quinta-feira, 13 de julho de 2017

Comparando o sistema digestório humano com o das aves

Segundo Tortora (2013), o sistema digestório dos humanos é constituído por dois grupos de órgãos: o trato gastrointestinal e os órgãos acessórios da digestão. O trato gastrointestinal, ou canal alimentar, é um tubo contínuo que se estende da boca até o ânus através da cavidade torácica e abdominopélvica. Os órgãos do trato gastrointestinal compreendem boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Os órgãos acessórios da digestão são dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas. As funções do sistema digestório são seis: ingestão, secreção, mistura e propulsão, digestão (mecânica e química), a mecânica faz o corte e a trituração dos alimentos com auxílio dos dentes e a química realiza a degradação em moléculas menores que podem ser absorvidas, absorção e defecação.
O processo de digestão se inicia na boca que é a porção inicial do sistema digestório, no qual compreende os dentes para a trituração do alimento, a língua, que auxilia no transporte e gustação, e as glândulas salivares, que umedecem e amolecem os alimentos. Depois o alimento passa pela faringe e segue para o esôfago, um órgão túbulo-muscular, que, através de movimentos peristalse (contrações), encaminha o alimento para o estômago, uma dilatação do tubo digestório entre o esôfago e o intestino delgado. O estômago atua como uma área de mistura e reservatório, dividido em quatro regiões: cárdia, fundo, corpo e piloro. Do estômago o alimento segue para o intestino delgado, a porção mais longa do tubo digestório e onde ocorre a maior parte da digestão que depende das atividades do pâncreas, fígado e vesícula biliar. O intestino delgado forma alças na parte central e inferior da cavidade abdominal, sendo dividido em três regiões: duodeno, jejuno e íleo, que se abre no intestino grosso, porção final onde ocorre a absorção de água, íons e vitaminas formando as fezes que depois são eliminadas.




Figura 1. Representação do trato digestório dos humanos.


Já o sistema digestivo das aves apresenta algumas modificações em relação a outros vertebrados, como a ausência de dentes e a presença somente de glândulas salivares sublinguais. O excesso de alimento que processam é mantido no esôfago, e estocado temporariamente no papo que é a porção mais dilatada em forma de saco. De acordo com Pough (2003), a forma do estômago das aves está relacionada com sua dieta. As aves carnívoras e piscívoras (que comem peixes) precisam expandir as áreas de estocagem para acomodar grandes volumes de alimentos moles; as que comem insetos e sementes precisam de um órgão muscular, que possa contribuir para a trituração mecânica do alimento. O trato gástrico das aves é divido em duas câmaras distintas: um estômago glandular chamado de proventrículo e um muscular caudal, a moela, que tem como função o processamento mecânico do alimento. O intestino delgado, assim como o obervado em seres humanos, é o principal local da digestão química, podendo ser enrolado ou formar alças. Já o intestino grosso é relativamente curto, além de possuir um ou dois cecos, na junção dos intestinos. A porção final é a cloaca, que estoca temporariamente os produtos residuais, enquanto a água é reabsorvida.


Figura 2. Representação do trato digestivo das aves.


Escrito por Samuel Henrique de Sousa Silva


Referências bibliográficas

TORTORA, Gerard J.; NIELSEN, Mark T. Princípios de anatomia humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
POUGH, Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2003.
ORR, Robert T. Biologia dos vertebrados. 5. ed. São Paulo: Roca, [20--?].

Referências de imagens

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CORAÇÃO ANFÍBIO X CORAÇÃO HUMANO

1. O coração dos anfíbios

As larvas dos anfíbios dependem de brânquias e da pele para realizar trocas gasosas, enquanto os adultos nas espécies com metamorfose completa perdem as brânquias e desenvolvem pulmões. Durante o desenvolvimento dos animais, ocorre uma progressiva perda da função respiratória das brânquias, e consequentemente os arcos da artéria aorta mudam de papel (HARVEY; JANIS; HEISER. 2008).

