sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Diversidades no sistema locomotor: homem versus avestruz

O sistema locomotor, em geral, é constituído por três grandes sistemas: esquelético, articular e muscular, os quais possibilitam os diversos movimentos realizados pelo ser humano e outros animais. O corpo humano pode ser classificado como um sistema complexo, permitindo a realização de forças através da contração muscular, o que faz deste sistema autônomo e independente, realizando desta forma os movimentos.
O sistema esquelético é capaz de dar suporte ao corpo, atuando como arcabouço, movimentação, desempenhando importante papel nos tipos de movimento, proteção, preservando vários órgãos vitais internos de lesões, além de servir também como estoque de vários minerais.
O sistema articular permite que os ossos individualmente possam se unir, ou se articular. De acordo com as classificações, observa-se que 1) as articulações fibrosas são consideradas imóveis, pois há pouco tecido conjuntivo fibroso entre as extremidades dos ossos; 2) nas articulações cartilaginosas, os ossos são unidos por uma cartilagem, que permite realizar movimentos limitados; e 3) as articulações sinoviais são caracterizadas por permitirem grande variedade de movimentos.
O sistema muscular representa cerca de 50% do peso corporal total. Os músculos estão fixados nos ossos, o que permite a movimentação do corpo através da contração e relaxamento deste tecido esquelético.
Apesar de serem descritos separadamente, percebe-se que esses três sistemas estão intimamente ligados, e que a locomoção do corpo, desde o levantamento de uma cadeira, até a corrida de vários quilômetros, depende exclusivamente dessa interligação.
De acordo com a figura 1, nota-se as equivalências anatômicas e funcionais das articulações e ossos entre humanos e aves (avestruz), especialmente em relação aos ossos da cintura pélvica e dos membros inferiores. 

           Figura 1: Comparação dos ossos e articulações da cintura pélvica e membros inferiores entre 
              o homem e o avestruz, em vista lateral.

Um exemplo é o osso tibiotarso no avestruz (Fig. 1), formado pela fusão entre a tíbia e uma fileira proximal dos ossos do tarso. Essa estrutura apresenta-se como o maior osso do membro pélvico, com face lateral à fíbula pouco desenvolvida, articulando-se de maneira proximal com o fêmur. O osso tibiotarso corresponde à tíbia na espécie humana e em outros mamíferos.
Em relação à locomoção, as patas do avestruz são estruturalmente mais adaptadas para os bípedes, pois permitem suportar massa corporal maior e percorrer longas distâncias em maior velocidade. Percebe-se que no avestruz, o tarsometatarso corresponde à junção dos ossos do tarso e metatarso em humanos (Fig. 2). Esta diferença ocorre porque os pés humanos evoluíram com função inicial de segurar galhos e as patas do avestruz com atividade de apoiar, caminhar e correr.

                      Figura 2: Comparação entre os ossos do pé humano e da pata do avestruz.
Escrito por: Lara Parreira de Souza

Referências consultadas
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo: Manole, 1991.
TORTORA, G. J. Corpo Humano: fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4ª ed.
         Porto Alegre: Artmed, 2000.
 AUTOR DESCONHECIDO. Aves em fuga: o que torna as avestruzes tão rápidas?  Disponível em < http://www.scienceinschool.org/2011/issue21/ostrich/portuguese> Acesso em 14 Nov. 2014
LEITE, A. G. B.; SILVÉRIO, L. M. G. S.; SILVA, G. M.; ARAÚJO, A. G. S.; OLIVEIRA, D. Descrição anatômica do esqueleto do avestruz (Struthio camelus): relato de caso. Revista Biotemas, v. 25, n. 4, p. 193-200, 2012.
AUTOR DESCONHECIDO. Deus e a pata do avestruz. Disponível em <http://ciencia.folhadaregiao.com.br/2013/03/deus-e-pata-do-avestruz.html> Acesso em 20 Nov. 2014.

