quarta-feira, 22 de julho de 2015

Comparação da Anatomia e Fisiologia do Sistema Digestório de Aves e Humanos

     
     Para os animais permanecerem vivos, há a necessidade de renovação das células, desenvolvendo  a estrutura corporal  e mantendo suas atividades vitais. Para isso, os alimentos são primordiais pois são eles que fornecem energia para o nosso corpo.
No corpo humano o funcionamento do sistema digestório ocorre após uma refeição, onde os nutrientes presentes nos alimentos chegam às células através da digestão  e absorção destes no estomago e intestinos. Durante o processo de digestão o corpo produz enzimas digestórias que são capazes de absorver e compartimentalizar o alimento, sendo cada tipo de enzima  especifica para cada tipo de molécula:  por exemplo, as amilases atuam somente em moléculas de amido (carboidrato), as proteases agem nas moléculas de proteínas,  as lipases nas moléculas de gordura (lipídios), as pepsinas que agem nos peptídeos

         O tubo digestório em humanos é composto por seguintes órgãos: boca, faringe, esôfago, estomago, intestino delgado e intestino grosso (Fig.1).



                                          Fig.1.Sistema Digestório Humano.


        No sistema digestório humano a boca é a primeira estrutura receptora dos alimentos que são digeridos e umedecidos pela saliva, que é produzida pelas glândulas salivares. A saliva possui a enzima amilase, que inicia a digestão dos carboidratos. Na boca os dentes trituram o alimento e logo há a deglutição, sendo a língua responsável por empurrar o bolo alimentar até o esôfago, que é um tubo flexível que faz movimentos peristálticos e leva o bolo alimentar até o estomago. No estomago os movimentos peristálticos também movimentam o bolo juntamente com o suco gástrico; neste momento ocorre, principalmente, a digestão de proteínas. A digestão do restante dos nutrientes ocorre no duodeno, onde são lançadas substâncias que ajudam na digestão como, por exemplo, a bile produzida pelo fígado e o suco pancreático, produzido pelo pâncreas. É no intestino delgado que haverá a completa absorção dos nutrientes. Os alimentos serão levados até o intestino grosso onde ocorre a absorção de água e sais minerais; neste órgão também existem bactérias que ajudam na fermentação e decomposição de resíduos de alimentos, que são eliminados pelo ânus.


Comparando....                                                                      

        O sistema digestório da maioria das aves é constituído por esôfago, papo, proventriculo, moela, intestino e cloaca (Fig.2).

                                                 Fig 2. Sistema digestório em Aves


        Nas aves as estruturas dos órgãos são diferenciadas das que compõe o sistema de digestão humano, pois a primeira estrutura que recebe o alimento é o bico; as aves não possuem dentes para a trituração. A dieta desses animais é composta por grãos e sem a mastigação há a digestão inteira do grão. Para haver a deglutição as aves movimentam a cabeça para frente (Fig.4) que resulta no deslocamento do alimento para trás caindo também por peristaltismo no papo, uma região dilatada do esôfago. É no papo ou inglúvio que o alimento ingerido pelo animal será armazenado, sendo este bem desenvolvido nas espécies de pombos e frangos. O estômago é dividido em proventrículo e moela. Após serem amolecidos no papo, os alimentos vão para o proventrículo, também chamados de estômago químico. No proventrículo, o alimento é misturado a enzimas digestivas e encaminhado para o estômago mecânico, conhecido como moela.


                                                     Fig.3 Galinha realizando movimento para deglutição


A moela (fig.5) é um órgão (com paredes grossas constituídas por músculos) especializado em triturar os alimentos consumidos pelas aves. Algumas espécies de aves herbívoras ingerem pequenas pedrinhas para que elas auxiliem na trituração dos alimentos pela moela. As pedrinhas ingeridas pelo animal podem ser as substitutas dos dentes, que perderam ao longo da evolução. Em aves carnívoras, a moela não é bem desenvolvida como nas aves granívoras, pois a dieta é facilmente digerida pelo proventriculo; os grãos aproveitados pelas aves granívoras possuem celulose e devem sofrer moagem na moela, pois as enzimas digestivas não o digerem quando inteiros.


                                            Fig.4 Moela de ave. Pode ser utilizada pelo consumo humano. 

