sexta-feira, 13 de junho de 2014

Comparando o comportamento sexual

Essa semana foi marcada pelo Dia dos Namorados, então por quê não falarmos sobre esse sentimento que aflora no coração dos apaixonados nesta data?

Todas as funções do corpo humano de uma maneira geral são permanentemente controladas - em estado fisiológico - por dois grandes sistemas que atuam de forma integrada: o nervoso e o endócrino.
O sistema nervoso é responsável pela obtenção de informações a partir do meio externo e pelo controle das atividades corporais. Enquanto o sistema endócrino regula o metabolismo através dos mensageiros químicos que são os hormônios.

Sistema nervoso em humanos e em insetos
Com base nos critérios anatômicos, o sistema nervoso humano é dividido em central e periférico. O sistema nervoso central é composto por órgãos como encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e medula espinhal, além dos órgãos dos cinco sentidos humanos (visão, olfato, paladar, audição e tato). Já o sistema nervoso periférico é formado pelos nervos e os gânglios (Fig. 1).


Figura 1: Localização do encéfalo, medula espinhal e nervos em humano.

O principal órgão do sistema nervoso central é o encéfalo de onde parte a medula espinhal. Estes se relacionam com os órgãos enviando comandos em forma de impulsos elétricos que são transmitidos por nervos que tem a participação de neurônios. Os nervos que partem do encéfalo são chamados de nervos cranianos e os que saem da medula espinhal são chamados de nervos raquidianos ou nervos espinhais.
Ainda em humanos, com base nos critérios funcionais, podemos dividir o sistema nervoso em somático (aquele que relaciona o organismo com o meio ambiente) e em visceral (aquele que se relaciona com a inervação e controle das estruturas viscerais). Estes sistemas são compostos por neurônios aferentes e eferentes, sendo que a região formada pelos neurônios eferentes no sistema nervoso visceral é também chamada de sistema nervoso autônomo, podendo ser subdividido em simpático e parassimpático.
Em insetos (Fig. 2), o sistema nervoso  consiste em um cérebro localizado na cabeça, e um cordão nervoso localizado ventralmente, com gânglios em cada segmento. Pode acontecer de o cordão nervoso estar  fundido e haver mais segmentos do que gânglios. As células nervosas se comunicam através das sinapses com ação de neurotransmissores, como a acetilcolina, e os impulsos são transmitidos através de mudanças na carga elétrica nas sinapses.
                                             Figura 2: Sistema nervoso do gafanhoto em vista dorsal e seus nervos.


Sistema Límbico
As regiões do sistema límbico, como hipotálamo, amígdalas e septo (Fig. 3), recebem inervações de vias ocitocinérgicas, as quais são regiões envolvidas na produção de emoções básicas nos animais, como medo, ansiedade, fome, saciedade, prazer e desejo sexual.

 










Figura 3: Estruturas principais do sistema límbico em humanos.  


O sistema límbico é a nomenclatura atribuída às estruturas cerebrais que coordenam o comportamento emocional e os impulsos motivacionais, além de comportamentos sociais. Através do sistema nervoso autônomo, ele comanda comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos.
A sua principal função é a integração de informações sensitivo-sensorial com o estado psíquico interno, onde é atribuído um conteúdo afetivo a esses estímulos, a informação é registrada e relacionada com as memórias pré-existentes, o que leva à produção de uma resposta emocional adequada, consciente e/ou independente da nossa vontade.
O sistema límbico, como citamos, é responsável pelo comportamento emocional que é o conjunto de reações frente a uma sensação. Há emoções primárias que estão relacionadas com necessidades imediatas como alimentação (fome/saciedade), obtenção de água (sede), sexo (libido), fuga de predadores ou outras ameaças (medo), defesa dos filhotes (ira/agressão), etc, as quais geram comportamentos motivados. Por outro lado, as emoções secundárias são os estados mais discriminados e complexos como ansiedade, satisfação, amor, familiaridade e sentimentos mais subjetivos. Todas essas emoções são envolvidas por alterações somáticas, onde geram respostas expressivas e comportamentais involuntárias, reflexos condicionados e incondicionados que podem ser voluntários (alegria, amor, esperança e amizade); já as alterações viscerais são as respostas específicas para cada tipo de emoção, que é o condicionamento pessoal (tristeza, raiva, medo e ansiedade).
 