Fonte das imagens
Figura 1: http://www.scienceinschool.org/2011/issue21/ostrich/portuguese
Figura 2: http://ciencia.folhadaregiao.com.br/2013/03/deus-e-pata-do-avestruz.html




                                                                                 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Músculos da mastigação do homem comparados aos do cavalo

Os músculos esqueléticos são estudados pela ciência anatômica chamada de Miologia. Essas estruturas são constituídas por fibras musculares que tem a capacidade de se contrair (diminuindo seu comprimento) e relaxar (alongando-se), estando unidas ao sistema ósseo e resultando em alavancas biológicas que permitem movimento em vários segmentos do corpo.
Os músculos da mastigação, tanto no homem quanto no cavalo, se dividem em duas funções: elevadores e depressores da mandíbula, sendo ambos inervados pelo nervo trigêmeo.

Músculos elevadores
- Masseter
No humano, o músculo masseter é retangular, espesso e forte, com origem na margem inferior do osso zigomático e inserção na face lateral do ramo da mandíbula (Figura 1-A). Sua função é elevar a mandíbula com maior potência e, por isso, está dividido em parte superficial e parte profunda, onde a superficial eleva a mandíbula de momento e a profunda faz a manutenção da oclusão durante longos períodos.
Por outro lado, no cavalo este mesmo músculo tem origem ao longo da crista facial e arcada zigomática, e possui largas inserções na porção caudolateral da mandíbula (Figura 1-B). Ele é um músculo bem desenvolvido, podendo além de elevar a mandíbula, puxá-la para o lado ipsilateral. Sua parte superficial apresenta fibras na vertical, enquanto na parte profunda as fibras seguem orientação ventrocaudal.

Figura 1: Vista lateral dos músculos masseter do homem (A) e do cavalo (B), indicados por seta.


- Pterigoideo
Nos humanos, o músculo pterigoideo medial (Figura 2-A) apesar de menor apresenta as mesmas características do masseter (retangular e inserido no ramo da mandíbula), sendo um músculo de força. Ele está inserido na face medial da região do ângulo da mandíbula, tem origem na fossa pterigoidea e sua inserção descola a mandíbula ligeiramente para frente. Nos equinos, os músculos pterigoideos medial (Figura 2-B) e lateral têm função de elevação, enquanto nos humanos o lateral é um músculo depressor. Além disso, também é um músculo de força, com origem e inserção semelhantes a do masseter, sendo fixados na região medial da mandíbula.

Figura 2: Vista lateral do músculo pterigoideo do homem (A) e vista inferior do mesmo músculo no cavalo (B), indicados por seta.

- Temporal
No homem, o músculo temporal é coberto pela fáscia temporal (Figura 3-A) e tem mais função de movimento do que de força, apesar de ser grande e potente. Com origem no soalho da fossa temporal e superfície medial da fáscia temporal, e inserção no processo coronóide da mandíbula, suas fibras anteriores elevam a mandíbula, enquanto as fibras posteriores são essencialmente retrusoras da mesma. Já no cavalo, este músculo tem por função o encerramento da mandíbula, apesar de ser pequeno e pouco desenvolvido, uma vez que a abertura vertical da articulação temporomandibular é bem limitada (Figura 3-B).

Figura 3: Vista lateral dos músculos temporal do homem (A) e do cavalo (B), indicados por seta.


Músculos depressores: ­­
Os músculos depressores da mandíbula do homem são diferentes dos presentes no cavalo, por exemplo o pterigoideo lateral em humanos e o digástrico em equinos.
O músculo pterigoideo lateral é o único músculo que se dispõe horizontalmente e que se relaciona com a articulação temporomandibular e, por isso, realiza movimento diferente dos outros três músculos, sendo o músculo mais curto da mastigação (Figura 4-A). Ele tem sua origem na parede lateral e superior da fossa infratemporal, e inserção na fóvea pterigoidea do colo da mandíbula. Por outro lado, o músculo digástrico origina-se no osso occipital e se insere na porção caudal da mandíbula. Além disso, apresenta tamanho reduzido devido ao pouco esforço requerido para a abertura mandibular, já que este movimento é favorecido pela ação da força da gravidade (Figura 4-B).

Figura 4: Vista inferior do músculo pterigoideo lateral humano (A) e vista lateral do músculo digástrico equino (B), indicados por seta.


