quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Coração humano e dos Dipnoicos – Os Peixes Pulmonados

Os vertebrados possuem duas subdivisões no sistema circulatório: o sistema cardiovascular que basicamente consiste na condução do tecido sanguíneo e; o sistema linfático que transporta a linfa. O cardiovascular é composto por coração; artérias e arteríolas; veias, vênulas e capilares, já o sistema linfático é constituído de vasos linfáticos (troncos, vasos e capilares) e órgãos linfóides.
Segundo HILDEBRAND E MILTON:

“Os vertebrados, sendo grandes e volumosos, possuem o sistema circulatório mais derivado do reino animal. Ele funciona no transporte de gases respiratórios, nutrientes, resíduos metabólicos, hormônios e anticorpos. Serve (em conjunto com os rins e alguns outros órgãos) para manter o ambiente interno. Remove substâncias tóxicas e patogênicas do corpo, e pode funcionar (junto a músculos, o tegumento e o comportamento) na regulação térmica. Além disso, ele tem a capacidade de reparar ferimentos, compensar danos e responder com extraordinária versatilidade aos diferentes requisitos do momento” (pág. 243; 2006).

O coração dos Humanos
        Localizado no mediastino, na cavidade do pericárdio, o coração dos humanos é composto por musculatura estriada cardíaca (miocárdio); dividido em base (porção que é constituída pelos átrios direito e esquerdo; câmaras de recepção) e ápice (região composta pelos ventrículos direito e esquerdo, câmaras de expulsão); envolto externamente pelo pericárdio fibroso (membrana de revestimento superficial com tecido conjuntivo denso) e internamente pelo pericárdio seroso (membrana de revestimento interno composta pela lâmina parietal e a lamina visceral). O órgão também possui faces, margens e sulcos que objetiva facilitar a localização de suas estruturas:
Face esternocostal:  anterior ao osso esterno e as costelas;
Face diafragmática:  superior ao diafragma;
Margem direita:  voltado ao pulmão direito;
Margem esquerda: voltado ao pulmão esquerdo;
Sulcos coronário: aprofundamento na superfície por onde passa as artérias coronárias.
Sulco interventricular anterior: aprofundamento na superfície por onde passa as veias anteriores do ventrículo direito e veias interventriculares.
Sulco interventricular posterior: aprofundamento por onde passa a veia cardíaca parva e magna.
        A contração do coração se dá pela emissão de correntes elétricas produzidas pelo nó sinoatrial e o nó atrioventricular através de suas células especializadas.
          Como dito anteriormente o coração é composto por câmaras de recepção e expulsão, com isso:
           O átrio direito recebe sangue da veia cava superior, veia cava inferior e o seio coronário. Apresenta uma musculatura menos desenvolvida (músculos pectíneos) e é separado internamente do átrio esquerdo pelo septo interatrial.
           O ventrículo direito apresenta, no seu interior, musculatura bem desenvolvida (trabéculas cárneas) comparado aos átrios, e há uma valva atrioventricular (valva tricúspide) que está sendo suportada pelas cordas tendíneas. Estas cordas conectam à tricúspide e as trabéculas cárneas pelos músculos papilares; o sangue será expulso até a pela artéria pulmonar direita e conduzido para os pulmões.
           O átrio esquerdo recebe sangue das veias pulmonares esquerda e apresenta a mesma musculatura do átrio direito; é separado do ventrículo esquerdo pela valva atrioventricular esquerda (bicúspide ou mitral) que estão fixadas pelas cordas tendíneas e os músculos papilares.
          O ventrículo direito apresenta, também, no seu interior, trabéculas cárneas, porém a musculatura é bem mais desenvolvida se for comparada ao ventrículo direito e os átrios. O ventrículo esquerdo é separado internamente do ventrículo direito pelo septo interventricular. Quando o ventrículo esquerdo recebe o sangue do átrio esquerdo será expulso através da contração de sua musculatura para a artéria aorta e distribuído para o corpo.
  




 Figura 1) Representação esquemática do coração humano. 
Fonte: TORTORA, GERARD J.; NIELSEN, MARK T. Princípios de Anatomia Humana SÃO PAULO, 12ª ED. EDITORA GUANABARA-KOOGAN, (pag:503, 2012).


