quinta-feira, 9 de junho de 2016

Anatomia comparada do sistema esquelético de peixes ósseos e tartarugas marinhas

Peixes ósseos

Os peixes ósseos são formados por um endoesqueleto, dividido em esqueleto axial (crânio, vértebras e costelas) e apendicular (componentes de sustentação das nadadeiras).


Figura 1: Divisão esquelética dos peixes ósseos.

O crânio em geral é uma estrutura rígida com função de proteger e armazenar o encéfalo e outros órgãos sensoriais em animais vertebrados. O mesmo se localiza anteriormente à coluna vertebral, e em alguns peixes ósseos, o crânio pode ser dividido em dois de acordo com a sua origem embrionária. O neurocrânio é de origem endocondral, onde uma cartilagem é sucedida por ossos, e tem como função proteger o cérebro e as cápsulas neurais (óptica, olfatória e auditiva). E o dermatocrânio que é formado por ossos de origem dérmica (maxila, palato, mandíbula, opérculo e órbitas). O neurocrânio e o dermatocrânio formam o condrocrânio no qual os ossos são, na maioria das vezes, pequenos e em grande número. As articulações de todo o crânio são ligadas a coluna vertebral isso faz com que o peixe não consiga virar a cabeça de um lado para o outro.


Figura 2: Ossos do crânio de um peixe ósseo moderno.

A coluna vertebral é  a principal estrutura de apoio para os músculos que o peixe usa para nadar. Ela é formada por vértebras compostas por uma parte central e uma dorsal. A parte central é uma estrutura compacta e a dorsal é onde está localizada a medula espinhal. Nas vértebras do tronco se localizam as costelas, que protegem os órgãos internos desta região.


Figura 3: Vértebras pré-caudais.

As barbatanas são divididas em impares (dorsal, anal e caudal) e pares (peitoral e pélvicas), e são mantidas por "raios" ósseos ou cartilaginosos, dependendo da espécie. Devido à bexiga natatória presente em peixes ósseos, estes não precisam das barbatanas para flutuar, servindo necessariamente para se movimentar na água.



Figura 4: Barbatanas em destaque.






Tartarugas marinhas

As tartarugas ou quelônios são répteis que se caracterizam por sua carapaça óssea. O sistema ósseo é dividido em endoesqueleto (ossos internos) e exoesqueloto (carapaça e plastão). O endoesqueleto assim como nos peixes, é dividido em axial (cabeça, vértebra e costelas) e apendicular (membros e pelve).


Figuras 5,6 e 7: Referentes ao esqueleto axial e ao apendicular; A interação dos ossos e a carapaça.



O crânio é formado por neurocrânio e esplancnocrânio, um abriga o crânio e o outro recobre. É uma estrutura relativamente grande, em geral, com uma mandíbula forte e ossos pequenos. As formas dos ossos são características de cada espécie.


Figura 8: Vista dorsal dos ossos do crânio.



Figura 9: Vista ventral dos ossos do crânio.



Figua 10: Vista lateral dos ossos do crânio.

A coluna vertebral é dividida em 8 vértebras cervicais, sendo que a oitava está fundida a carapaça assim como as vértebras torácicas (que são 10) e as costelas. As tartarugas têm de 2 a 3 ossos sacrais e  em média 12 caudais. Nas fêmeas os ossos caudais costumam ser menos numerosos, menores e mais largos.



Figura 11: Vértebras cervicais (Não mostra a oitava pois a mesma está fundida com a carapaça).



Figura 12: Vértebras caudais e sacro.

As nadadeiras são compostas pelo úmero, radio, ulna, carpais, metacarpais e 5 falanges. Os osso da nadadeira exceto as falanges, são curtos e pequenos. Em adultos estes ossos são fundidos por tecido fibroso.


Figura 13: Ossos da nadadeira ou pata das tartarugas.

O casco protege e envolve o corpo da tartaruga, é formado pela carapaça (parte superior) e o plastrão (parte inferior). Na maioria das tartarugas é formado por ossos unidos por queratina, porém em algumas o número de ossos reduziu e ao invés de queratina elas possuem um casco mole ou coberto por couro.
O casco costuma ser composto por 50 ossos cobertos por 26 placas de queratina, e no plastrão 11 ossos e  12 placas de queratina. Em algumas espécies de tartarugas o plastrão funciona como uma dobradiça e assim elas conseguem se esconder dentro do casco.
Uma curiosidade sobre o casco é que ele se regenera facilmente, e a cada ano que passa novas camadas de queratina são depositadas nas placas. Essa deposição em algumas espécies formam anéis, os chamados anéis de crescimento. Porém, isso não informa necessariamente a idade do animal pois com o passar do tempo estes tendem a desaparecer.