Escrito por: João Vitor Marani Amaral


Referências consultadas
DYCE, K. M. Tratado de anatomia veterinária. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 799 p.
MADEIRA, Miguel Carlos. Anatomia facial. Disponível em: <http://odontoup.com.br/anatomia-de-cabeca-e-pescoco/resumo-anatomia-de-cabeca-e-pescoco/#>. Acesso em 6 nov. 2014.
PAULO, Diana Luísa de Oliveira Moreira. A importância da odontologia na prática clínica equina. Universidade técnica de Lisboa; Lisboa 2010. Disponível em: <http://www.sdolivramento.com.br/new/painel/contas/90.pdf>. Acesso em 7 nov. 2014.

Fonte das imagens
Figura 1, 2, 3 e 4A: http://www.auladeanatomia.com/sistemamuscular/atm.htm
Figura 1 e 2B: http://www.resumaodeveterinaria.com.br/2014/01/anatomia-musculos.html

Figura 3 e 4B: DYCE, K. M. Tratado de anatomia veterinária. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 799 p.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Comparando o sistema articular do homem e do cachorro

Os ossos do corpo humano e de outros animais são muito rígidos para serem dobrados sem que haja nenhuma ruptura, ou que se quebre. Por isso, as articulações formadas de tecido conjuntivo unem os ossos permitindo o movimento. Nesse sentido, artrologia (artr- = articulação; -ologia = estudo de) se caracteriza como o estudo cientifico das articulações, enquanto cinesiologia (cinesi- = movimento) é o estudo dos movimentos do corpo.
As articulações são classificadas estruturalmente de acordo com suas características anatômicas em fibrosa, cartilaginosa e sinovial. Funcionalmente, também classificamos as articulações em graus de movimentação, podendo ser sinartrose (sin- = juntos), articulação imóvel; anfiartrose (anfi- = dos dois lados), articulação com pouco movimento; ou diartrose, articulação com movimentos amplos.
As articulações fibrosas unem os ossos por tecido conjuntivo fibroso, o qual é rico em fibras colágenas. Esta articulação não possui cavidade sinovial, apresenta pouco ou nenhum movimento e pode ser classificada em três tipos: suturas, sindesmose e gonfose. Ambos os tipos podem ser encontrados no homem e nos caninos.
·         Suturas (Fig. 1) são compostas por uma fina camada de tecido conjuntivo denso e é encontrada predominantemente na região da cabeça. Além disso, são consideradas sinartroses por não apresentarem movimentos. Existem três tipos de suturas: denteada, junção na forma serrilhada, tendo um perfeito encaixe; plana, com as margens das superfícies lisas; e escamosa, com as margens formando um bisel, ficando superpostas.

Figura 1: Suturas no crânio humano (A) e no crânio canino (B).

·         Sindesmose (Fig. 2): há mais tecido conjuntivo fibroso e mais espaço entre os ossos que se formam do que nas suturas, formando ligamentos ou membranas.

Figura 2: Sindesmose na perna do homem (A) entre os ossos: sacro e fêmur, fêmur, tíbia e fíbula, tíbia, fíbula e tarso e tarso e metatarso. Ligamentos e articulações na pata traseira do cachorro (B).
    

·         Gonfose (Fig. 3): é uma articulação imóvel ou sinartrose, em que há um encaixe perfeito em uma depressão óssea, constituída com pouco tecido conjuntivo.

Figura 3: Gonfose em cavidade dentária do homem (A) e em cachorro (B).


As articulações cartilaginosas permitem pouco ou nenhum movimento. Os ossos são unidos por cartilagem hialina ou fibrocartilagem e não há cavidade sinovial. Existem dois tipos: sincondrose e sínfise. Ambos os tipos podem ser encontrados no homem e nos caninos.
·         Sincondrose (Fig. 4): o tecido conjuntivo é cartilagem hialina, a qual é substituída por tecido ósseo no final do crescimento longitudinal do osso.

Figura 4: Sincondrose em costelas no homem (A) e no cachorro (B).


·         Sínfise (Fig. 5): possui pouco grau de movimento, com uma fina camada de cartilagem hialina, e a ligação entre os ossos é feita por um disco plano de fibrocartilagem.

Figura 5: Sínfise púbica em pelve de homem (A) e de cachorro (B).