                     Figura 4: Relacionamento afetivo.


 O comportamento sexual em humanos e em outros animais
A sensação de prazer é a isca arranjada pela evolução para atrair determinados seres vivos para o acasalamento, garantindo a reprodução de suas espécies.     
No sistema límbico, a principal estrutura que governa a sensação de prazer é o septo, e as emoções agradáveis no hipotálamo. A maioria dos chamados animais sexuados cai nessa armadilha do desejo, mas nenhum com tanta frequência e tamanha intensidade quanto o homem (Fig. 4).
A espécie humana pode ser considerada a campeã do prazer sexual. Ela é capaz de experimentar o orgasmo em qualquer época do ano, enquanto outros animais só desfrutam desse prazer no período do cio. Para chegar ao
orgasmo, o sistema nervoso ordena, em primeiro lugar, que os
batimentos cardíacos acelerem, autorizando um derrame do hormônio adrenalina. Este
hormônio neurotransmissor que atua no sistema nervoso simpático faz o coração arrancar, por um bom motivo, afinal não pode faltar sangue para os músculos na agitação do sexo. Este hormônio é liberado pelas glândulas suprarrenais, e faz com que as artérias se dilatem, facilitando a passagem do sangue que precisa estar oxigenado. Os pulmões também aumentam o ritmo de trabalho e a respiração torna-se rápida e curta. Toda essa superatividade física leva o corpo a esquentar. Os lábios humanos possuem a camada mais fina de pele do corpo humano e estão entre as áreas corporais onde se encontram maiores concentrações de receptores e transmissores sensoriais. Quando beijamos, as células da língua e de outras regiões da boca disparam mensagens para o cérebro e para o corpo, provocando emoções e reações físicas intensas. Nesse momento ocorre e liberação de ocitocina, conhecido também como “hormônio do amor”, o qual é responsável pela sensação de prazer, ao receber um abraço ou um beijo da pessoa amada, apesar da sua principal atuação estar no útero, causando contrações no momento do parto e durante o orgasmo.
O comportamento sexual animal assume várias formas diferentes, até mesmo no que diz respeito à mesma espécie. Entre os animais, os pesquisadores refletem sobre a monogamiacruzamento genético entre espécies, excitação sexual entre os animais a partir de objetos ou lugares, dentre outras práticas.


 












Figura 5: Acasalamento de elefantes marinhos.


                                               
                                                                                     Figura 6: Elefantes marinhos em disputa por território e fêmeas.

Quando a sexualidade animal dirige-se pelo ato reprodutivo, é frequentemente denominado acasalamento ou cópula. Para a maioria dos animais mamíferos, o acasalamento ocorre no ponto de cio,  o período mais fértil do ciclo reprodutivo da fêmea. No caso de leões marinhos, um macho copula com muitas fêmeas (Figs. 5 e 6). Durante as épocas de reprodução, os machos dessa espécie, que são muito maiores e mais pesados do que as fêmeas, vêm para a costa e estabelecem territórios de reprodução. Eles param de comer e defendem seus territórios com constantes brigas violentas. Eles formam haréns, que são grupos com mais de 50 fêmeas, sendo considerados poligâmicos dentro de seus territórios, mantendo os outros machos afastados. Somente os machos mais pesados podem ter territórios e reproduzir, os outros se reúnem em grupos de solteiros e passam a maior parte do seu tempo tentando entrar nos haréns para uma cópula rápida. Estes animais usam a agressão interespecífica que são os ataques dirigidos a membros da própria espécie em contextos de competição por recursos (fêmeas ou alimento) e a expressão visceral que possui uma ativação simpática generalizada. Associado a isso, a expressão somática, muito rica, é repleta de mensagens como abaixamento de orelha, vocalizações e expressões faciais.