Figura 14: Divisões do casco.



Escrito por Thamires Souza


Referências:

BEMVENUTI DE A.M. Osteologia comparada entre as espécies de peixes-rei Odontesthes Evermann & Kendall (Osteichthyes, Atherinopsidae) do sistema lagunar Patos-Mirim, no extremo sul do Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81752005000200001 Acesso em 07 de Junho de 2016.

FOSTER, R. SMITH,M. Shells: Anatomy and Diseases of Turtle and Tortoise Shells. Disponiível em: http://www.peteducation.com/article.cfm?c=17+1797&aid=2700. Acesso em 28 de Maio de 2016.

WYNEKEN, J. The Anatomy of Sea Turtles. Disponível em: http://www.sefsc.noaa.gov/turtles/TM_470_Wyneken.pdf. Acesso em 28 de Maio de 2016.

Sea Turtle Anatomy. Disponível em: http://www.turtletime.org/sea-turtle-facts/sea-turtle-anatomy. Acesso em 28 de Maio de 2016.

External Fish Anatomy. Disponível em: http://myfwc.com/fishing/freshwater/fishing-tips/anatomy/. Acesso em 03 de Junho de 2016.

Apostila Reduzida de Anatomia Comparada. Disponível em: https://www.passeidireto.com/arquivo/1700679/apostila-reduzida-de-anatomia-comparada/4. Acesso em 04 de Junho de 2016.

Figura 1: Disponível em: ://segundoanobiologia.blogspot.com.br/2013/10/peixes.html. Acesso em 03 de Junho de 2016.

Figura 2: Disponível em: http://www.earthlife.net/fish/skeleton.html. Acesso em 04 de Junho de 2016.
Figura 3: Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbzool/v22n2/25128.pdf. Acesso em 04 de Junho de 2016.

Figura 4: Disponível em: http://filochordata.zip.net/ Acesso em 04 de Junho 2016.

Figura 5 a 13: Disponível em: http://www.sefsc.noaa.gov/turtles/TM_470_Wyneken.pdf. Acesso em 28 de Maio de 2016.

Figura 14: Disponível em: http://www.avph.com.br/. Acesso em 28 de Maio de 2016.


Sites sugeridos:




quinta-feira, 2 de junho de 2016

Coração humano x Coração Paca (Agouti paca)

O coração é a bomba responsável por promover a propulsão do sangue no sistema circulatório. É um órgão muscular oco (sua parede é composta pelo pericárdio, miocárdio e endocárdio), em forma de cone, ficando apoiado sobre o diafragma, e localizado no mediastino entre os pulmões na cavidade torácica. Tendo uma forma piramidal achatada com uma porção mais pontuda, o ápice, e outra oposta, a base.
Possui uma membrana fibroserosa que o reveste e protege, chamado de pericárdio, além de quatro câmaras que são separadas por septos, sendo duas superiores, os átrios direito e esquerdo que recebem o sangue e são revestidas por músculos pectíneos, e duas inferiores, os ventrículos direito e esquerdo que expulsam o sangue, são revestidos por trabéculas cárneas, e onde também estão localizadas as válvulas bicúspide (esquerdo) e tricúspide (direito) ao qual são conectadas aos músculos papilares pelas cordas tendíneas. 

Figura 1 – Coração humano.

Comparando...
O coração da paca (Agouti paca) também é um órgão em forma de cone e se encontra na cavidade torácica, envolto pelo pericárdio. Possui também quatro câmaras separadas por septos, sendo os átrios direito e esquerdo lisos na porção superior, porém apresentando nas aurículas músculos pectinados, e os ventrículos direito e esquerdo na porção inferior, que também apresentam músculos papilares conectados a cordas tendíneas. Além de outras estruturas como seio venoso, fossa oval e valvas atrioventriculares.
Figura 2- Coração paca (Agouti paca)


Escrito por Carolina Monteiro de Almeida

Referências

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
Pinheiro Avila, Bruna Helena; Fernandes Machado, Marcia Rita; de Oliveira, Fabricio Singaretti. Descrição anátomo-topográfica do coração da paca (Agouti paca). Acta Scientiae Veterinariae. Porto Alegre Rs: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), v. 38, n. 2, p. 191-195, 2010. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/2821>.
Imagens
Figura 1: https://cursandomedicina.wordpress.com/2015/09/25/o-funcionamento-do-coracao-humano/.