O átrio do coração pode ser dividido anatomicamente por um septo em câmara direita e esquerda, ou padrões de fluxo de sangue oxigenado e desoxigenado, mantidos separados mesmo dentro dessa câmara não completamente dividida. O sangue proveniente das veias sistêmicas flui para o lado direito do coração e o sangue proveniente dos pulmões flui para o lado esquerdo. O ventrículo apresenta uma subdivisão variável. As relações anatômicas dentro do coração são tais que o sangue rico em oxigênio, retornando ao coração a partir das veias pulmonares, entra no átrio esquerdo, que o injeta no lado esquerdo do ventrículo. Após a contração do ventrículo, o sangue parte para o tronco arterioso (HARVEY; JANIS; HEISER. 2008. p. 252).


Do tronco arterioso se origina a carótida, que supre a cabeça e os arcos aórticos sistêmicos. Assim, quando os pulmões estão sendo ventilados, o sangue rico em oxigênio, que deles retorna ao coração, é distribuído para os tecidos da cabeça e do corpo. Já o sangue pobre em oxigênio, ao entrar no átrio direito é direcionado para a metade dorsal do tronco arterioso. Este sangue segue para os pulmões onde será oxigenado. Quando a pele é o principal mecanismo de troca gasosa, como ocorre nas larvas, o maior teor de oxigênio está nas veias sistêmicas que drenam o tegumento (HARVEY; JANIS; HEISER. 2008).



Figura 1: Adulto sem brânquias. O número 3, 4,5 e 6 indicam os arcos da aorta.



Figura 2: Circulação sanguínea no coração de um anfíbio. À esquerda, padrão de fluxo quando os pulmões estão sendo ventilados; à direita, fluxo quando somente a respiração cutânea está ocorrendo.



 2.     O Coração Humano
O coração humano é um órgão muscular oco, com quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo. Os átrios são porções menores e se localizam na parte superior do coração são separados pelo septo interatrial, os ventrículos são porções maiores que formam o ápice, separados pelo septo interventricular (SPENCE, 1991).
Segundo Spence (1991), as quatro câmaras do coração podem ser caracterizadas do seguinte modo:
 - Átrio direito: Forma a margem direita do coração, recebe o sangue por três veias: veia cava superior e inferior além do seio coronário. Sua estrutura é constituída de paredes, uma posterior lisa, e outra anterior enrugada, devido às cristas musculares bem desenvolvidas os músculos pectíneos.
·        - Ventrículo direito: Maior face anterior, constituído por cristas, feixes elevados de fibras musculares cardíacas, chamadas de trabéculas cárneas, a valva atrioventricular direita é conectado por cordas tendíneas, que, por sua vez estão conectadas as trabéculas cárneas pelos músculos papilares.
·         - Átrio esquerdo: Maior parte da base recebe sangue proveniente dos pulmões, pelas veias pulmonares. Constituído por paredes posterior e anterior lisas, a valva atrioventricular esquerda ou mitral possui duas válvulas.
·          - Ventrículo esquerdo: Forma o ápice do coração, possui trabéculas cárneas e cordas tendíneas que ancoram as válvulas.
Por causa da separação das câmaras cardíacas do lado direito com as do lado esquerdo através dos septos (interatrial e interventricular), o coração funciona como uma bomba dupla. Cada um possui uma câmara de recebimento que são os átrios e a uma de propulsão os ventrículos. No lado direito (Circulação Pulmonar) recebe o sangue do circuito sistêmico (vasos do corpo) e o transporta para circuito pulmonar, o sangue venoso chega a esse átrio direito através da veia cava superior, veia cava inferior e do seio coronário (veias cardíacas). Após o sangue passa para o ventrículo direito, que impulsiona para o tronco pulmonar e artérias pulmonares, até a rede de capilares onde retira o gás carbônico e recebe oxigênio. O lado esquerdo (Circulação Sistêmica) recebe sangue recentemente oxigenado do circuito pulmonar e leva para o circuito sistêmico, retorna ao átrio esquerdo, pelas veias pulmonares, que passa ao ventrículo esquerdo que propulsiona para o interior da aorta e desta para o corpo (TORTORA; GRABOWSKI, 2002).



Figura 3: Vista anterior da secção frontal de um coração humano.


