sábado, 14 de fevereiro de 2015

Comparando a paraplegia em homens e cachorros

O sistema nervoso tem por função captar as mensagens e estímulos do ambiente, interpretá-las e arquivá-las, além de elaborar respostas, nas quais podem vir na forma de movimentos, sensações ou constatações.
Este sistema pode ser divido quanto a sua morfologia em central e periférico. O sistema nervoso central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal, ambos protegidos pelas meninges e pelos ossos da caixa craniana e vértebras, respectivamente. A medula espinhal passa pelas vértebras cervicais, torácicas e lombares no homem (Fig. 1A) e no cachorro (Fig. 1B). Já o sistema nervoso periférico é composto por nervos que se originam no encéfalo (cranianos) e na medula espinhal (espinhais), com a função de conectar o sistema nervoso central com as outras partes do corpo.

Figura 1: Localização da medula espinhal no homem (A) e no cachorro (B).


A paraplegia é resultado de algum tipo de trauma na medula espinhal, danos celulares ou lesões de nervos, desde a região torácica para baixo, sendo altamente impactante tanto no homem quanto em cães. A figura 2 ilustra exemplos de lesão medular torácica nos animais em comparação.

Figura 2: Exemplo de lesão medular torácica no homem (A) e no cachorro (B).
         
    

A medula espinhal é constituída por neurônios e suas longas fibras nervosas. Quando há lesão na coluna, com comprometimento dos neurônios e seus axônios, temos a interrupção dos impulsos nervosos para o cérebro, resultando na perda dos movimentos e da sensibilidade dos membros inferiores (Fig. 3A). Avaliando a secção transversal da medula espinhal (Fig. 3B) encontramos tratos sensitivos no funículo posterior e dos núcleos motores na coluna posterior. É notável que tanto os componentes sensitivos quanto os componentes motores da medula espinhal apresentam uma organização regional definida.

Figura 3: Regiões afetadas na coluna e suas reações (A). Organização anatômica dos tratos e colunas da medula espinhal no homem (B).

    
No homem, quando a lesão atinge a região das vértebras lombares há perda dos movimentos dos membros inferiores, e quando atinge a região torácica tem-se a perda dos movimentos da parte do abdome até os membros inferiores. Já a lesão da região cervical é caracterizada como tetraplegia com ausência total de movimentos. Nos cachorros, quando a lesão atinge a parte toracolombar temos o grau 4 de lesão, na qual o animal perde a sensibilidade e movimentos dos membros inferiores. Quando a lesão atinge a parte lombar há a paraplegia de grau 5, um nível mais avançado da doença na qual há perda de movimentos involuntários de vísceras, membros inferiores e sensibilidade. Já na parte lombossacral há perda dos movimentos dos membros inferiores, caracterizando o grau 2 (Fig. 4).

Figura 4: Animais acometidos por lesão medular e os seus graus.


Escrito por: Nathália Barbar Cury Rodrigues


Referências consultadas
AUTOR DESCONHECIDO. Minha vida. Lesão na medula espinhal. Disponível em: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/lesao-na-medula-espinhal. Acesso em: 10 fev. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Toda matéria. Sistema Nervoso. Disponível em: http://www.todamateria.com.br/sistema-nervoso/. Acesso em: 10 fev. 2015.
HENKE D, VANDEVELDE M, DOHERR MG, STOCKLI M, FORTERRE F. Correlations between severity of clinical signs and histopathological changes in 60 dogs with spinal cord injury associated with acute thoracolumbar intervertebral disc disease. The Veterinary Journal, v. 198, n. 1, p. 70-75, 2013.
MENDES DS, BAHR ARIAS, MV. Traumatismo da medula espinhal em cães e gatos: estudo prospectivo de 57 casos. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 32, n. 12, p. 1304-1312, 2012.