Figura 2: http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/2821/WOS000284357400014.pdf?sequence=1&isAllowed=y

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ardipithecus ramidus Vs Homo sapiens sapiens: Evolução Humana

A história evolutiva dos Seres Humanos, ainda nos dias de hoje, é vista com certa cautela pela sociedade. A interpretação equivocada de que nós teríamos evoluído a partir dos macacos é um conceito perigoso e que distorce a compreensão de como a evolução acontece. Mas  cientistas ao redor do mundo têm feito diversos estudos cada vez mais elucidativos a respeito da nossa história.  A edição de julho/2010 da revista National Geographic traz na capa o que eles intitulam de “o rosto da evolução”, remetendo à descoberta de um fóssil de Ardipithecus ramidus encontrado no Médio Awash, na Etiópia, sendo considerado o mais completo e revelador fóssil já encontrado, e que carrega uma grande riqueza de informações sobre a evolução humana.




 Figura 1: Localização do Médio Awash, Etiópia- África 
Fonte: http://www.datuopinion.com/awash-medio


            Descoberto em 1994 pelo paleoantropólogo norte americano Tim White, o fóssil, de 4,4 milhões de anos, foi apelidado de “Ardi” que significa solo, raiz, no dialeto local e possui algumas características muito distintas, algumas primitivas, e outras avançadas e exclusivas de hominídeos.




             
                                                                                                                                                                         Figura 2: Crânio de Ardipithecus ramidus moldado em resina
Fonte: http://discovermagazine.com/2011/jan-feb/29


Figura 3: Ossada do Ardipithecus ramidus esquerda e ilustração do
Espécime a direita
Fonte: http://www.wired.com/2009/10/ardi-2/



COMPARANDO

1-   Andar bípede - A pelve humana, ao longo de milhares de anos, passou por modificações para adaptar-se ao andar ereto. A pelve de Ardi apresenta sinais de um primata primitivo em pleno processo de humanização. A porção superior da pelve de Ardi é curta e larga e exibe outras características pouco vistas, exceto em hominídeos, mas a porção inferior de sua pelve é como a dos macacos antropoides, com ligamentos de músculos posteriores das pernas, indispensáveis em escaladas. Supõe-se então que o A. ramidus não era um exímio ser caminhante, mas seria possível afirmar que ele era capaz de, tanto caminhar sobre quatro pernas, quanto andar sobre duas pernas.
     Uma das perguntas que os cientistas se fizeram foi se o bipedalismo dos seres humanos teria realmente se desenvolvido a partir do A. ramidus devido à morfologia peculiar de seus pés adaptada pra viver em árvores. Por outro lado, o bipedalismo teria surgido por consequência da necessidade de acasalamento, que se dava no solo.

2-   Pés- A disposição oposta dos dedões do pé de Ardi (figura 4) indica uma ancestralidade em relação aos primatas, algo que já não é visto em “Lucy”, fóssil de Australopithecus afarensis, um milhão de anos mais novo que Ardi. Tal evidência sugere que, devido às pressões naturais e uma recorrente necessidade de um caminhar no solo, esta característica dos dedos do pé alinhados aos demais tenha se tornado mais evidente, visto que isso confere uma força de propulsão e estabilidade ao andar e ao correr.


Figura 4: Sistema esquelético Ar. ramidus
Fonte: http://roberto-furnari.blogspot.com.br/2015/05/evolucao-humana-parte-3-primeiros.html







3-   Dentição-  O cientista Owen Lovejoy, especialista em anatomia comparada, afirma que caninos pontiagudos e afiados (atrito com os dentes inferiores) muito presentes em antropoides vivos e já extintos, eram utilizados como arma contra outros machos. Porém, os caninos encontrados em 21 indivíduos de A. ramidus são menores, muito semelhantes a caninos de hominídeos. Lovejoy afirma que tal modificação poderia ter ocorrido quando, ao invés de disputar com outros machos, o A. ramidus passou a se concentrar em fornecer a(s) sua(s) parceira(s) e prole alimentos calóricos e em troca recebia favores sexuais. Por esse motivo, seus braços passariam a exercer a função de carregar os alimentos, exigindo um progressivo abandono do andar quadrupede. A espessura do esmalte encontrada em sua arcada dentaria encontra-se num nível intermediário entre os chimpanzés e homininios, o que sugere uma dieta alimentar a base de frutos e folhas.




