sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Comparando o útero humano com o da paca (Caniculus paca)

No texto abaixo comparamos o órgão do sistema reprodutor feminino segundo sua localização e morfologia, tendo como base os dados de Reis et al. (2011) e Spence (1991).

Localização
 O útero humano (Fig. 1A) está localizado na pelve, atrás da bexiga urinária e à frente do colo sigmóide e do reto. O peritônio que recobre as faces da bexiga urinária dirige-se para as faces anterior e posterior do útero a partir do assoalho da cavidade pélvica, formando as escavações vesicouterina e retouterina, respectivamente. Por outro lado, o útero das pacas (Fig. 1B) se localiza na região sublombar, caudal aos rins, contínuo aos ovários e às tubas uterinas, estendendo-se até a região próxima a entrada da pelve, onde se posiciona dorsalmente a vesícula urinaria.


Figura 1: Região pélvica humana, onde se localiza o útero atrás da bexiga urinária (A), e região sublombar da paca (Caniculus paca), onde se encontra o útero (U), caudal aos rins (R) e cranial à bexiga (Be) (B).

Morfologia
O útero humano (Fig. 2A) é um órgão ímpar, oco, com forma análoga a uma pêra, e com comprimento entre 6 a 9 cm e espessura de 2 a 3 cm. A porção superior do útero é chamada corpo, onde sua abertura para as tubas uterinas recebe o nome de junção uterotubária. Logo abaixo, o útero se estreita formando o istmo, o qual ao se juntar a vagina adquire uma forma cilíndrica constituindo o colo. A sua abertura na vagina é chamada de óstio do útero. A região em forma de cúpula do corpo uterino, acima e entre os pontos de entrada das tubas uterinas, é chamada de fundo.
O útero de roedores como a paca (Fig. 2B) é formado por dois cornos uterinos retilíneos com comprimento médio de 96,3 mm e 26,0 mm de diâmetro. A parede medial de cada corno uterino converge caudalmente formando um septo interno, o “velum” uterino, que embora incompleto, determina a formação de dois canais cervicais quase individuais, com a presença de dois óstios uterinos internos e apenas um óstio uterino externo que se abre na vagina.

Figura 2: Morfologia do útero humano (A) e do útero da paca (Caniculus paca) (B). U: cornos uterinos; V: vagina; L: ligamento mesométrio; : ligamento intercornual (“velum”).

Escrito por: João Vitor Marani Amaral

Referencias consultadas

MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 2 ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 580 p., 2004.
REIS, A. C. G. et al. Morfologia do sistema genital feminino da paca (Cuniculus paca, Linnaeus, 1766). Brazilian Journal Veterinary Research Animal Science, São Paulo, v. 48, n. 3, p. 183-191, jun. 2011.
SPENCE, A. P. Anatomia humana básica. Manole: São Paulo, 713 p., 1991.

Fonte das imagens
Figura 1A: http://www2.unifesp.br/dmorfo/histologia/ensino/utero/
Figura 1B e 2B: REIS et al. (2011).
Figura 2A: MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia Humana. 6 ed. Artmed: Porto Alegre, p. 734, 2009.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Comparando a anatomia dos rins: homem e bovino

O sistema urinário é responsável pela produção e eliminação da urina, a qual é composta por 95% de água, além de ureia, cloreto de sódio e ácido úrico. Os órgãos responsáveis por esse sistema são os rins, que produzem a urina através da filtração do sangue; os ureteres, que conduzem a urina dos rins até a bexiga; a bexiga, que armazena a urina; e a uretra, a qual expele a urina do corpo.

Figura 1: Morfologia externa do rim do homem (A) e do bovino (B).


Os rins são órgãos pares, que possuem formato de feijão no homem (Fig. 1A), mas nos bovinos são lobulados (Fig. 1B), localizados na cavidade abdominal, um de cada lado da coluna vertebral predominantemente na região lombar em ambos (Fig. 2). Nos bovinos, o rim esquerdo é empurrado na metade direita do abdome pelo grande desenvolvimento do estômago (Fig. 2B).

