sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sistema linfático: uma comparação

O sistema linfático trabalha junto ao sistema circulatório auxiliando na remoção de resíduos, na coleta e na distribuição de ácidos graxos e gliceróis absorvidos no intestino delgado, e contribuindo para a defesa do organismo. Na sua constituição encontramos uma vasta rede de capilares, vasos e de pequenas estruturas chamadas de linfonodos que se distribuem por todo o corpo.
Este sistema transporta o fluido linfático chamado de linfa, dos tecidos para o sistema circulatório. Os vasos linfáticos possuem válvulas que impedem o refluxo da linfa em seu interior, permitindo com que ela circule pelo vaso num único sentido. A linfa assemelha-se ao sangue, diferenciando-se apenas por não apresentar células sanguíneas, sendo constituído principalmente por água, eletrólitos e quantidades variáveis de proteínas plasmáticas que escapam do sangue através dos capilares sanguíneos.
Quando comparamos o sistema linfático do cão, da vaca e de humanos percebemos que são extremamente semelhantes (Figs. 1 e 2).

                                    Figura 1. Sistema linfático de cães e de humanos.

O sistema linfático é dividido em órgãos linfóides primários que incluem a medula óssea e o timo, locais onde os linfócitos se diferenciam e sofrem maturação; órgãos linfóides secundários, ou órgãos linfóides periféricos, que são locais de desencadeamento da resposta imunitária.

                                     Figura 2. Sistema linfático de bovinos.

A circulação linfática é produzida por meio de contrações do sistema muscular ou de pulsações de artérias próximas aos vasos linfáticos, e nela são transportados os linfócitos para todo o organismo. Os vasos linfáticos passam através dos gânglios linfáticos, os quais contém um grande número de linfócitos e atuam como filtros, capturando organismos infecciosos, tais como as bactérias e os vírus. Por isso, eles aumentam de tamanho e ficam dolorosos quando existe algum processo infeccioso em andamento no organismo ou pela presença de um tumor no sistema linfático, muito conhecido como linfoma.
O baço e o timo também são órgãos linfóides, sendo que o baço tem como função a fagocitose de micro-organismos e células velhas do sangue, além de produzir linfócitos e ser reservatório de células sanguíneas; já o timo tem importância maior no animal jovem e regride na puberdade, sendo quase ausente no animal adulto, com função de maturar linfócitos do tipo T.

CURIOSIDADE!
O sistema linfático não possui um órgão equivalente ao coração. A linfa, portanto, não é bombeada como no caso do sangue. Mesmo assim se desloca, pois as contrações musculares comprimem os vasos linfáticos, provocando o fluxo da linfa. Em alguns vertebrados, como os peixes, os anfíbios e os répteis, existem estruturas conhecidas como "corações linfáticos" (Fig. 3), que auxiliam no bombeamento de água e íons absorvidos através da pele, em direção as veias. Esses órgãos são dilatações dos vasos que têm paredes com capacidade de se contrair, e seu ritmo de pulsação é independente do verdadeiro coração. Essas estruturas estão presentes em répteis e embrião de aves. O coração linfático é do tipo neurogênico, pois sua atividade é comandada pelo sistema nervoso central.


                                              Figura 3. Coração linfático de anfíbio.



                                                                                                        Escrito por: Maria Paula Carvalho e Laura Ribeiro 


REFERÊNCIAS CONSULTADAS
PINHEIRO, J. N.; Morfofuncional II. Sistema Linfático. 2014. Disponível em: <http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf>. Acesso em: 29 Jun. 2014.
Autor desconhecido. Fisiologia e Importância do Sistema Linfático. Disponível em: <http://www.roche.pt/sites-tematicos/linfomas/index.cfm/o_que_e/sistema-linfatico/fisiologia-sistema-linfatico/>. Acesso em: 29 Jun. 2014.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-linfatico.html;  
http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf.
Figura 2: http://bloganatomiaveterinaria.files.wordpress.com/2014/02/sistema-linfc3a1tico.pdf.
Figura 3: http://player.mashpedia.com/player.php?q=iEggiawJUcE&lang=pt

