sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sistema reprodutor: humanos x planárias

Introdução

Figura 1.
 Reprodução é capacidade adquirida pelos seres vivos de dar sequência a linhagem de sua espécie e consiste em duas formas: sexuada ou assexuada. Reprodução sexuada se dá pela união de gametas de indivíduos de uma mesma espécie, assim permitindo haver variabilidade genética. Há essa variabilidade devido o processo de formação dos gametas onde ocorrerá a meiose formando gametas haploides, que, durante a fecundação, ocorrerá a recombinação genética e o indivíduo futuro terá adquirido 
características de ambos. A reprodução assexuada é aquela em que organismos vivos são capazes de promover sua autofecundação, ou seja, não à necessidade de outro indivíduo da espécie participar. Este processo pode ocorrer por divisão celular, por fragmentação ou por brotamento.


Conhecendo o sistema reprodutor humano

Os sistemas reprodutores são constituídos pelas gônadas, pelas vias reprodutoras e glândulas anexas.

Masculino

Figura 2. Sistema Reprodutor Masculino. 
Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemagenital2.php

A)    Saco escrotal
Os testículos estão alojados no saco escrotal, que tem um aspecto flácido e enrugado. A localização dos testículos fora do abdome serve para o processo de produção dos espermatozoides, que necessitam de uma temperatura mais baixa do que a do restante do corpo. Em dias frios o saco escrotal se encolhe permitindo o aquecimento dos testículos.

B)    Testículos

Figura 3 . Testículo. 
Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemagenital2.php
Os testículos são formados por tubos finos e enovelados, chamados túbulos seminíferos. A produção de espermatozoides se inicia por volta dos 11 anos e é continuo até a morte, eles também são responsáveis pela produção de testosterona (hormônio masculino) que permite o aparecimento de características masculinas, como pelos, engrossamento da voz e aumento da caixa torácica. Os espermatozoides são formados basicamente de três partes: cabeça, colo e cauda com flagelo.                                                                             

C)     Epidídimos

Os espermatozoides que acabaram de ser produzidos são armazenados no epidídimo, um canal de túbulos localizados sobre os testículos. Os epidídimos são órgãos pares em que cada um está localizado junto a um testículo. Estima-se que os espermatozoides podem ficar armazenados por aproximadamente uma a três semanas completando sua maturação.


Figura 4 . Epidídimo. 
Fonte:http://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-genital/sistema-genital-masculino/epididimo/

D)    Ducto Deferente
O ducto deferente tem a função de condução dos espermatozoides fazendo a conexão do epidídimo até o ducto ejaculatório, o seu tamanho pode variar entre 30 e 45 cm.

E)    Ducto ejaculatório
O ducto ejaculatório tem aproximadamente 2 cm e consiste, basicamente, da parte da união da região final do ducto deferente (ampola) ao canal da glândula seminal formando um tubo.

F)     Glândulas Seminais e Próstata
As glândulas seminais são duas glândulas que produzem um líquido denso com a função de nutrir e aumentar a lubrificação para a passagem dos espermatozoides.                                    
A próstata com o tamanho aproximado de uma bola de golfe, produz um líquido de aspecto leitoso. Esse líquido tem aspecto básico com o pH 6,5 neutraliza a acidez deixada por restos de urina na uretra e, em uma relação sexual, a acidez existente da vagina e nutri os espermatozoides permitindo a produção de ATP pelo ciclo de KREBS. Ao passar pela uretra, os espermatozoides recebem também um líquido alcalino lubrificante produzidos pelas glândulas bulbouretrais situadas abaixo da próstata com o tamanho de uma ervilha.

G)   Uretra




No sexo masculino, a uretra dá passagem ao esperma durante a ejaculação. Já no sexo feminino, este é um órgão exclusivamente do aparelho urinário.


