quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Embriologia comparada: humanos e sapos

A embriologia é a ciência que estuda o desenvolvimento embrionário de organismos vivos. Alguns estudos demonstram que há uma grande homogenia nos primeiros estágios do desenvolvimento de várias espécies animais. Isto se amplia de acordo com as semelhanças compartilhadas que ocorrem entre espécies diferentes na fase adulta.  





Imagem I: Embriologia comparativa, mostrando as semelhanças nos primeiros estágios do desenvolvimento embrionário.  


Nos seres humanos este desenvolvimento inicia-se na fecundação do ovócito pelo espermatozóide, processo que gera o zigoto. Este zigoto é protegido pela zona pelúcida, que envolvia o ovócito. Passadas vinte e quatro horas após a fecundação o zigoto forma duas estruturas chamadas blastômeros (células provenientes da divisão inicial), a partir daí estas células sofrem um encadeamento de divisões mitóticas que chamamos de clivagem. Depois de algumas divisões teremos uma estrutura maciça de células, que se chama mórula.  



Imagem II: Processo de clivagem até a mórula. 


Aproximadamente três ou quatro dias após a fecundação o zigoto chega ao útero, passando para uma fase chamada blástula. Na fase blastocística o zigoto, agora chamado blastocisto, se implanta no endométrio, e induz as  células a se deslocarem para a parte periférica propiciando o surgimento de uma cavidade chamada blastocele. 
Já no quinto dia temos o desaparecimento da zona pelúcida e a diferenciação do trofoblasto (células epiteliais) em citrotofoblasto ou embrioblasto e sinciciotrofoblasto. O embrioblasto reveste a parte interna do blastocisto e sofre modificações formando uma placa bilaminar (hipoblasto e epiblasto). Enquanto o sinciciotrofoblasto reveste a parte de fora e é responsável pela nidação. No fim da primeira semana, temos o blastocisto implantado no endométrio o qual já vai sendo nutrido pelo sangue materno. Após nove dias, surge um espaço entre as células do epiblasto chamada cavidade amniótica, que está ligada ao citotrofoblasto pelo âmnio.  Do hipoblasto surge a cavidade vitelina primitiva ou cavidade exocelômica.




Imagem III: Estruturas vistas ao fim da primeira semana. 


Até completar duas semanas alguns vasos sanguíneos vão surgindo no mesoderma intra-embrionário (células que revestem o saco vitelino). Surge, também, a cavidade coriônica, que se expande e separa o âmnio do citotrofoblasto. Quando entramos na terceira semana damos inicio a formação dos sistemas (organogênese). Para isso, o zigoto, agora chamado de disco embrionário, sofre algumas modificações. A primeira e principal delas é a gastrulação (invaginação dos tecidos embriónarios), onde se forma a linha primitiva e o nó primitivo. A partir da linha primitiva podemos identificar os lados direito e esquerdo, as superfícies dorsal e ventral e o eixo céfalo-caudal. Ainda na gastrulação, surge a futura cavidade pericárdica e o miocárdio além do tubo cardíaco e algumas estruturas que darão origem à aorta. Podemos observar, também, o átrio e o ventrículo primitivo, que serão divididos em suas câmaras específicas devido a torção do tubo cardíaco. Mais ou menos no vigésimo dia surgem os somitos que darão origem a grande parte do esqueleto axial e aos músculos que se associam a ele. Devido a formação do tubo neural, da notocorda, do celoma e do mesoderma extraembrionário, a gástrula agora passará a se chamar nêurula 


  



Imagem IV: Neurulação corte transversal. 


Por volta do vigésimo segundo dia, surgem duas vesículas ópticas que se originam do ectoderma, essas vesículas são denominadas olhos rudimentares. Ao fim da terceira semana o sangue já circula no coração primitivo, e o embrião também  tem o broto das pernas e dos braços além de boca e ouvidos rudimentares.   