O Coração dos Dipnoicos – Os Peixes Pulmonados
         Os peixes pulmonados apresentam,também,  respiração branquial. Nessa classe de peixes o pulmão é facultativo, ou seja, dependendo da necessidade de oxigenação do organismo e ausência do gás pela indisponibilidade de água nas brânquias. Com isso o pulmão é ativado e o coração começa a realizar pulsação, possibilitando que o sangue chegue até o órgão e dando início a respiração pulmonar; o mesmo é visto em anuros, mas nesse caso a troca de gás oxigênio é realizado através da pele, já que não apresentam brânquias respiratórias na vida adulta.
De acordo com HILDEBRAND E MILTON (2006):

“O átrio dos DIPNOI é parcialmente dividido em um septo interatrial em câmaras direita e esquerda. O sangue venoso libera sangue não oxigenado para a câmara direita e as veias pulmonares fornecem sangue oxigenados para a câmara esquerda. O ventrículo é parcialmente dividido por um grande músculo, o septo interventricular. O cone, que é grande e não mais contrátil, também é parcialmente dividido por uma válvula espiral ou aba de tecido ancorada na parede do cone ao longo de uma via em espiral. Normalmente a maior parte do sangue não oxigenado é enviado para o quinto e sexto arcos aórticos que levam o sangue para as brânquias e aos pulmões. O sangue oxigenado vai para o terceiro e quarto arcos, que o enviam ao corpo” (pág. 244).





Figura 2) Representação esquemática do coração de um Dipnoi. 
Fonte: HILDEBRAND, M. & GOSLOW, G.E. Análise da estrutura dos vertebrados. 2. ed. São Paulo: Atheneu Editora, (pág. 244;2006)



Escrito por Eriks Oliveira



Referências bibliográficas
HILDEBRAND, M. & GOSLOW, G.E. Análise da estrutura dos vertebrados. 2. ed. São Paulo: Atheneu Editora, 2006.

TORTORA, GERARD J.; NIELSEN, MARK T. Princípios de Anatomia Humana. São Paulo, 12ª ed. Editora Guanabara-Koogan, 2012.

terça-feira, 27 de junho de 2017

A Fisiologia Da Visão De Humanos X Visão De Gatos

A informação visual sempre teve papel fundamental em diferentes aspectos nos comportamentos dos animais, sendo um fator que levou a diferentes adaptações de acordo com sua necessidade nas diferentes classes de animais, o que demonstra seu papel evolutivo no decorrer de gerações. A visão tem diferentes especificidades de acordo com o papel daquele animal na natureza, sendo, por exemplo, como predador e presa, onde normalmente, presas têm visões mais periféricas e predadores visões mais centradas, além das diferentes capacidades de dilatação da pupila e rotação do globo ocular, o que confere vantagens em suas respectivas sobrevivências. As espécies também diferenciam-se, na capacidade visual, em reconhecer os diferentes espectros eletromagnéticos das faixas de comprimento de onda definidos pela luz emitida (Figura 1). Essas diferenças na captação de luz são de extrema importância no ecossistema como um todo, sendo possível identificar essa importância em animais polinizadores, por exemplo, como em algumas aves, que enxergam cores vibrantes como vermelho e amarelo, polinizando flores coloridas; abelhas enxergam a luz ultravioleta, melhor refletida em flores brancas e morcegos enxergam mal, portanto polinizam flores sem cores muito chamativas. Portanto, vemos que a visão desempenha função essencial no equilíbrio ecológico da natureza, influenciando em todos os nichos.

Figura 1: O espectro eletromagnético. Fonte: AIRES, 2015, p. 310.