                     
 Figura 5. Uretra Masculina. 
Fonte:  http://www.infoescola.com/anatomia-humana/uretra/


H)    Pênis
Tem formato cilíndrico composto por uma raiz, corpo e glande, com dimensões distintas  é formado por corpos cavernosos e um corpo esponjoso na glande existe uma fenda, que é a terminação da uretra.

Feminino
O sistema reprodutor feminino é composto pelos ovários, tubas uterinas (trompas de falópio), útero e vagina.

Figura 6. Sistema Reprodutor Feminino. 
Fonte: http://neemiasbio.blogspot.com.br/2016/03/imagem-sistema-reprodutor-feminino.html

A)      Ovários
 Os ovários que são as gônadas feminina é responsável pela a produção dos ovócitos, ou seja, os gametas femininos e a produção dos hormônios femininos (estrógenos e progesterona).

B)     Tubas uterinas
“A tuba uterina com aproximadamente 10 cm transporta óvulos fertilizados e ovócitos secundários dos ovários para o útero. A parte afunilada de cada tuba, chamada infundíbulo fica perto do ovário, mas é aberta para a cavidade pélvica, terminando em uma franja de projeções digitiformes, chamada fímbrias, lateral ao ovário a outra extremidade do infundíbulo está presa ao útero”. (TORTORA, 2007)

 C)    Útero
O útero serve como passagem do espermatozoide para a tuba uterina como tambem será onde ocorrerá a nidação do óvulo fertilizado e ele passará pelas suas várias fases durante a gestação.



  Figura 7. Útero. 

 Morfologicamente toda a estrutura possui formato de pêra invertida, sendo a parte superior, em forma de cúpula, chamada de fundo do útero; a sua porção estreita que se abre na vagina recebe o nome de colo do útero. A outra extremidade conecta-se às tubas uterinas. Composta por três camadas musculares: perimétrio, miométrio e o endométrio.
  
D)    Vagina
Estende-se do colo do útero à vulva com tamanho aproximado de 10 cm, fibromuscular, revestido por muco. A cada lado da abertura externa da vagina humana há duas glândulas, chamadas Glândulas de Bartholin, secretoras de muco lubrificante na copulação.

E)    Uretra
A uretra localiza-se anteriormente à vagina e mede, aproximadamente, 4 a 5 centímetros de comprimento, onde é um órgão exclusivamente urinário.

Sistema reprodutor das Planárias

“As planárias são seres primitivos, vermes, fazem parte da Classe Turbellaria, e do grupo dos Platelmintes, são seres bastante simples, parasitas. Têm o corpo achatado, semelhante a uma folha alongada” ( FEIO, H.; blog ShrimpScaping; 1° p.).

Tipos de reprodução



A reprodução das planárias pode se dar de maneira assexuada através de fissão transversal ou sexuada pela reprodução cruzada.     








Figura 8. Tubellarios . 
Fonte: http://poisortristesi.blogspot.com.br/2012_08_01_archive.htm 

A reprodução assexuada (bipartição) é por fissão transversal que ocorre de maneira simples e frequente, onde só um indivíduo participa, não existindo a intervenção de células reprodutoras, ou seja, a união de gametas, sendo assim animais idênticos ao progenitor caracterizando os futuros platyhelminthes desta família como clones e isso só é possível por ter células que tem capacidade de se diferenciarem nos tecidos danificados e partidos na separação. A fissão pode ocorrer por acidente ou espontaneamente.

Figura 9. Reprodução Assexuada em Planárias. 
Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfvNoAF/micro-platemintos-nematelmintos

Os seres tubelários são hermafroditas e sua parte masculina é constituída por um único testículo, tubos coletores que vão se unir e formar um ou dois tubos espermáticos que irão direcionar todo o material a uma vesícula seminal ou uma região pré-cupulatória. A parte masculina possui ainda: 

  • Glândulas prostáticas: suprir o fluido seminal  
  • Cirro ou Papila: Transferência do fluido espermático.                                                   
  • Átrio Genital Masculino: abrir o material espermático, que se tem anexa às glândulas de cimento responsáveis pela produção de casca e ovos encapsulados.
A porção feminina do sistema reprodutor realiza a produção de óvulos pelo ovário que podem ser: óvulos endolécitos ou ectolécios, e possuem:                                         