Imagem V: Embrião no fim do primeiro mês.  

Na quarta semana o embrião se dobra lateral e longitunalmente, formando um "C". Uma parte do saco vitelino se torna o intestino primitivo, o endoderma dá origem a parte do epitélio e a algumas glândulas digestivas. Nessa fase o embrião já tem uma cabeça embrionária definida, a qual sofre uma flexão que da origem a membrana orofaríngea. Esta leve flexão também posiciona o encéfalo na parte mais externa do embrião, e o coração ventralmente. No fim da quarta semana os primórdios dos principais órgãos já estão formados
Nos dois primeiros meses dizemos que o feto é assexuado, pois os dois sexos se desenvolvem de maneira igual, e, ao final do segundo mês as gônadas se diferenciam em ovários ou testículos. A diferenciação se deve aos cromossomos X e Y: quando o Y se manifesta o embrião se desenvolverá homem, suas características e hormônios serão específicos ao seu sexo. Já quando o Y não se manifesta o embrião será mulher, e assim sendo, desenvolverá características femininas. A formação do órgão sexual se dá pela presença de dois ductos, o ducto de Wolff formará os órgãos reprodutivos masculinos, onde os testículos se desenvolvem na cavidade abdominal e  descem para o escroto no fim da gestação, e o ducto de Muller  que formará os órgãos  reprodutivos femininos. 



  
Imagem VI: Feto com aproximadamente 2 meses e meio 


A partir da oitava semana, o feto está praticamente formado e em processo de maturação dos órgãos, principalmente pulmões e coração. Quando chega à trigésima oitava semana o bebê já está pronto para nascer.  




Imagem VII: 38ª semana de gestação. 


Nos sapos (anuros) o desenvolvimento não se difere muito do desenvolvimento humano, porém, por serem anfíbios de vida dupla, existem algumas diferenciações específicas. A fecundação desses animais, por exemplo, é externa, e acontece em água doce e parada onde a fêmea coloca seus ovócitos para serem fecundados. O macho despeja o líquido seminal sobre o cordão gelatinoso que envolve os ovócitos. O ovo formado dessa fecundação não tem casca e é envolto por uma cápsula gelatinosa. O mesmo é dividido em dois polos, um vegetativo e o outro animal, no vegetativo encontramos uma maior concentração de vitelo (material que nutre o embrião). Logo após a fecundação o ovo sofre uma rotação,  que, neste caso, chamamos de rotação de equilíbrio, a qual o posiciona com o polo animal em cima e o vegetativo em baixo. A primeira clivagem acontece no polo animal, nesse processo de segmentação algumas células são diferenciadas em micrômeros no polo animal e macrômeros no polo vegetativo. As células do polo animal darão origem ao ectoderma, as células da parte do meio darão origem ao mesoderma, e o polo vegetativo originará o endoderma. Esta sequência de fatores dá origem a mórula e logo após a blástula.  



Imagem VIII: Blástula. 

O processo de gastrulação se dá aproximadamente 15 horas após a fecundação, nesse processo ocorre a embolia, ou seja, a invaginação, de uma estrutura chamada lábio dorsal do blastoporo. Devido a este processo a blastocele some e acontece o dobramento do intestino primitivo (arquêntero). Nesse momento, já conseguimos diferenciar as partes anterior, porterior, dorsal e ventral do embrião, onde a região posterior define a cauda enquanto a anterior define a cabeça.  





Imagem IV: Embrião com aproximadamente 20 horas de fecundação. 

Na etapa da neurulação, teremos a formação da placa neural que originará o tubo neural o qual dará origem ao encéfalo e a medula. Enquanto acontece esse processo, o coração primitivo também é formado. A mesoderme se diferencia em somitos e  celoma, que é todo rodeado por duas camadas celulares chamadas somatopleura (externa) e esplancnopleura (interna).  Algumas células já começam a se diferenciar parar formar especificamente células sanguíneas, musculares e epiteliais. Após 30 horas já podemos notar o modelamento da cabeça, dos olhos e dos botões braquiais. Os botões servem paras trocas gasosas feitas até o fim do processo.  