Fonte das imagens
Figura 1A: http://ceticismo.net/2013/06/27/cientistas-restauram-parte-de-medula-espinhal-lesionada-de-ratos/
Figura 1B: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgQFIpqoI9JAbFGlKiDgmTl8XcIeyZMRsz7KmA6cN1nQCsIsnXZFsnrr_Rrx6AJ2UVUQNiDqD_N0BBcmcS0EZ-Jk-QIk6oT-kt3Zk9m_vbECGcxW2GTpAuoG2YUGAlENwnZpIWWItLig0/s400/clip_image002.jpg
Figura 2A: http://fisioterapia-arteemreabilitar.blogspot.com.br/2010/03/lesao-medular.html
Figura 2B: http://veterinariacomplementar.blogspot.com.br/2012/03/uso-de-acupuntura-no-tratamento-de.html
Figura 3A (modificada): http://www.acessibilidadeinclusiva.com.br/lesao-medular-traumatica-%E2%80%93-objetivos-funcionais/
Figura 3B (modificada):
http://www.bandhayoga.com/images/Blog/spinal_tracts.jpg

Figura 4: Mendes e Bahr Arias, 2012.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Miastenia grave: uma neuropatia compartilhada entre o homem e os cães

A miastenia grave é uma neuropatia periférica caracterizada por um distúrbio neuromuscular decorrente da diminuição ou alteração de receptores do neurotransmissor acetilcolina localizados na placa motora existente entre os nervos motores e as fibras musculares, interferindo na transmissão do impulso nervoso e, consequentemente, na contração muscular, provocando o enfraquecimento dos músculos estriados esqueléticos.

A placa motora, denominada também de junção neuromuscular, situa-se na membrana terminal de um axônio e na membrana pós-juncional do tecido muscular adjacente (Fig. 1).

Figura 1: Localização da placa motora.

Existem duas formas da doença: a autoimune (adquirida) e a congênita. Na autoimune, são direcionados anticorpos contra os componentes da placa motora; enquanto na congênita, os anticorpos produzidos pela mãe passam pela placenta e atingem o feto. Os dois tipos de miastenia grave podem se manifestar no homem e em cães. Nos seres humanos, ela acomete mais mulheres entre 20 e 35 anos. Entretanto, após os 60 anos os homens são os mais acometidos. Já nos cães, há uma ocorrência maior da doença congênita em raças como: Jack Russell terriers, Springerspaniels e Fox terriers de pelo liso (Fig. 2). Já os cães mais velhos, independente da raça, são os mais susceptíveis a essa anormalidade pós-sináptica, em sua forma adquirida.

Figura 2: Raças de cães mais acometidos pela miastenia grave: Jack Russell terriers (A), Springerspaniels (B) e Fox terriers de pelo liso (C).

Ho homem e em cães, a miastenia grave resulta em fraqueza dos músculos esqueléticos do esôfago, da faringe e da laringe, acarretando assim, na fadiga muscular, intolerância a exercícios físicos, megaesôfago (alargamento do esôfago), dificuldade para engolir, hipersalivação, comprometimento da respiração, pálpebras caídas, entre outros problemas.


Escrito por: Letícia Rodrigues Novaes

Referências consultadas
AUTOR DESCONHECIDO. Corpo humano. Miastenia grave. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/mulher-2/miastenia-gravis/>. Acesso em: 1 fev. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. The free dictionary. Disponível em: <http://medical-dictionary.thefreedictionary.com/end+plate>. Acesso em: 4 fev. 2015.
FERREIRA I, SCASSIOTA LF, FERNANDES T. Miastenia grave adquirida. Relato de caso. Resumo apresentado no XIV Congresso Metodista de Iniciação e Produção Científica, XIII Seminário de Extensão, VIII Seminário PIBIC/UMESP. Publicado na  Universidade Metodista de São Paulo, FACSAUDE, Saúde Animal. Disponível em: <https://www.metodista.br/congressos-cientificos/index.php/CM2011/FACSAUDESA/paper/view/2374>.
Disponível em: <https://www.metodista.br/congressos-cientificos/index.php/CM2011/FACSAUDESA/paper/view/2374>. Acesso em: 31 jan. 2015
FONSECA MH, PÊGO-FERNANDES PM. Miastenia grave. Disponível em: <http://www.sbct.org.br/pdf/livro_virtual/miastenia_gravis.pdf>. Acesso em: 1 fev. 2015.
MACHADO TV, BRIZZOTTI M. Clinica médica. Miastenia grave em cães. Disponível em: <http://www.animaniacs.com.br/reportagem_caes_e_gatos/reportagem_caes_e_gatos.pdf>. Acesso em: 1 fev. 2015.
NUCCI A. Miastenia grave. Revista Neurociências, v. 13, n. 3, jul/set, 2005 .