Figura 5: Dentições de, (1) Ser humano; (2) A. ramidus e (3) chimpanzés, todos machos e abaixo, amostras correspondentes do primeiro molar maxilar.
Fonte: Adaptada de http://science.sciencemag.org/content/suppl/2009/10/01/326.5949.69.DC2




4-   Crânio-   A face do A. ramidus apresenta um focinho avantajado (figura 6), dando-lhe uma aparência de um macaco. Detalhes na parte inferior do crânio, por onde os nervos e veias que penetram no cérebro, indicam que o cérebro de Ardi estava posicionado de forma similar aos humanos modernos. Seu rosto e cérebros eram relativamente pequenos, medindo cerca de 350 cm³, algo próximo ao tamanho do cérebro de fêmeas de chimpanzés modernos.   



Figura 6. Vista lateral do crânio de Ardipithecus ramidus
Fonte: http://ib.usp.br/biologia/evolucaohumana/acervo-de-fotos/monos/category/29-ardipithecus-ramidus.html



Figura 7. Crânio de Homo sapiens sapiens
fonte: adaptada de http://veja.abril.com.br/ciencia/neandertais-coexistiram-com-os-humanos-na-europa-por-ate-54-mil-anos/



Conclusão
De fato, este fóssil é de grande importância no que diz respeito a evolução humana, pois ele traz características muito evidentes que poderiam ser a resposta de como nós seres humanos teríamos nos modificado a partir de um ancestral com características tão peculiares. É preciso reconhecer que ainda é cedo para se afirmar com plena certeza que teríamos como ancestral o Ardipithecus ramidus, porém, sabemos que, à medida que o tempo passa, novos fósseis são descobertos, novas tecnologias surgem para auxiliar na identificação desses fósseis, e pouco a pouco as lacunas vão sendo preenchidas.  



 Escrito por Silas Cunha



Referencias
Ardi- humans origins: Disponível em: <http://www.age-of-the-sage.org/evolution/ardi_human_origins.html> Acessado em 27 de maio de 2016 
 Ardipithecus ramidus:  Disponível em:<http://ib.usp.br/biologia/evolucaohumana/acervo-de fotos/monos/category/29-ardipithecus-ramidus.html> Acessado em 27 de maio de 2016
Shreeve, J.  O Rosto da Evolução. National Geographic,  Julho/2010.

Su, D.F. The Earliest Hominins: Sahelanthropus, Orrorin, and Ardipithecus. Nature Education Knowlodge, 4(4):11, 2013.

Suwa, G. et al. Paleobiological Implications of the Ardipithecus ramidus Dentition. Science, 326(5949): 69-99, 2009




segunda-feira, 23 de maio de 2016

Aparelho reprodutor feminino humano X galinha

Aparelho reprodutor feminino

O aparelho reprodutor feminino está localizado no interior da cavidade pélvica e é constituído pelas gônadas (ovários) e pelo trato genital feminino (constituído por trompas, útero e vagina). É na fase fetal que acontece a diferenciação e desenvolvimento do sistema reprodutor, mas só na puberdade (transição entre fase infantil e adulta) é que vão ocorrer as alterações funcionais e estruturais para estabelecer a fase reprodutiva.
O ovário é o responsável pelo desenvolvimento dos folículos que contem os gametas, e pela ovulação (acontece uma vez por mês). Além disso, ele também produz hormônios sexuais que vão atuar no trato reprodutivo. A secreção desses hormônios é controlada pelas gonadotrofinas, hormônio luteinizante (LH) e pelo hormônio folículo estimulante (FSH), produzidos pela adenohipófise.
No aparelho genital feminino humano há a presença de dois ovários, onde se encontram folículos em diferentes estágios de desenvolvimento. O ciclo ovariano é divido em três fases, a folicular (pré-ovulatória – 9 a 23 dias), a ovulatória (1 a 3 dias) e a lútea (pós-ovulatória - se inicia após a ovulação e dura em torno de 14 dias, terminando com o inicio da menstruação), nelas há a predominância dos hormônios estrogênio, gonadotrofinas e progesterona respectivamente. O estrogênio vai preparar o trato genital para o transporte de gametas e a fertilização, o pico pré-ovulatório das gonadotrofinas vão fazer com que ocorra a ovulação e a progesterona vai preparar o trato genital para que ocorra a implantação e manutenção do embrião.
O ovócito chega ao trato genital feminino pelas trompas, local onde vai ocorrer a fertilização. Já os espermatozóides chegam ao trato genital pela vagina, e depois vão para o colo uterino  iniciando a migração rumo as trompas ao encontro do ovócito para que ocorra a fecundação e formação do zigoto. O zigoto formado vai passar por diversas etapas de transformação migrando para o útero até se implantar no mesmo e continuar se desenvolvendo até o nascimento do bebê. Caso não haja a fertilização e implantação haverá uma descamação do revestimento interno do útero acompanhada de sangue, constituindo assim a menstruação e consequentemente o inicio de um novo ciclo (desde o primeiro dia da hemorragia). É importante enfatizar que o ciclo uterino acontece em sincronia com ciclo ovariano.