Escrito por Abu-Bakr Adetayo Ariwoola






 Referencias Bibliográficas

Harvey F. Pough; Janis Christine M; Heiser John B. A vida dos invertebrados. –4. Ed—São Paulo: Atheneu Editora, 2008.
SPENCE, Alexander P. Anatomia humana básica. Tradução Mario de Francisco. São Paulo: Manole, 1991.
TORTORA, Gerald J; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.


terça-feira, 4 de julho de 2017

CICLO ESTRAL X CICLO MENSTRUAL

O Ciclo Estral é característico de grandes animais domésticos e da grande maioria dos mamíferos, como por exemplo, égua, vaca, ovelha, cabra, cadela, gata entre outros grupos; estro ou cio, comumente referido como dia zero do ciclo estral, é o período da fase reprodutiva do animal e apresenta sinais de receptividade sexual, seguida de ovulação. O Ciclo Menstrual ocorre nos primatas, tem duração variável e sofre influência de diversos fatores (hormonais, temperatura, estresse), e apresentam atividade sexual durante todo o período.

CICLO ESTRAL

É o período compreendido entre dois estros, com duração em torno de 20 dias, porém, pode ser variável, apresenta fases evidentes e caracterizadas por modificações da genitália interna e externa, assim como no comportamento também. . Ciclos estrais começam depois da puberdade em fêmeas sexualmente maduras e são intercalados por fases anaestrais. Alguns animais podem exibir sangramentos vaginais que são comumente confundidos com a menstruação. Os animais podem ser classificados quanto ao desenvolvimento do ciclo em:
Poliéstricos estacionais àéguas
Poliéstricos não estacionais àvacas
Monoéstricos àcadelas
O proestro e o estro também são chamadas de fases estrogênicas ou proliferativas e, as fases de metaestro e diestro são chamadas de fases progesterônicas ou secretoras.
No decorrer do ciclo estral, a maior parte dos folículos que iniciam o seu desenvolvimento entram em atresia e apenas um deles a cada ciclo chega à ovulação. O mecanismo que determinará a maturação folicular ainda é pouco esclarecido, contudo, atualmente acredita-se que exista uma fase de recrutamento que depende da presença de receptores para FSH/LH na parede celular.
Dependendo da quantidade de estrogênio que é produzido, o folículo pode ou não ser selecionado para continuar crescendo. Este processo é chamado de seleção folicular, somente um dos folículos que é selecionado vai evoluir para a ovulação, o restante entrará em atresia.
O corpo lúteo é que produz progesterona, ele pode ter duração variável. Em relação aos hormônios, a produção de estrogênio é responsável pelas características sexuais secundárias (sinais de cio e desenvolvimento da glândula mamária); a produção de progesterona é responsável pela manutenção da gestação, lactação e também pelo comportamento materno; a produção de inibina é importante para a regulação endócrina por feed back negativo; a produção de ocitocina ovariana influi no processo de involução do corpo lúteo e; a produção de relaxina facilita a passagem do feto no canal do parto.


Figura 1. Representação esquemática das variações, na concentração 
dos principais hormônios que regulam o cicio estral em bovinos. 



CICLO MENSTRUAL

O ciclo menstrual engloba as mudanças pelas quais o corpo da mulher passa ao longo do mês e que acabam resultando na menstruação. Ele dura em torno de um mês e ocorre em todas as mulheres em idade fértil, ele determina o processo de ovulação e eliminação desse ovulo. O ciclo é divido em duas fases principais:
A fase folicular: começa no primeiro dia da menstruação e dura até o dia da ovulação. É a época em que os folículos ovarianos crescem e começam a preparar o corpo luteo para uma possível gravidez (dura entre 12 e 16 dias). Nesse período há um aumento da produção do hormônio folículo estimulante (FSH), que faz com que os folículos que contem os óvulos se desenvolvam. Esses folículos são responsáveis por produzir estrógenos, até que esses hormônios chegam a um pico e o corpo deixa de produzir o FSH, é nesse momento que ocorre a ovulação, portanto, o folículo se rompe e o óvulo sai em direção às trompas, com isso, dando início a fase lútea.
A fase lútea é quando os hormônios femininos começam a reduzir a concentração no organismo. O folículo começa a produzir progesterona, porém, se ele não for fecundado, a quantidade desse hormônio cai também, juntamente com os estrógenos (sempre no 14º dia), quando a gravidez não ocorre, é nessa fase que as paredes do útero começam a descamar e a mulher então, menstrua.




Figura 2. Ciclo menstrual da mulher.