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sistema respiratório em diferentes ambientes

A respiração é uma das funções básicas presente nos seres vivos, sendo o órgão respiratório por excelência o pulmão. Em geral é controlada pelo bulbo cerebral, garantindo a amplitude e presença da respiração, enquanto o nervo frênico controla o diafragma, um dos músculos participantes da respiração.
O principal objetivo da respiração é suprir as células do corpo com oxigênio e remover o dióxido de carbono produzido pelas atividades celulares. Além disso, o sistema respiratório também está relacionado com o olfato e a fonação.
O sistema respiratório humano é constituído por cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, pulmões, brônquios, bronquíolos e alvéolos.
- O nariz é divido em nariz externo, que se constitui de uma passagem para o ar, funcionando como uma estrutura condicionadora que filtra, aquece e umidifica o ar; a cavidade nasal de onde se estendem as narinas anteriormente e as coanas posteriormente; além dos seios paranasais que são cavidades presentes em alguns dos ossos do crânio, como o frontal, a maxila, o esfenoide e o etmoide (Fig. 1).

                                                Figura 1: Vista lateral da cavidade nasofaringe.

- A faringe é um tubo muscular situado posteriormente a cavidade nasal, oral e laringe, e está associada a dois sistemas, o respiratório e o digestório, sendo divida em três parte: nasal, oral e laríngea. As pregas vocais (Fig. 2) são um par de lábios simétricos formados por um músculo e um ligamento elástico localizado na laringe abaixo da epiglote. Quando respiramos, as pregas vocais se afastam, e quando falamos ou cantamos, se aproximam e vibram.

                                   Figura 2: Imagem endoscópica da laringe e das pregas vocais.

Curiosamente, as baleias não produzem sons da mesma maneira que nós, já que as nossas cordas vocais não funcionariam tão bem debaixo d´água. As baleias produzem sons inalando o ar através da cavidade nasal que fica na frente dos buracos respiratórios. Por outro lado, no mundo dos insetos, somente os grilos machos produzem sons e o fazem para atrair as fêmeas para a reprodução. Para tanto, os machos possuem uma série de pelos nas bordas de suas asas, alinhados como pentes, que produzem os sons roçando uma asa contra a outra, produzindo um canto peculiar que varia com a época do ano, e que é mais intenso para atrair a fêmea.

- A laringe é um órgão muscular, situado no plano mediano e anterior do pescoço, anterior a faringe e continuada pela traqueia. Suas funções incluem servir como via aerífera e participar da fonação. 
- A traqueia é uma estrutura cilindróide constituída por uma série de anéis cartilaginosos em forma de C (16 a 20 anéis). A parede posterior, desprovida de cartilagem constitui a parede membranácea da traqueia, que apresenta musculatura lisa.
- Os brônquios principais, um em cada pulmão, seguem ínfero-lateralmente do término da traqueia até os hilos pulmonares, onde subdivide-se no interior do pulmão formando a árvore bronquial. Dentro dos pulmões, os brônquios dividem-se de forma e em direções constantes, de modo que cada ramificação supre um setor claramente definido no pulmão (Fig. 3).

                                      Figura 3: Vista anterior da traqueia e dos brônquios.

- Os pulmões são órgãos essenciais na respiração. No seu interior, o ar inspirado é colocado em estreita relação com o sangue nos capilares pulmonares. Cada pulmão apresenta um ápice e uma base, três faces (costal, diafragmática e mediastinal) e três margens (anterior, posterior e inferior). O hilo do pulmão é a região onde os brônquios, vasos pulmonares, vasos bronquiais, vasos linfáticos e nervos entram e saem do pulmão (Fig. 4).