Figura 2: Sistema urinário no homem (A), incluindo rim, ureteres, bexiga e uretra, e a disposição dos rins no bovino (B).


Esses órgãos têm por função extrair os produtos residuais provenientes do sangue através das suas unidades funcionais, os néfrons. Os néfrons são unidades produtoras de urina e tem seu funcionamento semelhante em humanos e bovinos, possuindo uma cápsula glomerular (cápsula de Bowman), que em seu interior há arteríolas ramificadas formando um emaranhado de capilares, chamado de glomérulo renal. A estrutura do néfron se distribui entre o córtex e a medula renal.

Figura 3: Anatomia interna do rim do homem (A) e do bovino (B), apresentando o córtex, a medula e os lóbulos renais.


Na anatomia interna dos rins é possível observar o córtex e a medula renal (Fig. 3). O córtex emite projeções para a medula, as colunas renais, que separam porções cônicas chamadas de pirâmides. Os ápices das pirâmides são denominados de papilas renais, local em que os ductos coletores se desembocam e por onde a urina escoa para os cálices, a pelve renal e o ureter.

Escrito por: Nathália Barbar Cury Rodrigues

Referencias consultadas
Autor desconhecido. Anatomia veterinária. Órgãos urinários. Ano desconhecido. Disponível em: <http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html>. Acesso em: 05 jan. 2015.
Autor desconhecido. Manual Merck. Funcionamentos dos rins e das vias urinárias. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.manualmerck.net/?id=148>. Acesso em: 05 jan. 2015.
SANTOS, V. S. Alunos onlines. Sistema urinário. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-urinario.html>. Acesso em: 05 jan. 2015.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. São Paulo: Manole, 1991.

Fonte de imagens
Figura 1A: http://pt.dreamstime.com/fotografia-de-stock-royalty-free-rim-humano-image20446327
Figura 1B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html
Figura 2A: http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-urinario.html
Figura 2B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html
Figura 3A: http://nantescestabasica.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html

Figura 3B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Diabetes mellitus: uma doença que se manifesta em diversas espécies

O diabetes mellitus é uma desordem metabólica de etiologia múltipla, caracterizada por hiperglicemia crônica com distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, resultante da incapacidade ou insuficiência na produção ou ação da insulina, a qual é um hormônio produzido e secretado pelo pâncreas.

O pâncreas é uma glândula mista, pois possui atividade endócrina, sintetizando e secretando hormônios que serão encaminhados para os vasos sanguíneos, como é o caso da insulina, e exócrina, produzindo e secretando enzimas digestivas e bicarbonato na forma de suco pancreático que será liberado no intestino delgado pela papila duodenal juntamente com a bile produzida pelo fígado (Fig. 1).

Figura 1: Porções endócrina e exócrina do pâncreas.


















Em seres humanos, o pâncreas está localizado na parte superior da cavidade abdominal e posterior ao estômago (Fig. 2A), enquanto nos cães, essa glândula encontra-se ao lado do estômago (Fig. 2B). Em ambos os animais citados, o pâncreas apresenta-se como um órgão achatado no sentido ântero-posterior com uma face anterior e outra posterior, uma borda superior e uma inferior, tendo como função comum a regulação de diversos mecanismos celulares e bioquímicos.
Além disso, o pâncreas pode ser dividido em três principais porções: cabeça, corpo e cauda. A cabeça situa-se na parte direita do abdômen e é ligada ao duodeno (porção inicial do intestino delgado) por meio de ductos pancreáticos (principal e comum). Logo após, tem-se o corpo, que é toda a região situada entre a cabeça e a cauda dessa glândula. A cauda é apenas a extremidade afilada do lado esquerdo do abdômen.

Figura 2: Localização do pâncreas no homem (A) e no cão (B).

