glomérulo, a segunda é a reabsorção tubular que ocorre na porção inicial do néfron, e a terceira é a secreção tubular, que ocorre na porção final do néfron e túbulos coletores.

                                                        Figura 3. Esquema de um néfron.

Em aves, como as galinhas, o sistema urinário consiste de rins maiores e alongados, com ureteres e cloaca dividida em coprodeu, urodeu e proctodeu (Fig. 4A e B), por duas pregas anulares mais ou menos completas. A bolsa cloacal está localizada na parede dorsal do proctodeu, e o coprodeu é uma continuação ampuliforme do cólon-reto, onde as fezes são estocadas.
O ureter da galinha é um ducto muscular com aproximadamente 2 milímetros de diâmetro e sua parede possui três camadas: mucosa, muscular e adventícia. As aves possuem uma bolsa única, a cloaca (Fig. 4C e D), onde desembocam as partes finais do sistema digestivo, urinário e reprodutor e que se abre para o exterior. Por essa bolsa elas eliminam as fezes e a urina, e também por onde saem os ovos.

                                           Figura 4. Sistema urinário de aves e seus órgãos.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS
Diferenças
- Aves possuem dois tipos principais de néfrons: néfrons sem alça de Henle que são a maioria e néfrons com alça de Henle, semelhante aos mamíferos.
- Aves possuem um sistema porta renal, que regula o trajeto do sangue proveniente das pernas, da região pélvica, dos intestinos e das genitálias, passando pelos rins ou seguindo para a circulação geral.
- Aves secretam ácido úrico, enquanto humanos secretam ureia.

Semelhanças
- Ocorrência de três processos para formação de urina: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular,
- A urina ureteral pode apresentar osmolalidade acima ou abaixo daquela do plasma.


Escrito por: Laura Ribeiro e Maria Paula Carvalho


REFERÊNCIAS CONSULTADAS
ASCOLI, F. O. UFF. Fisiologia Renal das Aves. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.uff.br/fisiovet1/Renal_aves.pdf>. Acesso em: 12 Jul. 2014.
Autor Desconhecido. Fisiologia das aves - Sistema reprodutor e urinário. 2009. Disponível em: <http://passarinheiro.forums-free.com/fisiologia-das-aves-sistema-reprodutor-e-urinario-t41.html>. Acesso em: 12 Jul. 2014.
CHAGAS, M. A. UFF. Sistema Urinário das Aves. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.uff.br/atlashistovet/Sisturinariogalinha2.htm> Acesso em: 12 jul. 2014
Escola Gurdjieff, São Paulo. As glândulas supra renais. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.ogrupo.org.br/glandulas_supra-renais.asp> Acesso em: 12 jul. 2014.
SILVA, L. S.; UFRGS. Hormônios da Glândula Adrenal. 2005. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/lacvet/restrito/pdf/adrenal.pdf> Acesso em: 14 Jul. 2014.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.professorjarbasbio.com.br/excrecao.htm
Figura 2: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/excrecao2.php e http://www.auladeanatomia.com/urinario/sistemaurinario.htm
Figura 3: http://simbiotica.org/excretor.htm
Figura 4A e B: http://www.uff.br/webvideoquest/SE/rep.htm
Figura 4C: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos3/bioaves.php
Figura 4D: http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-reprodutor-das-aves.html

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sistema digestório e seus mecanismos: humanos, ruminantes e aves

O sistema digestório é responsável por obter dos alimentos ingeridos, os nutrientes necessários para as diferentes funções do organismo, como crescimento, energia para reprodução, locomoção, entre outras.

HUMANOS
O sistema digestório no homem (Fig. 1) é dividido em trato digestório, constituído por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, e órgãos acessórios, como dentes, língua e glândulas anexas (fígado, pâncreas e glândulas salivares).
                                          Figura 1: Constituintes do sistema digestório humano.