                                 Figura 4: Anatomia do pulmão. 
                                 (A) Veias e artérias pulmonares que adentram os pulmões através do hilo pulmonar.
                                 (B) Hilo pulmonar direito.

A ventilação pulmonar é o processo pelo qual os gases são trocados entre o meio externo e os alvéolos pulmonares no homem. O ar se relaciona entre a atmosfera e o pulmão pela diferença de pressão que existe entre os meios externo e interno. Nós inspiramos quando a pressão de dentro dos pulmões é menor que a pressão do ar na atmosfera, e expiramos quando a pressão dentro dos pulmões é maior que a do ar na atmosfera. Além disso, a troca de gases ocorre por difusão através da membrana alveolocapilar (Fig. 5).

                                          Figura 5: Pulmões e troca gasosa alveolocapilar.

Sistema respiratório em ambiente aquático: Peixes ósseos
Ao contrário dos animais terrestres que utilizam o pulmão como órgão principal para a respiração, os peixes utilizam as brânquias que exercem papéis vitais. Isso é, embora seja o principal sítio de trocas gasosas, as brânquias também estão envolvidas nos processos de osmorregulação, equilíbrio ácido-básico e excreção de compostos nitrogenados.
As fendas branquiais apresentam expansões, os rastros, direcionadas à cavidade faríngea, variando em forma, tamanho, quantidade e distribuição para cada espécie. Os peixes adquiriram grande eficiência na absorção do oxigênio da água, graças à estrutura das brânquias que permitem um fluxo constante de água pelo epitélio respiratório, em qualquer estágio da respiração. No processo respiratório dos peixes, os opérculos fecham-se e a cavidade bucal aumenta, permitindo a entrada de água pela boca. Simultaneamente, as câmaras branquiais aumentam de volume, produzem uma pressão negativa e a água passa sobre as brânquias. Em seguida, a boca se fecha e as câmaras branquiais contraem-se, forçando a água para fora através das aberturas operculares. Em resumo, a cavidade bucal e as câmaras branquiais atuam alternadamente como bombas de sucção e pressão para manter um fluxo contínuo de água sobre as brânquias (Fig. 6).
                                               Figura 6: Sistema respiratório dos peixes.

O epitélio branquial, um epitélio estratificado composto por diversos tipos celulares, reveste o arco branquial, os rastros, os filamentos branquiais e as regiões interlamelares. Além deste, o epitélio respiratório recobre as lamelas respiratórias.
É interessante sabermos que o sistema respiratório se adaptou de formas variadas para suprir a necessidade de cada espécie. Convictos de que a vida teve início na água, as adaptações que a natureza deu aos indivíduos para a saída ao ambiente terrestre são impactantes, uma vez que a pressão atmosférica, densidade do ar e noção de peso em terra são maiores e as dificuldades para se manter vivo eram grandes. Mas a evolução resolveu esse problema criando um órgão surpreendente, o pulmão.

                                                                                Escrito por: Adriele Cristiana e Priscila Ferrari 

REFERÊNCIAS CONSULTADAS 
Autor desconhecido. Como Tudo Funciona. Disponível em:<http://ciencia.hsw.uol.com.br
        /baleias3.htm> Acesso em: 20 Jun. 2014.
Autor desconhecido. Wikipédia – A Enciclopédia Livre. 2014. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Grilo> Acesso em: 20 Jun. 2014.
MACHADO, R. M. Uso de brânquias de peixes como indicadores de qualidade das águas. Disponível em: <http://revistas.unopar.br/index.php/biologicas/article/view/104/101> Acesso em 20 Jun. 2014.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo. Manole, 1991.
TORTORA, G. J. & GRABOWSKI, S. R. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6.ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. 