Escrito por: Laura Ribeiro e Priscila Ferrari


REFERÊNCIAS CONSULTADAS
AMARAL, R. J., OLIVEIRA, M. J. Sistema Límbico - O centro das emoções. Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n05/mente/limbic.htm>Acesso em: 8 Jun. 2014.
CANALI, E. S. & KRUEL, L. F. M. Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Respostas Hormonais ao Exercício. 2001. Disponível em: <http://www.artigocientifico.com.br/uploads/artc_1148646189_57.pdf> Acesso em: 06 Jun. 2014.
CASTRO, P.; HUBER, E. M. Biologia Marinha. 8ª ed. São Paulo: AMGH editora Ltda, 2010.
CMBA, Colegio Médico Brasileiro de Acupuntura. Disponível em: http://www.cmba.org.br/dicas/saude/ciencia-comprova-a-importancia-do-beijo> Acesso em 8 Jun. 2014.
DACOME, O. A. & GARCIA, R. F. Universidade Estadual de Maringá. Efeito Modulador da Ocitocina Sobre o Prazer. 2008. Disponível em: <http://www.unicesumar.edu.br/pesquisa/periodicos/index.php/saudpesq/article/view/751/608> Acesso em: 06 Jun. 2014.
DUARTE, H. E. D. Anatomia Humana. 1ª edição. Florianópolis: Universidade Federal de São Catarina, 2009.
GUYTON, A.C., HALL, J.E. Tratado De Fisiologia Médica 9º edição. Rio de Janeiro. Editora Koogan, 1997.
MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. 2ª edição. São Paulo: Atheneu, 2000.
Revista Super interessante 25 anos. O curto-circuito do orgasmo: como funciona o prazer humano. Disponível em: <http://super.abril.com.br/ciencia/curto-circuito-orgasmo-como-funciona-prazer-humano-440926.shtml> Acesso em: 7 Jun. 2014.
RUPPERT, E.E., FOX, R.S. & BARNES, R.D. Zoologia dos Invertebrados. 7ª edição. Editora Roca. São Paulo. 2005.
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Sistema Límbico. Disponível em:<http://www.fpce.up.pt/psicof/aulas/11_slimbico.pdf> Acesso em: 8 Jun. 2014.
VILELA, M. L. A. Anatomia e Fisiologia Humana. Disponível em: <http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso3.asp> Acesso em: 7 Jun. 2014.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.alunosonline.com.br/biologia/nervos-sistema-nervoso-periferico.html
Figura 2: http://neuroinformacao.blogspot.com.br/2012/08/o-sistema-limbico.html
Figura 3:
http://www.pucrs.br/fabio/histologia/tecnerv/Insetos/SN.htm
Figura 4: http://cultcarioca.blogspot.com.br/2013/06/artur-da-tavola-dia-dos-namorados.html
Figuras 5 e 6: http://www.gamesbrasil.com.br/forum/showthread.php/68533-Ge%C3%B3rgia-do-Sul-lar-de-milh%C3%B5es-de-ping%C3%BCins-aves-focas-le%C3%B5es-e-elefantes-marinhos

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sistema muscular em humano e bovino: semelhanças e diferenças

O sistema muscular humano, assim como dos outros animais, possui uma grande variedade de músculos, de diversos tamanhos e disposições, os quais podem ser classificados conforme o seu local de origem e inserção. Nós temos aproximadamente 212 músculos, sendo 112 na região frontal e 100 na região dorsal.
Conhecemos pouco do nosso sistema muscular em relação ao de bovinos, pois em nosso cotidiano estamos acostumados com diferentes nomes da musculatura destes animais, como alcatra, lagarto, filé mignon, entre outros. Essa comparação é muito curiosa, visto que não paramos para pensar que algumas destas partes possuem nomes específicos e idênticos aos nomes dos músculos observados no corpo humano.

                                 Figura 1. Musculatura humana.

Esse sistema é capaz de efetuar vários tipos de movimento, os quais são controlados e coordenados por impulsos nervosos. Esses movimentos são uma das funções essenciais do corpo, resultante de contrações e relaxamento musculares. 
De 40 a 50% do peso corporal total é constituído de massa muscular, e cerca de 85% de todo o calor gerado no corpo vem de contrações musculares.