  • Oviduto: transporte dos óvulos.                                                                                                     
  • Glândulas Vitelínicas: responsável pela produção de vitelo dos óvulos ectolécios.                                    
 “O gonóporo dos machos e das fêmeas estão frequentemente separados e a abertura feminina é geralmente localizada posterior ao poro masculino. Em algumas espécies, no entanto, os dois sistemas compartilham uma abertura comum”. (BRUSCA & BRUSCA, 2007) 
Figura 10. Reprodução Sexuada em Planárias. 
Fonte: http://bloggiologia.blogspot.com.br/2011/10/platelmintos.html

O processo de retprodução sexuada se dá de maneira cruzada entre dois indivíduos. Mesmo sendo hermafrodita, a autofecundação é muito difícil. Quando dois vermes se encontram aliam- se os gonóporos e introduzem o pênis (cirro). Após a introdução do pênis, os animais permanecem imóveis nesta posição por aproximadamente 40 – 50 minutos (já foi observada uma cópula com até 2 horas de duração em exemplares grandes). Após algum tempo após a cópula (de 5 a 49 dias) ocorre a postura dos casulos que são envoltos em uma espuma branca que os prende ao substrato. A eclosão dos casulos se dá em tempo variável, em torno de 18 a 43 dias (em média 29 dias) dependendo da umidade e da temperatura. Nascem indivíduos com aproximadamente 0,3 a 0,4 cm de comprimento.
Escrito por Eriks Oliveira

Bibliografia Recomendada

BRUSCA, R. C.; BRUSCA, G. J. Invertebrados. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

TORTORA, G. J. Princípios de anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.


Bibliografia complementar
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reprodu%C3%A7%C3%A3o
http://www.suapesquisa.com/ecologiasaude/reproducao/
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemagenital2.php
http://www.infoescola.com/anatomia-humana/uretra/
https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%AAnis
http://www.todabiologia.com/anatomia/sistema_reprodutor_feminino.htm
http://www.coladaweb.com/biologia/animais/planaria
http://shrimpscapingmagazine.weebly.com/planaacuterias.html
http://planarias.blogs.sapo.pt/
http://poisortristesi.blogspot.com.br/2012_08_01_archive.html



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Sistema respiratório em répteis: desvendando o jacaré-do-pantanal



O sistema respiratório é responsável por fornecer oxigênio e remover gás carbônico do organismo, atuando em conjunto com o sistema circulatório, além de estar envolvido no processo de vocalização. A respiração é fundamental para fornecer oxigênio para manter o metabolismo corporal, sendo essencial para a vida.
Em seres humanos, o sistema respiratório é constituído por: nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões. O ar entra no organismo através do nariz, onde será aquecido, umedecido e filtrado, seguindo através da laringe que é um órgão atuante no sistema digestório e respiratório. Em seguida, o ar e transportado para laringe, um órgão composto por um conjunto de cartilagens, sendo uma cartilagem tireóidea (pomo de adão), uma cricóidea e uma epiglote, e duas aritenóideas, corniculadas e cuneiformes. A epiglote tem a importante função de bloquear a passagem de alimento na via respiratória, encaminhando-o para o esôfago. A laringe apresenta as pregas vocais que geram os sons da vocalização e conduz o ar para os pulmões.
A traqueia é um tubo elástico constituído por anéis de cartilagem em forma de C, que se divide formando os brônquios. Os brônquios, também formados por anéis de cartilagem, entram nos pulmões e se ramificam em brônquios lobares e segmentares, formando, por fim, os bronquíolos. Os alvéolos pulmonares são pequenos sacos localizados no final dos bronquíolos e correspondem ao local onde ocorrem, efetivamente, as trocas gasosas. Os pulmões são envolvidos por uma lâmina denominada pleura e são constituídos pelos bronquíolos, alvéolos e vasos sanguíneos. O diafragma é um músculo que separa a cavidade abdominal da cavidade torácica, como função é auxiliar o processo respiratório.

