terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sistema reprodutor e gestação: humanos X cavalo marinho



O sistema reprodutor tem a função de gerar prole em todos os seres vivos. Como quase todos os mamíferos, com exceção dos monotremados, os humanos são seres vivíparos e placentários, cujo processo de fecundação e desenvolvimento do bebê ocorrem dentro do trato reprodutor feminino.

Sistema reprodutor masculino humano:
            É composto por estruturas internas (testículos, epidídimo, ductos ejaculatório e deferente), externas (pênis e escroto) e glândulas anexas (vesícula seminal, próstata e glândulas bulbouretrais).
         Os testículos, localizados no escroto, produzem os espermatozoides que serão armazenados e amadurecidos no epidídimo. O ducto deferente é responsável por conduzir os espermatozoides amadurecidos do epidídimo até as glândulas anexas e uretra. Já as glândulas acessórias são responsáveis pela produção do sêmen nutrindo e auxiliando no transporte dos espermatozoides para o exterior. Cada glândula secretará uma substância diferente: a vesícula seminal, que está localizada na parte póstero-inferior da bexiga e próxima a próstata, secreta um líquido seminal rico em frutose e vitamina C; a secreção prostática é composta por cálcio, zinco e enzimas; as glândulas bulbouretrais secretam uma substância alcalina para proteger os espermatozoides do pH levemente ácido da uretra, já que esta é um canal comum ao sistema urinário e  sistema reprodutor.
          O pênis é o órgão de cópula que depositará o sêmen na vagina para que assim ocorra a reprodução. Este órgão contém em seu interior a uretra e é composto por tecido cavernoso e tecido esponjoso.

Figura 1. Sistema reprodutor masculino
                       

 Sistema reprodutor feminino humano:
            Com a função de secretar hormônios, produzir os óvulos, receber o sêmen, fornecer locar para a nutrição fetal e nutrir o bebê, o sistema reprodutor feminino é composto internamente pelos ovários, tubas uterinas, útero e vagina, e externamente pela vulva.
            Os ovários irão produzir hormônios sexuais e os gametas femininos. As tubas uterinas são ovidutos que possuem fimbrias e numerosos cílios em sua superfície interna, desempenhando a função de captar e transportar o óvulo do ovário até o útero. Normalmente, a fecundação ocorre nas tubas uterinas. O útero é um órgão muscular oco localizado na cavidade pélvica. É neste órgão muscular em que ocorre a gestação protegendo e desenvolvendo o embrião.
            O órgão de cópula feminino é a vagina.

Figura 2. Sistema reprodutor feminino




 Comparando: Cavalo Marinho
O cavalo-marinho é um peixe, da família Syngnathidae e do gênero Hippocampus que agrupa várias outras espécies. Este peixe possui uma reprodução peculiar e bastante diferente da apresentada pelos humanos, pois, no momento da cópula, a fêmea transfere os ovos para a bolsa incubadora do macho que ficará responsável por gerar os filhotes. Esta espécie é uma das poucas em que o macho é responsável pela manutenção dos embriões em desenvolvimento. 
Diferentemente da maior parte dos peixes, a reprodução nos cavalos marinhos ocorre por viviparidade, ou seja, o desenvolvimento embrionário e fetal no interior do corpo de um dos pais. Durante a reprodução a fêmea transfere os ovos para o macho. Ao depositar os ovos na bolsa incubadora masculina a fecundação acontecerá e os embriões irão se desenvolver recebendo oxigênio e nutrientes. Quando as crias já estão desenvolvidas a bolsa do macho se abre e expele por contrações musculares e pressão a sua prole, de centenas a milhares de filhotes. Depois, ele expulsa o revestimento da bolsa, semelhante a uma placenta.
A bolsa de incubação formada do macho é formada por duas pregas de pele, que se estendem ao longo da cauda e que se fecham após receber os ovos transferidos pelas fêmeas. Durante a gestação, o revestimento da bolsa engrossa e enche-se de vasos sanguíneos. 

Figura 3. Cavalo marinho


 Escrito por Mariana Brígida Castro


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.a, 2002.

MANUEL, C. O cavalo marinho. Disponível em: <http://www.mundodosanimais.pt/peixes/cavalo-marinho/>. Acesso em: Novembro de 2015.