A boca está limitada lateralmente pelas bochechas, superiormente pelo palato e inferiormente por músculos que constituem o assoalho da boca. A faringe é um tubo que começa nas narinas internas e estende-se até a cartilagem cricóidea, estando situada atrás das cavidades nasal e oral, acima da laringe e a frente das vértebras cervicais. O esôfago situa-se atrás da traqueia, começando na extremidade inferior da parte laríngea da faringe, passa pelo mediastino, perfura o diafragma pela abertura hiato esofágico, terminando na parte superior do estômago, sendo dividido em porção cervical, torácica e abdominal. O estômago situa-se abaixo do diafragma, com sua maior porção à esquerda do plano mediano, sendo constituído pelas regiões zona cárdica, fundo, corpo e zona pilórica (Fig. 2).
                                               Figura 2: Regiões do estômago humano.

O intestino delgado está dividido nas regiões duodeno, porção primária; jejuno, porção secundária; e íleo, porção terciária. O intestino grosso é a parte terminal do trato digestório, sendo dividida em ceco; cólons ascendente, transverso, descendente e sigmóide; reto e ânus (Fig. 3).
                                          Figura 3: Regiões do intestino grosso humano.

As glândulas salivares são constituídas pela parótida, submandibular e sublingual (Fig. 4). A glândula parótida situa-se adiante da orelha sobre o ramo da mandíbula e o músculo masseter, e seu canal excretor, o ducto parotídeo, abre-se ao nível do 2º molar superior. A submandibular localiza-se anteriormente a parte mais inferior da parótida, protegida pelo corpo da mandíbula, e o seu ducto submandibular abre-se no assoalho da boca, abaixo da língua. A sublingual é a menor das três, situando-se lateral e inferiormente à língua, sob a mucosa que reveste o assoalho da boca, tendo a abertura dos seus ductos sublinguais no assoalho da boca.
                        Figura 4: Glândulas salivares em humano: parótida, submandibular e sublingual.

O fígado está localizado abaixo do diafragma e à direita, embora uma pequena porção ocupe também a metade esquerda do abdome. Este órgão é ainda dividido em lobos direito, caudado, quadrado e esquerdo, e é uma importante glândula exócrina que produz a bile, a qual é armazenada na vesícula biliar, sendo conduzida pelos ductos hepáticos esquerdo e direito. A bile tem a função emulsionar as micelas de gordura e é liberada da vesícula pelo ducto cístico, indo até o duodeno pelo ducto biliar comum ou colédoco (Fig. 5). A vesícula biliar situa-se ao longo da borda direita do lobo quadrado do fígado em uma depressão rasa, e tem a função de armazenar a bile secretada pelo fígado nos intervalos entre as fases ativas da digestão, distribuindo-a para a parte distal do intestino para a digestão e absorção (Fig. 5).
O pâncreas é uma glândula mista que se estende quase transversalmente na parede abdominal posterior, atrás do estômago, desde o duodeno até o baço. Sua extremidade direita, larga, é denominada cabeça, e está unida à parte principal ou corpo, por um colo ligeiramente estreitado, e sua extremidade esquerda, estreita, forma a cauda (Fig. 5).  O pâncreas tem como função exócrina a produção e liberação do suco pancreático, composto basicamente de bicarbonato, o qual age no duodeno como neutralizador do ácido clorídrico proveniente do estômago.
                               Figura 5: Anatomia do fígado, vesícula biliar, pâncreas e seus ductos.

FIQUE ATENTO!
O pâncreas também tem a função endócrina de produzir dois hormônios extremamente importantes para a saúde, a insulina e o glucagon, os quais regulam o nível de glicose no sangue.