 Figura 1. Sistema Respiratório em humanos


Comparando
A respiração dos répteis também é pulmonar, de maneira semelhante ao observado em humanos, e seus pulmões apresentam dobras internas que aumentam a sua capacidade respiratória. Seus pulmões não apresentam lobos e são constituídos por parênquima esponjoso e proporcionam aos répteis quantidade suficiente de oxigênio dispensando a respiração por meio da pele que é observada em anfíbios, por exemplo. Na verdade, a grande quantidade de queratina que a pele dos répteis apresenta impossibilita a aquisição de oxigênio por este meio.
Vamos utilizar o Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) como modelo para compreendermos a estrutura do sistema respiratório em répteis:
Assim como em humanos, a entrada do ar acontece pelas narinas, que são aberturas localizadas rostordorsalmente à cavidade nasal que possuem opérculos bem desenvolvidos e não possuem conchas nasais, sendo o ar encaminhado à faringe pelas coanas. A laringe, por sua vez, apresenta uma cartilagem que corresponde à cartilagem tireóidea da laringe humana e duas estruturas corniculadas, correspondentes às cartilagens aritenóides. A traqueia possui trajeto retilíneo, composta por 45 anéis cartilaginosos incompletos e 25 completos. Na entrada da cavidade celomática a traqueia se divide em dois brônquios principais, que, ao entrarem no parênquima pulmonar, se dividem em em vestígios de brônquios secundários.

Figura 2. Laringe do jacaré-do-pantanal. T - Cartilagem Tireóidea; Tq - Traqueia; E - Esôfago; H -Osso Hioide (retirado de ALVES, 2016)

Os pulmões estão localizados na cavidade celomática, no extremo cranial, e possuem formatos diferenciados, sendo o direito mais achatado e longo que o esquerdo. São revestidos por uma fina película de tecido conjuntivo que corresponde à pleura visceral. Na porção dorsomedial do pulmão esquerdo encontra-se uma concavidade que corresponde à “impressão cardíaca”.


Figura 3. Pulmões do jacaré-do-pantanal, demonstrando o ligamento pulmonar. PE - Pulmão Esquerdo; PD - Pulmão Direito; PA - Projeção Apical (retirado de ALVES, 2016)


O parênquima dos pulmões do jacaré-do-pantanal tem aspecto esponjoso, e apresenta múltiplas câmaras.

Escrito por Mariana Bernardes


REFERÊNCIAS

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
ALVES, Ana Cláudia. Descrição morfológica do sistema respiratório e do coração do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare, DAUDIN, 1802) proveniente de zoocriatório. 2014. 77 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências Veterinárias, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2014. Disponível em: <http://repositorio.ufla.br/handle/1/2164>. Acesso em: 27 abr. 2016.

Textos disponíveis em:http://www.mundoeducacao.com/biologia/sistema-respiratoriodasaves.htm<http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/53561/aves-sistemarespiratorio#!1>< http://www.infoescola.com/biologia/sistema-respiratorio/>< http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/23746/o-sistema-respiratorio-dosrepteis>< http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos3/Repteis.php> Acesso em: 24 de Abril de 2016.
Fonte-figura 1: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/biologia/sistemarespiratorio-das-aves.htm>

Fonte-figura 2 e 3: ALVES, Ana Cláudia. Descrição morfológica do sistema respiratório e do coração do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare, DAUDIN, 1802) proveniente de zoocriatório. 2014. 77 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências Veterinárias, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2014. Disponível em: <http://repositorio.ufla.br/handle/1/2164>. Acesso em: 27 abr. 2016.

Fisiologia da respiração: como é a respiração nos insetos?