O diabetes mellitus não é uma doença restrita aos seres humanos, podendo ser encontrada em muitos animais, como por exemplo, em cães e gatos. É uma doença que não possui cura e necessita de cuidados adequados, pois pode resultar em coma.
O mellitus é o tipo mais comum do diabetes, tanto no homem como em outros animais. Pode ainda ser dividido em dois principais tipos: I e II. O primeiro indica destruição de células beta que eventualmente leva ao estágio de deficiência absoluta de insulina. Já o segundo, é uma deficiência relativa do hormônio, havendo células produtoras, porém em quantidade insuficiente ou os tecidos do corpo são relativamente resistentes a ela. O controle da doença do tipo I requer injeções diárias de insulina para regular o nível de glicose no sangue e para o tipo II geralmente são utilizados medicamentos orais, em ambos os animais citados.

Escrito por Letícia Rodrigues Novaes

Referências consultadas
ABC.MED.BR, 2008. Diabetes Mellitus. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/diabetes-mellitus/22360/diabetes+mellitus.htm>. Acesso em: 3 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Aula de anatomia. Sistema digestório. Disponível em: < http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm > Acesso em 5 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Digestive Disorders Health Center. Disponível em: <http://www.webmd.com/digestive-disorders/picture-of-the-pancreas >  Acesso em 5 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. The Animal Hospital. Diabetes Mellitus. Disponível em: < http://theanimalhospital.com/resources/health-topics/dog-health-articles/diabetes-mellitus/ > Acesso em 5 jan. 2015.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cadernos de atenção básica. Diabetes mellitus. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF > Acesso em 5 jan. 2015.
SANTORO, Natália A. Diabetes mellitus em cães. Disponível em: <http://arquivo.fmu.br/prodisc/medvet/nasa.pdf > Acesso em 5 jan. 2015.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Definition, Diagnosis and classification of Diabetes Mellitus and its complications. Disponível em: < https://www.staff.ncl.ac.uk/philip.home/who_dmc.htm > Acesso em 4 jan. 2015.


Fonte das imagens
Figura 1 (modificada): http://www.saffioraire.com/resources/Pancreas.gif

sábado, 20 de dezembro de 2014

Variações anatômicas comparando o sistema digestório de equino e humano

Para o abastecimento da energia necessária ao suprimento das diversas atividades realizadas pelos animais, tais como, condução de impulsos nervosos, contração muscular, dentre outras, o organismo necessita da alimentação. O sistema digestório é capaz de modificar os alimentos por processos mecânicos e químicos, que ao serem ingeridos, são degradados em moléculas menores, capazes de serem absorvidas pela parede do trato gastrointestinal, penetrando no sistema vascular sanguíneo e servindo como nutrientes importantes.
O sistema digestório é constituído por um tubo denominado trato gastrointestinal, composto por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Além do trato gastrointestinal, existem estruturas acessórias que compõem este sistema, como os dentes, a língua, as glândulas salivares, o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas. Os dentes auxiliam na degradação física do alimento e as outras estruturas acessórias, exceto a língua, produzem ou armazenam secreções que são liberadas no trato através de ductos e são fundamentais para a digestão química.
A língua é uma estrutura acessória do sistema digestório e forma o assoalho da boca, se localizando na cavidade propriamente dita, espaço largo interno aos dentes. No dorso (face superior) da língua, existem pequenas projeções denominadas de papilas linguais, que variam de forma e são responsáveis pelos sabores.
A língua humana (Fig. 1A) apresenta ápice, dorso, corpo, raiz e sulco mediano, que são estruturas e regiões anatômicas também presentes em equinos (Fig. 1B). Uma diferença evidente neste órgão entre os dois animais é o comprimento do corpo da língua, que em equinos é mais alongado.

Figura 1: Língua humana (A) e língua equina (B) em vista anterior.