                                Figura 2. Musculatura bovina.

É curioso saber que somente as esponjas e alguns celenterados não possuem tecido muscular. Todos os outros animais utilizam-se de músculos para movimentar o corpo, nadar, respirar, voar, mover o alimento na cavidade digestiva e bombear o sangue.
                                            
Os músculos são classificados em:
- Músculo estriado esquelético considerado voluntário, recobre grande parte do organismo animal, popularmente conhecido como carne, que no caso de bovinos (Fig. 2) é toda a parte que é comercializada como alimento. Esse músculo é rico em miofibrilas contráteis, composto por actina e miosina, que através do seu deslizamento garante a contração voluntária.
- Músculo estriado cardíaco considerado involuntário, está presente no coração dos vertebrados. Seu tecido é composto por células estriadas transversalmente e uninucleadas.
- Músculo liso considerado involuntário, está localizado na pele, nos órgãos internos, no aparelho reprodutor, nos grandes vasos sanguíneos e no sistema urinário, possui células uninucleadas e lisas, não apresentando estriações. O estímulo para a contração dos músculos lisos é mediado pelo sistema nervoso autônomo, aquele que controla de forma involuntária, independente da nossa vontade.

                                Figura 3. Tipos de músculos.

Para que a contração muscular ocorra é necessário que um impulso nervoso chegue ao terminal nervoso e libere acelticolina, a qual se ligará aos seus receptores na membrana da célula muscular, que irá se despolarizar e com isso haverá a liberação de íons cálcio do retículo sarcoplasmático para o citoplasma. O cálcio forma um complexo com as proteínas contráteis actina e miosina que promoverão a contração e a diminuição do tamanho do sarcômero. Esse processo ocorre igualmente para todos os animais, incluindo bovinos e humanos.

                                Figura 4. A química da contração do músculo esquelético.

Conhecemos os principais músculos bovinos por nomes populares que representam a parte da musculatura que é comercializada como alimento, sendo que alguns desses músculos são iguais aos humanos. Vejamos as principais peças de carne e a sua correspondência de músculos humanos:

                                Figura 5. Representação de peças de carne alimentícia.

1. Peito:
- peitoral superficial
- peitoral profundo
- intercostais externos e internos.
3. Cupim:
- rombóide
- trapézio

4.  Acém:
- longo do pescoço
- elevadores das costelas

11. Contrafilé:
- glúteo médio
- iliocostais
- longo dorsal
12. Filé Mignon:
- psoas maior
- psoas menor(cordão do filé mignon)
- ilíaco
14.  Alcatra:
- tensor da fáscia lata (maminha)

17. Patinho:
- reto femoral
- vasto lateral
18. Coxão duro:
- glúteo bíceps

19. Coxão mole:
- sartório
- reto interno ou grácil
- pectíneo
20. Lagarto:
- semitendinoso
























Curiosidade!
Musculatura dupla em bovinos

                                Figura 6. Musculatura dupla em bovino.

     A “musculatura dupla” é uma síndrome que envolve o aumento no número de fibras musculares, também chamado de hiperplasia, e por um pequeno aumento individual das fibras musculares, também chamado de hipertrofia. Estes problemas existem, pois a condição hereditária é controlada por um gene recessivo denominado miostatina, que sofre mutações distintas e leva a perda da função, afetando a massa muscular e resultando na hipertrofia dos músculos. Para os bovinos, esta característica hipertrófica não é uma vantagem, pois atrapalha a sua fertilidade, principalmente nas fêmeas. Entretanto, no ponto de vista econômico nestes animais são essenciais, pois apresentam uma massa muscular muito maior do que os não-portadores dessa síndrome.