Escrito por Caroline C. D’Amato



Referências:

CARLSON, B.M. Embriologia Humana e Biologia do Desenvolvimento. 1 a. ed. Editora Guanabara Koogan- Rio de Janeiro-Rj. 1996. 480p.
DRAZNER, Frederick H.. Drazner – small animal endocrinology.subtítulo do livro. 1 ed.: Churchill Livingstone, 1987. 
BURKE, Thomas J. Burke – small animal reproduction and infertility.A Clinical Approach to Diagnosis and Treatment.: Lea & Febiger , 1986. 
HALL, Guyton &. Guyton & hall - tratado de fisiologia médica. 12 ed.: Elsevier, 2001.
EMPRAPA. Gado de corte. Disponível em: <http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc48/04disturbios.html>. Acesso em: 26 jun. 2017.

TUA SAUDE. Entenda como funciona o ciclo menstrual. Disponível em: <https://www.tuasaude.com/ciclo-menstrual/>. Acesso em: 26 jun. 2017.

Figura 1:Disponível em:http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc48/04disturbios.html. Acessado em 26 de junho de 2017.

Figura 2: Disponível em:< https://www.tuasaude.com/ciclo-menstrual/>. Acessado em 27 de junho de 2017.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Coração humano e dos Dipnoicos – Os Peixes Pulmonados

Os vertebrados possuem duas subdivisões no sistema circulatório: o sistema cardiovascular que basicamente consiste na condução do tecido sanguíneo e; o sistema linfático que transporta a linfa. O cardiovascular é composto por coração; artérias e arteríolas; veias, vênulas e capilares, já o sistema linfático é constituído de vasos linfáticos (troncos, vasos e capilares) e órgãos linfóides.
Segundo HILDEBRAND E MILTON:

“Os vertebrados, sendo grandes e volumosos, possuem o sistema circulatório mais derivado do reino animal. Ele funciona no transporte de gases respiratórios, nutrientes, resíduos metabólicos, hormônios e anticorpos. Serve (em conjunto com os rins e alguns outros órgãos) para manter o ambiente interno. Remove substâncias tóxicas e patogênicas do corpo, e pode funcionar (junto a músculos, o tegumento e o comportamento) na regulação térmica. Além disso, ele tem a capacidade de reparar ferimentos, compensar danos e responder com extraordinária versatilidade aos diferentes requisitos do momento” (pág. 243; 2006).

O coração dos Humanos
        Localizado no mediastino, na cavidade do pericárdio, o coração dos humanos é composto por musculatura estriada cardíaca (miocárdio); dividido em base (porção que é constituída pelos átrios direito e esquerdo; câmaras de recepção) e ápice (região composta pelos ventrículos direito e esquerdo, câmaras de expulsão); envolto externamente pelo pericárdio fibroso (membrana de revestimento superficial com tecido conjuntivo denso) e internamente pelo pericárdio seroso (membrana de revestimento interno composta pela lâmina parietal e a lamina visceral). O órgão também possui faces, margens e sulcos que objetiva facilitar a localização de suas estruturas:
Face esternocostal:  anterior ao osso esterno e as costelas;
Face diafragmática:  superior ao diafragma;
Margem direita:  voltado ao pulmão direito;
Margem esquerda: voltado ao pulmão esquerdo;
Sulcos coronário: aprofundamento na superfície por onde passa as artérias coronárias.
Sulco interventricular anterior: aprofundamento na superfície por onde passa as veias anteriores do ventrículo direito e veias interventriculares.
Sulco interventricular posterior: aprofundamento por onde passa a veia cardíaca parva e magna.
        A contração do coração se dá pela emissão de correntes elétricas produzidas pelo nó sinoatrial e o nó atrioventricular através de suas células especializadas.
          Como dito anteriormente o coração é composto por câmaras de recepção e expulsão, com isso:
           O átrio direito recebe sangue da veia cava superior, veia cava inferior e o seio coronário. Apresenta uma musculatura menos desenvolvida (músculos pectíneos) e é separado internamente do átrio esquerdo pelo septo interatrial.
           O ventrículo direito apresenta, no seu interior, musculatura bem desenvolvida (trabéculas cárneas) comparado aos átrios, e há uma valva atrioventricular (valva tricúspide) que está sendo suportada pelas cordas tendíneas. Estas cordas conectam à tricúspide e as trabéculas cárneas pelos músculos papilares; o sangue será expulso até a pela artéria pulmonar direita e conduzido para os pulmões.
           O átrio esquerdo recebe sangue das veias pulmonares esquerda e apresenta a mesma musculatura do átrio direito; é separado do ventrículo esquerdo pela valva atrioventricular esquerda (bicúspide ou mitral) que estão fixadas pelas cordas tendíneas e os músculos papilares.
          O ventrículo direito apresenta, também, no seu interior, trabéculas cárneas, porém a musculatura é bem mais desenvolvida se for comparada ao ventrículo direito e os átrios. O ventrículo esquerdo é separado internamente do ventrículo direito pelo septo interventricular. Quando o ventrículo esquerdo recebe o sangue do átrio esquerdo será expulso através da contração de sua musculatura para a artéria aorta e distribuído para o corpo.
  