Imagem X: Processo de neurulação. 


Após 30 horas  já podemos notar o modelamento da cabeça, dos olhos e dos botões braquiais. Os botões servem paras trocas gasosas feitas até o fim do processo. Aproximadamente 118 horas após a fecundação o coração termina de ser formado e já começa com os batimentos cardíacos precoces. O pulmão primitivo já está formado, assim como as brânquias, a cauda e a boca, que antes estava colada, agora se abre e a larva eclode do ovo se tornando livre. Quando se aproxima do sétimo dia o girino entra num estágio de metamorfose, os membros posteriores são formados enquanto os anteriores são desenvolvidos internamente no corpo . Cerca de cinco horas depois de formados, os membros anteriores são projetados para fora. Para o fim da metamorfose a boca é ampliada, as brânquias se atrofiam e a cauda é absorvida.  O intestino também sofre uma redução significativa. Estes fatores marcam o fim da metamorfose e indica que agora o indivíduo está pronto para se emergir da água para o solo, como um sapo  miniatura.  




Imagem X: Ciclo embrionário dos anuros 


Escrito por Thamires Souza



Referências

MOORE, KEITH L.; PERSAUD, T. V. N. ; TORCHIA, MARK G. Embriologia básica: Medicina e saúde - anatomia e fisiologia humana.   ed. Elsevier, 2016.  
TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 
Anatomia Online. Disponível em: http://anatomiaonline.com/introducao-a-embriologia/ Acesso em 22 de Setembro de 2016. 
Hill, M.A (2016) Embryology - Frog Development. 
Disponível em: https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/index.php/Frog_Development Acesso em 22 de Setembro de 2016.  
Discover Development. Disponível em: http://www.discoverdevelopment.com/PhP/AboutSite.php Acesso em 22 de Setembro de 2016.  

Referências das Imagens
 Imagem I: Disponível em: http://www.colegioweb.com.br/origem-da-vida-e-evolucao/a-embriologia-comparada.html Acesso em 20 de Setembro de 2016.  
Imagem II: Disponível em: http://www.hiru.eus/image/image_gallery?uuid=b6b169d6-c474-4150-b5ed-6211d7abd884&groupId=10137 Acesso em 20 de Setembro de 2016. 
Imagem III: Disponível em: https://seikienokawa.wordpress.com/2008/10/06/segunda-semana-de-desenvolvomento-embrionario/ Acesso em 20 de Setembro de 2016. 
Imagem IV: Disponível em: http://blogdoenem.com.br/embriologia-revise-neurulacao-biologia-enem/ Acesso em 21 de Setembro de 2016.  
Imagem V: Disponível em: http://www.clubedobebe.com.br/manual%20da%20gestacao/oprimeiromes.htm Acesso em 21 de Setembro de 2016. 
Imagem VI: Disponível em: http://julioelito.com.br/11_25.asp Acesso em 21 de Setembro de 2016. 
Imagem VII: Disponível em: http://bioug.blogspot.com.br/2012/11/1.html Acesso em 22 de Setembro de 2016. 
Imagem VIII: Disponível em: http://animalandia.educa.madrid.org/imagen.php?id=28524 Acesso em 22 de Setembro de 2016. 
Imagem IX: Disponível em: http://julioelito.com.br/11_25.asp Acesso em 22 de Setembro de 2016. 
Imagem X: Disponível em: http://www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/Origami/Documentos/Anfibios.htm Acesso em 22 de Setembro de 2016.  



terça-feira, 28 de junho de 2016

Sistema excretor dos Humanos x Aves

 O sistema excretor dos humanos é composto por: dois rins, dois ureteres, uma bexiga e uma uretra, têm como função principal produzir a urina eliminando dejetos e conservando nutrientes. A ureia, que é produzida no fígado, é a principal substância excretada. Porém não é a única, sendo, também, excretados água, sais, ácido úrico e outras substâncias, tais como medicamentos.