BORGES, J.C. Os segredos do cavalo marinho. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/por-dentro-das-celulas/os-segredos-do-cavalo-marinho >. Acesso em: Novembro de 2015.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Além da audição humana



A audição é uma ferramenta muito importante para diversos seres vivos, e sua interação com o meio ambiente depende dessa habilidade de captar ondas sonoras. Cada organismo possui uma audição adequada para sua sobrevivência.
A orelha é separada em três porções: a orelha externa, a orelha interna e a orelha média, sendo composta por um espaço aéreo onde se encontra o martelo, a bigorna e o estribo, que estão representadas na imagem abaixo. As vibrações sonoras que se propagam pelo ar são captadas pela orelha e direcionadas para a membrana timpânica, que intensifica as vibrações. Juntamente ao tímpano os três ossículos, o martelo, a bigorna e o estribo, vibram conforme a onda captada e transmitem essa vibração mecânica para o líquido presente na cóclea, que é formada por células ciliadas especialistas em captar vibrações. Os impulsos elétricos formados pelas células ciliadas estimuladas são transmitidos para o nervo coclear, passados ao nervo auditivo até chegarem aos centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral, onde são processados.

Figura 1: Sistema auditivo humano.


  





                O ouvido humano tem a capacidade de captar ondas com frequências entre 20 e 20.000 Hz. Para ouvirmos frequências sonoras mais altas ou mais baixas que estas precisaríamos de uma estrutura mais eficaz para a captação das ondas sonoras e uma alteração na morfologia da cóclea. Entretanto, alguns mamíferos possuem capacidade auditiva diferenciada, que permite que estes utilizem a audição como principal ferramenta de reconhecimento do ambiente.  Dentre estes mamíferos há um que enxerga o mundo ao seu redor de outra maneira, o morcego. Ele vê através de ondas sonoras emitidas pelas suas potentes cordas vocais e captadas pelo seu sistema auditivo extremamente sensível.


Figura 2: Ecolocalização





O som emitido pelos morcegos possui uma frequência muito alta, além do que os humanos podem ouvir, os chamados ultrassons. A onda sonora emitida percorre o ambiente a frente do morcego e volta para o mesmo conforme os obstáculos encontrados, como uma árvore ou um inseto. O córtex auditivo extremamente desenvolvido capta essas ondas e forma uma espécie de mapa de ecolocalização, além de ser capaz de detectar a velocidade (através do efeito Doppler), a posição, o tamanho e para que direção sua presa está se movendo através da intensidade e do ângulo com que o som é captado  pela sua orelha, que é dotada de complexas dobras que o ajudam a direcionar o som. Essas informações são processadas pelo córtex do animal inconscientemente, do mesmo modo que interpretamos o som que captamos.
 
Algumas espécies de morcegos, que emitem ondas sonoras muito altas, precisam “desligar” seus ouvidos para não ficarem surdos. Essa capacidade se deve a sua cóclea, que é adaptada para captar altas frequências. As células ciliadas internas de sua cóclea necessitam de uma grande inervação para processarem os estímulos sonoros. Há também uma variação em seu ouvido médio, uma vez que morcegos que emitem ondas sonoras de alta frequência possuem, normalmente, um tímpano mais fino do que o tímpano de morcegos que operam em baixas frequências.


Figura 3: Capacidade de detecção de frequência para cada organismo




 
                O tímpano dos morcegos também está associado a três ossículos, estes três ossos estão associados a dois músculos que também estão presentes nos humanos: o músculo tensor do tímpano e o músculo tensor do estribo. Esses músculos são responsáveis por adequar o tímpano de acordo com a frequência sonora a que foram expostos, tanto para proteger o sistema auditivo de sons muito agudos, quanto para melhorar a acústica e perceber sons mais graves.

Escrito por Gustavo Siconello


Referências:

 VILELA, Ana Luisa Miranda. AUDIÇÃO. Disponível em: <http://www.afh.bio.br/sentidos/sentidos3.asp>. Acesso em: 10 nov. 2015.
PACIEVITCH, Thais. Audição. Disponível em: <http://www.infoescola.com/anatomia-humana/audicao/>. Acesso em: 10 nov. 2015.
 SOUZA, Décio Gomes de. FISIOLOGIA DOS MÚSCULOS DA ORELHA MÉDIA. Disponível em: <http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/ouv_fisiol_musc.htm>. Acesso em: 10 nov. 2015.
 HARRIS, Tom. Ver com som. Disponível em: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/morcegos2.htm>. Acesso em: 10 nov. 2015.
COMO FUNCIONA A SUPERAUDIÇÃO? | Nerdologia 25. Direção de Atila Iamarino. S.i.: You Tube, 2014. (8 min.), P&B. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=e7NIDznz0H8>. Acesso em: 10 nov. 2015.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sistema Digestório: cães X gatos

O sistema digestivo é composto por um longo tubo muscular que se inicia nos lábios e termina no ânus. Entre essas duas estruturas são encontradas a boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, que também compõem o tudo digestivo. Além do tubo o sistema digestivo também conta com um conjunto de órgãos acessórios, composto pelos dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas. Os dentes participam da digestão mecânica do alimento, a língua auxilia na mastigação e deglutição, e os demais órgãos liberaram suas secreções no tubo digestivo, auxiliando na digestão do alimento. O sistema digestivo é responsável pela ingestão, secreção, mistura e propulsão, absorção e defecção.