Algumas especificidades nas estruturas oculares da visão também podem diferenciar animais em noturnos ou diurnos, como veremos a seguir no exemplo dos seres humanos, que são animais diurnos e os gatos, animais noturnos, mais especificamente, crepusculares, o que significa que são ativos ao amanhecer e entardecer.
O aparelho da visão é formado por um par de globos oculares, os olhos.  O olho composto é, basicamente, constituído por um sistema de lentes, com características bem específicas, como um sistema automático de focalização, diferenciando eficientemente o foco em objetos próximos e distantes; a íris, que controla a luminosidade que entra no olho e a eficiência de operação, possibilitando a capacidade de enxergar em ambientes com muita ou pouca luz (OKUNO; CALDAS; CHOW, 1982).
Os olhos são formados por três principais camadas: fibrosa (córnea e esclera), vascular (coróide, íris e corpo ciliar) e nervosa (retina), além dos meios de refração da luz: humor aquoso, humor vítreo e cristalino. Em detalhes, estes elementos oculares são (Figura 2):
·         Esclera, que é uma camada externa que protege o globo ocular;
·         Coróide, que é camada que localiza-se internamente à esclera e contem vasos sanguíneos, sendo responsável pela nutrição das estruturas oculares;
·         Córnea, responsável por dois terços da focalização da luz na retina;
·         Humor Aquoso, que mantém a pressão do olho em 15mmHa, fornecendo nutrientes à córnea e ao cristalino (que não são vascularizados)
·         Íris, composto por músculos cirulares e radiais que ao se contraírem ou distenderem, diminuem ou aumentam o tamanho da abertura – a pupila – por onde a luz entra, controlando, portando a quantidade de luminosidade que penetra no olho;
·         Cristalino, que funciona como a lente do olho, responsável pelo terço restante da focalização da luz na retina, constituído de fibras transparentes e envolto por membrana clara e elástica, e os ligamentos que o ligam aos músculos ciliares podem alterar sua forma, aumentando sua capacidade de desviar os raios luminosos;
·         Humor vítreo, que é uma substância clara e gelatinosa que preenche o espaço entre o cristalino e a retina, mantendo os raios luminosos no curso estabelecido pela lente;
·         Retina, que contém os fotorreceptores e circuitos neurais envolvidos no processamento inicial da informação visual, onde ocorre, portanto, a conversão da imagem luminosa em impulsos elétricos nervosos, que serão enviados ao cérebro e lá processados. Cobre quase toda a superfície interna do olho e é extremamente sensível à luz.


Figura 2: Secção sagital do olho humano. Fonte: OKUNO, 1982, p. 271.

Na retina há dois tipos de fotorreceptores, os cones e os bastonetes, sendo os cones, estruturas bulbiformes, responsáveis pela visão detalhada à luz do dia, com percepção de cor, e os bastonetes, com forma reta e delgada, responsáveis pela visão quando a luz está fraca, detectando tons de cinza, e pela visão periférica. Em humanos, existem cerca de 6,5 milhões de cones e 120 milhões de bastonetes em cada olho, sendo 10 vezes mais cones que em gatos, em contrapartida de 6 a 8 vezes menos de bastonetes.
A estrutura ocular citada é basicamente a mesma entre humanos e gatos, o que se diferencia entre ambos, principalmente, é a retina. Gatos possuem uma concentração contrária à quantidade de cones e bastonetes em humanos, possuindo mais bastonetes que cones, e tendo um campo de visão maior que os humanos (gatos enxergam 200º e humanos 180º), portanto possuem a capacidade de ver os limites do próprio campo visual sem a necessidade de girar a cabeça, o que auxilia na caça. A acuidade visual é notavelmente diferente também, onde a nitidez e clareza da visão para um humano é de 20/20 e de um gato é entre 20/100 e 20/200, ou seja, gatos precisam estar a 2 metros para ver o que um humano vê a 100 ou 200 metros, portanto a visão felina a certas distâncias de um objeto é mais embaçada que a de um humano, isso se dá devido ao músculo ciliar dos gatos ser pouco desenvolvido, o que não permite a acomodação ideal do cristalino para a focalização perfeita do objeto, principalmente a longas distancias.
Humanos e gatos são tricomatas, o que significa que possuem três tipos de cones para a percepção das cores azul, vermelho e verde, entretanto, a visão de gatos relacionada às cores se assemelha a visão de um humano daltônico (embora não sejam daltônicos), pois eles vêm sombras de azul e verde, e o vermelho e o rosa se misturam para eles, podendo se parecer com verde e o roxo com azul, portanto podem distinguir o azul, verde, amarelo e violeta, mas não o vermelho, laranja e marrom. A elevada percepção de cores percepção de cores pelos humanos é devido à alta concentração de cones na área da fóvea, que é a concentração máxima de cones na região central da retina em uma pequena depressão, gatos não possuem a fóvea, mas também na região central da retina possui mais cones que no restante dos olhos, mas também elevada quantidade de bastonetes, o que permite identificar objetos que se movem muito rapidamente (como roedores, suas principais presas), o que em humanos é o contrário, podemos identificar objetos que se movem muito lentamente (que para os gatos estariam aparentemente parados). A saturação das imagens para gatos é mais negativa que para os humanos, vendo as coisas mais aproximadas a tons de sépia. Gatos são predadores e possuem uma habilidade específica para identifica a presa na caça e captura da mesma, que é a melhor visualização e foco de objetos mais próximos que distantes, logo, sua visão é como de míopes, não conseguindo identificar objetos distantes, porém são melhores com objetos próximos. Devido a seu alto número de bastonetes, conseguem enxergar muito bem no escuro, sem riqueza de cores porem com uma habilidade maior que os humanos, enxergando com 1/6 da quantidade de luz mínima que um humano necessita para enxergar, sendo de 6 a 8 vezes melhor. Os gatos possuem uma estrutura – camada de células – atrás da retina chamada tapetum lucidum (tapete lúcido), que melhora ainda mais a visão noturna, além dos bastonetes, as células do tapetum lucidum funcionam como um espelho, que reflete a luz que passa pelos bastonetes e cones de volta para os mesmos, dando aos fotorreceptores outra oportunidade para captar quantidades ínfimas de luz, e é graças a esse tapetum, que por ser como um espelho, o olho dos gatos brilha no escuro, porém, essa camada de células atua negativamente na nitidez da visão, pois uma vez que auxilia aumentando a capacidade de visão noturna, reduz a acuidade visual em condições de intensa luminosidade por aumentar ainda mais a quantidade de luz que pode ser captada pela retina, e o que compensa isso são suas pupilas de forma elíptica que dilatam-se muito na escuridão e fecham-se quase completamente quando a luz é muito forte. Gatos também possuem córneas maiores, proporcionalmente falando, que de humanos, o que auxilia na luz refletida pelo tapetum.
Além dessas características que são comparadas de forma um pouco diferenciada em cada um, gatos (dentre outros animais) possuem uma capacidade na visão que humanos não possuem, que é a captação de raios ultravioletas, forma de luz invisível aos humanos devido a nossa estrutura ocular que impede que estes cheguem à retina, possivelmente o cristalino filtra essa luz. E é esta característica que faz com que sua visão seja menos nítida que a nossa.
Abaixo, imagens comparando a visão humana e felina nos diferentes aspectos explicados a cima, todas criadas pelo Nickolay Lamm do Animal Eye Institute, que consultou três especialistas (Kerry L. Ketring, Dr. DJ Haeussier e o grupo oftalmológico da Penn Vet) para a realização do projeto que resultou nas imagens.  