Fonte das imagens

Figura 1 (modificada):
http://s100.photobucket.com/user/maxaug/media/nervoso4.gif.html
Figura 2A: http://dogtime.com/dog-breeds/jack-russell-terrier
Figura 2B: http://www.dogbreedinfo.com/englishspringerspaniel.htm
Figura 2C: http://www.amamoscachorros.com.br/racas/fox-terrier-de-pelo-liso/


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Semelhanças entre o sistema reprodutor masculino humano e equino

O sistema reprodutor é responsável pela continuidade da espécie, realizada através da produção dos gametas masculino (espermatozóides) e feminino (óvulo), que se fundem formando o zigoto. O processo de penetração do espermatozóide no óvulo é denominado fertilização. Os órgãos responsáveis pela produção de tais gametas são as gônadas, que nos homens correspondem aos testículos e nas mulheres aos ovários.
O sistema reprodutor masculino humano (Fig. 1) apresenta testículos, que produzem os espermatozóides, e os órgãos responsáveis pelo transporte, nutrição e proteção dos espermatozóides, classificados como órgãos sexuais acessórios, como os epidídimos, os ductos deferentes e o ducto ejaculatório, as glândulas vesículas seminais, próstata e bulbouretrais, além do pênis e do escroto. 

                                Figura 1: Sistema genital masculino humano, em vista anterior.

O sistema genital masculino dos equinos (Fig. 2) é constituído por dois testículos apoiados pelo cordão espermático e o músculo cremaster externo, ductos deferentes conectados a ampola, glândulas acessórias (vesiculares, prostática e bulbouretrais), músculos isquiocavernoso, bulboesponjoso e retrator do pênis, uretra associada, e o pênis que realiza a cópula. 

     Figura 2: Aparelho reprodutor de equino, em vista lateral.


Os testículos dos homens (Fig. 3A) estão situados no interior do escroto, uma bolsa de pele localizada inferiormente ao períneo e anteriormente ao ânus. A derme do escroto contém uma camada de músculo liso, o músculo dartos, e outra camada de músculo esquelético, o músculo cremaster (Fig. 1). A contração do músculo dartos faz com que o escroto tenha um aspecto enrugado, enquanto a contração do cremaster durante a excitação sexual e em resposta a mudanças de temperatura tensiona o escroto e traciona os testículos na direção do corpo.
O testículo é um órgão em formado oval, coberto por uma cápsula de tecido conjuntivo, a túnica albugínea, a qual possui septos que separam os testículos em lóbulos (Fig. 3A). Cada lóbulo comporta diversos túbulos seminíferos que possuem células germinativas, onde através do processo de espermatogênese os espermatozoides são desenvolvidos e a testosterona é produzida. Os túbulos seminíferos dos compartimentos ligam-se formando o túbulo seminífero reto, os quais reunidos constituem a rede testicular. Através dessa rede, emergem os ductos eferentes, que saem do testículo para adentrar no epidídimo (Fig. 3).


                                Figura 3: Morfologia interna do testículo do homem (A) e equino (B).

Nos equinos, os testículos estão localizados na região prepúbica, finalizado no escroto. O formato, assim como no homem, também é ovóide, porém são considerados comprimidos quando observados transversalmente. A superfície do testículo dos equinos é coberta por uma túnica serosa, denominada de túnica vaginal, sob a qual encontra-se a túnica albugínea, constituída de tecido fibroso e fibras musculares lisas. Através dela, são emitidas trabéculas que estendem-se no interior do parênquima testicular, nutrindo e dividindo os testículos em lóbulos (Fig. 3B). Nos equinos, o parênquima do testículo é composto por túbulos seminíferos que são sustentados por tecido conjuntivo frouxo intralobular. Esses túbulos, inicialmente, são denominados contorcidos, devido ao formato, que posteriormente unem-se a outros, constituindo os túbulos seminíferos retos. Assim, estes unem-se a túbulos adjacentes, dirigindo-se a parte cranial da borda inserida da glândula, formando os ductos eferentes maiores, que perfuram a túnica albugínea, penetrando na cabeça do epidídimo.