MAMÍFEROS RUMINANTES
Os ruminantes são animais herbívoros, portanto ingerem grande quantidade de celulose. O alimento que é ingerido chega ao rúmem (pança) onde ocorre uma digestão preliminar por ação de bactérias e protozoários que ali vivem (Fig. 6). Estes micro-organismos vivem em simbiose com esses mamíferos e produzem enzimas capazes de degradar a celulose (celulases e celobiases). Do rúmem, o alimento passa para o reticulum (barrete), onde, por compressão, formam-se bolos alimentares que são regurgitados e atingem a boca para uma nova mastigação, processo também chamado de ruminação, daí o nome ruminante. Então, o alimento bem mastigado, desce novamente pelo esôfago, passando pelo omaso onde é emulsionado, ficando mais digerido. Em seguida, atinge o abomaso ou coagulador, onde se dá parte da digestão química. Por fim, o duodeno recebe o alimento semi-digerido do coagulador.


                                       Figura 6: Sistema digestório dos mamíferos ruminantes.

O processo digestivo comum, semelhante ao dos humanos e outros mamíferos, ocorre no coagulador. No rúmem, o alimento sofre intensa fermentação por ação microbiana e os produtos da decomposição, principalmente os ácidos acético, propiônico e butírico, são absorvidos e utilizados pelo organismo. A concentração de micro-organismos no rúmem é muito alta e sua participação na nutrição do ruminante é bastante importante. (Fig. 6). Os ruminantes secretam saliva que atua como uma solução tampão, pois tem alto teor de bicarbonato de sódio, cuja finalidade é diminuir a acidez crescente em consequência da fermentação na pança. No caso dos humanos, esse trabalho é feito pelo pâncreas através do suco pancreático.

AVES
As aves consomem os mais variados tipos de alimentos: frutos, néctar, sementes, insetos, vermes, crustáceos, moluscos, peixes e outros pequenos vertebrados. Elas possuem um sistema digestório completo, composto de boca, faringe, esôfago, papo, proventrículo, moela, intestino, cloaca e órgãos anexos (fígado e pâncreas) (Fig. 7). Ao serem engolidos, os alimentos passam pela faringe, pelo esôfago e vão para o papo, cuja função é armazenar e amolecer os alimentos. Em seguida vão para o proventrículo, que é o estômago químico das aves, onde os alimentos sofrem a ação de hidrolases e começam a ser digeridos. Passam, então, para a moela (estômago mecânico) que tem paredes grossas e musculosas, onde os alimentos são triturados. Finalmente atingem o intestino, onde as substâncias nutritivas são absorvidas pelo organismo. Os restos metabólicos não aproveitados são transformados em fezes. As aves possuem uma bolsa única, a cloaca, onde desembocam as partes finais dos sistemas digestório, urinário e reprodutor.
                                               Figura 7: Sistema digestório de aves.


Escrito por: Adriele Cristiana e Priscila Ferrari


REFERÊNCIAS CONSULTADAS 
Autor desconhecido. Escola Gurdjieff São Paulo. Disponível em: 
        <http://www.ogrupo.org.br/glandula_pancreas.asp> Acesso em: 06 Jul. 2014.
BRASIL ESCOLA. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/biologia/digestao-dos-ruminantes.htmcirculatorio-dos-repteis>. Acesso em: 05 Jul. 2014.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo: Manole, 1991.
TOLEDO, M., HERMOSILLA, L. ESGB – Ferramenta para o estudo do sistema gástrico bovino utilizando técnicas de realidade virtual.
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6.ed. Porto Alegre: Artmed. 2006.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 2: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 3: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 4: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 5: http://atlasdeanatomiahumano.blogspot.com.br/2013_04_01_archive
Figura 6 editada: http://blogdodomdom.blogspot.com.br/2011/07/sistema-digestorio-dos-ruminantes.html e http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/mylinks/viewcat.php?cid=6&min=920&orderby=hitsA&show=10
Figura 7: http://simbiotica.org/digestivo.htm

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sistema linfático: uma comparação

