quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Além da audição humana



A audição é uma ferramenta muito importante para diversos seres vivos, e sua interação com o meio ambiente depende dessa habilidade de captar ondas sonoras. Cada organismo possui uma audição adequada para sua sobrevivência.
A orelha é separada em três porções: a orelha externa, a orelha interna e a orelha média, sendo composta por um espaço aéreo onde se encontra o martelo, a bigorna e o estribo, que estão representadas na imagem abaixo. As vibrações sonoras que se propagam pelo ar são captadas pela orelha e direcionadas para a membrana timpânica, que intensifica as vibrações. Juntamente ao tímpano os três ossículos, o martelo, a bigorna e o estribo, vibram conforme a onda captada e transmitem essa vibração mecânica para o líquido presente na cóclea, que é formada por células ciliadas especialistas em captar vibrações. Os impulsos elétricos formados pelas células ciliadas estimuladas são transmitidos para o nervo coclear, passados ao nervo auditivo até chegarem aos centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral, onde são processados.

Figura 1: Sistema auditivo humano.


  





                O ouvido humano tem a capacidade de captar ondas com frequências entre 20 e 20.000 Hz. Para ouvirmos frequências sonoras mais altas ou mais baixas que estas precisaríamos de uma estrutura mais eficaz para a captação das ondas sonoras e uma alteração na morfologia da cóclea. Entretanto, alguns mamíferos possuem capacidade auditiva diferenciada, que permite que estes utilizem a audição como principal ferramenta de reconhecimento do ambiente.  Dentre estes mamíferos há um que enxerga o mundo ao seu redor de outra maneira, o morcego. Ele vê através de ondas sonoras emitidas pelas suas potentes cordas vocais e captadas pelo seu sistema auditivo extremamente sensível.


Figura 2: Ecolocalização





O som emitido pelos morcegos possui uma frequência muito alta, além do que os humanos podem ouvir, os chamados ultrassons. A onda sonora emitida percorre o ambiente a frente do morcego e volta para o mesmo conforme os obstáculos encontrados, como uma árvore ou um inseto. O córtex auditivo extremamente desenvolvido capta essas ondas e forma uma espécie de mapa de ecolocalização, além de ser capaz de detectar a velocidade (através do efeito Doppler), a posição, o tamanho e para que direção sua presa está se movendo através da intensidade e do ângulo com que o som é captado  pela sua orelha, que é dotada de complexas dobras que o ajudam a direcionar o som. Essas informações são processadas pelo córtex do animal inconscientemente, do mesmo modo que interpretamos o som que captamos.
 
Algumas espécies de morcegos, que emitem ondas sonoras muito altas, precisam “desligar” seus ouvidos para não ficarem surdos. Essa capacidade se deve a sua cóclea, que é adaptada para captar altas frequências. As células ciliadas internas de sua cóclea necessitam de uma grande inervação para processarem os estímulos sonoros. Há também uma variação em seu ouvido médio, uma vez que morcegos que emitem ondas sonoras de alta frequência possuem, normalmente, um tímpano mais fino do que o tímpano de morcegos que operam em baixas frequências.


Figura 3: Capacidade de detecção de frequência para cada organismo




 
                O tímpano dos morcegos também está associado a três ossículos, estes três ossos estão associados a dois músculos que também estão presentes nos humanos: o músculo tensor do tímpano e o músculo tensor do estribo. Esses músculos são responsáveis por adequar o tímpano de acordo com a frequência sonora a que foram expostos, tanto para proteger o sistema auditivo de sons muito agudos, quanto para melhorar a acústica e perceber sons mais graves.