Figura 3: Campo de Visão (180º X 200º). Fonte: Nickolay Lamm.


Figura 4: Acuidade visual: Humana X Felina. Fonte: Nickolay Lamm.

Figura 5: Cores. Fonte: Nickolay Lamm.


Figura 6: Saturação. Fonte: Nickolay Lamm


Figura 7: Distância. Fonte: Nickolay Lamm.

Figura 8: Visão noturna de Humanos e Gatos. Fonte: Nickolay Lamm.

Escrito por Larissa Fernandes



REFERÊNCIAS
CIÊNCIA-ONLINE. Visão Felina: Como os gatos vêm o mundo. 2013. Disponível em: <http://www.ciencia-online.net/2013/10/visao-felina-como-os-gatos-vem-o-mundo.html>. Acesso em: 23 jun. 2017.
FREITAS, Elaine Bernardino et al. ESTUDO COMPARATIVO DE RETINAS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS E SERES HUMANOS – REVISÃO DE LITERATURA. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, Garça/pr, v. 11, n. 17, jul. 2011. Semestral. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/site/>. Acesso em: 23 jun. 2017.
Gatinho Branco. Eles realmente vêem coisas que nós não vemos. 2014. Disponível em: <http://gatinhobranco.com/?p=1525>. Acesso em: 21 jun. 2017.
LABATUT. Como gatos e cães enxergam? 2012. Disponível em: <http://www.labatutveterinaria.com.br/index.php/artigos/72-como-caes-e-gatos-enxergam-outubro>. Acesso em: 22 jun. 2017.
LAMM, Nickolay. Olhos de caçador: como os gatos vêem? 2014. Disponível em: <http://gatinhobranco.com/?p=929>. Acesso em: 21 jun. 2017.
MELLO, Margarida de Aires et al. Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. 1335 p.
OÁSIS, Equipe. Visão de gato: ver o mundo com os olhos de um felino. 2013. Disponível em: <https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/121256/Visão-de-gato-Ver-o-mundo-com-os-olhos-de-um-felino.htm>. Acesso em: 21 jun. 2017.