A articulação sinovial apresenta espaços entre os ossos, a cavidade sinovial, e uma cápsula articular, os quais permitirão grande amplitude de movimentos, também classificada de diartroses. Esta articulação possui cinco elementos constantes: a superfície óssea articular, que é a superfície de contato entre os ossos; a cartilagem articular, que é de cartilagem hialina e se situa na extremidade óssea; a cápsula articular, constituída de membrana fibrosa externa e de membrana sinovial interna; o líquido sinovial, responsável pela lubrificação das articulações para amenizar o atrito; e a cavidade sinovial, espaço preenchido pelo líquido sinovial. As articulações do ombro e do joelho são exemplos de sinovial (Fig. 6).

Figura 6: Exemplos de articulação sinovial no homem. Articulação do ombro com membranas sinovial e fibrosa na junção do úmero e clavícula (A). Articulação do joelho com membrana sinovial, líquido sinovial e ligamentos (B).

    
Além dos elementos constantes, a articulação sinovial também possui os elementos anexos (Fig. 7), representados pelos discos articulares, estrutura fibrocartilaginosa em forma de disco que permite que duas superfícies ósseas articulem; meniscos, estrutura fibrocartilaginosa que forma um disco incompleto agindo como amortecedores de peso; lábio articular, estrutura em forma de anel que amplia a superfície articular; e os ligamentos, ricos em fibras elásticas e colágenas que ajudam na fixação dos ossos articulares, frenando ou limitando os movimentos articulares.

Figura 7: Ligamentos e menisco em joelho do homem (A) e do cachorro (B).


Tanto no homem quanto nos cães, as articulações sinoviais podem ser dividas quanto ao número de ossos, podendo ser simples ou composta; quanto em relação à liberdade de movimento, em dependente ou independente; ou quanto à forma das suas superfícies, em plana, gínglimo, trocóide, selar, elipsóide ou esferóide.

Escrito por: Nathália Barbar Cury Rodrigues


Referências consultadas
FERNANDES, V. Anatomia veterinária – sistema articular. Disponível em <http://pt.slideshare.net/VicenteFernandes/sistema-articular-anatomia-veterinria>. Acesso em 29 out. 2014.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed., São Paulo: Manole, 1991.
TORTORA G. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9a ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

Fontes das imagens
Figura 1A: http://www.saudeanimal.com.br/linha_superior.htm
Figura 1B: http://anatomiavet2012.blogspot.com.br/
Figura 2A: http://johnniperes.blogspot.com.br/2010/12/articulacao-dispositivo-pelo-qual-dois.html
Figura 2B: http://anatomiavet2012.blogspot.com.br/2012/08/suturas-dos-ossos-do-cranio.html
Figura 3A: http://johnniperes.blogspot.com.br/2010/12/articulacao-dispositivo-pelo-qual-dois.html
Figura 3B: http://www.merckmanuals.com/media/pet/figures/DDD_dog_leg_joints.gif
Figura 4A: http://files.cienciasmorfologicas.webnode.pt/200000084-66e3c67ddc/Sincondrose.jpg
Figura 4B: http://medanimal.blogspot.com.br/
Figura 5A: http://anatomiadescritivaveterinaria.blogspot.com.br/
Figura 5B: http://files.cienciasmorfologicas.webnode.pt/200000085-851d98617e/Sinfise.jpg
Figura 6A: http://medanimal.blogspot.com.br/
Figura 6B: http://slideplayer.com.br/slide/294197/
Figura 7A: http://www.paulojunqueira.com.br/site/joelhos/

Figura 7B: http://www.fisioanimal.com/wp-content/uploads/2011/11/joelho.jpg

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Aprendendo e comparando o esqueleto: homem e outros animais