Escrito por Gustavo Siconello


Referências:

 VILELA, Ana Luisa Miranda. AUDIÇÃO. Disponível em: <http://www.afh.bio.br/sentidos/sentidos3.asp>. Acesso em: 10 nov. 2015.
PACIEVITCH, Thais. Audição. Disponível em: <http://www.infoescola.com/anatomia-humana/audicao/>. Acesso em: 10 nov. 2015.
 SOUZA, Décio Gomes de. FISIOLOGIA DOS MÚSCULOS DA ORELHA MÉDIA. Disponível em: <http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/ouv_fisiol_musc.htm>. Acesso em: 10 nov. 2015.
 HARRIS, Tom. Ver com som. Disponível em: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/morcegos2.htm>. Acesso em: 10 nov. 2015.
COMO FUNCIONA A SUPERAUDIÇÃO? | Nerdologia 25. Direção de Atila Iamarino. S.i.: You Tube, 2014. (8 min.), P&B. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=e7NIDznz0H8>. Acesso em: 10 nov. 2015.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sistema Digestório: cães X gatos

O sistema digestivo é composto por um longo tubo muscular que se inicia nos lábios e termina no ânus. Entre essas duas estruturas são encontradas a boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, que também compõem o tudo digestivo. Além do tubo o sistema digestivo também conta com um conjunto de órgãos acessórios, composto pelos dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas. Os dentes participam da digestão mecânica do alimento, a língua auxilia na mastigação e deglutição, e os demais órgãos liberaram suas secreções no tubo digestivo, auxiliando na digestão do alimento. O sistema digestivo é responsável pela ingestão, secreção, mistura e propulsão, absorção e defecção.

Figura 1: Aparelho digestório humano.




Cães X Gatos

Em cães e gatos o transito do alimento acontece de maneira rápida. Na boca, eles apresentam dentes molares pontiagudos e as glândulas sublinguais, parótidas, zigomáticas e mandibulares são as responsáveis pela salivação. A secreção da saliva varia de acordo com o tipo de alimentação, a taxa de secreção e outros fatores. O pH da saliva desses animais varia entre 7,34 e 7,8.

Figura 2: Glândulas salivares do cão (A) e glândulas salivares do gato (B)




O estômago distende-se durante a refeição, armazenando o alimento e produzindo um muco, composto por enzimas responsáveis pela digestão do alimento. A secreção gástrica é influenciada pela ingestão protéica e quantidade de alimento ingerida, sendo que, o pH pode variar de acordo com a composição da dieta desses animais e capacidade tamponante do alimento.
O tempo de liberação do quimo para o intestino delgado varia entre esses dois animais. Nos cães, o tempo varia de 72 a 240 minutos e nos gatos, de 25 a 449 minutos. Esse tempo varia de acordo com o conteúdo energético da dieta, viscosidade do alimento, tamanho das partículas, ingestão de água, tamanho da refeição, tipo de dieta e outros fatores.
O intestino delgado tem, em média, 3,9 m em cães e 2 m em gatos. Já o intestino grosso, mede em torno de 0,6 m e 0,4 m, respectivamente. No intestino delgado, acontece a digestão enzimática e a absorção do fluido contendo monômeros + água, vitaminas e minerais liberados dos alimentos. No caso dos cães com peso médio de 20Kg, há a absorção de 3L desse fluido por dia e o pH do intestino delgado varia entre 5,7 e 6,4. Já no intestino grosso acontece a absorção de eletrólitos e água, e nele acontece a fermentação de compostos que escapam à digestão enzimática.

Figura 3: Aparelho digestório do cão (A) e aparelho digestório do gato (B)


 


Os cães geralmente comem poucas refeições, de tamanho variável, e a maioria das raças tem hábitos alimentares diurnos e selecionam dietas com mais proteína. Os gatos comem de 10 a 20 refeições por dia e tem hábitos alimentares diurnos e noturnos. Eles bebem menos água do que os cães. Em ambos, a palatabilidade, a fome e o estresse, são fatores de influencia na seletividade do alimento.


Leia mais em...
The Evolutionary Basis for the Feeding Behavior of Domestic Dogs (Canis familiaris) and Cats (Felis catus) - John W. S. Bradshaw / Link: http://jn.nutrition.org/content/136/7/1927S.full
 



Escrito por Rafael Galisa


Referências:
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Princípios de anatomia e fisiologia. 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Fisiologia digestiva de cães e gatos – introdução, Disponível em:
 <http://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/zootecnia/lucianohauschild/fisiologia-digestiva-caes-e-gatos.pdf>.