OKUNO, Emico; CALDAS, Iberê L.; CHOW, Cecil. Física para ciências biológicas e biomédicas. São Paulo: Harbra Ltda., 1982. 489 p.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O coração humano e os múltiplos corações dos Cephalopodes

O sistema circulatório humano é fechado, ou seja, a circulação do sangue ocorre somente através de vasos sanguíneos, sendo constituído pelo coração, artérias, veias e capilares, que apresentam uma rica vascularização do corpo, garantido eficiência nas trocas gasosas e de nutrientes.

O coração é formado por quatro câmaras, duas receptoras denominadas átrios e duas de bombeamento, os ventrículos. Onde o conjunto do átrio e o ventrículo direito são responsáveis por irrigar o pulmão e o esquerdo por irrigar todos os sistemas. A circulação do sangue no corpo ocorre da seguinte maneira: as veias pulmonares levam o sangue oxigenado para o átrio esquerdo, que, através da valva atrioventricular esquerda, chega até o ventrículo esquerdo, o qual lança na aorta e nas artérias sistêmicas, irrigando todo o corpo com o sangue oxigenado, o sangue é, então, devolvido para o coração, através da veia cava superior, inferior e o seio coronário, que juntos lançam o sangue no átrio direito, que, através, da valva atrioventricular direita envia para o ventrículo direito, que, pelo tronco pulmonar e as artérias pulmonares, irrigam os pulmões com o sangue venoso para que se oxigene novamente para retornar para o sistema.





Figura1. Sistema circulatório humano
Disponível em: http://biologiapontal.blogspot.com.br/2015/09/comparando-os-sistemas-circulatorios.html

Nos Cephalopodes (polvos e lulas), assim como nos humanos, a circulação é fechada, porém o sistema circulatório é complexo, sendo constituído por um coração sistêmico, dois corações branquiais, além de capilares e artérias contráteis, o que permite uma circulação eficiente, tornando-os capazes de serem predadores ágeis, capazes de locomover em grandes velocidades e atingirem grandes comprimentos.
O coração sistêmico é formado por um par de átrios e um único ventrículo central, sendo todos contráteis, que juntamente com as contrações dos corações sistêmicos permitem a circulação do sangue por todo o corpo do animal. A circulação sanguínea nos Cephalopodes (lulas e polvos), irá ocorrer da seguinte forma: o vaso branquial eferente manda o sangue oxigenado das brânquias até os átrios do coração sistêmico, onde é bombeado para o ventrículo, que, através das artérias laterais e medianas do manto, levam o sangue oxigenado para a cavidade do manto e, por meio da artéria anterior ou cefálica, conduzindo para a cabeça do animal e após realizar as trocas gasosas retorna pobre em O2 pelas veias posteriores e anterior ou cefálica, até os corações branquiais, onde o sangue será bombeado novamente nas brânquias através do vaso branquial aferente, a fim de ser oxigenado novamente e retornar para o sistema.



Figura 2. Sistema circulatório dos cephalópodes.  
Fonte: Moyes & Schulte. 2010

Apesar das diferenças observadas os dois sistemas podem ser facilmente comparados, de forma com que o lado direito do coração humano atua da mesma forma que os corações sistêmicos, irrigando os órgãos respiratórios e o lado esquerdo, como o coração sistêmico, irrigando todos os sistemas do corpo, porém nos humanos os dois lados apresentam-se grudados, mas sem apresentar uma importância para o funcionamento do sistema.

Escrito por Pâmela Oliveira. 



Referencias:
ZOOLOGIA: Filo Mollusca. Filo Mollusca. Disponível em: <http://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/biologia/MARIACELIAPORTELLA/4t.-mollusca-2014.pdf>. Acesso em: 02 jun. 2017.
DUARTE, Michelle. Sistema Circulatório. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/sistema-circulatorio/>. Acesso em: 03 jun. 2017.
CLASSE Cephalopoda. Disponível em: <http://simbiotica.org/cefalopoda.htm>. Acesso em: 01 jun. 2017.
SALES, Lucas. Mollusca & Annelida. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA8mYAK/mollusca-annelida>. Acesso em: 01 jun. 2017.
BRUSCA, Richard C.; BRUSCA, Gary J. Invertebrados. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 968p
HICKMAN, Cleveland P.Princípios integrados de zoologia. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
TORTORA, Gerard J.. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4. ed. Artmed, 2001.
RIBEIRO-COSTA, Cibele S.; ROCHA, Rosana Moreira da. Invertebrados: Manual de Aulas Práticas. 2. ed. Ribeirão Preto: O Holos, 2006. 271 p.
RUPPERT, Edward E.; FOX, Richard S.; BARNES, Robert D.. Zoologia dos invertebrados: Uma abordagem funcional-evolutiva. 7. ed. São Paulo: Roca, 2005.