FONTE DAS IMAGENS
Figuras 1 e 3: http://www.auladeanatomia.com/respiratorio/sistemarespiratorio.htm
Figura 2: http://www.vozecantoporfaninineves.com/tecnica-vocal-/fisiologia-da-voz/
Figura 4A: http://enfermeirosinformados.blogspot.com.br/2008/02/imagens-artrias-e-veias-pulmonares.html
Figura 4B: http://bloganatomiahumana.blogspot.com.br/2009/06/pulmoes.html
Figura 5: http://amandaraphaelabioifes.wordpress.com/2011/02/25/sistema-respiratorio/
Figura 6: http://auladecienciasdanatureza6.blogspot.com.br/2011/12/respiracao-dos-peixes.html

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sistema circulatório: humanos versus répteis

        As funções básicas do sistema circulatório humano (Fig. 1A) são levar material nutritivo e gases às células; transportar produtos residuais do metabolismo celular, desde os locais onde foram produzidos até órgãos encarregados de eliminá-los; proteger o organismo contra perda sanguínea por meio da coagulação e contra os micro-organismos pelo sistema imunológico; além de realizar regulação hormonal e da temperatura corporal. O coração possui um formato de um cone truncado, apresentando uma base, um ápice e faces (esternocostal, diafragmática e pulmonar). E está situado na cavidade torácica, atrás do esterno, acima do músculo diafragma, sobre o qual em parte repousa, no espaço entre os dois sacos pleurais, denominado mediastino.
                                         Figura 1: Sistema circulatório humano (A) e réptil (B).

As mesmas funções são desempenhadas por este sistema nos répteis, exceto em relação à regulação da temperatura, que nos répteis é realizada através do aumento do ritmo de batimentos cardíacos, aumentando o bombeamento de sangue através do corpo e por consequência a taxa de troca de calor. Isso implica em esquentar ou esfriar num menor tempo. Além disso, por possuírem o coração com três câmaras, os répteis (Fig. 1B) são capazes de realizar desvios cardíacos, ou seja, enviar sangue do ventrículo para a circulação pulmonar ou sistêmica, e evitar um dos circuitos. O sangue, ao ser desviado para a circulação pulmonar, entra em contato com as superfícies respiratórias úmidas, podendo perder calor por resfriamento evaporativo. Desviando desse circuito, se evita resfriar o sangue mandando-o de volta para o corpo e ainda aumentando a taxa de aquecimento.

O sistema circulatório é dividido em:
Sistema cardiovascular, com vasos (artérias, veias e capilares), o coração e o sangue.
Sistema linfático, com vasos, capilares, troncos, ductos, linfonodos, tonsilas e linfa.
Órgãos Hemopoiéticos, como a medula óssea e timo (órgãos linfáticos primários), e o baço (órgão linfático secundário).

As estruturas do coração em humanos incluem o pericárdio, valvas, artérias, veias e capilares, os quais suprem de sangue o músculo cardíaco. O pericárdio consiste de uma capa fibrosa externa e de uma membrana serosa interna. A camada interna, o pericárdio visceral, adere ao coração e torna-se a camada mais externa do mesmo, o epicárdio.
O coração humano é constituído por quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo. Os átrios se localizam na parte superior do coração, e os ventrículos localizam-se na parte posterior e constituem o principal volume do órgão. Vários vasos sanguíneos de grande calibre entram e saem do coração pela sua base e margem superior, como veia cava superior e veia cava inferior, artéria troncopulmonar, veias pulmonares e artéria aorta (Fig. 2).
Sistema cardiovascular, com vasos (artérias, veias e capilares), o coração e o sangue.
Sistema linfático, com vasos, capilares, troncos, ductos, linfonodos, tonsilas e linfa.
Órgãos Hemopoiéticos, como a medula óssea e timo (órgãos linfáticos primários), e o baço (órgão linfático secundário).
As estruturas do coração em humanos incluem o pericárdio, valvas, artérias, veias e capilares, os quais suprem de sangue o músculo cardíaco. O pericárdio consiste de uma capa fibrosa externa e de uma membrana serosa interna. A camada interna, o pericárdio visceral, adere ao coração e torna-se a camada mais externa do mesmo, o epicárdio.
O coração humano é constituído por quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo. Os átrios se localizam na parte superior do coração, e os ventrículos localizam-se na parte posterior e constituem o principal volume do órgão. Vários vasos sanguíneos de grande calibre entram e saem do coração pela sua base e margem superior, como veia cava superior e veia cava inferior, artéria troncopulmonar, veias pulmonares e artéria aorta (Fig. 2).