O esqueleto é formado por um conjunto de ossos, os quais são órgãos rígidos, com coloração, número e forma variáveis, e que se interligam por meio de articulações (fibrosas, cartilaginosas e sinoviais) para formar o sistema ósseo. Este sistema é responsável pela locomoção do indivíduo juntamente com os sistemas articular e muscular.
As principais funções desempenhadas pelo esqueleto são: proteção, sustentação e conformação do corpo. Além disso, é o local no qual são produzidas células sanguíneas e armazenam-se íons e minerais.
O esqueleto pode ser classificado em articulado, quando os ossos estão reunidos, como o úmero, a ulna e o rádio que juntos compõem o braço; ou desarticulado, quando os ossos encontram-se isolados, como o fêmur quando analisado separado da tíbia, fíbula e ossos do quadril.
O esqueleto articulado ainda pode ser natural, quando a união for feita por meio de ligamentos e cartilagens, exemplo disso é a articulação do joelho, na qual as cartilagens e ligamentos interligam o fêmur, a tíbia e a fíbula; e artificial, quando por meio de peças metálicas. Como exemplo, a doença artrose (resultado do desgaste da cartilagem articular do quadril) o tratamento é feito por meio de articulação artificial, uma prótese plástica acoplada ao osso do quadril e uma estrutura de metal inserida na cabeça do fêmur.
O esqueleto articulado também pode ser misto, quando há a presença das duas formas, como na fratura óssea em que é preciso fazer uma cirurgia e inserir placas ou parafusos para reestabelecer a continuidade óssea. Dessa forma, esse osso continua articulado naturalmente em uma parte e artificialmente em outra.
Além disso, pode-se classificar a estrutura esquelética quanto a sua topografia em: axial e apendicular. O esqueleto axial é formado por ossos da cabeça, pescoço e do tronco, e o apendicular é composto pelos ossos dos membros superiores e inferiores, incluindo os cíngulos.

Já em relação à posição do arcabouço de sustentação do organismo, existem dois tipos de estrutura esquelética: o exoesqueleto, cuja base de sustentação é externa; e o endoesqueleto, cuja base de sustentação é interna. Sendo assim, ao compararmos alguns animais verificamos que os seres humanos e os peixes ósseos (Fig. 1A-B), além dos tatus, os cavalos, e os répteis possuem endoesqueleto; enquanto os artrópodes possuem exoesqueleto (Fig. 1C). Entretanto, peixes, tatus e crocodilos também possuem esqueleto externo, como resquício de uma condição primitiva, mas com variância em graus de desenvolvimento. Essa diferença a respeito da posição do conjunto de ossos ocorre devido à evolução. Isso é, quanto mais evoluído o animal, maior a interiorização do esqueleto.

Figura 1: Ossos do endoesqueleto humano (A), do endoesqueleto de um peixe ósseo (B) e do exoesqueleto de um artrópode (C).


Ao comparar a osteologia do ser humano com o cavalo, nota-se que eles possuem vários ossos em comum, como por exemplo as vértebras que compõem a coluna vertebral. Entretanto, existem diferenças importantes no número (Fig. 2): enquanto o homem possui 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccígeas; o cavalo possui 7 vértebras cervicais, 18 torácicas ou dorsais, 6 ou 5 lombares, 5 sacrais e 15 a 18 coccígeas ou caudais. Isso porque os equinos possuem uma cauda, diferentemente do ser humano que a perdeu devido às adaptações evolutivas.

                  Figura 2: Ossos da coluna vertebral do homem (A) e do cavalo (B).


Escrito por: Letícia Rodrigues Novaes

Referências consultadas
ABC.MED.BR, 2013. Fratura óssea: definição, causas, sinais e sintomas, tipos de fraturas, diagnóstico, tratamento e evolução. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/370949/fratura-ossea-definicao-causas-sinais-e-sintomas-tipos-de-fraturas-diagnostico-tratamento-e-evolucao.htm>. Acesso em: 1 nov. 2014.
AUTOR DESCONHECIDO. Anatomia descritiva dos animais domésticos. Disponível em: <http://anatomiadescritivaveterinaria.blogspot.com.br>. Acesso em: 25 out. 2014.
AUTOR DESCONHECIDO. Sistema esquelético. Disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/osteologia/generalidades.htm>. Acesso em: 22 out. 2014.
DANGELO, J. G.; FATTINI C. A. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. 3ª ed. Editora Atheneu: São Paulo, 2007.
DUARTE, H. E. Anatomia Humana. BIOLOGIA/EAD/UFSC, Florianópolis, 2009. 174 p. Apostila.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUADRIL. O que é Artrose (Desgaste do Quadril). Disponível em: <http://www.sbquadril.org.br/info-pacientes.php?ver=1>. Acesso em: 28 out. 2014.
ZAMITH, A. P. L. Lições de osteologia dos animais domésticos. Anais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, v. 3, p. 173-270, 1946.