Figura 1. Aparelho reprodutor feminino





 

Figura 2. Ciclo ovariano


Aparelho reprodutor da galinha

O aparelho genital da galinha é composto por um ovário e um oviduto localizados do lado esquerdo da cavidade abdominal desta ave. O ducto esquerdo possui maior número de receptores para estrogênio e é mais sensível a este hormônio quando comparado com o ducto direito. O ovário e o ducto direito são regredidos pela produção de substâncias inibidoras do ducto de Müller pelo ovário (origem do oviduto).
Nas aves apenas um único folículo é ovulado e o óvulo (gema) é liberado dentro de um intervalo mais curto (preferencialmente todos os dias). Além disso, o óvulo de aves quando comparado com os mamíferos, apresenta maior tamanho, pois o embrião deve obter todos os nutrientes para o desenvolvimento embrionário.
Assim como nos humanos, os hormônios nas galinhas desempenham um papel muito importante. Dentre eles, têm-se os hormônios esteróides produzidos pelo ovário e fundamentais para o crescimento e função do trato reprodutivo. A progesterona vai atuar na secreção de albúmen e indução do pico de LH, e os androgênios atuarão na síntese da gema pelo fígado, mobilização de cálcio dos ossos medulares para a glândula da casca e em características sexuais secundárias, como o desenvolvimento de crista e barbela.
As células da granulosa são as principais fontes de progesterona e de pequenas quantidades de androgênios, ao contrário dos humanos, estas não luteinizam, pois não há a necessidade de formação do corpo lúteo, sendo esta uma estrutura associada a gravidez. Já as células da teca produzem androgênios e estradiol.




Figura 3. Aparelho reprodutor da galinha

O oviduto dessas aves é separado anatomicamente em cinco partes (Figura 4):
1- Infundíbulo: capta o óvulo logo após a sua liberação pelo ovário e é o local onde vai ocorrer a fertilização.
2- Magno: local responsável pela secreção de albúmem.
3- Istmo: local onde acontece a formação das membranas da casca.
4- Útero ou glândula da casca: órgão muscular e secretório, onde o fluído é adicionado ao ovo e ocorre a formação da casca do ovo e deposição da cutícula.
5- Vagina: local de passagem do ovo do útero até a cloaca.


Figura 4. Oviduto da galinha

Os espermatozóides ficam armazenados nas glândulas hospedeiras de espermatozóides após a monta, quando, então, se deslocam em via ascendente em direção ao infundíbulo. Estas glândulas hospedeiras estão localizadas nos sítios especializados que se distribuem em dois locais distintos nestas aves. Algumas são encontradas na junção útero-vaginal e as outras se localizam na porção inferior do infundíbulo. Sendo que, as primeiras são consideradas o principal sítio de armazenamento de espermatozóide no oviduto. No infundíbulo é onde vai ocorrer a fertilização.
Os espermatozóides serão armazenados nestas glândulas por um período de 3 a 4 semanas, mas a percentagem de ovos férteis começa a cair dentro de 5 à 7 dias. O período entre a ovulação e a postura do ovo é de aproximadamente 26 horas.
A galinha inicia sua postura (botar ovos) em torno da 17ª e 18ª semana de idade e a maior parte do desenvolvimento embrionário acontece fora do organismo materno.