 Figura 1) Representação esquemática do coração humano. 
Fonte: TORTORA, GERARD J.; NIELSEN, MARK T. Princípios de Anatomia Humana SÃO PAULO, 12ª ED. EDITORA GUANABARA-KOOGAN, (pag:503, 2012).


O Coração dos Dipnoicos – Os Peixes Pulmonados
         Os peixes pulmonados apresentam,também,  respiração branquial. Nessa classe de peixes o pulmão é facultativo, ou seja, dependendo da necessidade de oxigenação do organismo e ausência do gás pela indisponibilidade de água nas brânquias. Com isso o pulmão é ativado e o coração começa a realizar pulsação, possibilitando que o sangue chegue até o órgão e dando início a respiração pulmonar; o mesmo é visto em anuros, mas nesse caso a troca de gás oxigênio é realizado através da pele, já que não apresentam brânquias respiratórias na vida adulta.
De acordo com HILDEBRAND E MILTON (2006):

“O átrio dos DIPNOI é parcialmente dividido em um septo interatrial em câmaras direita e esquerda. O sangue venoso libera sangue não oxigenado para a câmara direita e as veias pulmonares fornecem sangue oxigenados para a câmara esquerda. O ventrículo é parcialmente dividido por um grande músculo, o septo interventricular. O cone, que é grande e não mais contrátil, também é parcialmente dividido por uma válvula espiral ou aba de tecido ancorada na parede do cone ao longo de uma via em espiral. Normalmente a maior parte do sangue não oxigenado é enviado para o quinto e sexto arcos aórticos que levam o sangue para as brânquias e aos pulmões. O sangue oxigenado vai para o terceiro e quarto arcos, que o enviam ao corpo” (pág. 244).





Figura 2) Representação esquemática do coração de um Dipnoi. 
Fonte: HILDEBRAND, M. & GOSLOW, G.E. Análise da estrutura dos vertebrados. 2. ed. São Paulo: Atheneu Editora, (pág. 244;2006)



Escrito por Eriks Oliveira



Referências bibliográficas
HILDEBRAND, M. & GOSLOW, G.E. Análise da estrutura dos vertebrados. 2. ed. São Paulo: Atheneu Editora, 2006.

TORTORA, GERARD J.; NIELSEN, MARK T. Princípios de Anatomia Humana. São Paulo, 12ª ed. Editora Guanabara-Koogan, 2012.

terça-feira, 27 de junho de 2017

A Fisiologia Da Visão De Humanos X Visão De Gatos

A informação visual sempre teve papel fundamental em diferentes aspectos nos comportamentos dos animais, sendo um fator que levou a diferentes adaptações de acordo com sua necessidade nas diferentes classes de animais, o que demonstra seu papel evolutivo no decorrer de gerações. A visão tem diferentes especificidades de acordo com o papel daquele animal na natureza, sendo, por exemplo, como predador e presa, onde normalmente, presas têm visões mais periféricas e predadores visões mais centradas, além das diferentes capacidades de dilatação da pupila e rotação do globo ocular, o que confere vantagens em suas respectivas sobrevivências. As espécies também diferenciam-se, na capacidade visual, em reconhecer os diferentes espectros eletromagnéticos das faixas de comprimento de onda definidos pela luz emitida (Figura 1). Essas diferenças na captação de luz são de extrema importância no ecossistema como um todo, sendo possível identificar essa importância em animais polinizadores, por exemplo, como em algumas aves, que enxergam cores vibrantes como vermelho e amarelo, polinizando flores coloridas; abelhas enxergam a luz ultravioleta, melhor refletida em flores brancas e morcegos enxergam mal, portanto polinizam flores sem cores muito chamativas. Portanto, vemos que a visão desempenha função essencial no equilíbrio ecológico da natureza, influenciando em todos os nichos.