domingo, 28 de maio de 2017

Capacidade rotacional do pescoço: ser humano x coruja de celeiro

A região cervical da coluna vertebral em seres humanos é composta por sete vértebras cervicais e a interação dessas vértebras com os tecidos adjacentes, posição de nervos, veias, artérias e da morfologia das próprias vértebras e demais arranjos estruturais permitem com que os humanos consigam rotacionar sua cabeça em até 180°.

            Todas possuem um forame vertebral e dois forames transversos (por onde passam as artérias, veias e fiibras nervosas). O diâmetro do forame vertebral não detém alterações morfologias que facilitem o movimento de rotação. Adicionalmente, os forames transversos por onde passam os vasos sanguíneos se situam relativamente afastados da região central (das vértebras), facilitando a ocorrência de lesões com movimentos de rotação abruptos. 



             
 Figura 1 – Vértebra cervical
Disponível em: < http://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-esqueletico/coluna-vertebral/caracteristicas-individuais/> Acesso em 11 mai. 2017.




Figura 2 - Pescoço humano
Disponível em: <https://pt.slideshare.net/blendaneiva/artrologia-17870132>. Acesso em: 25 mai. 2017.


Figura 3 – Coluna cervical
Disponível em:< http://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-articular/diartroses/articular-coluna-vertebral/>. Acesso em: 25 mai. 2017.

A movimentação da cabeça é dependente de inúmeros fatores, como pôde ser constatado pela anatomia humana. Entretanto, a morfofisiologia da coruja de celeiro (Tyto furcata pratincola) a permite rotacionar sua cabeça em até 270°, um feito impensável para o ser humano. Para que tal mobilidade cervical seja possível, quatro critérios importantes devem ser levados em consideração: O diâmetro do canal vertebral, a protrusão da zigapófise, a distância entre as regiões de articulação das vértebras e a localização de suas artérias.

Figura 4 – Barn owl
                            Disponível em:< https://gifts.worldwildlife.org/gift-center/gifts/species-adoptions/barn-owl.aspx> Acesso em 11 mai. 2017.

A coruja possui quatorze vértebras cervicais, alinhadas em forma de “S”, e seu canal vertebral possui um formato elíptico. A região central da cérvice apresenta um menor diâmetro quando comparada com as regiões caudal e cranial, que apresentam um diâmetro maior, ou seja, não é totalmente preenchida com a coluna espinal, conferindo um importante espaço para a proteção da medula. Durante o movimento de rotação o espaço adicional conferido pela morfologia elíptica é reduzido, de modo que o diâmetro médio lateral de seu canal vertebral é utilizado, ajustando-se à coluna espinal, conferindo um importante espaço para a proteção da medula e, consequentemente, maior liberdade de movimento.




Figura 5 – Região cervical
                              Disponível em:< http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0091653> Acesso em: 11 mai. 2017.




A zigapófise, articulação sinovial cuja função é articular uma vértebra a outra, é o segundo critério para se entender a mobilidade cervical. Em contraste com o diâmetro do canal vertebral a protrusão das zigapófises são maiores na região mediana da cérvice do que nas porções caudal e cranial. Essa característica reduz sua mobilidade, porém, essa redução é compensada pelo seu pescoço em forma de “S”.
                        As vértebras C13 e C14 não dispõem de forame transverso e o mesmo, presente no restante das vértebras cervicais, possui um espaço maior para a passagem das artérias, além de estarem mais próximas da coluna vertebral, diminuindo os danos associados ao movimento de rotação.


Escrito por Gustavo Siconello



Referências Bibliográficas

KRINGS, M. et al. The Cervical Spine of the American Barn Owl (Tyto furcata pratincola): I. Anatomy of the Vertebrae and Regionalization in Their S-Shaped Arrangement. 2014. Disponível em: <http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0091653>. Acesso em: 11 maio 2017.