O estômago humano (Fig. 2A) possui quatro áreas principais: cárdia, fundo, corpo e piloro. A cárdia é a primeira porção do estômago, onde se localiza o óstio cárdico (abertura); o fundo está situado na porção esquerda e acima da porção cárdica; o corpo encontra-se entre o fundo e a porção pilórica; e o piloro, onde se localiza o esfíncter pilórico, apresenta fibras musculares responsáveis por controlar o esvaziamento gástrico e o refluxo do conteúdo duodenal para o estômago. A porção superior do estômago está ligada ao esôfago e a inferior ao duodeno.
Entretanto, no estômago de equinos (Fig. 2B) encontramos características específicas destes animais e outras relacionadas aos humanos. Os cavalos são classificados como animais herbívoros monogástrico, pois apresentam digestão no ceco e no cólon maior, possuindo semelhança com os poligástricos. Seu estômago se localiza na metade esquerda do abdome, com capacidade de até 7 a 15 litros de alimento, enquanto o estômago humano possui capacidade média de 1,5 litros. Além disso, a curvatura menor do estômago dos equinos comparada com a curvatura maior é muito curta, apresentando desta forma, uma aproximação entre cárdia e piloro.
Uma das camadas que constituem a parede gástrica do estômago desses mamíferos é a mucosa, a qual apresenta-se dividida em duas áreas que são classificadas como: secretora ou glandular, e pavimentosa ou não glandular.

     Figura 2: Estômago humano (A) e estômago equino (B) em vista anterior.

Existem doenças que afetam diretamente o estômago e intestino dos equinos, chamadas lesões ulcerativas. Estas ocorrem principalmente na mucosa não glandular, pois nela não se encontra proteção eficiente, o que confirma a prevalência de 80% destas lesões. Esse problema ocorre principalmente pela influência da domesticação, sistemas de manejo, pela criação e esportes hípicos, que assim como em humanos, com suas diversas atividades diárias, causam estresse.

Escrito por Lara Parreira de Souza

Referências consultadas
ARANZALES, J. R. M.; ALVES, G. E. S. O estômago equino: agressão e mecanismos de defesa da mucosa. Ciência Rural, v. 43, n. 2, p. 305-313, fev., 2013.
SIMÕES, J. S. A. Utilização de gastroscopia no despiste da Egus/Suge (equine gastric ulcer syndrome/síndrome de úlcera gástrica equina). 2011. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária), Universidade Técnica de Lisboa, 2011.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo: Manole, 1991.
TEIXEIRA, F. R. Fundamentos da Anatomia Veterinária. 2010. Disponível em: <http://www.purotrato.com.br/b-revisao-bibliografica-sobre-o-aparelho-digestorio-e-aspectos-sobre-a-digestao-dos-equinos.html>. Acesso em 13 Dez. 2014.
TORTORA, G. J. Corpo Humano: fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Fonte de imagens
Figura 1A: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 1B: http://www.uff.br/webvideoquest/FL/LM26.htm                                                
Figura 2A:
http://www.estudopratico.com.br/sistema-digestorio-humano-orgaos-e-suas-funcoes/
Figura 2B:
http://practicasdeanatomiatopografica.blogspot.com.br/2009/04/practica-7endoscopia-en-equinos.html

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cartilagens da laringe do quati (Nasua nasua) comparadas com as presentes no homem

A laringe do quati apresenta um vestíbulo seguido pelas pregas vocais e é composta pelas cartilagens tireoidea, epiglote, cricóidea e aritenóidea com o processo corniculado. Já a laringe humana é composta de nove cartilagens, sendo três de forma isolada (cartilagens tireoidea, epiglote e cricóidea) e três em pares (cartilagens aritenóidea, cuneiforme e corniculada).
Abaixo analisamos cada cartilagem e comparamos suas especificidades, tendo como base os resultados de Oliveira e colaboradores (2012).

Cartilagem tireoidea
Nos quatis, a cartilagem tireóidea (Fig. 1A) consiste de duas lâminas laterais de cartilagem hialina, que se encontram ventralmente formando a maior parte do assoalho laríngeo. Consequentemente esta é a maior cartilagem da laringe no quati. Nos humanos, a cartilagem tireóidea (Fig. 1B) também consiste em duas lâminas fundidas de cartilagem hialina, porém elas formam a parede anterior da laringe, conferindo-lhe a forma triangular.