                                         Figura 2: Anatomia externa do coração humano.

Existem dois tipos de valvas localizadas no coração humano (Fig. 3), as valvas atrioventriculares localizadas entre os átrios e ventrículos (tricúspide no lado direito e bicúspide, no esquerdo), e as valvas semilunares (pulmonar e aórtica) localizadas entre os ventrículos e a artéria pulmonar.

                                                      Figura 3: Valvas do coração humano.

Nos répteis, o coração fica na parte anteroventral do tórax e é formado por um pequeno seio venoso, duas aurículas e dois ventrículos que são imperfeitamente separados. Pode-se considerar que o coração possui apenas três cavidades: dois átrios e um ventrículo separados pelo septo de Sabatierque, que é parcialmente partido (Fig. 4).

                                              Figura 4: Anatomia interna do coração de répteis.

O lagarto Tupinambis merianae (Fig. 5), conhecido popularmente como lagarto-do-papo-amarelo ou teiú, é uma espécie diurna ectodérmica, ou seja, absorve calor de fontes externas, para poder elevar sua temperatura corpórea. Quando um réptil aumenta o ritmo de batimentos cardíacos, o seu bombeamento de sangue também aumenta e por consequência a taxa de troca de calor aumentará, sendo o inverso também verdadeiro.

                                                 Figura 5: Lagarto Tupinambis merianae.

Algumas constatações podem ser feitas quando comparamos o coração do homem e do lagarto:
1) o coração de um réptil é mais simples em relação ao coração humano, em relação ao número de câmaras.
2) o fato de possuir apenas três câmaras (dois átrios e um ventrículo) permite aos répteis realizar desvios cardíacos, exceto os crocodilianos; o que não é possível em humanos que possuem quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos).
3) nos répteis os sangues arterial e venoso não se misturam e possuem dupla circulação, se assemelhando aos humanos.

A circulação é dividida em grande e pequena circulação:
Grande circulação ou sistêmica: Tem início no ventrículo esquerdo à artéria aorta à sistemas corporaisà veias cava superior e inferior à átrio direito. Em resumo refere-se a circulação coração-tecidos-coração.
Pequena circulação ou pulmonar: Tem início no ventrículo direito à artéria tronco pulmonar à pulmões à veias pulmonaresà átrio esquerdo. Em resumo refere-se a circulação coração-pulmão-coração.

Pressão arterial
É a pressão exercida pelo sangue contra a parede das artérias, quando é bombeado pelos ventrículos e penetra nesses vasos sob pressão. O homem tem pressão arterial média de 120 x 80 mmHg; entretanto,  quando analisamos outros organismos, temos uma surpresa (Tabela 1). Por exemplo, a tartaruga tem pressão arterial média de 34 x 29 mmHg e os sapos de 35 x 24 mmHg.
                                  Tabela 1. Pressão arterial em mamíferos e aves.