Figura 1: O espectro eletromagnético. Fonte: AIRES, 2015, p. 310.

Algumas especificidades nas estruturas oculares da visão também podem diferenciar animais em noturnos ou diurnos, como veremos a seguir no exemplo dos seres humanos, que são animais diurnos e os gatos, animais noturnos, mais especificamente, crepusculares, o que significa que são ativos ao amanhecer e entardecer.
O aparelho da visão é formado por um par de globos oculares, os olhos.  O olho composto é, basicamente, constituído por um sistema de lentes, com características bem específicas, como um sistema automático de focalização, diferenciando eficientemente o foco em objetos próximos e distantes; a íris, que controla a luminosidade que entra no olho e a eficiência de operação, possibilitando a capacidade de enxergar em ambientes com muita ou pouca luz (OKUNO; CALDAS; CHOW, 1982).
Os olhos são formados por três principais camadas: fibrosa (córnea e esclera), vascular (coróide, íris e corpo ciliar) e nervosa (retina), além dos meios de refração da luz: humor aquoso, humor vítreo e cristalino. Em detalhes, estes elementos oculares são (Figura 2):
·         Esclera, que é uma camada externa que protege o globo ocular;
·         Coróide, que é camada que localiza-se internamente à esclera e contem vasos sanguíneos, sendo responsável pela nutrição das estruturas oculares;
·         Córnea, responsável por dois terços da focalização da luz na retina;
·         Humor Aquoso, que mantém a pressão do olho em 15mmHa, fornecendo nutrientes à córnea e ao cristalino (que não são vascularizados)
·         Íris, composto por músculos cirulares e radiais que ao se contraírem ou distenderem, diminuem ou aumentam o tamanho da abertura – a pupila – por onde a luz entra, controlando, portando a quantidade de luminosidade que penetra no olho;
·         Cristalino, que funciona como a lente do olho, responsável pelo terço restante da focalização da luz na retina, constituído de fibras transparentes e envolto por membrana clara e elástica, e os ligamentos que o ligam aos músculos ciliares podem alterar sua forma, aumentando sua capacidade de desviar os raios luminosos;
·         Humor vítreo, que é uma substância clara e gelatinosa que preenche o espaço entre o cristalino e a retina, mantendo os raios luminosos no curso estabelecido pela lente;
·         Retina, que contém os fotorreceptores e circuitos neurais envolvidos no processamento inicial da informação visual, onde ocorre, portanto, a conversão da imagem luminosa em impulsos elétricos nervosos, que serão enviados ao cérebro e lá processados. Cobre quase toda a superfície interna do olho e é extremamente sensível à luz.


Figura 2: Secção sagital do olho humano. Fonte: OKUNO, 1982, p. 271.