Escrito por Rafael Galisa de Oliveira


Referências bibliográficas

AIRES, M.M.. Fisiologia / Margarida de Mello Aires. 3.ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2008.
RUTZ, F. et al. Avanços na fisiologia e desempenho reprodutivo de aves domésticas. 2007. Disponível em: <http://www.cbra.org.br/pages/publicacoes/rbra/download/307.pdf>. Acesso em: 13 maio 2016.
LOPES, J.C.O. Avicultura. 2011. Disponível em: <http://200.17.98.44/pronatec/wp-content/uploads/2013/06/Avicultura.pdf>. Acesso em: 13 maio 2016.

Fonte das imagens

Figura 1:
http://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2013/04/aparelho-reprodutor-feminino.jpg
Figura 2:
 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgI7QjiRvdg7ggIjhZZyv-7yvpQjJ1aTSLpiC-dbeKDwKlUT-P0X9QGkI0ce67XaBl1TRpNd0un9UxTC54P36RITryOE_Ro-SsvRkKMFfUYNrIGnhbEDHst5bR5ysWkyC_g3NE2Y2eO8fcd/s506/ciclo_ovarico_areal.png
Figura 3:
http://cdn.camaleao.org/2014/11/Trato-reprodutivo-da-f%C3%AAmea-de-frango-galinha-Foto-Universidade-de-Kentucky-College-of-Agriculture.jpg
Figura 4:

 http://static.dicionarioportugues.org/800/oviduto.jpg

terça-feira, 17 de maio de 2016

Além do fígado Humano: uma comparação com o Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla, LINNAEUS, 1758)

O fígado é um importante órgão digestório acessório e é a glândula mais pesada do corpo humano, responsável por secretar a bile (liquido emulsificante e decompositor de grandes glóbulos de lipídios), metabolizar carboidratos, lipídios e proteínas, realizar o processamento de fármacos e hormônios, armazenamento de glicogênio, vitaminas e minerais e ativação de vitamina D..
É um órgão que está localizado abaixo do diafragma, ocupando a maior parte da região hipocôndrica direita e parte da região epigástrica, da cavidade abdominopélvica. Está divido nos lobos direito, esquerdo, caudado e quadrado, sendo os lobos direito e esquerdo unidos pelo ligamento falciforme (prega do peritônio parietal que se estende da face inferior do diafragma até a face superior do fígado). A sustentação do fígado também é realizada pelos ligamentos coronários.
            Na face posterior do fígado, em uma depressão, se encontra a vesícula biliar, responsável por armazenar a bile produzida pelo fígado. Anatomicamente, é composta pelo fundo largo, o corpo e o colo.
            O ducto que sai do fígado é o ducto hepático comum, que adiante se unirá ao ducto cístico proveniente da vesícula biliar, formando o ducto colédoco, que leva a bile ao duodeno, se abrindo por meio do esfíncter de Oddi.







 Figura 1- Fígado humano

Comparando..

O fígado do tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla, LINNAEUS, 1758) possui uma face diafragmática convexa e uma face visceral ligeiramente côncava. É um órgão de formato retangular, com a presença de quatro margens: dorsal, ventral, lateral direita e lateral esquerda.
Apresentam seis lobos, o lobo lateral esquerdo, lobo lateral direito, lobo medial esquerdo, lobo medial direito, lobo quadrado e ainda apresenta um lobo caudado subdividido em processo papilar e processo caudado. Nas espécies em que a coluna vertebral desenvolve grande mobilidade, o fígado pode apresentar fissuras mais profundas e, consequentemente, um maior número de lobos hepáticos (KONIG, 2004).
 Como nos humanos, também apresenta vesícula biliar, situada na face visceral, entre o lobo quadrado e o lobo medial esquerdo.


  
Figura 2 - Fígado Tamanduá-mirim (A) vista cranial e (B) vista caudal
 Fonte: Julio Cezar Heker Junior (HEKER JUNIOR et al., 2012)


Escrito por Mariana Brígida Castro Silva

REFERÊNCIAS

HEKER JUNIOR, J.C.; OLIVEIRA, A.C.; SOUZA, R.A.M. Anatomia Comparada Do Fígado Do Tamanduá-Mirim (Tamandua Tetradactyla, Linnaeus, 1758), Com Animais Domésticos. Anais da XVII Semana de Iniciação Científica da UNICENTRO, Guarapuava, PR, 2012. 4 p.

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

KÖNIG, H.E.; LIEBICH, H.G. Anatomia dos Animais Domésticos. Artmed.: Porto Alegre, 2004.