segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Sistema esquelético dos seres humanos e dos oligoquetas.




Os anelídeos da classe Olygochaeta são animais do grupo Trochozoa e são muito importantes na filtração e enriquecimento do solo. Estes possuem um habitat variável podendo usar o solo para formar galerias, abrigo, mas, também, alimentação. São animais segmentados de corpo mole, com sistema digestivo completo. O filo Annelida apresenta características muito diferentes dos seres humanos. Quanto ao sistema esquelético, os anelídeos portam o esqueleto hidrostático e os humanos, o ósseo.


Figura 1. Oygochaeta

Muitos anelídeos como os oligoquetos, exibem um componente muscular na sua locomoção, no qual ondas de contração alternadas das musculaturas circular e longitudinal geram ondas peristálticas retrógadas que aumentam a atividade locomotora. Nas minhocas por exemplo, os segmentos estão estacionários quando a musculatura circular está relaxada e a longitudinal contraída. O movimento é direcionado para a região de certos segmentos, eles se alongam e exercem uma força para trás contra o chão através de pontos de apoio para ocasionar uma tensão para que o animal se locomova. A tendência era o animal deslizar, mas isto é evitado pelas cerdas.



Figura 2. Movimento de um Olygochaeta.


 Essas ondas de contrações ocasionam um aumento da pressão no corpo do indivíduo. Entretanto, como esses animais são septados, a pressão é localizada e não prejudica o animal. O momento registrado onde há maior pressão é quando estão penetrando no substrato. O celoma nesses indivíduos é dividido junto aos segmentos e, esses são esqueletos hidrostáticos separados, com seu próprio volume constante. 

Figura 3. Corte transversal de um Olygochaeta. 

Essa segmentação traz um ponto positivo na questão de gasto enérgico dos oligoquetos, uma vez que o movimento é direcionado e o líquido não se distribui no corpo inteiro. Comparando com nematelmintos, que também possuem o esqueleto hidrostático, o gasto desses é bem maior devido ao corpo deles não serem segmentados, movimentando o líquido por todo o corpo.

 O sistema esquelético dos seres humanos é completamente diferente. Possui um sistema ósseo, composto por vários tipos de formas e tamanhos, desde longos, curtos, irregulares, planos ou sesamóides. O sistema é dividido em esqueleto axial que estão na parte central do corpo, crânio, vértebras, tórax e a coluna vertebral, mas também em apendicular que são os ossos que ligam no esqueleto axial. Têm-se como exemplo os membros superiores e inferiores. Além disso, esse sistema possui a função de produção de células sanguíneas e armazenamento de íons.

Figura 4. Esqueleto Humano



Esqueleto Axial

O crânio é formado por 28 ossos (14 da face, 8 da caixa craniana e 6 do ouvido interno) muito resistentes. Alguns destes como o palato e a caixa craniana, como um todo, é ligada pelas suturas.  Essa resistência é devido a função de proteger o cérebro e os órgãos do sentido.
A coluna vertebral é formada por vertebras aliadas à cartilagens, a maioria, irregulares. Essa região ajuda no equilíbrio do corpo e do amortecimento dos choques. Possui 24 vértebras independentes e 9 que estão fundidas na região do sacrococcígea.
Das 24 vértebras independentes, 7 são cervicais, 12 são torácicas e 5 lombares. Há uma diferença no tamanho e na estrutura entres essas regiões. As cervicais possuem um processo bífide, as torácicas apresentam as fóveas costais e as lombares um corpo robusto. 





Figura 5. Crânio Humano


O tórax é constituído por 12 pares de costelas que estão ligadas nas vértebras torácicas. Dentre esses 12 pares, 7 chamam-se de verdadeiras, uma vez que estão ligadas ao esterno; os três seguintes são considerados falso, pois estão ligados entre si. Já os dois últimos pares, não se ligam a nenhum osso e são chamadas de flutuantes. Essas auxiliam na respiração e na proteção dos órgãos internos.
Esqueleto Apendicular
A região superior está o úmero, um osso longo que compõe o braço, articula-se com o rádio e a ulna e, posteriormente, os carpais, metacarpais e falanges. Ademais, a escápula que é um osso plano liga-se ao úmero e a clavícula se articula com o esterno e a escápula também estão inclusos.
 A região inferior é constituída pelo quadril, que estão os ossos ilíacos (ísquio, íleo e púbis). A união desses ossos forma a pelve, que nas mulheres é mais larga e com uma cavidade maior. Essa diferença é para auxiliar no momento do parto.
Além disso, o esqueleto apendicular também está incluso o fêmur o osso mais longo do corpo humano. A patela que é um osso sesamóide articulado com o fêmur. A tíbia e a fíbula que também são ossos longos, ajudam à suportar o peso e mover o pé. E por último, mas não menos importante, os tarsais, metatarsais e as falanges formando os pés. Conclui-se que os dois sistemas esqueléticos, embora sua complexidade seja diferente, conseguem trazer a função de sustentar o corpo para a sobrevivência destes.