Na retina há dois tipos de fotorreceptores, os cones e os bastonetes, sendo os cones, estruturas bulbiformes, responsáveis pela visão detalhada à luz do dia, com percepção de cor, e os bastonetes, com forma reta e delgada, responsáveis pela visão quando a luz está fraca, detectando tons de cinza, e pela visão periférica. Em humanos, existem cerca de 6,5 milhões de cones e 120 milhões de bastonetes em cada olho, sendo 10 vezes mais cones que em gatos, em contrapartida de 6 a 8 vezes menos de bastonetes.
A estrutura ocular citada é basicamente a mesma entre humanos e gatos, o que se diferencia entre ambos, principalmente, é a retina. Gatos possuem uma concentração contrária à quantidade de cones e bastonetes em humanos, possuindo mais bastonetes que cones, e tendo um campo de visão maior que os humanos (gatos enxergam 200º e humanos 180º), portanto possuem a capacidade de ver os limites do próprio campo visual sem a necessidade de girar a cabeça, o que auxilia na caça. A acuidade visual é notavelmente diferente também, onde a nitidez e clareza da visão para um humano é de 20/20 e de um gato é entre 20/100 e 20/200, ou seja, gatos precisam estar a 2 metros para ver o que um humano vê a 100 ou 200 metros, portanto a visão felina a certas distâncias de um objeto é mais embaçada que a de um humano, isso se dá devido ao músculo ciliar dos gatos ser pouco desenvolvido, o que não permite a acomodação ideal do cristalino para a focalização perfeita do objeto, principalmente a longas distancias.
Humanos e gatos são tricomatas, o que significa que possuem três tipos de cones para a percepção das cores azul, vermelho e verde, entretanto, a visão de gatos relacionada às cores se assemelha a visão de um humano daltônico (embora não sejam daltônicos), pois eles vêm sombras de azul e verde, e o vermelho e o rosa se misturam para eles, podendo se parecer com verde e o roxo com azul, portanto podem distinguir o azul, verde, amarelo e violeta, mas não o vermelho, laranja e marrom. A elevada percepção de cores percepção de cores pelos humanos é devido à alta concentração de cones na área da fóvea, que é a concentração máxima de cones na região central da retina em uma pequena depressão, gatos não possuem a fóvea, mas também na região central da retina possui mais cones que no restante dos olhos, mas também elevada quantidade de bastonetes, o que permite identificar objetos que se movem muito rapidamente (como roedores, suas principais presas), o que em humanos é o contrário, podemos identificar objetos que se movem muito lentamente (que para os gatos estariam aparentemente parados). A saturação das imagens para gatos é mais negativa que para os humanos, vendo as coisas mais aproximadas a tons de sépia. Gatos são predadores e possuem uma habilidade específica para identifica a presa na caça e captura da mesma, que é a melhor visualização e foco de objetos mais próximos que distantes, logo, sua visão é como de míopes, não conseguindo identificar objetos distantes, porém são melhores com objetos próximos. Devido a seu alto número de bastonetes, conseguem enxergar muito bem no escuro, sem riqueza de cores porem com uma habilidade maior que os humanos, enxergando com 1/6 da quantidade de luz mínima que um humano necessita para enxergar, sendo de 6 a 8 vezes melhor. Os gatos possuem uma estrutura – camada de células – atrás da retina chamada tapetum lucidum (tapete lúcido), que melhora ainda mais a visão noturna, além dos bastonetes, as células do tapetum lucidum funcionam como um espelho, que reflete a luz que passa pelos bastonetes e cones de volta para os mesmos, dando aos fotorreceptores outra oportunidade para captar quantidades ínfimas de luz, e é graças a esse tapetum, que por ser como um espelho, o olho dos gatos brilha no escuro, porém, essa camada de células atua negativamente na nitidez da visão, pois uma vez que auxilia aumentando a capacidade de visão noturna, reduz a acuidade visual em condições de intensa luminosidade por aumentar ainda mais a quantidade de luz que pode ser captada pela retina, e o que compensa isso são suas pupilas de forma elíptica que dilatam-se muito na escuridão e fecham-se quase completamente quando a luz é muito forte. Gatos também possuem córneas maiores, proporcionalmente falando, que de humanos, o que auxilia na luz refletida pelo tapetum.
Além dessas características que são comparadas de forma um pouco diferenciada em cada um, gatos (dentre outros animais) possuem uma capacidade na visão que humanos não possuem, que é a captação de raios ultravioletas, forma de luz invisível aos humanos devido a nossa estrutura ocular que impede que estes cheguem à retina, possivelmente o cristalino filtra essa luz. E é esta característica que faz com que sua visão seja menos nítida que a nossa.
Abaixo, imagens comparando a visão humana e felina nos diferentes aspectos explicados a cima, todas criadas pelo Nickolay Lamm do Animal Eye Institute, que consultou três especialistas (Kerry L. Ketring, Dr. DJ Haeussier e o grupo oftalmológico da Penn Vet) para a realização do projeto que resultou nas imagens.  

Figura 3: Campo de Visão (180º X 200º). Fonte: Nickolay Lamm.


Figura 4: Acuidade visual: Humana X Felina. Fonte: Nickolay Lamm.