O sistema linfático trabalha junto ao sistema circulatório auxiliando na remoção de resíduos, na coleta e na distribuição de ácidos graxos e gliceróis absorvidos no intestino delgado, e contribuindo para a defesa do organismo. Na sua constituição encontramos uma vasta rede de capilares, vasos e de pequenas estruturas chamadas de linfonodos que se distribuem por todo o corpo.
Este sistema transporta o fluido linfático chamado de linfa, dos tecidos para o sistema circulatório. Os vasos linfáticos possuem válvulas que impedem o refluxo da linfa em seu interior, permitindo com que ela circule pelo vaso num único sentido. A linfa assemelha-se ao sangue, diferenciando-se apenas por não apresentar células sanguíneas, sendo constituído principalmente por água, eletrólitos e quantidades variáveis de proteínas plasmáticas que escapam do sangue através dos capilares sanguíneos.
Quando comparamos o sistema linfático do cão, da vaca e de humanos percebemos que são extremamente semelhantes (Figs. 1 e 2).

                                    Figura 1. Sistema linfático de cães e de humanos.

O sistema linfático é dividido em órgãos linfóides primários que incluem a medula óssea e o timo, locais onde os linfócitos se diferenciam e sofrem maturação; órgãos linfóides secundários, ou órgãos linfóides periféricos, que são locais de desencadeamento da resposta imunitária.

                                     Figura 2. Sistema linfático de bovinos.

A circulação linfática é produzida por meio de contrações do sistema muscular ou de pulsações de artérias próximas aos vasos linfáticos, e nela são transportados os linfócitos para todo o organismo. Os vasos linfáticos passam através dos gânglios linfáticos, os quais contém um grande número de linfócitos e atuam como filtros, capturando organismos infecciosos, tais como as bactérias e os vírus. Por isso, eles aumentam de tamanho e ficam dolorosos quando existe algum processo infeccioso em andamento no organismo ou pela presença de um tumor no sistema linfático, muito conhecido como linfoma.
O baço e o timo também são órgãos linfóides, sendo que o baço tem como função a fagocitose de micro-organismos e células velhas do sangue, além de produzir linfócitos e ser reservatório de células sanguíneas; já o timo tem importância maior no animal jovem e regride na puberdade, sendo quase ausente no animal adulto, com função de maturar linfócitos do tipo T.

CURIOSIDADE!
O sistema linfático não possui um órgão equivalente ao coração. A linfa, portanto, não é bombeada como no caso do sangue. Mesmo assim se desloca, pois as contrações musculares comprimem os vasos linfáticos, provocando o fluxo da linfa. Em alguns vertebrados, como os peixes, os anfíbios e os répteis, existem estruturas conhecidas como "corações linfáticos" (Fig. 3), que auxiliam no bombeamento de água e íons absorvidos através da pele, em direção as veias. Esses órgãos são dilatações dos vasos que têm paredes com capacidade de se contrair, e seu ritmo de pulsação é independente do verdadeiro coração. Essas estruturas estão presentes em répteis e embrião de aves. O coração linfático é do tipo neurogênico, pois sua atividade é comandada pelo sistema nervoso central.


                                              Figura 3. Coração linfático de anfíbio.



                                                                                                        Escrito por: Maria Paula Carvalho e Laura Ribeiro 


REFERÊNCIAS CONSULTADAS
PINHEIRO, J. N.; Morfofuncional II. Sistema Linfático. 2014. Disponível em: <http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf>. Acesso em: 29 Jun. 2014.
Autor desconhecido. Fisiologia e Importância do Sistema Linfático. Disponível em: <http://www.roche.pt/sites-tematicos/linfomas/index.cfm/o_que_e/sistema-linfatico/fisiologia-sistema-linfatico/>. Acesso em: 29 Jun. 2014.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-linfatico.html;  
http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf.
Figura 2: http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf.
Figura 3: http://player.mashpedia.com/player.php?q=iEggiawJUcE&lang=pt

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sistema respiratório em diferentes ambientes