  O sistema respiratório dos seres humanos é composto pelas vias respiratórias que são: cavidades nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pelos pulmões, que são órgãos bem desenvolvidos (Figura 1). Os seres humanos realizam suas trocas gasosas quase exclusivamente pelo sistema respiratório, embora uma participação muito pequena da pele já tenha sido descrita.  O ar entra pelas cavidades nasais passa pela faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e chega até os alvéolos que compõem os pulmões, fazendo as trocas por difusão.




 Ao chegar aos alvéolos, como o ar está rico em O2 e o sangue rico em CO2, ocorre a difusão devido à diferença de concentração dos gases em questão, através das paredes alveolares e capilares (Figura 2).




 
   Os insetos possuem um sistema respiratório diferente dos humanos, pois eles não possuem nariz, nem pulmões e nem o transporte de gases pelo sistema circulatório. O que eles possuem é um conjunto de tubos, cheios de ar, denominados de sistema traqueal, que realiza a troca de gases por todo o corpo através da difusão (Figura 3).



  O ar entra por pequenas aberturas denominadas espiráculos (seta azul da figura 4), que se localizam na lateral do corpo, e é conduzido pelo sistema traqueal, através das traqueias e traquéolas, para chegar às células do corpo. Ao chegar às células o O2 é passado para a mesma através de difusão, e o CO2 é capturado para ser levado ao meio externo pelo mesmo caminho que o oxigênio entrou. Os insetos também possuem sacos aéreos, que estão localizados por todo o corpo e tem função de aumentar e diminuir o volume traqueal, armazenando oxigênio, além de poderem ser utilizados para flutuação ou para o equilíbrio.


  Os insetos apresentam músculos nos espiráculos podendo, assim, controla-los dependendo do ambiente em que se encontram (Figura 5). Por exemplo, se estão em um ambiente seco vão manter os espiráculos fechados para não perder água para o meio externo.





Escrito por Marcela Maruto


REFERÊNCIAS

KARLLA PATRÍCIA. Como os insetos respiram? Disponível em <http://diariodebiologia.com/2011/06/como-os-insetos-respiram/#prettyPhoto> Acesso em 27 de abril de 2016.

RANDALL, D.; BURGGREN, W.; FRENCH, K. Fisiologia Animal: mecanismos e adaptações. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 729 p.

TORTORA, G.J.; Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 1047 p.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sistema digestório em cefalópodes: semelhanças com seres humanos

Para compreendermos a anatomia do sistema digestório cefalópode e suas semelhanças com o sistema digestório humano, é essencial relembrarmos as características estruturais deste sistema. Vamos iniciar analisando a anatomia deste sistema nos seres humanos. 