Fonte das imagens
Figura 1A: http://soranadia.blogspot.com.br/p/osteologia-sistema-esqueletico.html
Figura 1B: http://clientes.netvisao.pt/pedrogam/ictiologia.htm
Figura 1C: http://escola.britannica.com.br/assembly/168766/Na-fase-final-de-metamorfose-uma-cigarra-muda-o-exoesqueleto
Figura 2A: http://www.auladeanatomia.com/osteologia/coluna.htm
Figura 2B: ZAMITH, A. P. L. Lições de osteologia dos animais domésticos. Anais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, v. 3, p. 173-270, 1946.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Aprendendo as nomenclaturas anatômicas e comparando posições, divisões, planos e eixos entre humanos e outros animais

Nomenclatura anatômica
A anatomia é uma ciência antiga capaz de estudar o corpo humano em suas partes tanto macroscópicas quanto microscópicas. Sendo assim, possui suas próprias formas de linguagem. As nomenclaturas utilizadas buscam descrever e informar sobre as devidas estruturas do organismo.
A terminologia anatômica tem como objetivo listar os termos do latim e grego para o português. Exemplo disso, o músculo do ombro conhecido como deltóide em latim é denominado musculus deltóides.
Nesta terminologia existem algumas abreviações aos termos, obtendo a simplificação da escrita, como segue abaixo:
a – artéria                             as – artérias
fasc – fascículo                   gl - glândulas
lig – ligamento                     ligg - ligamentos
m – músculo                        mm - músculos
n – nervo                              nn - nervos
r – ramo                                 rr - ramos
v – veia                                 vv - veias

Várias nomenclaturas anatômicas antigas foram atualizadas, mas ainda são utilizadas por clínicos. Essas nomenclaturas são chamadas de epônimos, ou seja, a utilização de nomes de pessoas para identificar uma estrutura. O quadro abaixo apresenta algumas nomenclaturas atualizadas (Tabela 1).

                Tabela 1: Lista de epônimos e a sua nomenclatura atualizada.
 

       Além dos epônimos, outras nomenclaturas foram atualizadas para que pudessem estar adequadas dentro do estudo de anatomia. Alguns exemplos podem ser encontrados na tabela 2.


                           Tabela 2: Nomenclatura anatômica atualizada.
 

Nos animais existem nomenclaturas específicas para a identificação de cada parte do seu corpo. Por exemplo, o número 1 na figura 1, identificado como orelha, possui mesma nomenclatura utilizada na espécie humana. Porém, o número 4, chanfro, é uma estrutura específica dos equinos.


                     Figura 1: Estruturas anatômicas da face do cavalo.
 


Posição anatômica
O indivíduo em posição ereta, chamada também de ortostática ou bípede, olhando para o horizonte, com a face voltada para frente, membros superiores juntos ao tronco e membros inferiores unidos, está em posição anatomicamente correta (Figura 2a).
Já os animais quadrúpedes, como os cães (Figura 2b), para estarem em posição anatômica devem permanecer em suas posições de alerta, com os quatro membros fixos ao solo, pescoço erguido constituindo com o dorso um ângulo de 145º, narinas para frente, orelhas em pé e olhar para o horizonte.

              Figura 2: Posição anatômica para o homem (a) e para o cão (b).
 

Divisão anatômica
   O corpo humano é dividido nos seguintes segmentos (Figura 3a): cabeça, correspondendo a porção superior do corpo; pescoço, que faz a junção entre cabeça e tronco; tronco (tórax, abdome, pelve e dorso); e membros (superiores e inferiores). Nos cavalos, o corpo é dividido em cabeça, tronco (tórax, abdome e pelve) e membros (torácicos e pélvicos) (Figura 3b).

                     Figura 3: Divisão anatômica para o homem (a) e para o cavalo (b).
 