 


   A urina é formada a partir da filtração do sangue, que ocorre no néfron localizado nos rins. O néfron é a unidade funcional desse órgão e é formado pela capsula renal, onde fica o glomérulo renal e um longo túbulo, conhecido por túbulo néfrico. Esse túbulo néfrico é formado por algumas partes distintas como: túbulo contorcido proximal, alça néfrica e túbulo contorcido distal.






 O ducto coletor é a região terminal do túbulo contorcido distal, formam a pirâmide renal terminando em cálices menores, que, reunidos, formam os cálices maiores e terminam na pelve renal, onde se liga com os ureteres.
 Os ureteres recolhem a urina e a levam até a região posterior da bexiga, onde fica armazenada até o momento de sua eliminação. Esse órgão tem uma grande capacidade de distensão e localiza-se na parte posterior da sínfise pubiana. Ele também pode armazenar até 300 mL de urina, sendo que quando chega a 150 mL, começam sinais estimulando a micção. A uretra guia a urina da bexiga até o meio externo.



Comparando...

  As aves não possuem bexiga urinária, sendo a ausência desse órgão uma das adaptações para o voo. O sistema excretor desses animais é composto por: rins, que são metanéfricos, dois ureteres e cloaca, que também faz parte dos sistemas digestório e reprodutor.
 A principal substância excretada por eles é o ácido úrico, que é retirado do sangue através dos rins e conduzido pela uretra até ser eliminado pela cloaca.
Na cloaca ocorre a maior parte da absorção de água, restando apenas ácido úrico que é eliminado juntamente com as fezes.









 Escrito por Marcela Mauruto Lopes


Referências:

 TORTORA, G.J.; Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 1047 p.
PAULA  LOUREDO MORAIS. Excreção e coordenação das aves. Disponível em < http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/excrecao-coordenacao-das-aves.htm> Acesso 27 de jun. de 2016.
Ma. VANESSA DOS SANTOS. Sistema Urinário. Disponível em < http://biologianet.uol.com.br/anatomia-fisiologia-animal/sistema-urinario.htm> Acesso em 27 de jun. de 2016.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Estômago Humano X Estômago da cachorra (Peixe: Hydrolycus armatus) (Jardine & Dchomburgk, 1841), (Teleostei: Cynodontidae)

Em humanos, o estômago é o responsável por armazenar, misturar e realizar a digestão, principalmente de proteínas. É um orgão muscular oco, que conecta o esôfago ao duodeno ( primeira parte do intestino delgado). Normalmente apresenta um formato de J, situado no epigástrio, na região umbilical e no hipocôndrio esquerdo.
Posssui quatro regiões principais: a cárdia, o fundo, o corpo e a parte pilórica. A cárdia envolve abertura do estômago, a região superior e à esquerda da cárdia é o fundo. Inferior ao fundo situa-se uma grande parte central do estômago denominada de corpo. A região do estômago que conecta ao duodeno é a parte pilórica, e entre essa comunicação, encontra-se o esfincter do piloro.A margem medial côncava do estômago é chamada de curvatura menor, e a margem lateral convexa é chamada de curvatura maior  (Figura 1).

Quando o estômago está vazio, a mucosa formas pregas gástricas.
Figura 01- Estômago Humano.

Comparando...
O estômago da cachorra (Hydrolycus armatus), um peixe teleósteo de água doce, localiza-se na parte mediana da região ventral da cavidade celomática, caudal ao esôfago, ventral ao fígado, ventral à bexiga natatória e ao intestino (COSTA et al. 2015).
Apresenta formato sacular, com três regiões: cárdica, cecal e pilórica. A região cárdica inicia-se na porção final do esofâgo, contendo o esfíncter cárdico.Já a região cecal, também conhecida como fúndica, é considera a  maior porção do estômago, com pregas longitudinais e transversais rasas e sulcos pouco evidentes. E a região pilórica constitui a menor porção do estômago e forma um tubo, recoberto pelos cecos pilóricos (COSTA et al., 2015).