SALVADOR, S. Revelado segredo da rotação do pescoço das corujas. 2013. Disponível em: <http://www.dn.pt/ciencia/interior/revelado-segredo-da-rotacao-do-pescoco-das-corujas-3028914.html>. Acesso em: 11 maio 2017.

TORTORA, G. J.. Princípios de Anatomia Humana: Coluna Vertebral. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.a., 2007.




Peculiaridades das Respirações Pulmonares: a respiração de cetáceos e humanos

O sistema respiratório humano é dividido em duas porções, a condutora e a respiratória. A porção condutora filtra, umedece e aquece o ar antes que ele chegue aos pulmões e é composta por nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios e bronquíolos terminais. Localizada no interior dos pulmões fica a porção respiratória que é composta por ductos alveolares, sacos alveolares, alvéolos e os bronquíolos respiratórios onde ocorrem as trocas gasosas.



           

 Figura 1. Sistema respiratório humano

            Os cetáceos, assim como os humanos, possuem respiração pulmonar e, por serem grupos relativamente próximos, ambos mamíferos homeotérmicos, possuem muitos elementos anatômicos em comum, como a laringe, a traqueia e o próprio pulmão. Uma das principais diferenças estruturais é o espiráculo, que fica localizado na parte mais alta da cabeça dos cetáceos, homólogo ao nariz. Este orifício respiratório se mantêm fechado enquanto o animal esta submerso, para evitar entrada de água. Quando a baleia emerge para respirar, este orifício se abre para absorver oxigênio e para liberar o CO2, que está quente e úmido. Quando liberado, esse ar acaba se condensando quando entra em contato com a atmosfera, o que forma uma grande quantidade de gotículas formando uma coluna de água, bastante reconhecível.




  Figura 2. Sistema respiratório dos cetáceos


Figura 3. Espiráculo

            A grande diferença funcional entre os sistemas é a grande capacidade dos cetáceos de ficarem submersos em grandes profundidades durante grandes períodos de tempo. Esses mamíferos aquáticos conseguem vencer muitas dificuldades que a falta de oxigênio traz, a longo prazo, para o corpo, como o fornecimento de oxigênio para todos os tecidos, o acumulo de dióxido de carbono no sangue, e, por consequência a alteração no pH sanguíneo decorrente do acumulo de dióxido de carbono no sangue. Durante o mergulho os animais entram em apnéia, que é a ausência de respiração; braquicardia, diminuição da frequência cardíaca; a constrição dos vasos periféricos, reduzindo o consumo de oxigênio de tecidos como a pele e a musculatura, aumentando o suprimento de sangue para os órgãos vitais.             
Um ser humano não poderia realizar esse feito, pois não tem controle sobre seus batimentos e seus vasos, e mesmo que possa prender a respiração por um determinado tempo, quando as concentrações de CO2 e H+ começam a se elevar o centro respiratório do encéfalo enviam impulsos estimulando a área inspiratória e forçando a respiração. Então mesmo que uma pessoa consiga prender a respiração durante tempo o suficiente para ficar inconsciente sua respiração ira voltar a ocorrer involuntariamente.  



Escrito por Gabriela Eliza Santos



Referências Bibliográficas

BARRETO, A. Apostila de Nectologia: Mamíferos Marinhos. 2011. 24 f. Monografia (Especialização) - Curso de Oceanografia, Cttmar/univali, Vale do Itajai, 2011. Disponível em: <http://www.zoo.ba.gov.br/wp-content/files/apostila_mamiferos_marinhos.pdf>. Acesso em: 23 maio 2017.

FERRAZ, N.C. C. Adaptações fisiológicas dos mamíferos mergulhadores. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABJBMAB/adaptacoes-fisiologicas-dos-mamiferos-mergulhadores>. Acesso em: 23 maio 2017.


PROJETO BALEIA JUBARTE. A Baleia Jubarte. Disponível em: <http://www.baleiajubarte.org.br/projetoBaleiaJubarte/leitura.php?mp=aBaleia&id=81>. Acesso em: 23 maio 2017.

 RESPIRAÇÃO da Baleia. Disponível em: <http://animais.culturamix.com/curiosidades/respiracao-da-baleia>. Acesso em: 23 maio 2017.

TORTORA, G.J.; NILSEN, M.T.. Sistema Respiratorio. In: TORTORA, Gerard J.; NILSEN, Mark T.. Principios de Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda, 2013. Cap. 23. p. 835-865.