Figura 1: Cartilagem tireoidea do quati (Nasua nasua) (A) e do homem (B). A: vista superior; B: vista anterior; Ct: cartilagem tireoidea.


Cartilagem epiglote
Nos quatis, a cartilagem epiglote (Fig. 2A) consiste em uma pequena haste e uma grande lâmina em forma de folha constituída de cartilagem elástica. Em repouso, a cartilagem epiglótica inclina-se dorsorrostralmente atrás do palato mole. Nos humanos, a cartilagem epiglote (Fig. 2B) é um pedaço de cartilagem elástica foliada recoberta por epitélio. A parte foliada superior e ampla da epiglote está solta e livre para movimentar-se pra baixo e para cima. Durante a deglutição, a laringe se eleva empurrando a epiglote para baixo, tampando assim a glote e evitando o fluxo de alimento para os pulmões.

Figura 2: Cartilagem epiglote do quati (Nasua nasua) (A) e do homem (B). A: vista posterior; B: vista posterior; Ce: cartilagem epiglote.


Cartilagem cricóidea
Nos quatis, a cartilagem cricóidea apresenta um anel e consiste em uma lâmina dorsal expandida (Fig. 3A1) e um arco dorsal mais estreito (Fig. 3A2), sendo os dois constituídos de cartilagem hialina. Nos humanos, a cartilagem cricóidea (Fig. 3B) é um anel também constituído de cartilagem hialina, a qual forma a parede inferior da laringe e está ligada ao primeiro anel de cartilagem da traqueia, servindo como ponto de referência para traqueostomia de emergência.

Figura 3: Cartilagem cricóidea do quati (Nasua nasua) (A) e do homem (B). A1: vista anterior da lâmina (L) e da crista (seta); A2: vista posterior do arco (seta) da cartilagem cricóidea (Cc), bem como a cartilagem aritenóidea (Ca) e o processo corniculado (Pc); B: vista posterior.


Cartilagem aritenóidea
Nos quatis, a cartilagem aritenóidea (Fig. 4A) é constituída de cartilagem hialina, tem forma irregular descrita como piramidal, e possui o processo corniculado que se prolonga dorsomedialmente, formando a margem caudal da entrada da faringe. Enquanto nos humanos, a cartilagem aritenóidea (Fig. 4B) acontece em par, com forma triangular, e é constituída de cartilagem hialina, estando situada na margem súpero-posterior da cartilagem cricóidea. Além disso, essa cartilagem prende-se às pregas vocais e aos músculos intrínsecos da faringe.

Figura 4: Cartilagens aritenóidea e corniculada do quati (Nasua nasua) (A) e do homem (B). A: vista superior da cartilagem aritenóidea (Ca) e o processo corniculado (Pc), bem como do arco (seta) da cartilagem cricóidea (Cc); B: vista posterior.


Cartilagem corniculada
Nos quatis, a cartilagem corniculada (Fig. 4A) está envolvida no processo de corniculação citado na descrição da cartilagem aritenóidea. Nos humanos, a cartilagem corniculada (Fig. 4B) também acontece em par, sendo pedaços cônicos de cartilagem elástica localizados no ápice de cada cartilagem aritenóidea.

 Cartilagem cuneiforme
A cartilagem cuneiforme está presente apenas nos humanos (Fig. 5). Ela aparece em par e é composta por cartilagem elástica em forma de bastão. Sua localização é anterior à cartilagem corniculada e é responsável pela sustentação das pregas vocais e das faces laterais da epiglote.

Figura 5: Vista posterior da cartilagem cuneiforme humana.