O fluxo sanguíneo dos humanos depende do diâmetro e do comprimento do vaso, e da viscosidade do sangue. Esse fluxo pode ser controlado por regulação neural ou humoral, por exemplo, quando temos uma emoção muito grande o fluxo sanguíneo aumenta devido à regulação neural. O mesmo ocorre com os animais quando escutam fogos de artifício e o coração dispara. Por outro lado, tartarugas e escamados tem a capacidade de alterar o fluxo do sangue de acordo com a necessidade respiratória e de temperatura. 
CURIOSIDADE!                             
O fluxo sanguíneo em répteis é controlado através de diferenças de pressão entre o circuito sistêmico e pulmonar, e pela contenção e liberação do sangue remanescente na cava venosa. Desvios na circulação, feitos pelo próprio organismo, são utilizados para que o animal tenha as condições necessárias para a sua sobrevivência; com isso, o sangue fica circulando e o calor recebido do ambiente é mantido no corpo. Esse mecanismo evita que o réptil disperse calor pela respiração enquanto se aquece ao sol. Esses mesmos desvios são utilizados durante períodos em que o animal não está respirando, em mergulho, por exemplo. Assim, o animal economiza o ar que está nos pulmões e aproveita o máximo de oxigênio que está no sangue sistêmico.

Escrito por: Adriele Cristiana e Maria Paula Carvalho


REFERÊNCIAS CONSULTADAS

COLUNISTA PORTAL. O Sistema Circulatório dos Répteis. 2012. Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/23736/osistema-circulatorio-dos-repteis>. Acesso em: 14 Jun. 2014.

JACOB, S.W.; FRANCONE, C.A.; LOSSOW, W.J. Anatomia e Fisiologia Humana. 5ª ed. Tradução: Carlos Miguel Gomes Sequeira, Rio de Janeiro: Guanabara, 1990.

SPENCE, A. P. Anatomia Humana básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti, São Paulo: Manole, 1991.

TENÓRIO, A. UNIFAP. Sistema Circulatório. 2012. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABmn8AH/sistema-circulatorio>. Acesso em: 14 Jun. 2014.

VEIGA, M.; NOSKOSKI, M.; BEVILACQUA, M.; ROMANI, R.; ROMANI, R.; ROMANI, R.; RITTER, F.; OLIVEIRA, D. S.Emprego das técnicas de vinilite e criodesitratação para Evidenciar a anatomia do sistema circulatório de um Lagarto (tupinambis merianae), RAMVI, Getúlio Vargas, v. 01, n. 01, p. 98-105, 2014.

TAVANO, T.P. Coração dos Vertebrados: Filogenia, Revista Eletrônica de Ciências, v. 46, São Carlos, 2014. Disponível em: <http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/ art_46/aprendendo.html>. Acesso em: 10 Jun. 2014.


FONTE DAS IMAGENS E TABELAS
Figura 1: http://www.infoescola.com/anatomia-humana/sistema-venoso/ e
http://www.monografias.com/circulacion-animal/circulacion-animal.shtml
Figura 2: http://dc248.4shared.com/doc/0AXBC9hm/preview.html
Figura 3: http://dc248.4shared.com/doc/0AXBC9hm/preview.html
Figura 4: http://negritosbio.blogspot.com.br/p/anfibios-e-repteis.html
Figura 5: http://ecoblogando.wordpress.com/2009/03/25/espcies-brasileiras-tei-tupinambis-merianae/
Tabela 1: http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/02/a-origem-da-pressao-arterial-i/

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Comparando o comportamento sexual

Essa semana foi marcada pelo Dia dos Namorados, então por quê não falarmos sobre esse sentimento que aflora no coração dos apaixonados nesta data?

Todas as funções do corpo humano de uma maneira geral são permanentemente controladas - em estado fisiológico - por dois grandes sistemas que atuam de forma integrada: o nervoso e o endócrino.
O sistema nervoso é responsável pela obtenção de informações a partir do meio externo e pelo controle das atividades corporais. Enquanto o sistema endócrino regula o metabolismo através dos mensageiros químicos que são os hormônios.

Sistema nervoso em humanos e em insetos
Com base nos critérios anatômicos, o sistema nervoso humano é dividido em central e periférico. O sistema nervoso central é composto por órgãos como encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e medula espinhal, além dos órgãos dos cinco sentidos humanos (visão, olfato, paladar, audição e tato). Já o sistema nervoso periférico é formado pelos nervos e os gânglios (Fig. 1).