Escrito por Henrique Aguiar de Oliveira




Referências Bibligráficas

BARNES, R. S. K.; P. CALOW; P. J. W. OLIVE & D. W. GOLDING. 2008. Os invertebrados. Uma síntese. Atheneu, São Paulo.

TORTORA, G.J.; NIELSEN, M. Princípios da Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
 








Figura 5: http://www.anatomiadocorpo.com/esqueleto-humano-sistema-esqueletico-ossos/cranio/

domingo, 10 de dezembro de 2017

Plexo braquial humano X Plexo braquial do bicho-preguiça-de-coleira

       O sistema nervoso permite a interação ente o organismo e o meio ambiente, ou seja, a partir dele que podemos captar os cinco sentidos (visão, paladar, tato, audição e olfato); estimular os pensamentos; arquivar memórias e praticar exercícios físicos. Este sistema se divide em dois:
A primeira porção é denominada, Sistema Nervoso Central, sua composição se da por duas estruturas: o encéfalo e a medula espinal. Esta parte central organiza diferentes tipos de informações (inclusive os cinco sentidos especiais) e pensamentos, provoca a maioria dos impulsos nervosos responsáveis pela contração muscular.
A segunda parte é o Sistema Nervoso Periférico, o qual é constituído pelos nervos cranianos, nervos espinais (se ramificam a partir das vertebras) e suas ramificações, gânglios, plexos entéricos e receptores sensoriais. Este sistema ainda se subdivide em somático (interação com o meio externo) e autônomo (manutenção do meio interno [SNA simpatico e SNA parassipático]).
O plexo braquial se encontra no Sistema Nervoso Periférico e distribui quase todos os nervos dos ombros e membros superiores.

Nos seres humanos o plexo se origina dos nervos C5-C8 e T1. 

Os principais nervos irão se ramificar a partir dos troncos, os quais são subdivisões das raízes (ramos anteriores dos nervos espinais). 
Como observado na Figura 2 1 o plexo braquial é composto incialmente por três troncos (superior, médio e inferior), os quais se dividem em três fascículos (lateral, posterior e medial).



Figura 2. Plexo Braquial Humano

Na imagem 2 é possível observar a origem de alguns nervos, entre eles o nervo axilar, nervo radial, nervo musculocutâneo e nervo toracodorsal. Na tabela 1, abaixo relacionada, é possível observar quais são os músculos que recebem alguns dos nervos abaixo.


Figura 3 . Plexo Braquial Humano em detalhe

Os bichos-preguiça são conhecidos como animais dorminhocos, lentos e carinhosos (e realmente são). Poucas pessoas sabem, mas cinco das seis espécies conhecidas de bichos-preguiça, podem ser encontradas no território brasileiro.  Este mamífero possui uma peculiaridade  além de sua lentidão, que é a capacidade de girar sua cabeça 270° (duzentos e setenta graus), sem precisar movimentar seu corpo.
Por viverem a maior parte de suas vidas nas árvores, possuem braços fortes. Tal fator exigiu uma maior adaptação dos músculos e nervos do membro superior. A seguir mostraremos um pouco sobre o plexo braquial do bicho-preguiça-de-coleira ( Bradypus torquatus Illiger, 1811) que possui esse nome, devido a uma mancha na região do pescoço.
Esta estrutura no B. torquatus possui a mesma função do que nos seres humanos, no entanto se diferencia em relação à origem do plexo braquial, a organização fundamental e a quantidade de nervos cervicais, os quais são dez pares.

Nesta espécie de bicho-preguiça, o plexo braquial se origina dos nervos espinais C7-C10 e T1 e T2, sendo que esta é variável. Diferentemente dos humanos, os nervos espinais originam, diretamente, dois troncos (cranial e caudal) os quais se unem formando um tronco comum. Este por sua vez se ramifica emitindo dois fascículos que a partir deste irá formar todos os nervos do plexo. Na imagem 3 é possível observar a alguns nervos, entre eles o nervo axilar (NA), nervo radial (NR),  nervo intercostal (NI) e nervo toracodorsal (NTD).  Além do mais é possível observar os troncos: cranial, caudal e comum e os dois fascículos (ventral e dorsal). Na tabela 1 (abaixo relacionada), também, é possível observar quais são os músculos que recebem alguns dos nervos abaixo. 



Figura 6. Plexo Braquial da Preguiça-de-Coleira


Podemos perceber que há uma grande diferença anatômica visual dos plexos braquiais apresentados acima. Na tabela 1, a seguir, é possível observar a diferença das origens e inserções dos nervos comuns nas duas espécies.


 
 
 Pelo exposto acima podemos concluir que há algumas semelhanças entre as origem e inserções dos nervos nos seres humanos e nas preguiças-de-coleira.