Fonte de imagens:
Figura 1: http://files.revista-biogenese.webnode.pt/200000003-ca701cab98/sistema-digestivo.png

Figura 2 (A-B): http://slideplayer.com.br/slide/355355/

Figura 3 A:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4LniIRZ1_HciwIwFI4TgO3PGrgCGKmltqicS0TReR0BUDa3wTie4YIF_-DbwoHFJDxVzio8FGQwSe9ho3l3iMrGWQ0FOlSx2tuFvmB-0IY_bLA9uPBL1w4KFrGim0QWCKlzJAGc1G1vU/s320/dog+stomach.jpg


Figura 3 B: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiz33nnUZRGAvyDsane6WvayakvtlriTHikkOZCwBORNg3xqB9uRQIkGAPdt1q_2sqFYWSi9uEb-KLYVyXq3v5IWEvgEGWT_kcnZ3klmQO-p95iCvBxH75YHzQICUefKB_dNcH4VhrlEjZe/s1600/pordentro.jpg

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

COMPARANDO O SISTEMA RESPIRATÓRIO: HUMANOS X ARACNÍDEOS


O Sistema Respiratório é responsável por fornecer oxigênio e remover o gás carbônico do organismo, atuando em conjunto com o sistema circulatório, além de ser responsável pela vocalização. A respiração é fundamental para manter o bom funcionamento de todo corpo, sendo essencial para a vida.
            O Sistema Respiratório dos humanos é constituído por: nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e pulmões. O ar quando chega ao nariz é aquecido, umedecido e filtrado; em seguida passa pela faringe, que é um órgão atuante no sistema digestório e respiratório, atingindo a laringe, local onde se encontram as cordas vocais e sendo conduzido para os pulmões por meio da traqueia e brônquios.
            A traqueia é um tubo elástico constituído por anéis de cartilagem, que se divide formando brônquios. Os brônquios entram nos pulmões e se ramificam formando os bronquíolos. Os alvéolos pulmonares são pequenos sacos localizados no final dos bronquíolos onde ocorrem as trocas gasosas. Os pulmões são envolvidos por uma camada protetora denominada pleura e seu processo de insuflação depende do diafragma, um músculo que separa a cavidade abdominal da cavidade torácica, que possui função auxiliar o processo respiratório.

Figura 01. Sistema Respiratório em humanos
           


            Em aracnídeos a respiração vai ocorrer por meio da filotraquéia ou pulmões foliáceos.  Nos aracnídeos pequenos, a respiração é traqueal, bem parecida com o sistema respiratório encontrado nos insetos, porém aparentemente mais evoluído. Já em aracnídeos maiores, como nos escorpiões e em muitas aranhas, há uma abertura ventral no abdômen, denominada filotraquéia, que se comunica com os pulmões foliáceos, que são estruturas pares encontradas em posição ventral no abdome. A estrutura interna do sistema respiratório dos aracnídeos são as lâminas que são estruturas delgadas e bem vascularizadas. Essas lâminas se assemelham a um livro com folhas entreabertas, permitindo as trocas gasosos, entre o sangue e o ar. Esse tipo especial de respiração pulmonar e chamada de respiração filotraqueal.


Figura 02. Pulmão foliáceo dos aracnídeos




Escrito por Mariana Bernardes Ribeiro

Referências:

TORTORA, G.J. Princípios de Anatomia Humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Textos disponíveis em: <http://www.infoescola.com/biologia/sistema-respiratorio/>
< http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.asp?cod=1276 <http://www.infoescola.com/biologia/aracnideos-arachnida/>
Fonte:
figura 01: <http://educacao.globo.com/biologia/assunto/fisiologia-humana/respiracao.html>

figura 02: <http://pt.slideshare.net/EduardoTuboAlbuquerque/sistema-respiratrio-17377427>