Escrito por Lara Parreira de Souza

Referências consultadas
AGNE, G. F. Ultrassonografia do aparelho genital masculino do equino. 2011. (Trabalho de conclusão do curso de Medicina Veterinária), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011.
GETTY, ROBERT. SISSON/GROSSAMAN. Anatomia dos animais domésticos. 5ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo: Manole, 1991.
TORTORA, G. J. Corpo Humano: fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Fonte de imagens
Figura 1: http://www.auladeanatomia.com/genitais/escroto.htm
Figura 2: https://jjvet.wordpress.com/2013/01/
Figura 3A: http://www.auladeanatomia.com/genitais/testiculos.htm
Figura 3B: AGNE, 2011

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Comparando o útero humano com o da paca (Caniculus paca)

No texto abaixo comparamos o órgão do sistema reprodutor feminino segundo sua localização e morfologia, tendo como base os dados de Reis et al. (2011) e Spence (1991).

Localização
 O útero humano (Fig. 1A) está localizado na pelve, atrás da bexiga urinária e à frente do colo sigmóide e do reto. O peritônio que recobre as faces da bexiga urinária dirige-se para as faces anterior e posterior do útero a partir do assoalho da cavidade pélvica, formando as escavações vesicouterina e retouterina, respectivamente. Por outro lado, o útero das pacas (Fig. 1B) se localiza na região sublombar, caudal aos rins, contínuo aos ovários e às tubas uterinas, estendendo-se até a região próxima a entrada da pelve, onde se posiciona dorsalmente a vesícula urinaria.


Figura 1: Região pélvica humana, onde se localiza o útero atrás da bexiga urinária (A), e região sublombar da paca (Caniculus paca), onde se encontra o útero (U), caudal aos rins (R) e cranial à bexiga (Be) (B).

Morfologia
O útero humano (Fig. 2A) é um órgão ímpar, oco, com forma análoga a uma pêra, e com comprimento entre 6 a 9 cm e espessura de 2 a 3 cm. A porção superior do útero é chamada corpo, onde sua abertura para as tubas uterinas recebe o nome de junção uterotubária. Logo abaixo, o útero se estreita formando o istmo, o qual ao se juntar a vagina adquire uma forma cilíndrica constituindo o colo. A sua abertura na vagina é chamada de óstio do útero. A região em forma de cúpula do corpo uterino, acima e entre os pontos de entrada das tubas uterinas, é chamada de fundo.
O útero de roedores como a paca (Fig. 2B) é formado por dois cornos uterinos retilíneos com comprimento médio de 96,3 mm e 26,0 mm de diâmetro. A parede medial de cada corno uterino converge caudalmente formando um septo interno, o “velum” uterino, que embora incompleto, determina a formação de dois canais cervicais quase individuais, com a presença de dois óstios uterinos internos e apenas um óstio uterino externo que se abre na vagina.

Figura 2: Morfologia do útero humano (A) e do útero da paca (Caniculus paca) (B). U: cornos uterinos; V: vagina; L: ligamento mesométrio; : ligamento intercornual (“velum”).

Escrito por: João Vitor Marani Amaral

Referencias consultadas

MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 2 ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 580 p., 2004.
REIS, A. C. G. et al. Morfologia do sistema genital feminino da paca (Cuniculus paca, Linnaeus, 1766). Brazilian Journal Veterinary Research Animal Science, São Paulo, v. 48, n. 3, p. 183-191, jun. 2011.
SPENCE, A. P. Anatomia humana básica. Manole: São Paulo, 713 p., 1991.