Escrito por: Laura Ribeiro e Maria Paula Carvalho


REFERÊNCIAS CONSULTADAS
FRANCO, G. L.; IEPEC. Musculatura dupla em bovinos. 2008. Disponível em: <http://www.iepec.com/noticia/musculatura-dupla-em-bovinos>. Acesso em: 31 Mai. 2014.
SANTOS, J. P. V. A.; ESALQ-USP. Anatomia e fisiologia animal. Ano Desconhecido. Disponível em: <http://eduvaleavare.com.br/Img/downloads/aula5_
anatomiaefisiologiaanimal.ppt>. Acesso em: 31 Mai. 2014.
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Princípios de anatomia e fisiologia. 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
VILELA, M. A. L. Anatomia e fisiologia humanas. Ano desconhecido. Disponível em: <http://www.afh.bio.br/sustenta/Sustenta4.asp>. Acesso em: 30 Mai. 2014.

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/FisiologiaAnimal/sustentacao6.php
Figura 2: http://rosivaldounir.blogspot.com.br/2013_04_01_archive.html
Figura 3: http://efeebimt.blogspot.com.br/
Figura 4: http://www.afh.bio.br/sustenta/Sustenta4.asp
Figura 5: http://zootecniablogs.blogspot.com.br/2013/03/partes-musculares-dobovinos.html
Figura 6: http://cafepasa.blogspot.com.br/2013/01/a-carne-bovina.html

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Comparando e descobrindo os sistemas esquelético e articular

Esta semana o tema é sobre a comparação anatômica e fisiológica dos Sistemas Esquelético e Articular!

Uma comparação entre o esqueleto humano e das aves: ênfase no esterno
Muito se conhece sobre os sistemas esquelético e articular humano, contudo há poucos trabalhos que os comparam com os sistemas das aves. Avaliando esses sistemas percebemos que existem algumas semelhanças entre ossos e articulações de humanos e aves, porém há também algumas diferenças pontuais que beneficiam cada um desses organismos. O esqueleto humano atua como uma carcaça do corpo, dando suporte aos tecidos moles e promovendo pontos de fixação para a maioria dos músculos, desempenhando uma ação importante na determinação do tipo e extensão do movimento que o corpo é capaz de fazer. Além disso, o esqueleto protege os órgãos internos, estoca e produz mineral, e é o local onde ocorre a hematopoiese, especificamente na medula óssea (Fig. 1).

 
                                                  Figura 1. Esqueleto humano.

Os tecidos conjuntivos flexíveis formam as articulações que unem os ossos, permitindo algum grau de movimento. As articulações são classificadas quanto a estrutura e a função, podendo ser fibrosas (suturas, sindesmose e gonfose), constituídas de tecido conjuntivo fibroso; cartilaginosas (sincondrose e sínfise), constituídas de cartilagem hialina ou fibrocartilagem; e sinoviais, formadas por elementos constantes e inconstantes. A estabilidade articular funcional é uma condição necessária para realizar movimentos coordenados durante a vida diária. Dentre os vários fatores que determinam essa estabilidade, destaca-se a harmonia entre as superfícies articulares.
         O esqueleto das aves possui leveza e resistência, sendo a primeira garantida graças ao processo de pneumatização dos ossos por extensões dos sacos aéreos. Um exemplo é o úmero, principal osso pneumático nas aves. O grau de pneumatização está diretamente relacionado com a eficiência do voo das aves. Já a resistência, é alcançada pela fusão e supressão dos ossos e a presença de um elevado conteúdo mineral, tornando os ossos mais duros (Fig. 2).

                     Figura 2. Esqueleto das aves.

Em relação a articulação, o maxilar é móvel em relação à abobada craniana, movimentando-se para cima e para baixo por meio da articulação nasofrontal. Esta mobilidade é atingida graças à articulação conjunta do arco zigomático, palatino, pterigoide e quadrado. A articulação do carpo está representada pelo carporradial e ulnar do carpo. A maioria dos ossos das aves desenvolve-se a partir de um modelo cartilaginoso por meio do processo de ossificação endocondral.


                                  Figura 3. Comparação dos ossos do tórax de aves e humanos.
                                  A: esterno quilha de aves voadoras; B: localização do esterno humano.