Imagem1: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/sistema-respiratorio.htm
Imagem 2:http://cedoxidos.blogspot.com.br/2010/10/cetaceos.html
Imagem 3: http://www.culturamix.com/cultura/curiosidades-sobre-baleias/

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Estrutura do Crânio: Humanos e Equinos

1.      Humanos

Segundo Tortora (2012), o crânio humano é localizado no topo da coluna vertebral, e é dividido em dois conjuntos de ossos: cranianos e faciais. São oito ossos cranianos, que protegem o encéfalo: um osso frontal, 2 ossos parietais, 2 ossos temporais, 1 osso occipital, 1 osso esfenoide e 1 osso etmoide. E catorze ossos faciais: 2 ossos nasais, 2 ossos maxilares, 2 ossos lacrimais, 1 osso mandibular, 2 ossos palatinos, 2 ossos zigomáticos, 2 conchas nasais inferiores e o vômer.

Ainda segundo Tortora (2012), os ossos cranianos são mantidos unidos por suturas, uma articulação fibrosa imóvel.
 Figura 1. Ossos do crânio humano, em uma vista lateral. Lembrando que, o osso hioide mostrado no modelo, não compõe os ossos do crânio humano.

Figura 2. Ossos do crânio humano em vista anterior.


1.      Equinos

De acordo com Liebich    e König (2016), a forma cranial dos equinos, é determinada de forma geral pela idade, gênero e raça do animal. O crânio é dividido em faces lateral, dorsal, nucal, basal e externa:
·         A face nucal do crânio é composta pelas partes escamosa e lateral do osso occipital;
·         A face dorsal do crânio pode ser dividida em uma região cranial e uma facial. A região cranial é formada pela porção escamosa do osso occipital, pelos ossos parietal, interparietal e o osso frontal. Já a região facial, é formada pelos ossos nasais, unidos lateralmente pelos ossos da maxila e pelos processos nasais do osso incisivo;
·         A face lateral é composta pela maxila e pelos ossos, incisivo, lacrimal, nasal e zigomático;
·         A face basal consiste da base do crânio, das coanas e o palato;
·         A face externa é o limite do crânio onde o mesmo se liga as vértebras.



Figura 3. Vista lateral esquerda do crânio de um equino jovem. 1-Osso incisivo. 2- Osso nasal. 3- Osso Maxilar. 4- Osso Zigomático. 5- Osso lacrimal. 6- Osso Frontal. 7- Osso Parietal. 8- Osso Interparietal. 9- Osso occipital. 10- Condilo Occipital. 11- Parte escamosa do osso temporal. 12-Parte timpânica do osso temporal. 13- Meato acústico externo. 14- Processo paracondilóide. 15- Arco Zigomático. 16- forame intraorbital. 17- forame suprorbital. 18- Forame mental. 19- Primeiros incisivos. 20- Segundos Incisivos. 21,21 e 23- Dentes Pré-molares. 24- Mandíbula. 25- Sutura Frontonasal.  

Figura 4:. Vista dorsal do crânio de um equino1-Osso Occipital. 2-Osso Interparietal. 3-Osso Temporal. 4- Osso Temporal. 5- Osso Frontal. 6- Osso Nasal. 7-Osso Lacrimal. 8- Osso Zigomático. 9- Osso Maxilar. 10- Osso Incisivo. 11- Crista Sagital. 12- Sutura Interfrontal. 13- Sutura Internasal. 14- Sutura Lambdoide. 15- Sutura Escamosa. 16- Sutura Coronal. 17- Sutura Escamosa Frontal. 18- Sutura Temporofrontal. 19- Sutura Fronto Nasal. 20- Sutura Nasolacrimal. 21- Sutura Frontolacrimal. 22-  Sutura Lacrimozigomática. 23- Sutura  Lacrimomaxilar. 25- Sutura Nasoincisiva. 



Escrito por Abu-Bakr Adetayo Ariwoola

Referências Bibliográficas

TORTORA, G.J.; DERRICKSON, B. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.
KÖNING, H.E.; LIEBICH, H.G.. Anatomia Dos Animais Domésticos – Textos e Atlas Colorido. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.


Referências de imagens
Figuras 1 e 2 - TORTORA, G.J.; DERRICKSON, B. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Figuras 3 e 4 - http://zootecniaufms.blogspot.com.br/2012/04/blog-post.html acessado no dia 17/05/2017 as 14:02.