Logo depois da moela está o duodeno, a primeira porção do intestino delgado.  As demais regiões do intestino, o jejuno e íleo, não possuem distinção clara, separados pelo  divertículo de Meckel,  um vestígio do saco vitelínico. Os cecos estão em pares em algumas espécies de aves e seu tamanho depende da dieta em fibras; os cecos direito e esquerdo encontram-se na junção dos intestinos delgado e grosso. A função dos cecos é transportar monossacarídeos e aminoácidos contra o gradiente de concentração e a digestão microbiana da celulose.
 
Fig.5 (A) Cavidade Visceral de uma Ema pela face lateral direita, evidenciando o jejuno(je), duodeno (du), cecos(ce), íleo (i), pulmão(pu), fígado(fg), ventrículo gástrico (ve), sacos áereos(as) e pâncreas(pa).
(B) Cavidade lateral esquerda das vísceras, evidenciando pulmão(pu), coração(co), fígado(fg), rim(ri), esôfago(es), proventriculo gástrico(pv),istmo(is), ventrículo gástrico(ve), íleo(i), cecos(ce) e cólon-reto(re).

Órgãos Acessórios existentes no homem e aves
                          
-  Nas aves as vesículas biliares, exceto nos pombos, dá origem ao ducto biliar que drena no duodeno. Em humanos a vesícula biliar possui o ducto cístico, que se une ao ducto pancreático para formar o ducto colédoco.

- Nas aves o pâncreas é trilobulado e possue secreções que atingem o duodeno via três ductos, um em cada lobo.

CURIOSIDADES !!!!!!!

          Não é somente algumas aves que comem pedras para ajudar na digestão de alimentos: animais aquáticos como: pinguins (aves), focas e leões marinhos ingerem pedras que funcionam como lastro. Como assim?? Isto os ajuda a afundar. Além disto, as pedras engolidas, chamadas de gastrólitos, ajudam também no processo de trituração e limpeza das paredes estomacais, podem contribuir na saciação, prevenindo estes animais da fome. Os próprios animais escolhem o tempo em que as pedras ficarão em seu organismo: se estiverem sentindo desconforto, há regurgitação dos gastrólitos para fora. As pedras mais lisas e arredondadas são as preferidas, pois não machucam o trato gastrointestinal destes animais.




                                                       Fig.6 Animais que ingerem pedras.

Escrito por Laura Alves Ribeiro


Referencias Bibliográficas

SWENSON,M.J.; REECE,W.O.; DUKES. Fisiologia dos Animais Domésticos. 11ª ed. Rio de Janeiro. Editora: Guanabara Koogan, cap. 29, p. 451-457,1996. Universidade Federal de Furnas. Disponível em: http://www.uff.br/webvideoquest/LP/artigo3.htm

RODRIGUES, N. M.; OLIVEIRA, B. G.; SILVA, B.S.R.; TIVANE, C.; ALBURQUERQUE, G.F. J.; MIGLINO, A.M.; OLIVEIRA, F.M. Macroscopia e topografia do aparelho digestório de emas (Rhea americana americana). Pesquisa veterinária brasileira. Scielo. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-736X2012000700018


SÓBIOLOGIA. O sistema digestório humano.  Disponível em:
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos3/bioaves2.php

SÓBIOLOGIA. Aves - vertebrados homeotermos com corpo coberto por penas. Disponível em: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos3/bioaves2.php

Diário de Biologia. Animais comem pedras. Disponível em: http://diariodebiologia.com/2011/03/sabia-que-alguns-animais-tem-habito-de-comer-pedras/

Fontes das Imagens




Fig 4. http://pt.depositphotos.com/17445869/stock-photo-chicken-gizzards.html



http://planetasustentavel.abril.com.br/planetinha/bichos/focas-so-parecem-desajeitadas-734456.shtml







domingo, 19 de julho de 2015

Sistema endócrino em humanos e bovinos

O Sistema Endócrino tem em sua constituição diversas glândulas e tecidos responsáveis pela secreção de substâncias químicas que atuam no controle da maioria das funções biológicas. Essas substâncias são os hormônios, mensageiros químicos transportados pelo sangue e distribuídos por todo o organismo, agindo em órgãos e células-alvo específicos, ativando ou inibindo suas funções.
A produção dessas substâncias é feita pelas glândulas endócrinas, que atuarão diretamente sobre o sistema nervoso em diversos processos como a digestão, expulsão do leite, regulação do volume de urina, estímulo do crescimento e etc., através de estímulos.
As principais estruturas pertencentes a esse sistema são apresentadas no quadro abaixo (Quadro - 01):