Figura 1: Aparelho digestório humano.




Cães X Gatos

Em cães e gatos o transito do alimento acontece de maneira rápida. Na boca, eles apresentam dentes molares pontiagudos e as glândulas sublinguais, parótidas, zigomáticas e mandibulares são as responsáveis pela salivação. A secreção da saliva varia de acordo com o tipo de alimentação, a taxa de secreção e outros fatores. O pH da saliva desses animais varia entre 7,34 e 7,8.

Figura 2: Glândulas salivares do cão (A) e glândulas salivares do gato (B)




O estômago distende-se durante a refeição, armazenando o alimento e produzindo um muco, composto por enzimas responsáveis pela digestão do alimento. A secreção gástrica é influenciada pela ingestão protéica e quantidade de alimento ingerida, sendo que, o pH pode variar de acordo com a composição da dieta desses animais e capacidade tamponante do alimento.
O tempo de liberação do quimo para o intestino delgado varia entre esses dois animais. Nos cães, o tempo varia de 72 a 240 minutos e nos gatos, de 25 a 449 minutos. Esse tempo varia de acordo com o conteúdo energético da dieta, viscosidade do alimento, tamanho das partículas, ingestão de água, tamanho da refeição, tipo de dieta e outros fatores.
O intestino delgado tem, em média, 3,9 m em cães e 2 m em gatos. Já o intestino grosso, mede em torno de 0,6 m e 0,4 m, respectivamente. No intestino delgado, acontece a digestão enzimática e a absorção do fluido contendo monômeros + água, vitaminas e minerais liberados dos alimentos. No caso dos cães com peso médio de 20Kg, há a absorção de 3L desse fluido por dia e o pH do intestino delgado varia entre 5,7 e 6,4. Já no intestino grosso acontece a absorção de eletrólitos e água, e nele acontece a fermentação de compostos que escapam à digestão enzimática.

Figura 3: Aparelho digestório do cão (A) e aparelho digestório do gato (B)


 


Os cães geralmente comem poucas refeições, de tamanho variável, e a maioria das raças tem hábitos alimentares diurnos e selecionam dietas com mais proteína. Os gatos comem de 10 a 20 refeições por dia e tem hábitos alimentares diurnos e noturnos. Eles bebem menos água do que os cães. Em ambos, a palatabilidade, a fome e o estresse, são fatores de influencia na seletividade do alimento.


Leia mais em...
The Evolutionary Basis for the Feeding Behavior of Domestic Dogs (Canis familiaris) and Cats (Felis catus) - John W. S. Bradshaw / Link: http://jn.nutrition.org/content/136/7/1927S.full
 



Escrito por Rafael Galisa


Referências:
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Princípios de anatomia e fisiologia. 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Fisiologia digestiva de cães e gatos – introdução, Disponível em:
 <http://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/zootecnia/lucianohauschild/fisiologia-digestiva-caes-e-gatos.pdf>.


Fonte de imagens:
Figura 1: http://files.revista-biogenese.webnode.pt/200000003-ca701cab98/sistema-digestivo.png

Figura 2 (A-B): http://slideplayer.com.br/slide/355355/

Figura 3 A:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4LniIRZ1_HciwIwFI4TgO3PGrgCGKmltqicS0TReR0BUDa3wTie4YIF_-DbwoHFJDxVzio8FGQwSe9ho3l3iMrGWQ0FOlSx2tuFvmB-0IY_bLA9uPBL1w4KFrGim0QWCKlzJAGc1G1vU/s320/dog+stomach.jpg


Figura 3 B: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiz33nnUZRGAvyDsane6WvayakvtlriTHikkOZCwBORNg3xqB9uRQIkGAPdt1q_2sqFYWSi9uEb-KLYVyXq3v5IWEvgEGWT_kcnZ3klmQO-p95iCvBxH75YHzQICUefKB_dNcH4VhrlEjZe/s1600/pordentro.jpg