Escrito por: João Vitor Marani Amaral


Referências consultadas
Oliveira, V. C. et al. Estudo morfológico do sistema respiratório de quati. Biotemas, Biotemas, v. 25, n. 1, p. 81-92, mar. 2012.
Tortora, G. J. Princípios de anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Fonte das imagens
Figuras 1A, 2A, 3A1 e A2 e 4A: Oliveira, V. C. et al. Estudo morfológico do sistema respiratório de quati. Biotemas, Biotemas, v. 25, n. 1, p. 81-92, mar. 2012.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Câncer mamário em mulheres e cadelas

O sistema linfático é uma rede de linfonodos, órgãos linfoides, tecidos, vasos e capilares linfáticos que produzem e transportam a linfa. Essa rede se distribuiu por todo o corpo e é um importante componente do sistema imunológico.
Os linfonodos são encontrados em várias partes do corpo, como nas axilas, pescoço e virilha no homem, e abaixo do pescoço, nas axilas, ombros, virilha e na parte traseira das pernas nos cachorros.

Figura 1: Distribuição dos linfonodos na mulher (A) e no cachorro (B).

O linfoma é uma das formas mais comuns de câncer que se dá nos vasos linfáticos, sendo que a doença se desenvolve nos linfonodos e é causada pela multiplicação dos linfócitos malignos nos nódulos linfáticos.
O tumor de mama em mulheres é semelhante ao das cadelas. O surgimento do tumor nos dois animais ocorre devido ao crescimento e reprodução rápida e desordenada das células desse órgão. O câncer ocorre quando essas células cancerosas, através dos vasos linfáticos axilares, chegam aos gânglios mamários, havendo um inchaço nesses gânglios, sendo chamado de nódulo.

Figura 2: Localização de um tumor no quadrante superior da mama da mulher (A) e em uma das mamas esquerdas da cadela (B).

 Para a identificação deste tumor, ambos devem fazer o exame do toque periódico nas mamas, no qual a mulher e o dono do cachorro devem com as pontas dos dedos fazer movimentos circulares envolta da mama. Se identificado algum tipo de caroço, ambos devem procurar um médico ginecologista ou veterinário, respectivamente. Para prevenção, mulheres acima dos 40 anos e cadelas acima dos 8 anos de idade devem fazer mamografia pelo menos uma vez por ano, pois acima dessa idade o risco de tumor é maior.

Escrito por Nathália Barbar Cury Rodrigues

Referencias consultadas
AUTOR DESCONHECIDO. ABC da saúde. Câncer de mama. Disponível em <http://www.abcdasaude.com.br/cancerologia/cancer-de-mama>. Acesso em 29 de Nov. 2014.
AUTOR DESCONHECIDO. Aula de Anatomia. Sistema Linfático. Disponível em <http://www.auladeanatomia.com/linfatico/linfa.htm>. Acesso em 25 de Nov. 2014.
AUTOR DESCONHECIDO. Ebah. Câncer de mama. Disponível em <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABS6YAG/cancer-mama>. Acesso em 29 de Nov. 2014.
AUTOR DESCONHECIDO. Portal do dog. Câncer de mama em cadelas. Disponível em <http://portaldodog.com.br/cachorros/saude/cancer-de-mama-em-cadelas/>. Acesso em 29 de Nov. 2014.
LOPES, BERNARDO. UNIVET. Câncer de mama em cadelas. Disponível em <http://www.univetvitoria.com.br/dicas.html>. Acesso em 29 de Nov. 2014

Fontes das imagens
Figura 1A:  http://asaudeeabeleza.blogspot.com.br/2013/05/linfonodos-ou-nodulos-linfaticos.html
Figura 1B: http://petcare.com.br/blog/ganglios-nodulos-inguas-ou-linfonodos-o-que-e-isso/
Figura 2A: http://curiosonow.blogspot.com.br/2014/05/cancer-de-mama.html
Figura 2B: http://portaldodog.com.br/cachorros/saude/cancer-de-mama-em-cadelas/


sábado, 29 de novembro de 2014

Tipos de sistemas de circulação sanguínea presentes em vertebrados e invertebrados