                                               Quadro 01 - Principais Hormônios Humanos
PRINCIPAIS HORMÔNIOS HUMANOS
Glândula
Hormônio
Função
Epífise
Melatonina
Regulação do processo reprodutor e ao estabelecimento das funções dependentes dos ciclos dia-noite.
Adeno-hipófise
Adrenocorticotrófico (ACTH)
Estimula o córtex da glândula adrenal.
Tireotrófico (TSH)
Estimula a glândula tireóidea.
Somatotrófico (HGH)
Estimula o crescimento.
Foliculestimulante (FSH)
Estimula a maturação dos folículos ovarianos.
Luteinizante² (LH) ♀
Estimula o desenvolvimento do corpo lúteo.
Prolactina ou Lactogênico
Estimula a função das glândulas mamárias.
Diabetogênico
Inibe a produção de insulina.
Neuro-hipófise
Antidiurético (ADH)
Regula o volume da urina.
Ocitocina
Estimula a contração da musculatura uterina e expulsão do leite das mamas.
Glândula-tireóidea
Tiroxina (T4)
Regula o desenvolvimento e o metabolismo geral.
Tri-iodotironina (T3)
Regula o desenvolvimento e o metabolismo geral.
Tirocalcitonina
Regula a taxa de cálcio.
Paraglândulas tireóideas
Paratormônio
Regula a taxa de cálcio.
Pâncreas
Insulina
Regula a taxa de glicose.
Glucagon
Regula a taxa de glicose.
Adrenais (córtex)
Glicocorticoides
Resistência geral e metabolismo de açucares e gorduras.
Mineralocorticoides (aldosterona)
Regula as taxas de Na+ e K+.
Andrógenos
Determina o surgimento dos caracteres sexuais secundários masculinos.
Adrenais (medula)
Adrenalina ou epinefrina
Regula a pressão sanguínea.
Testículos
Testosterona (andrógeno)
Determina o surgimento dos caracteres sexuais secundários masculinos  e estimula a espermatogênese.
Ovários
Estrógenos
Determina o surgimento de caracteres sexuais femininos e o desenvolvimento da parede uterina (endométrio)
Progesterona
Promove modificações o corpo da mulher durante a gravidez.
Fonte: Modificado de SILVA, et.al., 2010. p.355.

Além dos hormônios produzidos por glândulas há também os que são produzidos por células dispersas em diferentes órgãos, como a secretina e a colecistocinina, substâncias reguladoras da digestão e produzidas pela mucosa intestinal; o peptídeo natriurético atrial, substância reguladora da excreção de sódio pelos rins e produzida pelo coração, e outras substâncias, que são eliminadas diretamente no sangue.
A morfologia ou fenótipo do animal ou ainda as características como tamanho do esqueleto, desenvolvimento muscular, acúmulo de gordura e cor do pêlo, são todas predeterminadas geneticamente. Estas características podem ser modificadas posteriormente pela interação entre a herança e o meio ambiente, portanto, os genes vão agir para determinar o funcionamento das glândulas endócrinas que atuarão na fisionomia da estrutura corporal. O desenvolvimento do animal, da concepção até a idade adulta, será determinado pelas glândulas endócrinas, tecidos, sistema nervoso central e hipotálamo, determinando a conformação e a formação dos tecidos muscular, gorduroso e ósseo, bem como o funcionamento do úbere nos bovinos.

Comparando...

No gênero masculino as gonadotrofinas da hipófise influenciam diretamente as células intersticiais dos testículos e estes por sua vez produzem testosterona, hormônio sexual masculino. No boi, este hormônio determina os caracteres sexuais secundários como o formato da cabeça; influi no desenvolvimento dos órgãos sexuais e na libido; influi na musculatura; presença de pelos mais grosseiros na cabeça e parte superior do pescoço; um tipo especial de pelo no bordo inferior do pescoço, na parte superior dos membros dianteiros, região média inferior do costado e a parte baixa da coxa. Além disso, o som emitido pelos animais é próprio, isto é, quando um animal muge, pode-se fazer a distinção se é touro, novilho ou vaca. Já no homem a testosterona também é responsável pelo desenvolvimento do sistema genital e pelos caracteres sexuais secundários como a voz, pelos, músculos e pela maturação dos espermatozóides.
No gênero feminino as gonadotrofinas da hipófise influenciam diretamente as células intersticiais dos ovários e estas, por sua vez produzem progesterona e estrógenos, hormônios sexuais femininos que determinam os caracteres sexuais secundários femininos.  Além disto, na vaca, eles influem no desenvolvimento dos órgãos sexuais e na libido; estimula a ossificação; determinam a formação do úbere (quando alcançam a puberdade) e as modificações durante a gestação. Na mulher estes hormônios também são responsáveis por determinar o surgimento dos caracteres sexuais femininos; o desenvolvimento da parede uterina e promove modificações no corpo da mulher durante a gravidez.
Tanto nas gônadas do bovino, quanto na do ser humano, a interação entre as glândulas endócrinas também ocorre através da hipófise, que secreta gonadotrofina, hormônios estimuladores das gônadas.
A seguir veja a ilustração do sistema endócrino do humano e do bovino (Imagem 01 e Imagem 02):