Fonte das imagens
Figura 1A: http://www2.unifesp.br/dmorfo/histologia/ensino/utero/
Figura 1B e 2B: REIS et al. (2011).
Figura 2A: MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia Humana. 6 ed. Artmed: Porto Alegre, p. 734, 2009.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Comparando a anatomia dos rins: homem e bovino

O sistema urinário é responsável pela produção e eliminação da urina, a qual é composta por 95% de água, além de ureia, cloreto de sódio e ácido úrico. Os órgãos responsáveis por esse sistema são os rins, que produzem a urina através da filtração do sangue; os ureteres, que conduzem a urina dos rins até a bexiga; a bexiga, que armazena a urina; e a uretra, a qual expele a urina do corpo.

Figura 1: Morfologia externa do rim do homem (A) e do bovino (B).


Os rins são órgãos pares, que possuem formato de feijão no homem (Fig. 1A), mas nos bovinos são lobulados (Fig. 1B), localizados na cavidade abdominal, um de cada lado da coluna vertebral predominantemente na região lombar em ambos (Fig. 2). Nos bovinos, o rim esquerdo é empurrado na metade direita do abdome pelo grande desenvolvimento do estômago (Fig. 2B).

Figura 2: Sistema urinário no homem (A), incluindo rim, ureteres, bexiga e uretra, e a disposição dos rins no bovino (B).


Esses órgãos têm por função extrair os produtos residuais provenientes do sangue através das suas unidades funcionais, os néfrons. Os néfrons são unidades produtoras de urina e tem seu funcionamento semelhante em humanos e bovinos, possuindo uma cápsula glomerular (cápsula de Bowman), que em seu interior há arteríolas ramificadas formando um emaranhado de capilares, chamado de glomérulo renal. A estrutura do néfron se distribui entre o córtex e a medula renal.

Figura 3: Anatomia interna do rim do homem (A) e do bovino (B), apresentando o córtex, a medula e os lóbulos renais.


Na anatomia interna dos rins é possível observar o córtex e a medula renal (Fig. 3). O córtex emite projeções para a medula, as colunas renais, que separam porções cônicas chamadas de pirâmides. Os ápices das pirâmides são denominados de papilas renais, local em que os ductos coletores se desembocam e por onde a urina escoa para os cálices, a pelve renal e o ureter.

Escrito por: Nathália Barbar Cury Rodrigues

Referencias consultadas
Autor desconhecido. Anatomia veterinária. Órgãos urinários. Ano desconhecido. Disponível em: <http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html>. Acesso em: 05 jan. 2015.
Autor desconhecido. Manual Merck. Funcionamentos dos rins e das vias urinárias. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.manualmerck.net/?id=148>. Acesso em: 05 jan. 2015.
SANTOS, V. S. Alunos onlines. Sistema urinário. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-urinario.html>. Acesso em: 05 jan. 2015.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. São Paulo: Manole, 1991.

Fonte de imagens
Figura 1A: http://pt.dreamstime.com/fotografia-de-stock-royalty-free-rim-humano-image20446327
Figura 1B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html
Figura 2A: http://www.alunosonline.com.br/biologia/sistema-urinario.html
Figura 2B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html
Figura 3A: http://nantescestabasica.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html

Figura 3B: http://anato2vet.blogspot.com.br/2013/04/orgaos-urinarios_6.html

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Diabetes mellitus: uma doença que se manifesta em diversas espécies

O diabetes mellitus é uma desordem metabólica de etiologia múltipla, caracterizada por hiperglicemia crônica com distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, resultante da incapacidade ou insuficiência na produção ou ação da insulina, a qual é um hormônio produzido e secretado pelo pâncreas.

O pâncreas é uma glândula mista, pois possui atividade endócrina, sintetizando e secretando hormônios que serão encaminhados para os vasos sanguíneos, como é o caso da insulina, e exócrina, produzindo e secretando enzimas digestivas e bicarbonato na forma de suco pancreático que será liberado no intestino delgado pela papila duodenal juntamente com a bile produzida pelo fígado (Fig. 1).

Figura 1: Porções endócrina e exócrina do pâncreas.


