A respiração é uma das funções básicas presente nos seres vivos, sendo o órgão respiratório por excelência o pulmão. Em geral é controlada pelo bulbo cerebral, garantindo a amplitude e presença da respiração, enquanto o nervo frênico controla o diafragma, um dos músculos participantes da respiração.
O principal objetivo da respiração é suprir as células do corpo com oxigênio e remover o dióxido de carbono produzido pelas atividades celulares. Além disso, o sistema respiratório também está relacionado com o olfato e a fonação.
O sistema respiratório humano é constituído por cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, pulmões, brônquios, bronquíolos e alvéolos.
- O nariz é divido em nariz externo, que se constitui de uma passagem para o ar, funcionando como uma estrutura condicionadora que filtra, aquece e umidifica o ar; a cavidade nasal de onde se estendem as narinas anteriormente e as coanas posteriormente; além dos seios paranasais que são cavidades presentes em alguns dos ossos do crânio, como o frontal, a maxila, o esfenoide e o etmoide (Fig. 1).

                                                Figura 1: Vista lateral da cavidade nasofaringe.

- A faringe é um tubo muscular situado posteriormente a cavidade nasal, oral e laringe, e está associada a dois sistemas, o respiratório e o digestório, sendo divida em três parte: nasal, oral e laríngea. As pregas vocais (Fig. 2) são um par de lábios simétricos formados por um músculo e um ligamento elástico localizado na laringe abaixo da epiglote. Quando respiramos, as pregas vocais se afastam, e quando falamos ou cantamos, se aproximam e vibram.

                                   Figura 2: Imagem endoscópica da laringe e das pregas vocais.

Curiosamente, as baleias não produzem sons da mesma maneira que nós, já que as nossas cordas vocais não funcionariam tão bem debaixo d´água. As baleias produzem sons inalando o ar através da cavidade nasal que fica na frente dos buracos respiratórios. Por outro lado, no mundo dos insetos, somente os grilos machos produzem sons e o fazem para atrair as fêmeas para a reprodução. Para tanto, os machos possuem uma série de pelos nas bordas de suas asas, alinhados como pentes, que produzem os sons roçando uma asa contra a outra, produzindo um canto peculiar que varia com a época do ano, e que é mais intenso para atrair a fêmea.

- A laringe é um órgão muscular, situado no plano mediano e anterior do pescoço, anterior a faringe e continuada pela traqueia. Suas funções incluem servir como via aerífera e participar da fonação. 
- A traqueia é uma estrutura cilindróide constituída por uma série de anéis cartilaginosos em forma de C (16 a 20 anéis). A parede posterior, desprovida de cartilagem constitui a parede membranácea da traqueia, que apresenta musculatura lisa.
- Os brônquios principais, um em cada pulmão, seguem ínfero-lateralmente do término da traqueia até os hilos pulmonares, onde subdivide-se no interior do pulmão formando a árvore bronquial. Dentro dos pulmões, os brônquios dividem-se de forma e em direções constantes, de modo que cada ramificação supre um setor claramente definido no pulmão (Fig. 3).

                                      Figura 3: Vista anterior da traqueia e dos brônquios.

- Os pulmões são órgãos essenciais na respiração. No seu interior, o ar inspirado é colocado em estreita relação com o sangue nos capilares pulmonares. Cada pulmão apresenta um ápice e uma base, três faces (costal, diafragmática e mediastinal) e três margens (anterior, posterior e inferior). O hilo do pulmão é a região onde os brônquios, vasos pulmonares, vasos bronquiais, vasos linfáticos e nervos entram e saem do pulmão (Fig. 4).

                                 Figura 4: Anatomia do pulmão. 
                                 (A) Veias e artérias pulmonares que adentram os pulmões através do hilo pulmonar.
                                 (B) Hilo pulmonar direito.

A ventilação pulmonar é o processo pelo qual os gases são trocados entre o meio externo e os alvéolos pulmonares no homem. O ar se relaciona entre a atmosfera e o pulmão pela diferença de pressão que existe entre os meios externo e interno. Nós inspiramos quando a pressão de dentro dos pulmões é menor que a pressão do ar na atmosfera, e expiramos quando a pressão dentro dos pulmões é maior que a do ar na atmosfera. Além disso, a troca de gases ocorre por difusão através da membrana alveolocapilar (Fig. 5).