Sistema digestório humano

Para manter as atividades do organismo em bom funcionamento, os seres humanos precisam captar os nutrientes necessários para construir novos tecidos e fazer manutenção dos tecidos danificados, extraindo energias por meio da ingestão de alimentos.
O sistema digestório humano está localizado no peritônio, sendo constituído por: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, ânus e os órgãos anexos: glândulas salivares, pâncreas, fígado, vesícula biliar, dentes e língua.
A boca é a porção inicial do tubo digestório e onde começa o processo de digestão. Na cavidade própria da boca, está a língua, um órgão muscular, responsável pelo transporte de alimentos e pela gustação. E também os dentes, que são distribuídos em: 8 incisivos, 4 molares, 8 pré-molares e 12 molares, em adultos. Após o alimento ser mastigado e degustado ele é empurrado pela língua até a faringe. A faringe é um túbulo muscular que pertence tanto ao sistema respiratório quanto ao digestório. Quando o alimento chega à faringe, é empurrado até o esôfago por movimentos peristálticos. O esôfago também é um órgão  muscular, que assim como a faringe, empurra o alimento por peristaltismo até o estômago. Quando o alimento chega ao estômago os movimentos peristálticos feitos pelo órgão misturam o bolo alimentar ao suco gástrico. Esse suco contém ácido clorídrico, que mantém a acidez estomacal, dando condição favorável ao trabalho das enzimas do estômago. O suco alimentar resultante da digestão gástrica é denominado quimo (por isso esse processo pode se chamar quimificação). O quimo passa para o intestino por uma válvula chamada piloro. O intestino é um tubo muscular dividido em duas porções, o intestino delgado e o intestino grosso. O intestino delgado se inicia após o estômago e sua primeira porção denomina-se duodeno, onde ocorre a maior parte da digestão dos alimentos. No duodeno são lançados as secreções do fígado (bile) e do pâncreas(suco pancreático), realizando principalmente a digestão química de gorduras, proteínas e carboidratos no quimo. Ao terminar a digestão no duodeno, o conjunto de substâncias resultantes forma um líquido viscoso denominado quilo. A digestão e absorção dos nutrientes continua no jejuno e no íleo (segunda e terceira porções do intestino delgado). Após a digestão total do intestino delgado, o resto do quilo chega ao intestino grosso. Este absorve água e sais minerais nos resíduos alimentares e os leva para a circulação sanguínea. Além disso, algumas bactérias intestinais fermentam e assim decompõem resíduos de alimentos e produzem vitaminas, que são aproveitadas pelo organismo. Nessas atividades, as bactérias produzem gases, e parte deles são absorvidos pelas paredes intestinais e outra é eliminada pelo ânus. O material que não foi digerido nesse processo forma as fezes que são acumuladas no reto e, posteriormente, empurradas por movimentos musculares para fora do ânus.
Caracterização das glândulas anexas:
·         Glândulas salivares: Auxiliam na limpeza da boca e dos dentes, umedecimento e amolecimento dos alimentos, deglutição e digestão inicial. São três: Parótida, sublingual e submaxilar.
·         Fígado: É a maior glândula do organismo, e a função principal digestiva é produzir a bile (uma secreção verde amarelada) para secretar no duodeno. O fígado também metaboliza carboidratos, lipídios e proteínas, e ajuda no processamento de fármacos.
·         Vesícula biliar: Armazenamento de bile.
·         Pâncreas: Tem uma parte exócrina e uma endócrina. Sua parte exócrina produz o suco pancreático que entra no duodeno através dos ductos pancreáticos, e sua parte endócrina produz glucagon e insulina, hormônios responsáveis pelo controle de glicose plasmática.





Figura 1: Órgãos do sistema digestório humano




Sistema digestório dos cefalópodes

Diferentemente dos humanos, os cefalópodes são animais invertebrados, de alto mar e adaptados para uma alimentação raptorial (exclusivamente carnívora). São predadores eficientes rápidos, ágeis, ativos e inteligentes, dificilmente deixam suas presas escaparem.
Ainda que haja uma variação no sistema digestório dos cafalópodes, a grande maioria está em correspondência com um plano comum:





Figura 2: Órgãos do sistema digestório dos cefalópodes


A boca dos cefalópodes se abre para a cavidade bucal, enquanto o esôfago se estende posteriormente até o estômago. Já o intestino sai da região posterior ao estômago e se estende anteriormente até o ânus. Porém, a morfologia, o tamanho e a posição dessas estruturas variam de acordo com a espécie.
Dentro da cavidade bucal dos cefalópodes existe um par de mandíbulas (dorsal e ventral), que formam um bico (similar ao de um papagaio). Esse bico tira pedaços de tecido da presa, que são empurrados pela rádula até o esôfago. A rádula nada mais é do que fileiras transversais e longitudinais de pseudodentes, que têm a função de triturar o alimento, e está localizada na faringe. Essa estrutura funciona de maneira semelhante  aos dentes humanos.