Em seres humanos, o pâncreas está localizado na parte superior da cavidade abdominal e posterior ao estômago (Fig. 2A), enquanto nos cães, essa glândula encontra-se ao lado do estômago (Fig. 2B). Em ambos os animais citados, o pâncreas apresenta-se como um órgão achatado no sentido ântero-posterior com uma face anterior e outra posterior, uma borda superior e uma inferior, tendo como função comum a regulação de diversos mecanismos celulares e bioquímicos.
Além disso, o pâncreas pode ser dividido em três principais porções: cabeça, corpo e cauda. A cabeça situa-se na parte direita do abdômen e é ligada ao duodeno (porção inicial do intestino delgado) por meio de ductos pancreáticos (principal e comum). Logo após, tem-se o corpo, que é toda a região situada entre a cabeça e a cauda dessa glândula. A cauda é apenas a extremidade afilada do lado esquerdo do abdômen.

Figura 2: Localização do pâncreas no homem (A) e no cão (B).

O diabetes mellitus não é uma doença restrita aos seres humanos, podendo ser encontrada em muitos animais, como por exemplo, em cães e gatos. É uma doença que não possui cura e necessita de cuidados adequados, pois pode resultar em coma.
O mellitus é o tipo mais comum do diabetes, tanto no homem como em outros animais. Pode ainda ser dividido em dois principais tipos: I e II. O primeiro indica destruição de células beta que eventualmente leva ao estágio de deficiência absoluta de insulina. Já o segundo, é uma deficiência relativa do hormônio, havendo células produtoras, porém em quantidade insuficiente ou os tecidos do corpo são relativamente resistentes a ela. O controle da doença do tipo I requer injeções diárias de insulina para regular o nível de glicose no sangue e para o tipo II geralmente são utilizados medicamentos orais, em ambos os animais citados.

Escrito por Letícia Rodrigues Novaes

Referências consultadas
ABC.MED.BR, 2008. Diabetes Mellitus. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/diabetes-mellitus/22360/diabetes+mellitus.htm>. Acesso em: 3 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Aula de anatomia. Sistema digestório. Disponível em: < http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm > Acesso em 5 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. Digestive Disorders Health Center. Disponível em: <http://www.webmd.com/digestive-disorders/picture-of-the-pancreas >  Acesso em 5 jan. 2015.
AUTOR DESCONHECIDO. The Animal Hospital. Diabetes Mellitus. Disponível em: < http://theanimalhospital.com/resources/health-topics/dog-health-articles/diabetes-mellitus/ > Acesso em 5 jan. 2015.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cadernos de atenção básica. Diabetes mellitus. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF > Acesso em 5 jan. 2015.
SANTORO, Natália A. Diabetes mellitus em cães. Disponível em: <http://arquivo.fmu.br/prodisc/medvet/nasa.pdf > Acesso em 5 jan. 2015.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Definition, Diagnosis and classification of Diabetes Mellitus and its complications. Disponível em: < https://www.staff.ncl.ac.uk/philip.home/who_dmc.htm > Acesso em 4 jan. 2015.


Fonte das imagens
Figura 1 (modificada): http://www.saffioraire.com/resources/Pancreas.gif

sábado, 20 de dezembro de 2014

Variações anatômicas comparando o sistema digestório de equino e humano

Para o abastecimento da energia necessária ao suprimento das diversas atividades realizadas pelos animais, tais como, condução de impulsos nervosos, contração muscular, dentre outras, o organismo necessita da alimentação. O sistema digestório é capaz de modificar os alimentos por processos mecânicos e químicos, que ao serem ingeridos, são degradados em moléculas menores, capazes de serem absorvidas pela parede do trato gastrointestinal, penetrando no sistema vascular sanguíneo e servindo como nutrientes importantes.
O sistema digestório é constituído por um tubo denominado trato gastrointestinal, composto por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Além do trato gastrointestinal, existem estruturas acessórias que compõem este sistema, como os dentes, a língua, as glândulas salivares, o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas. Os dentes auxiliam na degradação física do alimento e as outras estruturas acessórias, exceto a língua, produzem ou armazenam secreções que são liberadas no trato através de ductos e são fundamentais para a digestão química.
A língua é uma estrutura acessória do sistema digestório e forma o assoalho da boca, se localizando na cavidade propriamente dita, espaço largo interno aos dentes. No dorso (face superior) da língua, existem pequenas projeções denominadas de papilas linguais, que variam de forma e são responsáveis pelos sabores.
A língua humana (Fig. 1A) apresenta ápice, dorso, corpo, raiz e sulco mediano, que são estruturas e regiões anatômicas também presentes em equinos (Fig. 1B). Uma diferença evidente neste órgão entre os dois animais é o comprimento do corpo da língua, que em equinos é mais alongado.