                                          Figura 5: Pulmões e troca gasosa alveolocapilar.

Sistema respiratório em ambiente aquático: Peixes ósseos
Ao contrário dos animais terrestres que utilizam o pulmão como órgão principal para a respiração, os peixes utilizam as brânquias que exercem papéis vitais. Isso é, embora seja o principal sítio de trocas gasosas, as brânquias também estão envolvidas nos processos de osmorregulação, equilíbrio ácido-básico e excreção de compostos nitrogenados.
As fendas branquiais apresentam expansões, os rastros, direcionadas à cavidade faríngea, variando em forma, tamanho, quantidade e distribuição para cada espécie. Os peixes adquiriram grande eficiência na absorção do oxigênio da água, graças à estrutura das brânquias que permitem um fluxo constante de água pelo epitélio respiratório, em qualquer estágio da respiração. No processo respiratório dos peixes, os opérculos fecham-se e a cavidade bucal aumenta, permitindo a entrada de água pela boca. Simultaneamente, as câmaras branquiais aumentam de volume, produzem uma pressão negativa e a água passa sobre as brânquias. Em seguida, a boca se fecha e as câmaras branquiais contraem-se, forçando a água para fora através das aberturas operculares. Em resumo, a cavidade bucal e as câmaras branquiais atuam alternadamente como bombas de sucção e pressão para manter um fluxo contínuo de água sobre as brânquias (Fig. 6).
                                               Figura 6: Sistema respiratório dos peixes.

O epitélio branquial, um epitélio estratificado composto por diversos tipos celulares, reveste o arco branquial, os rastros, os filamentos branquiais e as regiões interlamelares. Além deste, o epitélio respiratório recobre as lamelas respiratórias.
É interessante sabermos que o sistema respiratório se adaptou de formas variadas para suprir a necessidade de cada espécie. Convictos de que a vida teve início na água, as adaptações que a natureza deu aos indivíduos para a saída ao ambiente terrestre são impactantes, uma vez que a pressão atmosférica, densidade do ar e noção de peso em terra são maiores e as dificuldades para se manter vivo eram grandes. Mas a evolução resolveu esse problema criando um órgão surpreendente, o pulmão.

                                                                                Escrito por: Adriele Cristiana e Priscila Ferrari 

REFERÊNCIAS CONSULTADAS 
Autor desconhecido. Como Tudo Funciona. Disponível em:<http://ciencia.hsw.uol.com.br
        /baleias3.htm> Acesso em: 20 Jun. 2014.
Autor desconhecido. Wikipédia – A Enciclopédia Livre. 2014. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Grilo> Acesso em: 20 Jun. 2014.
MACHADO, R. M. Uso de brânquias de peixes como indicadores de qualidade das águas. Disponível em: <http://revistas.unopar.br/index.php/biologicas/article/view/104/101> Acesso em 20 Jun. 2014.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo. Manole, 1991.
TORTORA, G. J. & GRABOWSKI, S. R. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6.ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. 

FONTE DAS IMAGENS
Figuras 1 e 3: http://www.auladeanatomia.com/respiratorio/sistemarespiratorio.htm
Figura 2: http://www.vozecantoporfaninineves.com/tecnica-vocal-/fisiologia-da-voz/
Figura 4A: http://enfermeirosinformados.blogspot.com.br/2008/02/imagens-artrias-e-veias-pulmonares.html
Figura 4B: http://bloganatomiahumana.blogspot.com.br/2009/06/pulmoes.html
Figura 5: http://amandaraphaelabioifes.wordpress.com/2011/02/25/sistema-respiratorio/
Figura 6: http://auladecienciasdanatureza6.blogspot.com.br/2011/12/respiracao-dos-peixes.html