 Imagem 01 - Glândulas do Sistema Endócrino Humano.

Fonte: (SISTEMA ENDÓCRINO)

Imagem 02 - Glândulas do Sistema Endócrino Bovino
Fonte: (SINAIS DE FERTILIDADE).

                                                                                         Escrito por Rafael Galisa de Oliveira

REFERÊNCIAS

1- SINAIS DE FERTILIDADE. Disponível em: www.ebah.com.br/content/ABAAAfDOAAI/parte-5-sinais-fertilidade
2- SISTEMA ENDÓCRINO. Disponível em: www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemaendocrino.php
3- Silva Júnior, César daBiologia 2: seres vivos: estrutura e função / César da Silva Júnior, Sezar Sasson, Nelson Caldini Júnior. – 10. ed. – São Paulo: Saraiva, 2010.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Glândulas sudoríparas apócrinas do homem comparadas com as do lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis)

As células das glândulas sudoríparas liberam suas secreções por meio da exocitose e as descarregam na superfície da pele por intermédio de poros ou nos folículos pilosos (Tortora, 2007). Sua classificação em écrinas ou apócrinas depende da sua estrutura, localização e do seu tipo de secreção.
Abaixo comparamos as glândulas classificadas como apócrinas, segundo sua localização e morfologia no homem e no lobo-marinho-sul-americano, considerando os achados de Silva (2008).

Localização
Nos humanos, segundo Tortora (2007), as glândulas apócrinas são encontradas principalmente na pele da axila, da virilha, das aréolas das mamas e na região com barba em homens adultos. Sua parte secretora está localizada, em grande parte, na tela subcutânea e o ducto excretor se abre nos folículos pilosos (Fig. 1A).
Já no lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis), essas glândulas estão espalhadas pela parte dorsal de seu corpo já que não são encontradas nas faces ventrais das nadadeiras, peitoral e caudal. Além disso, estão localizadas caudalmente ao bulbo do pelo e geralmente estão cercadas por células adiposas (Fig. 1B).


Figura 1: Localização da glândula sudorípara apócrina no homem em A e no lobo-marinho-sul-americano em B. Células secretoras (seta); folículo piloso (FP); células adiposas (*).

Morfologia
No homem, a glândula sudorípara apócrina é classificada como uma glândula tubular convoluta simples, uma vez que consiste de um tubo único que se encontra espiralado em três dimensões ou convoluto (Fig. 2A). Já no lobo-marinho-sul-americano, o ducto das glândulas apócrinas é formado por células cúbicas estratificadas e a unidade secretora é muito tortuosa, com túbulos alongados formados por uma camada de células cúbicas, as quais estão cercadas por células mioepiteliais (Fig. 2B).


Figura 2: Glândula sudorípara apócrina do homem em A e do lobo-marinho-sul-americano em B. Células secretoras (seta); lúmen da glândula (*).

Escrito por: João Vitor Marani Amaral


Referencias consultadas
SILVA, A. Organização e arquitetura do sistema tegumentar do lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis, Zimmermann, 1783). 2008. 161 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2008.
TORTORA, GJ. Princípios da anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
AUTOR DESCONHECIDO. Apostila de histologia. Cap. 1: Parte 3. Disponível em: http://biologia.ifsc.usp.br/bio1/apostila/bio1_parte_03.pdf

Fonte das imagens
Figura 1A: http://angelicabeauty.blogspot.com.br/2011/08/glandulas-sudoriparas.html
Figura 2A: Http://histologiaunah.hostzi.com/index_files/Page1777.htm
Figura 1B e 2B: Silva, A. Organização e arquitetura do sistema tegumentar do lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis, Zimmermann, 1783). 2008. 161 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2008.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Comparando a paraplegia em homens e cachorros