Figura 1: Língua humana (A) e língua equina (B) em vista anterior.

O estômago humano (Fig. 2A) possui quatro áreas principais: cárdia, fundo, corpo e piloro. A cárdia é a primeira porção do estômago, onde se localiza o óstio cárdico (abertura); o fundo está situado na porção esquerda e acima da porção cárdica; o corpo encontra-se entre o fundo e a porção pilórica; e o piloro, onde se localiza o esfíncter pilórico, apresenta fibras musculares responsáveis por controlar o esvaziamento gástrico e o refluxo do conteúdo duodenal para o estômago. A porção superior do estômago está ligada ao esôfago e a inferior ao duodeno.
Entretanto, no estômago de equinos (Fig. 2B) encontramos características específicas destes animais e outras relacionadas aos humanos. Os cavalos são classificados como animais herbívoros monogástrico, pois apresentam digestão no ceco e no cólon maior, possuindo semelhança com os poligástricos. Seu estômago se localiza na metade esquerda do abdome, com capacidade de até 7 a 15 litros de alimento, enquanto o estômago humano possui capacidade média de 1,5 litros. Além disso, a curvatura menor do estômago dos equinos comparada com a curvatura maior é muito curta, apresentando desta forma, uma aproximação entre cárdia e piloro.
Uma das camadas que constituem a parede gástrica do estômago desses mamíferos é a mucosa, a qual apresenta-se dividida em duas áreas que são classificadas como: secretora ou glandular, e pavimentosa ou não glandular.

     Figura 2: Estômago humano (A) e estômago equino (B) em vista anterior.

Existem doenças que afetam diretamente o estômago e intestino dos equinos, chamadas lesões ulcerativas. Estas ocorrem principalmente na mucosa não glandular, pois nela não se encontra proteção eficiente, o que confirma a prevalência de 80% destas lesões. Esse problema ocorre principalmente pela influência da domesticação, sistemas de manejo, pela criação e esportes hípicos, que assim como em humanos, com suas diversas atividades diárias, causam estresse.

Escrito por Lara Parreira de Souza

Referências consultadas
ARANZALES, J. R. M.; ALVES, G. E. S. O estômago equino: agressão e mecanismos de defesa da mucosa. Ciência Rural, v. 43, n. 2, p. 305-313, fev., 2013.
SIMÕES, J. S. A. Utilização de gastroscopia no despiste da Egus/Suge (equine gastric ulcer syndrome/síndrome de úlcera gástrica equina). 2011. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária), Universidade Técnica de Lisboa, 2011.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti – São Paulo: Manole, 1991.
TEIXEIRA, F. R. Fundamentos da Anatomia Veterinária. 2010. Disponível em: <http://www.purotrato.com.br/b-revisao-bibliografica-sobre-o-aparelho-digestorio-e-aspectos-sobre-a-digestao-dos-equinos.html>. Acesso em 13 Dez. 2014.
TORTORA, G. J. Corpo Humano: fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Fonte de imagens
Figura 1A: http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
Figura 1B: http://www.uff.br/webvideoquest/FL/LM26.htm                                                
Figura 2A:
http://www.estudopratico.com.br/sistema-digestorio-humano-orgaos-e-suas-funcoes/
Figura 2B:
http://practicasdeanatomiatopografica.blogspot.com.br/2009/04/practica-7endoscopia-en-equinos.html