Figura 3: Bico e rádula








                                                    



Semelhante aos humanos, os cefalópodes também possuem glândulas acessórias. Dois pares de glândulas salivares e uma glândula submandibular, se abrem na cavidade bucal esecretam muco. Em algumas espécies estas glândulas também produzem veneno e enzimas proteolíticas, que paralisam a presa.
Depois de passar pela cavidade bucal, o alimento passa da faringe para esôfago que, assim como nos humanos, realiza peristaltismo muscular empurrando o alimento até o estômago. Em algumas espécies o esôfago se expande formando uma estrutura chamada papo, onde o alimento é armazenado e amolecido. Após essa fase o alimento entra no estômago e é misturado a algumas enzimas secretadas pelas glândulas digestivas. As glândulas digestivas dos cefalópodes têm forma de tubo, sendo parte delas diferenciada, desempenhando as mesmas funções do pâncreas e do fígado dos vertebrados. Ambas se abrem no ceco via ductos digestivos chamados hepatopancreáticos. O ceco é uma bolsa, onde ocorre a absorção do alimento e é onde algumas das substâncias produzidas pelas glândulas digestivas são expelidas. Os resíduos restantes da digestão seguem pelo intestino, e a reabsorção ocorre no reto (parte distal do intestino). O que não é aproveitado na digestão é excretado pelo ânus em forma de fezes assim como nos humanos.



Escrito por Thamires Souza


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MOLUSCOS (Mollusca). Disponível em:< http://www.infoescola.com/biologia/moluscos-mollusca/>. Acesso em: 19 abr. 2016

BRUSCA, R. C. & BRUSCA, C. G. Invertebrados. Guanabara Koogan, 2007.

RUPPERT, E. E., FOX, R. S., BARNES, R. D. Zoologia dos invertebrados. ROCA, 2005.

TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6ª.ed. Porto Alegre: Artmed. 2006.

FONTE DAS IMAGENS

Figura 1: Disponível em:  https://profmariocastro.wordpress.com/2013/06/. Acesso em: 18 abr. 2016
Fiigura 2:Disponível em: http://malaconet.br.tripod.com/nova_pagina_3.htm. Acesso em: 18 abr. 2016

Figura 3: Disponível em: http://simbiotica.org/cefalopoda.htm/. Acesso em: 19 abr. 2016


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Fisiologia do sistema reprodutor: reprodução sexuada x reprodução assexuada

Os seres humanos, assim como em todos os mamíferos e demais vertebrados apresenta reprodução sexuada, na qual ocorre a junção do espermatozoide com o óvulo para gerar indivíduos que vão compartilhar do mesmo material genético e dar continuidade da espécie.
O sistema reprodutor masculino é composto por testículo, epidídimo, ducto deferente, vesículas seminais, próstata, glândulas bulbouretrais, escroto e pênis. Nos testículos são produzidos os espermatozóides (mais especificamente nos túbulos seminíferos), que são levados para o epidídimo onde ocorre o seu amadurecimento e armazenamento, seguindo pelo ducto deferente até a uretra.
O órgão reprodutor feminino é constituído por dois ovários, um útero, duas tubas uterinas, uma vagina e uma vulva. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica da mulher.
 Durante o ato sexual, o pênis fica rígido e em posição ereta para facilitar a penetração na vagina. No momento que acontece a ejaculação, o pênis libera algumas secreções de suas glândulas acessórias que são compostas pela próstata que produz um líquido prostático alcalino e leitoso que contribui na composição do sêmen, as glândulas bulbouretrais que secretam um muco claro e tem função lubrificante e as vesículas seminais que libera um líquido viscoso composto principalmente por frutose, prostaglandinas e várias proteínas que fornecem nutrição e energia para os espermatozóides.
Após a ejaculação os espermatozoides passarão pela vagina e irão em direção as tubas uterinas de encontro ao óvulo. Quando o óvulo for fecundado (Figura 1), logo ocorrerá a formação do zigoto (ou célula-ovo), e em seguida, este irá migrar para as tubas uterinas para que ocorra sua implantação na cavidade do útero e dessa forma, começará o desenvolvimento e crescimento do embrião.