Figura 1: Localização do encéfalo, medula espinhal e nervos em humano.

O principal órgão do sistema nervoso central é o encéfalo de onde parte a medula espinhal. Estes se relacionam com os órgãos enviando comandos em forma de impulsos elétricos que são transmitidos por nervos que tem a participação de neurônios. Os nervos que partem do encéfalo são chamados de nervos cranianos e os que saem da medula espinhal são chamados de nervos raquidianos ou nervos espinhais.
Ainda em humanos, com base nos critérios funcionais, podemos dividir o sistema nervoso em somático (aquele que relaciona o organismo com o meio ambiente) e em visceral (aquele que se relaciona com a inervação e controle das estruturas viscerais). Estes sistemas são compostos por neurônios aferentes e eferentes, sendo que a região formada pelos neurônios eferentes no sistema nervoso visceral é também chamada de sistema nervoso autônomo, podendo ser subdividido em simpático e parassimpático.
Em insetos (Fig. 2), o sistema nervoso  consiste em um cérebro localizado na cabeça, e um cordão nervoso localizado ventralmente, com gânglios em cada segmento. Pode acontecer de o cordão nervoso estar  fundido e haver mais segmentos do que gânglios. As células nervosas se comunicam através das sinapses com ação de neurotransmissores, como a acetilcolina, e os impulsos são transmitidos através de mudanças na carga elétrica nas sinapses.
                                             Figura 2: Sistema nervoso do gafanhoto em vista dorsal e seus nervos.


Sistema Límbico
As regiões do sistema límbico, como hipotálamo, amígdalas e septo (Fig. 3), recebem inervações de vias ocitocinérgicas, as quais são regiões envolvidas na produção de emoções básicas nos animais, como medo, ansiedade, fome, saciedade, prazer e desejo sexual.

 










Figura 3: Estruturas principais do sistema límbico em humanos.  


O sistema límbico é a nomenclatura atribuída às estruturas cerebrais que coordenam o comportamento emocional e os impulsos motivacionais, além de comportamentos sociais. Através do sistema nervoso autônomo, ele comanda comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos.
A sua principal função é a integração de informações sensitivo-sensorial com o estado psíquico interno, onde é atribuído um conteúdo afetivo a esses estímulos, a informação é registrada e relacionada com as memórias pré-existentes, o que leva à produção de uma resposta emocional adequada, consciente e/ou independente da nossa vontade.
O sistema límbico, como citamos, é responsável pelo comportamento emocional que é o conjunto de reações frente a uma sensação. Há emoções primárias que estão relacionadas com necessidades imediatas como alimentação (fome/saciedade), obtenção de água (sede), sexo (libido), fuga de predadores ou outras ameaças (medo), defesa dos filhotes (ira/agressão), etc, as quais geram comportamentos motivados. Por outro lado, as emoções secundárias são os estados mais discriminados e complexos como ansiedade, satisfação, amor, familiaridade e sentimentos mais subjetivos. Todas essas emoções são envolvidas por alterações somáticas, onde geram respostas expressivas e comportamentais involuntárias, reflexos condicionados e incondicionados que podem ser voluntários (alegria, amor, esperança e amizade); já as alterações viscerais são as respostas específicas para cada tipo de emoção, que é o condicionamento pessoal (tristeza, raiva, medo e ansiedade).
 
                     Figura 4: Relacionamento afetivo.