O sistema nervoso tem por função captar as mensagens e estímulos do ambiente, interpretá-las e arquivá-las, além de elaborar respostas, nas quais podem vir na forma de movimentos, sensações ou constatações.
Este sistema pode ser divido quanto a sua morfologia em central e periférico. O sistema nervoso central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal, ambos protegidos pelas meninges e pelos ossos da caixa craniana e vértebras, respectivamente. A medula espinhal passa pelas vértebras cervicais, torácicas e lombares no homem (Fig. 1A) e no cachorro (Fig. 1B). Já o sistema nervoso periférico é composto por nervos que se originam no encéfalo (cranianos) e na medula espinhal (espinhais), com a função de conectar o sistema nervoso central com as outras partes do corpo.

Figura 1: Localização da medula espinhal no homem (A) e no cachorro (B).


A paraplegia é resultado de algum tipo de trauma na medula espinhal, danos celulares ou lesões de nervos, desde a região torácica para baixo, sendo altamente impactante tanto no homem quanto em cães. A figura 2 ilustra exemplos de lesão medular torácica nos animais em comparação.

Figura 2: Exemplo de lesão medular torácica no homem (A) e no cachorro (B).
         
    

A medula espinhal é constituída por neurônios e suas longas fibras nervosas. Quando há lesão na coluna, com comprometimento dos neurônios e seus axônios, temos a interrupção dos impulsos nervosos para o cérebro, resultando na perda dos movimentos e da sensibilidade dos membros inferiores (Fig. 3A). Avaliando a secção transversal da medula espinhal (Fig. 3B) encontramos tratos sensitivos no funículo posterior e dos núcleos motores na coluna posterior. É notável que tanto os componentes sensitivos quanto os componentes motores da medula espinhal apresentam uma organização regional definida.

Figura 3: Regiões afetadas na coluna e suas reações (A). Organização anatômica dos tratos e colunas da medula espinhal no homem (B).

    
No homem, quando a lesão atinge a região das vértebras lombares há perda dos movimentos dos membros inferiores, e quando atinge a região torácica tem-se a perda dos movimentos da parte do abdome até os membros inferiores. Já a lesão da região cervical é caracterizada como tetraplegia com ausência total de movimentos. Nos cachorros, quando a lesão atinge a parte toracolombar temos o grau 4 de lesão, na qual o animal perde a sensibilidade e movimentos dos membros inferiores. Quando a lesão atinge a parte lombar há a paraplegia de grau 5, um nível mais avançado da doença na qual há perda de movimentos involuntários de vísceras, membros inferiores e sensibilidade. Já na parte lombossacral há perda dos movimentos dos membros inferiores, caracterizando o grau 2 (Fig. 4).

Figura 4: Animais acometidos por lesão medular e os seus graus.


Escrito por: Nathália Barbar Cury Rodrigues


Referências consultadas
AUTOR DESCONHECIDO. Minha vida. Lesão na medula espinhal. Disponível em: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/lesao-na-medula-espinhal. Acesso em: 10 fev. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Toda matéria. Sistema Nervoso. Disponível em: http://www.todamateria.com.br/sistema-nervoso/. Acesso em: 10 fev. 2015.
HENKE D, VANDEVELDE M, DOHERR MG, STOCKLI M, FORTERRE F. Correlations between severity of clinical signs and histopathological changes in 60 dogs with spinal cord injury associated with acute thoracolumbar intervertebral disc disease. The Veterinary Journal, v. 198, n. 1, p. 70-75, 2013.
MENDES DS, BAHR ARIAS, MV. Traumatismo da medula espinhal em cães e gatos: estudo prospectivo de 57 casos. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 32, n. 12, p. 1304-1312, 2012.

Fonte das imagens
Figura 1A: http://ceticismo.net/2013/06/27/cientistas-restauram-parte-de-medula-espinhal-lesionada-de-ratos/
Figura 1B: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgQFIpqoI9JAbFGlKiDgmTl8XcIeyZMRsz7KmA6cN1nQCsIsnXZFsnrr_Rrx6AJ2UVUQNiDqD_N0BBcmcS0EZ-Jk-QIk6oT-kt3Zk9m_vbECGcxW2GTpAuoG2YUGAlENwnZpIWWItLig0/s400/clip_image002.jpg
Figura 2A: http://fisioterapia-arteemreabilitar.blogspot.com.br/2010/03/lesao-medular.html
Figura 2B: http://veterinariacomplementar.blogspot.com.br/2012/03/uso-de-acupuntura-no-tratamento-de.html
Figura 3A (modificada): http://www.acessibilidadeinclusiva.com.br/lesao-medular-traumatica-%E2%80%93-objetivos-funcionais/
Figura 3B (modificada):
http://www.bandhayoga.com/images/Blog/spinal_tracts.jpg