Escrito por Gabriel Britto




REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AULA DE ANATOMIA, . PLEXO BRAQUIAL. 2017. Disponível em: <https://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-nervoso/sn-periferico/nervos-espinhais/plexo-braquial/>. Acesso em: 28 out. 2017.
REDAÇÃO, BICHO-PREGUIÇA - CURIOSIDADES DO ANIMAL CONHECIDO COMO O MAIS LENTO DO MUNDO. 2017. Disponível em: <https://www.greenme.com.br/informar-se/animais/5785-bicho-preguica-curiosidades>. Acesso em: 28 out. 2017.

DE MELO CRUZ, Gessica Ariane; ADAMI, Marta; DE OLIVEIRA, Vera Lúcia. Características anatômicas do plexo braquial de bicho-preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus Illiger, 1811). Revisa Biotemas, Salvador, v. 26, n. 3, p. 195-201, set. 2013. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/biotemas/article/view/2175-7925.2013v26n3p195/25318>. Acesso em: 28 out. 2017

TORTORA, Gerard J.; NIELSEN, Mark T.. Princípios de Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

Fonte das Figuras

Figura 1. http://www.ebah.com.br/content/ABAAABO88AD/estruturas-funcoes-dos-nervos-perifericos
Figura 3. https://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-nervoso/sn-periferico/nervos-espinhais/plexo-braquial/
 Figura 4. https://twitter.com/iqsansan/status/739807207974309888
Figura 6. DE MELO CRUZ, Gessica Ariane; ADAMI, Marta; DE OLIVEIRA, Vera Lúcia. Características anatômicas do plexo braquial de bicho-preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus Illiger, 1811). Revisa Biotemas, Salvador, v. 26, n. 3, p. 195-201, set. 2013. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/biotemas/article/view/2175-7925.2013v26n3p195/25318>. Acesso em: 28 out. 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

HORMÔNIOS DA GESTAÇÃO E PARTO EM CADELAS



A gestação e o parto constituem em sequências de eventos representativos do ciclo fértil de mamíferos.  Na gestação em cadelas, a mesma é amparada por diferentes mecanismos de ação hormonal, que são controlados por meio do eixo hipotálamo-hipófise-ovários.  Com isso, a liberação e o equilíbrio participativo entre diferentes hormônios, como a progesterona, prolactina, relaxina e o estrógeno, participam da manutenção e do desenvolvimento da prenhez, enquanto que o desencadeamento do parto se dá pela ação da progesterona, estrógeno e da ocitocina (VEIGA et al, 2009).
            A progesterona é um dos hormônios que controlam o ciclo reprodutivo da espécie canina e parece ser o único hormônio esteroide necessário para a manutenção da gestação (VEIGA et al, 2009; SANTOS e LEAL, 2017). Durante o período gestacional, a mesma promove o desenvolvimento endometrial, mantém a integridade da placenta, diminui a atividade miometrial e a sensibilidade a ocitocina, tornando assim, o útero quiescente, além, de favorecer a economia do metabolismo do corpo durante a prenhez, o que resulta na utilização mais eficiente dos nutrientes (VEIGA et al, 2009; SANTOS e LEAL, 2017).
            Já o estrógeno, hormônio produzido pelos folículos ovarianos em desenvolvimento, é responsável por alterações físicas e comportamentais, que prepara o animal tanto para o acasalamento quanto para a gestação, e durante a gestação está associada com o desenvolvimento da placenta, pois caracteriza como principal responsável pelo crescimento e pela diferenciação da mesma (SANTOS e LEAL, 2017).
            Em relação os hormônios do parto, a diminuição na proporção progesterona/estrógeno é o evento endócrino mais importante na gestação, pois resulta no descolamento placentário, dilatação do cérvix e no aumento da contratilidade do útero resultando no parto (VEIGA et al, 2009).  Durante a gestação e no parto, outro hormônio de grande importância é a relaxina, que produzida no final da gestação, provavelmente pelo corpo lúteo ou em menor quantidade pela placenta, atua sobre a sínfise púbica, ligamentos pélvicos, cérvix, miométrio e na glândula mamaria, facilitando o parto (VEIGA et al, 2009; SANTOS e LEAL, 2017).
            A ocitocina é um hormônio que é sintetizado no hipotálamo e armazenado na hipófise posterior e quando liberada na circulação, causa a contração. Sendo que a sensibilidade miometrial a esse hormônio é importante para a contração uterina, pois o mesmo é liberado em resposta a pressão do feto no cérvix ou na vagina oque resulta no parto (VEIGA, 2009). 


Escrito por Carolina Monteiro de Almeida


REFERÊNCIAS

VEIGA, et al. Endocrinologia da gestação e parto em cadelas. Rev. Bras. Reprod. Animal, Belo Horizonte, v. 33, n. 1, p. 3-10, jan./mar. 2009.
SANTOS, N. D.; LEAL, D. R. Aspectos fisiológicos da gestação em cadelas. Disponível em: <http://nippromove.hospedagemdesites.ws/anais_simposio/arquivos_up/documentos/artigos/ffc31ed42a258756c8c35b3d10325887.pdf>. Acesso: Novembro 2017.