 Figura 02- Vista interna mostrando as três porções gástricas, a região cárdica (RC), a região cecal (RCC) e a região pilórica (RP). Barra: 1cm. Retirada de COSTA et al., 2015.


Figura 03-  Vista externa do estômago (Est) em formato sacular ligado ao esôfago (E), composto pelas regiões cárdica (RC), pilórica (RP) e cecal (RCC). A região pilórica inicia-se na entrada do piloro ou esfíncter pilórico (seta) e ligada aos cecos pilóricos (CP). Barra: 1cm. Retirada de COSTA et al., 2015. 

Escrito por Mariana Bernardes Ribeiro

Referências:
COSTA, G.M. et al. Descrição anatômica do estômago de cachorra, Hydrolycus armatus (Jardine & Dchomburgk, 1841), (Teleostei: Cynodontidae). Revista de Ciências Agroambientais, Alta Floresta, Mt, v. 13, n. 2, p.41-44, 2015. Disponível em: <http://periodicos.unemat.br/index.php/rcaa/article/view/1181/1255>. Acesso em: 13 jun. 2016.
TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Fisiologia da digestão em Insetos

O trato digestório em humanos contém um tubo que se divide nas seguintes regiões: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus.  E está associado com órgãos e glândulas acessórias (dentes, a língua, as glândulas salivares, o fígado, vesícula biliar e o pâncreas).
O alimento entra pela cavidade oral constituída por dentes, língua e glândulas salivares. Os dentes são responsáveis por quebrar em pequenos fragmentos esse alimento e misturar junto à saliva.  A língua contem papilas gustativas que detectam os sabores dos alimentos (amargo, azedo ou ácido, doce e salgado) e iniciam o processo de deglutição, que empurra o bolo alimentar em direção à faringe. As glândulas salivares (parótida, submandibular, sublingual) são responsáveis por secretar a saliva, que possui a enzima amilase salivar, também chamada de ptialina, que inicia a digestão do amido e outros polissacarídeos, e os sais que neutralizam substâncias acidas mantendo o pH próximo de 7 para facilitar a ação da amilase.
Após a deglutição o alimento é empurrado através da faringe para o esôfago pelas ondas peristálticas. Durante este processo, a laringe se fecha evitando a passagem do alimento para as vias respiratórias.

Essas ondas peristálticas no esôfago permitem que o alimento seja engolido e entre no  estômago, mesmo que você esteja de cabeça para baixo.


Figura 1. Movimentos peristálticos no esôfago

O estômago tem função de armazenamento, mistura e trituração do alimento, propulsão peristáltica e regulação da velocidade de esvaziamento gástrico e estas funções são desempenhadas por regiões distintas do estomago. O armazenamento ocorre na região do fundo do estomago, onde o alimento pode ficar armazenado por quatro horas ou mais. A mistura ocorre na região média distal do corpo estomacal e a trituração é efetuada na parte distal do estômago, na região antral.
A propulsão peristáltica inicia-se na porção próximo ao corpo do estômago, que realiza a mistura do bolo alimentar com o suco gástrico que é um líquido que contêm ácido clorídrico, muco, enzimas e sais produzidos pelas células do estômago. O ácido clorídrico mantém o pH do interior do estômago entre 0,9 e 2,0. Por ação do ácido clorídrico, o pepsinogênio ao ser lançado no estômago, transforma-se em pepsina, uma enzima que catalisa a digestão de proteínas. A mucosa gástrica é revestida por um muco para não entrar em contato com o suco gástrico e essa mucosa produz o fator intrínseco que auxilia no processo de absorção da vitamina B12. Ao se misturar ao suco gástrico, o bolo alimentar transforma-se em uma massa cremosa acidificada e semilíquida chamada quimo.
Ao passar pelo esfíncter pilórico, o quimo vai descendo aos poucos para a primeira porção do intestino delgado, o duodeno, onde há a ação do suco pancreático que é produzido pelo pâncreas e é rico em enzimas digestórias (amilase, lipase, tripsinogênio, quimotripsinogênio, pro-carboxipeptidose). Além do suco pancreático, a bile, produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar, também é secretada no duodeno. A bile tem a função de emulsificar as gorduras, facilitando a ação da lípase pancreática. No jejuno e no íleo ocorre a absorção de nutrientes e a superfície interna dessas regiões possuem pequenas vilosidades que aumentam a superfície de absorção. Os vasos sanguíneos  e linfáticos absorvem os nutrientes do intestino e os leva ao fígado através da veia porta hepática, para ser distribuído para o resto do corpo (Figura 2).