Planos e eixos
Os planos e eixos têm por objetivo delimitar o corpo humano como paredes imaginárias, para obtenção de pontos de referência, localizando desta forma as estruturas anatômicas deste corpo (figura 4a). De acordo com os planos de delimitação, o corpo humano pode ser dividido em: 
Plano ventral ou anterior; plano dorsal ou posterior: são planos verticais, sendo o primeiro tangente ao ventre e o segundo tangente ao dorso, os quais são também caracterizados como planos frontais;
Planos direito e esquerdo: também são planos verticais, porém são tangentes ao lado do corpo;
Plano cranial ou superior; plano podálico ou inferior: são planos horizontais, sendo o primeiro tangente a cabeça.
·       
·                    Figura 4: Planos de delimitação do corpo no homem (a) e no cavalo (b).
 

Nos outros animais, como os cavalos, a nomenclatura referente aos planos de delimitação são os mesmos encontrados no corpo humano, exceto o plano inferior, que nos equinos é denominado de plano caudal, que tangencia a cauda do animal (Figura 4b).


Plano de secção
     Além dos planos de delimitação, existem também aqueles que seccionam o corpo humano em vários planos de referência (Figura 5a):
Plano sagital: divide o corpo, ou suas partes, longitudinalmente em porções direita e esquerda;
Plano mediano (ou sagital mediano): divide o corpo em partes direita e esquerda iguais. Existe outra secção sagital que não é mediana, denominada de secção paramediana.
Plano frontal (ou coronal): é uma secção longitudinal, porém forma um ângulo de 90º com o plano sagital, fazendo divisão no corpo em porções anterior e posterior;
Plano transversal: divide o corpo, ou suas partes, em porções superior e inferior.
       
                   Figura 5: Planos de secção no corpo do homem (a) e do cavalo (b).
 

Nos cavalos encontramos os seguintes planos de secção (Figura 5b):
·         Plano sagital: dividindo paralelamente os planos laterais;
·         Plano frontal: paralelo aos planos dorsal e ventral;
·         Plano transverso: dividindo paralelamente os planos cranial e caudal.


Escrito por: Lara Parreira de Souza

Referências consultadas
AUTOR DESCONHECIDO. Anatomia descritiva dos animais domésticos.  Disponível em <http://anatomiadescritivaveterinaria.blogspot.com.br/> Acesso em 18 Out. 2014
AUTOR DESCONHECIDO. Fundamentos da Anatomia Veterinária. 2010. Disponível em: http://arquivosdeveterinaria.blogspot.com.br/ Acesso em 20 Out. 2014.
AUTOR DESCONHECIDO. Nomenclatura ou Terminologia Anatômica. Disponível em: http://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/37436/nomenclatura-ou-terminologia-anatomica Acesso em 20 Out. 2014.
DANGELO & FATTINI. Anatomia Humana. 3ª ed. São Paulo: Atheneu, 2007.
OLIVEIRA, T. Instituição desconhecida. Mundo dos animais. 2014. Disponível em: http://www.mundodosanimais.pt/animais-de-quinta/anatomia-cavalo/ Acesso em: 20 Out. 2014.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo: Manole, 1991.

Fonte das imagens
Tabelas 1 e 2:
http://www.revistapersonalite.com.br/site/nova-nomenclatura-anatomica/
Figura 1:
http://www.mundodosanimais.pt/animais-de-quinta/anatomia-cavalo
Figura 2a:
http://cienciasmorfologicas.webnode.pt/introdu%C3%A7%C3%A3o%20a%20anatomia/posi%C3%A7%C3%A3o%20anatomica/
Figura 2b:
http://anatomiadescritivaveterinaria.blogspot.com.br/
Figura 3a:
http://cienciasmorfologicas.webnode.pt/introdu%C3%A7%C3%A3o%20a%20anatomia/divis%C3%A3o%20do%20corpo%20humano/
Figura 3b e 4b:
http://arquivosdeveterinaria.blogspot.com.br/2010_08_01_archive.html
Figura 4a:
http://disciplinas.uniararas.br/anatomia/wp-content/dpoffline/introducao/introducao.htm
Figura 5a:
http://aulas-de-anatomia.blogspot.com.br/2010/08/nocoes-basicas-de-anatomia.html
Figura 5b:
https://questoesdefisiocomentadas.files.wordpress.com/2014/08/planos-e-eixos.jpg