Figura 4: Mendes e Bahr Arias, 2012.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Miastenia grave: uma neuropatia compartilhada entre o homem e os cães

A miastenia grave é uma neuropatia periférica caracterizada por um distúrbio neuromuscular decorrente da diminuição ou alteração de receptores do neurotransmissor acetilcolina localizados na placa motora existente entre os nervos motores e as fibras musculares, interferindo na transmissão do impulso nervoso e, consequentemente, na contração muscular, provocando o enfraquecimento dos músculos estriados esqueléticos.

A placa motora, denominada também de junção neuromuscular, situa-se na membrana terminal de um axônio e na membrana pós-juncional do tecido muscular adjacente (Fig. 1).

Figura 1: Localização da placa motora.

Existem duas formas da doença: a autoimune (adquirida) e a congênita. Na autoimune, são direcionados anticorpos contra os componentes da placa motora; enquanto na congênita, os anticorpos produzidos pela mãe passam pela placenta e atingem o feto. Os dois tipos de miastenia grave podem se manifestar no homem e em cães. Nos seres humanos, ela acomete mais mulheres entre 20 e 35 anos. Entretanto, após os 60 anos os homens são os mais acometidos. Já nos cães, há uma ocorrência maior da doença congênita em raças como: Jack Russell terriers, Springerspaniels e Fox terriers de pelo liso (Fig. 2). Já os cães mais velhos, independente da raça, são os mais susceptíveis a essa anormalidade pós-sináptica, em sua forma adquirida.

Figura 2: Raças de cães mais acometidos pela miastenia grave: Jack Russell terriers (A), Springerspaniels (B) e Fox terriers de pelo liso (C).

Ho homem e em cães, a miastenia grave resulta em fraqueza dos músculos esqueléticos do esôfago, da faringe e da laringe, acarretando assim, na fadiga muscular, intolerância a exercícios físicos, megaesôfago (alargamento do esôfago), dificuldade para engolir, hipersalivação, comprometimento da respiração, pálpebras caídas, entre outros problemas.


Escrito por: Letícia Rodrigues Novaes

Referências consultadas
AUTOR DESCONHECIDO. Corpo humano. Miastenia grave. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/mulher-2/miastenia-gravis/>. Acesso em: 1 fev. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. The free dictionary. Disponível em: <http://medical-dictionary.thefreedictionary.com/end+plate>. Acesso em: 4 fev. 2015.
FERREIRA I, SCASSIOTA LF, FERNANDES T. Miastenia grave adquirida. Relato de caso. Resumo apresentado no XIV Congresso Metodista de Iniciação e Produção Científica, XIII Seminário de Extensão, VIII Seminário PIBIC/UMESP. Publicado na  Universidade Metodista de São Paulo, FACSAUDE, Saúde Animal. Disponível em: <https://www.metodista.br/congressos-cientificos/index.php/CM2011/FACSAUDESA/paper/view/2374>.
Disponível em: <https://www.metodista.br/congressos-cientificos/index.php/CM2011/FACSAUDESA/paper/view/2374>. Acesso em: 31 jan. 2015
FONSECA MH, PÊGO-FERNANDES PM. Miastenia grave. Disponível em: <http://www.sbct.org.br/pdf/livro_virtual/miastenia_gravis.pdf>. Acesso em: 1 fev. 2015.
MACHADO TV, BRIZZOTTI M. Clinica médica. Miastenia grave em cães. Disponível em: <http://www.animaniacs.com.br/reportagem_caes_e_gatos/reportagem_caes_e_gatos.pdf>. Acesso em: 1 fev. 2015.
NUCCI A. Miastenia grave. Revista Neurociências, v. 13, n. 3, jul/set, 2005 .


Fonte das imagens

Figura 1 (modificada):
http://s100.photobucket.com/user/maxaug/media/nervoso4.gif.html
Figura 2A: http://dogtime.com/dog-breeds/jack-russell-terrier
Figura 2B: http://www.dogbreedinfo.com/englishspringerspaniel.htm
Figura 2C: http://www.amamoscachorros.com.br/racas/fox-terrier-de-pelo-liso/