Figura 2: vasos sanguíneos nas vilosidades na porção do jejuno e do íleo no Intestino Delgado.

Passa para o intestino grosso uma pequena porção de fluidos de alimentos não digeríveis. Esta porção do intestino sofrerá contrações haustrais, que auxilia na mistura e absorção de água e eletrólitos, para formação do bolo fecal. Com a presença de bolo fecal no reto e sua consequente dilatação desencadeia um reflexo autonômico que promoverá a abertura do esfíncter anal interno. Porém, devido à presença do esfíncter externo, de controle voluntário, a defecação pode ser adiada até o próximo reflexo de defecação.

Comparando...

O tubo digestório dos insetos é composto por três porções: estomodeu, mesênteron e proctodeu, onde válvulas que se localizam entre estas porções controlam os movimentos do alimento. O trato digestório está relacionado ao tipo de alimentação do inseto. Se este ingere mais alimentos sólidos seu trato digestivo será amplo, reto, curto, com musculatura mais forte e com proteção de adesão. Já os que consomem alimentos líquidos têm um trato digestivo longo, estreito e enrolado e não é necessária a proteção contra adesão nesse caso.

Figura 3: Trato digestivo de insetos

Os insetos capturam o alimento pela boca assim como os humanos. Com a entrada do alimento nos animais com peça bucal mastigadora, eles cortam e trituram esse alimento antes deste ser levado para a faringe. Já nos insetos com aparelho sugador, a faringe funciona como um tubo que suga o alimento até o esôfago. O alimento é levado por ação peristáltica até o esôfago, na região do estomodeu, onde ocorre a ação de enzimas (amilases e maltases). Alguns insetos têm o habito de liberar essas enzimas antes da ingestão pela cavidade oral para auxiliar na digestão.
As glândulas salivares estão localizadas na região abaixo da cabeça e no tórax e produzem principalmente enzimas que digerem carboidratos, além de umidificar o substrato ingerido. No caso de insetos que se alimentam de sangue, estes produzem substâncias anticoagulantes.
Após a ingestão e ação das enzimas, assim como nos humanos, o alimento é levado através do esôfago pelos movimentos peristálticos para as porções finais do estomodeu até o papo onde é armazenado e pode sofrer digestão. Em seguida o alimento passará pelo proventrículo que é revestido de espinhos ou dentes e auxiliam na trituração de partículas grandes em menores para passagem na válvula cardíaca.
Depois de passar pela válvula cardíaca, o alimento chega à porção do mesênteron (semelhante ao intestino delgado em humanos), onde ocorre a maior parte da digestão do bolo alimentar e é composto pelo ventrículo que secreta enzimas também semelhantes às presentes nos humanos, como: amilase (amido), invertase (sacarose), lipase (gorduras) e protease (proteínas). Além disso, é revestido por uma membrana peritrófica que permite a passagem das enzimas que digerem moléculas maiores até ficarem menores auxiliando no deslocamento para os cecos gástricos onde ocorre uma absorção.
O alimento parcialmente digerido por enzimas, circulam pelo mesênteron na direção posterior do espaço endoperitrófico e na direção anterior, do espaço ectoperitrófica. Essa circulação ajuda a mover o alimento para o ceco gástrico onde ocorre a absorção e digestão final, e conservar enzimas, que são retiradas do bolo alimentara antes que ela vá para o proctodeu (GULLAN et al., 2007).