As aves adaptadas ao voo apresentam diferenças na anatomia do esterno, conhecido como esterno quilha ou esterno quilhado. Apresenta a face visceral um pouco côncava e possui diversos forames pneumáticos, através dos quais bolsas de ar dos sacos aéreos se incluem no osso. Na linha média da sua porção externa, que é ligeiramente convexa, apresenta a crista esternal, ou quilha (Fig. 3A), formando uma extensa área de inserção dos principais músculos do voo, os músculos peitorais.
Já em seres humanos, “o esterno é um osso plano e estreito” (TORTORA. G. J, DERRICKSON. B, 2012, p. 144). É constituído de três partes, uma superior conhecida como manúbrio, a mediana, corpo do esterno e a extremidade inferior, conhecida como processo xifóide (Fig. 3). Assim como nas aves, as costelas estão ligadas ao esterno e as vértebras, formando uma “caixa” de proteção aos órgãos internos.


CURIOSIDADE!
Você sabia que os equinos possuem 7 vértebras cervicais, 18 torácicas, 6 lombares, 5 sacrais e 15 a 20 caudais, enquanto os humanos possuem 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccigeanas? 

Uma comparação entre articulação equina e humana
Como nos seres humanos, o esqueleto de um equino possui a mesma função, suportando os músculos e os órgãos internos e dando sustentação; no caso desses animais, mobilidade suficiente devido suas articulações. As articulações são formadas por ossos, que são cobertos por cartilagem e são ainda constituídas por uma cápsula que produz um lubrificante sinovial e por ligamentos que seguram os ossos (Fig. 4). Do mesmo modo como se pode ver na articulação em humanos (Fig. 5).

                                                                 


                                                 Figura 4. Articulação do joelho de equino.
                                                 A: radiografia; B: ligamentos internos, vista posterior; 
                                                 C: cápsula de articulação; D: ligamentos, vista lateral.
 
    Figura 5. Articulação do joelho humano,
vista posterior e lateral (radiografia).


No cavalo o esqueleto se adapta a sua estrutura. Por exemplo, crânio alongado dá espaço para os dentes enquanto que as órbitas estão posicionadas de maneira a que o ângulo da visão do cavalo seja amplo (Fig. 6), podendo aperceber-se dos perigos durante a pastagem.

                                   Figura 6. Esqueleto de equino.



Escrito por: Adriele Cristina e Priscila Ferrari


REFERÊNCIAS CONSULTADAS
ARNAUT, S. A. Estudo radiográfico das afecções do sistema esquelético de aves, São Paulo, 2006, p. 24-26.
FONSECA, S. T., OCARINO, J. M.e SILVA, P. L. Ajuste da rigidez muscular via sistema fuso-muscular gama: implicações para o controle da estabilidade articular, Revista Brasileira de Fisioterapia,v. 8,n. 3, p. 187-195, 2004.
OLIVEIRA, T. Instituição desconhecida. Mundo dos Animais. 2014. Disponível em: <http://www.mundodosanimais.pt/animais-de-quinta/anatomia-cavalo/> Acesso em: 24 Mai. 2014.
ROMEU, R. Osteologia das aves. Universidade de Évora, Departamento de Zootecnia, Lisboa, 2011.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana básica. 2ª ed. Tradução: Edson Aparecido Liberti, São Paulo: Manole, 1991.
TORTORA, G. J., DERRICKSON. B, Corpo Humano: Fundamentos de Anatomia e Fisiologia, Editora Artmed, 2012, 8ª Edição, Porto Alegre, p. 144. 

FONTE DAS IMAGENS
Figura 1: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/FisiologiaAnimal/sustentacao3.php
Figura 2: http://www.mailxmail.com/curso-observacion-identificacion-aves/esqueleto
Figura 3A: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quilha_(aves)
Figura 3B: http://ynersiamentau.blogspot.com.br/2014/04/sistema-esqueletico.html
Figura 4 A-B, D: http://pt.scribd.com/doc/7677515/Anatomia-de-Cavalos
Figura 4C: http://pt.wikipedia.org/wiki/ligamento_cruzado_anterior
Figura 5: http://pt.dreamstime.com/(Raio X da articulação do joelho, vista lateral)
Figura 6: http://pt.scribd.com/doc/7677515/Anatomia-de-Cavalos