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

SISTEMA TEGUMENTAR HUMANO X ARTRÓPODES



O sistema tegumentar é um sistema de proteção constituído pela pele e hipoderme (tegumento) e todas as suas estruturas associadas, tais como pelos, unhas e glândulas. O tegumento reveste externamente o corpo criando uma barreira protetora. A pele é o principal órgão deste sistema, exerce funções primordiais para a sobrevivência, sendo responsável por proteger o corpo contra a entrada de microorganismos invasores e contra o excesso de radiação ultravioleta, além de atuar na excreção, receber estímulos do meio, produzir vitamina D e regular a temperatura corpórea.

O sistema tegumentar humano é composto por uma camada epitelial estratificada superficial e fina, a epiderme, e uma camada mais interna e espessa, a derme. Sob a derme encontra-se uma camada composta principalmente por tecido adiposo, a tela subcutânea, presente apenas em aves e mamíferos e responsável pela reserva de nutrientes, proteção dos vasos e nervos mais profundos e isolação térmica.

 A epiderme possui um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado dividido em cinco camadas: camada basal, espinhosa, granulosa, lúcida e córnea. A camada basal ou germinativa, é formada por células que se multiplicam constantemente, empurram as células mais velhas em direção à superfície do corpo. À medida que envelhecem, as células epidérmicas tornam-se achatadas e passam a fabricar e a acumular queratina. As células mais superficiais, ao se tornarem repletas de queratina, morrem e constituem um revestimento resistente ao atrito e altamente impermeável, denominada camada córnea.

A derme é um tecido conjuntivo frouxo, altamente vascularizado que contém fibras proteicas, terminações nervosas, órgãos sensoriais e glândulas (sebáceas e sudoríparas). As fibras de colágeno e elastina conferem resistência e elasticidade à pele.



Figura 01 - Estrutura do tegumentar humano 




Fonte: Hichman, C. P.; Roberts, L. S. & Larson, A. 2004. Princípios Integrados de Zoologia. Editora Guanabara Koogan S. A., Rio de Janeiro. 846 p.



O tegumento dos artrópodes é o mais complexo dentre os invertebrados, proporcionando proteção e suporte esquelético. Consiste em uma epiderme uniestratificada, capaz de secretar uma cutícula complexa com duas camadas. A camada interna e mais densa, composta de proteína e quitina, a pró-cutícula, e a camada de cutícula superficial e delgada, a epicutícula, um complexo não-quitinoso de proteínas e lipídios que proporciona uma barreira protetora para o tegumento contra a perda de umidade.

A cutícula dos artrópodes pode tanto permanecer como uma camada resistente, macia e flexível,  como também pode endurecer por calcificação, ou pelo processo de esclerotização, em que ocorre a formação de uma proteína altamente resistente e insolúvel, a esclerotina, que exerce a mesma função que a queratina na pele humana.

Quando os artrópodes trocam o tegumento, as células epidérmicas dividem-se primeiro por mitose e liberam enzimas que digerem a maior parte da pró-cutícula. Os materiais digeridos são absorvidos e reaproveitados. Posteriormente, no espaço abaixo da cutícula velha, formam-se novas epicutículas e pró-cutículas.



Figura 2 - Estrutura tegumentar de artrópode (crustáceo)

Fonte: Hichman, C. P.; Roberts, L. S. & Larson, A. 2004. Princípios Integrados de Zoologia. Editora Guanabara Koogan S. A., Rio de Janeiro. 846 p.



Escrito por Natália Carvalho
 

REFERÊNCIAS 



Sistema Tegumentar - Pele Humana. Disponível em: <http://www.todabiologia.com/anatomia/sistema_tegumentar.htm>

Revestimento, suporte e movimento. Disponível em : <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/FisiologiaAnimal/revestimento.php>

Hichman, C. P.; Roberts, L. S. & Larson, A. 2004. Princípios Integrados de Zoologia. Editora Guanabara Koogan S. A., Rio de Janeiro. 846 p.