Figura 4: Circulação do alimento para absorção de nutrientes no mesênteron

A última porção do tubo digestório dos insetos é o proctodeu, onde os túbulos de Malpighi e o reto são as estruturas atuantes no mecanismo de absorção e filtração. Os gafanhotos, por exemplo, produzem, nos túbulos de Malpighi, um filtrado isosmótico da hemolinfa que é rico em K+, pobre em Na+, e possui o  Cl-  como o principal ânion. A entrada de K+ para dentro do túbulo de Malpighi cria uma pressão osmótica, assim a água segue passivamente pela hemolinfa, isso ocorre também com açucares, aminoácidos e sais. Os túbulos de Malpighi levam essa urina primária para dentro do intestino. Onde no reto (almofadas retais), células ativam a recuperação de Cl- através de estímulos hormonais, o que acaba gerando gradientes elétricos e osmóticos, que promovem uma reabsorção de outros íons, água, aminoácidos e acetato.  (GULLAN, et al. 2007).
O alimento depois de ter sofrido as quebras enzimáticas e obtido o máximo de nutrientes para esses organismos, será excretado pelo ânus. A maioria dos insetos excretam metabólitos nitrogenados, sendo que os insetos terrestres esses resíduos consistem em ácido úrico.

Escrito por Isadora Paula Franco dos Santos


REFERÊNCIAS

AIRES, Margarida M. Fisiologia. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1999.   

Apostila de Entomologia Geral . Disponível em:<http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfbbQAE/64254857-apostila-entomologia-geral?part=6 > acesso em :07/06/2016

Fisiologia do trato digestório em humanos disponível em :<http://www.afh.bio.br/digest/digest1.asp> Acesso em: 07/06/2016

GULLAN, P.J. & CRANSTON, P.S. Os Insetos: um resumo de entomologia.  3ª Ed. São Paulo: Roca,2007.

Zoologia dos invertebrados - CLASSE INSECTA: MORFOLOGIA INTERNA E FISIOLOGIA, Disponível em:<http://www.den.ufla.br/siteantigo/Professores/Luis/Disciplinas/disciplinaENT107_arquivos/morfologia_interna.htm> Acesso em: 07/06/2016

FIGURAS

Figura 1: Disponível em : <https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgPy92inmfjj4JFOZ00WBPT4Df8OU0fQpa3nv8apbXqNsq72OWxreRfhtwljREdCqMA4PF0gyWZOlpj3z_bgOqJKFsk5Srvn3ZugxeY3zypbj9xNCwG00DsfZ99xiAd6RDuaTne8DcQqFM/s400/Es%C3%B4fago+-+movimentos+peristalticos.jpg> acesso em: 03/06/2016

Figura 2:
Disponível em:<http://www.sobiologia.com.br/figuras/Corpo/paredeintestino.jpg> acesse em:03/06/2016

Figura 3
Disponível em: <https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjaoevKl5bNAhXDqR4KHZS5BAQQjRwIBw&url=http%3A%2F%2Fpt.slideshare.net%2FAdenomar%2Fsistema-digestrio-9430535&bvm=bv.123664746,d.eWE&psig=AFQjCNH4R0Zn-1BDL2_gnHyYOSTGIW0tiA&ust=1465398110186729> acesso em: 07/06/2016

Figura 4: Disponível em: <http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAfdJgAA-111.jpg> acesso em: 07/06/2016