 O comportamento sexual em humanos e em outros animais
A sensação de prazer é a isca arranjada pela evolução para atrair determinados seres vivos para o acasalamento, garantindo a reprodução de suas espécies.     
No sistema límbico, a principal estrutura que governa a sensação de prazer é o septo, e as emoções agradáveis no hipotálamo. A maioria dos chamados animais sexuados cai nessa armadilha do desejo, mas nenhum com tanta frequência e tamanha intensidade quanto o homem (Fig. 4).
A espécie humana pode ser considerada a campeã do prazer sexual. Ela é capaz de experimentar o orgasmo em qualquer época do ano, enquanto outros animais só desfrutam desse prazer no período do cio. Para chegar ao
orgasmo, o sistema nervoso ordena, em primeiro lugar, que os
batimentos cardíacos acelerem, autorizando um derrame do hormônio adrenalina. Este
hormônio neurotransmissor que atua no sistema nervoso simpático faz o coração arrancar, por um bom motivo, afinal não pode faltar sangue para os músculos na agitação do sexo. Este hormônio é liberado pelas glândulas suprarrenais, e faz com que as artérias se dilatem, facilitando a passagem do sangue que precisa estar oxigenado. Os pulmões também aumentam o ritmo de trabalho e a respiração torna-se rápida e curta. Toda essa superatividade física leva o corpo a esquentar. Os lábios humanos possuem a camada mais fina de pele do corpo humano e estão entre as áreas corporais onde se encontram maiores concentrações de receptores e transmissores sensoriais. Quando beijamos, as células da língua e de outras regiões da boca disparam mensagens para o cérebro e para o corpo, provocando emoções e reações físicas intensas. Nesse momento ocorre e liberação de ocitocina, conhecido também como “hormônio do amor”, o qual é responsável pela sensação de prazer, ao receber um abraço ou um beijo da pessoa amada, apesar da sua principal atuação estar no útero, causando contrações no momento do parto e durante o orgasmo.
O comportamento sexual animal assume várias formas diferentes, até mesmo no que diz respeito à mesma espécie. Entre os animais, os pesquisadores refletem sobre a monogamiacruzamento genético entre espécies, excitação sexual entre os animais a partir de objetos ou lugares, dentre outras práticas.


 












Figura 5: Acasalamento de elefantes marinhos.


                                               
                                                                                     Figura 6: Elefantes marinhos em disputa por território e fêmeas.

Quando a sexualidade animal dirige-se pelo ato reprodutivo, é frequentemente denominado acasalamento ou cópula. Para a maioria dos animais mamíferos, o acasalamento ocorre no ponto de cio,  o período mais fértil do ciclo reprodutivo da fêmea. No caso de leões marinhos, um macho copula com muitas fêmeas (Figs. 5 e 6). Durante as épocas de reprodução, os machos dessa espécie, que são muito maiores e mais pesados do que as fêmeas, vêm para a costa e estabelecem territórios de reprodução. Eles param de comer e defendem seus territórios com constantes brigas violentas. Eles formam haréns, que são grupos com mais de 50 fêmeas, sendo considerados poligâmicos dentro de seus territórios, mantendo os outros machos afastados. Somente os machos mais pesados podem ter territórios e reproduzir, os outros se reúnem em grupos de solteiros e passam a maior parte do seu tempo tentando entrar nos haréns para uma cópula rápida. Estes animais usam a agressão interespecífica que são os ataques dirigidos a membros da própria espécie em contextos de competição por recursos (fêmeas ou alimento) e a expressão visceral que possui uma ativação simpática generalizada. Associado a isso, a expressão somática, muito rica, é repleta de mensagens como abaixamento de orelha, vocalizações e expressões faciais.

Escrito por: Laura Ribeiro e Priscila Ferrari


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FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.alunosonline.com.br/biologia/nervos-sistema-nervoso-periferico.html
Figura 2: http://neuroinformacao.blogspot.com.br/2012/08/o-sistema-limbico.html
Figura 3:
http://www.pucrs.br/fabio/histologia/tecnerv/Insetos/SN.htm
Figura 4: http://cultcarioca.blogspot.com.br/2013/06/artur-da-tavola-dia-dos-namorados.html
Figuras 5 e 6: http://www.gamesbrasil.com.br/forum/showthread.php/68533-Ge%C3%B3rgia-do-Sul-lar-de-milh%C3%B5es-de-ping%C3%BCins-aves-focas-le%C3%B5es-e-elefantes-marinhos