Ao comparar alguns animais com os seres humanos, em relação ao tipo do sistema de circulação sanguínea, constata-se que existe uma significativa diferença entre eles. Entretanto, há também aqueles que possuem o sistema circulatório semelhante ao do homem. De forma geral, os sistemas circulatórios que podem ser descritos são: aberto, fechado simples e fechado duplo.
 Para ilustrar essa ideia, pode-se utilizar o ser humano, uma vez que este possui circulação predominantemente do tipo fechada dupla (Fig. 1A). Isso é, o sangue circula apenas em vasos sanguíneos e no coração, de maneira unidirecional, em apenas um sentido, e dupla, havendo sangue venoso e arterial que participam das circulações pulmonar e sistêmica.
Na circulação sistêmica, o sangue arterial sai do ventrículo esquerdo por meio da artéria aorta e seus ramos, sendo levado para irrigar todos os órgãos e retorna destes órgãos para o coração através das veias cavas superior e inferior para o interior do átrio direito (CORAÇÃO à TECIDO à CORAÇÃO). Já a circulação pulmonar começa no ventrículo direito, em que através do tronco pulmonar e das artérias pulmonares o sangue chega aos pulmões para ser oxigenado e retorna para o coração pelas veias pulmonares, chegando ao átrio esquerdo (CORAÇÃO à PULMÃO à CORAÇÃO).


Figura 1: Sistemas circulatórios fechado duplo (A) no homem, fechado simples (B) nos peixes, e aberto (C) nos insetos.



Além da circulação fechada, nos seres humanos encontra-se também a circulação aberta no baço. Deste órgão saem e entram vasos, como a veia esplênica e a artéria esplênica, respectivamente. Esta circulação é aberta porque o sangue não circula somente em vasos, mas entra no órgão pelas artérias, desemboca em sinusoides e posteriormente volta para as veias, chegando até o fígado.
 Os equinos são análogos aos seres humanos em relação ao sistema fechado, apenas o nome das veias cavas se difere, sendo veia cava cranial no cavalo e veia cava superior no homem (Fig. 2A), e veia cava caudal no cavalo (Fig. 2B) e veia cava inferior no homem.

Figura 2: Estruturas anatômicas externas do coração do homem (A) e do coração do equino (B). Nota-se nomenclatura diferenciada para as veias cava em ambos os animais.


o sistema fechado simples ocorre em peixes (Fig. 1B), no qual o sangue passa apenas uma vez pelo coração para finalizar o circuito completo. Além disso, somente o sangue venoso circula por esse órgão, diferentemente dos outros sistemas.
Ao analisar os invertebrados, como os artrópodes, verifica-se que eles possuem sistema circulatório aberto (Fig. 1C). O líquido é bombeado pelo coração e periodicamente abandona os curtos vasos, caindo em lacunas corporais chamadas de hemocele, onde ocorrerão as trocas de substâncias de forma lenta entre o líquido e as células. Desse modo, vagarosamente, o líquido retorna para o coração através de um seio pericárdico e de óstios, e esse órgão novamente o bombeia para os tecidos (CORAÇÃO à LACUNAS à CORAÇÃO).


Escrito por Letícia Rodrigues Novaes

Referências consultadas
AUTOR DESCONHECIDO. Anatomia Humana. Baço.  Disponível em: http://medicina-anatomiahumana.blogspot.com.br/2008/12/bao.html. Acesso em 26 nov. 2014.
AUTOR DESCONHECIDO. Só biologia. Peixes. Disponível em: < http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos3/Peixes.php >. Acesso em 25 nov. 2014.
BRUSCA, Richard C. BRUSCA. Gary J. Invertebrados. ed. 2º. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
CARVALHO, N. C. Anatomia do coração. Curso de medicina veterinária. Disponível em: <http://cursomedicinaveterinaria.blogspot.com.br/2011/11/anatomia-do-coracao.html>. Acesso em 20 nov. 2014.
DUARTE, Hamilton Emídio. Anatomia Humana. BIOLOGIA/EAD/UFSC, Florianópolis, 2009. 174 p. Apostila.


Fonte das imagens
Figura 2A (modificada): http://www.nationalcprfoundation.com/wp-content/uploads/2013/12/heart2.png
Figura 2B (modificada): http://www.thinklikeahorse.org/index-5.html