Figura 1: Formação de zigoto após fecundação


COMPARANDO:
Diferente dos vertebrados, os poríferos assumem os dois tipos de reprodução: sexuada e assexuada. As esponjas são monoicas ou hermafroditas, ou seja, a mesma produz gametas masculinos (espermatozoides) e femininos (óvulos).

Reprodução Assexuada:

As esponjas podem se reproduzir de forma assexuada por fragmentação, brotação e por formação de gêmula.
 A fragmentação ocorre quando as esponjas sofrem danos pelos seus predadores ou pelo movimento forte das águas, que acaba dispersando esses fragmentos para outro lugar onde se fixam no substrato formando uma nova esponja. O brotamento não é tão comum, mas se dá pela presença de brotos que ao se quebrarem, se prendem e crescem em outra esponja. Já a formação de gêmulas que são mais comuns em esponjas de água doce (Figura 2), dependem muito das condições climáticas para iniciar sua reprodução. Em períodos frios elas não se reproduzem, mas quando o clima é mais quente e favorável, essas gêmulas são germinadas e produzidas no meso-hilo pela concentração de arqueócitos, que se assemelham às células embrionárias e formam uma massa de tesócitos que é envolvovida pela espongina secretada por espongiócitos. Quando essa gêmula “eclode”, os tesócitos se diferem em uma pinacoderme que migra para o exterior da gêmula através da micrópila e se fixa em um substrato, para formar o interior de uma esponja jovem. Como se pode observar em na figura 3. (RUPPERT et al.,2005)



Figura 2: Gêmula (A); Eclosão de Gêmula(B)

Reprodução Sexuada

Os poríferos não possuem órgãos genitais como os mamíferos e os espermatozóides desses indivíduos surgem dos coanócitos que formam o cisto espermático. Os óvulos também surgem dos coanócitos ou arqueócitos, variando entre espécies que se aprofundam no meso-hilo. Quando os espermatozoides são liberados eles rompem a parede do cisto espermático entrando nos canais exalantes e são liberados pelos ósculos. Quando esse esperma é liberado, e se encontra com outra esponja, eles passam para seu sistema aquífero pelo fluxo de água inalante e assim o espermatozoide é transportado para a coanaderme, é fagocitado, mas sem ser digerido por um coanócito (células do colarinho), e, em seguida, perde seu flagelo se torna um amebóide e leva o núcleo para o óvulo.
Depois de alcançar o óvulo no meso-hilo, o núcleo do espermatozoide pode ser transferido para dentro do óvulo, ou o nucleo do espermatozoide juntamente com o coanócito ameboide podem ser fagocitados pelo óvulo. É importante ressaltar que o esperma das esponjas não tem acrossomo (estrutura responsável pela penetração na célula-ovo), pois o espermatozoide entra na célula-ovo por fagocitose.
Após a fertilização e a formação do zigoto, ocorre o desenvolvimento das larvas que podem ser: larvas celoblástula, com a estrutura de uma esfera oca composta por apenas uma camada de células flageladas, larvas anfiblástula composta por dois tipos de células: flageladas e não- flageladas, larvas parenquimelas caracterizada por possuir uma camada exterior compostas de células flageladas difundidas com outras células contendo vesículas e sem flagelos, e por fim, as larvas triquimelas que possuem uma faixa de células flagelas ao redor do corpo larval.
No caso da larva anfíblástula, quando liberada pelo ósculo, se fixa no substrato formarmando uma nova esponja. Quando a esponja jovem fica funcional, ela começará a se alimentar e ganhará um formato asconóide, que passará a ser chamado de olinto (RUPPERT et al,2005).

Figura 3: Reprodução sexuada de Poríferos com formação de larva anfiblástula



Escrito por Isadora Franco




REFERÊNCIAS       
 Sistema reprodutor humano. Disponível em:
AIRES, Margarida M. Fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.
Sistema reprodutor de poríferos.Disponível em:
RUPPERT, E.E.; FOX, R.S. & BARNES, R.D. 2005. Zoologia dos Invertebrados. 7ª ed. Editora Roca, São Paulo