Figura 5: Cores. Fonte: Nickolay Lamm.


Figura 6: Saturação. Fonte: Nickolay Lamm


Figura 7: Distância. Fonte: Nickolay Lamm.

Figura 8: Visão noturna de Humanos e Gatos. Fonte: Nickolay Lamm.

Escrito por Larissa Fernandes



REFERÊNCIAS
CIÊNCIA-ONLINE. Visão Felina: Como os gatos vêm o mundo. 2013. Disponível em: <http://www.ciencia-online.net/2013/10/visao-felina-como-os-gatos-vem-o-mundo.html>. Acesso em: 23 jun. 2017.
FREITAS, Elaine Bernardino et al. ESTUDO COMPARATIVO DE RETINAS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS E SERES HUMANOS – REVISÃO DE LITERATURA. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, Garça/pr, v. 11, n. 17, jul. 2011. Semestral. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/site/>. Acesso em: 23 jun. 2017.
Gatinho Branco. Eles realmente vêem coisas que nós não vemos. 2014. Disponível em: <http://gatinhobranco.com/?p=1525>. Acesso em: 21 jun. 2017.
LABATUT. Como gatos e cães enxergam? 2012. Disponível em: <http://www.labatutveterinaria.com.br/index.php/artigos/72-como-caes-e-gatos-enxergam-outubro>. Acesso em: 22 jun. 2017.
LAMM, Nickolay. Olhos de caçador: como os gatos vêem? 2014. Disponível em: <http://gatinhobranco.com/?p=929>. Acesso em: 21 jun. 2017.
MELLO, Margarida de Aires et al. Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. 1335 p.
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

O coração humano e os múltiplos corações dos Cephalopodes

O sistema circulatório humano é fechado, ou seja, a circulação do sangue ocorre somente através de vasos sanguíneos, sendo constituído pelo coração, artérias, veias e capilares, que apresentam uma rica vascularização do corpo, garantido eficiência nas trocas gasosas e de nutrientes.

O coração é formado por quatro câmaras, duas receptoras denominadas átrios e duas de bombeamento, os ventrículos. Onde o conjunto do átrio e o ventrículo direito são responsáveis por irrigar o pulmão e o esquerdo por irrigar todos os sistemas. A circulação do sangue no corpo ocorre da seguinte maneira: as veias pulmonares levam o sangue oxigenado para o átrio esquerdo, que, através da valva atrioventricular esquerda, chega até o ventrículo esquerdo, o qual lança na aorta e nas artérias sistêmicas, irrigando todo o corpo com o sangue oxigenado, o sangue é, então, devolvido para o coração, através da veia cava superior, inferior e o seio coronário, que juntos lançam o sangue no átrio direito, que, através, da valva atrioventricular direita envia para o ventrículo direito, que, pelo tronco pulmonar e as artérias pulmonares, irrigam os pulmões com o sangue venoso para que se oxigene novamente para retornar para o sistema.





Figura1. Sistema circulatório humano
Disponível em: http://biologiapontal.blogspot.com.br/2015/09/comparando-os-sistemas-circulatorios.html

Nos Cephalopodes (polvos e lulas), assim como nos humanos, a circulação é fechada, porém o sistema circulatório é complexo, sendo constituído por um coração sistêmico, dois corações branquiais, além de capilares e artérias contráteis, o que permite uma circulação eficiente, tornando-os capazes de serem predadores ágeis, capazes de locomover em grandes velocidades e atingirem grandes comprimentos.
O coração sistêmico é formado por um par de átrios e um único ventrículo central, sendo todos contráteis, que juntamente com as contrações dos corações sistêmicos permitem a circulação do sangue por todo o corpo do animal. A circulação sanguínea nos Cephalopodes (lulas e polvos), irá ocorrer da seguinte forma: o vaso branquial eferente manda o sangue oxigenado das brânquias até os átrios do coração sistêmico, onde é bombeado para o ventrículo, que, através das artérias laterais e medianas do manto, levam o sangue oxigenado para a cavidade do manto e, por meio da artéria anterior ou cefálica, conduzindo para a cabeça do animal e após realizar as trocas gasosas retorna pobre em O2 pelas veias posteriores e anterior ou cefálica, até os corações branquiais, onde o sangue será bombeado novamente nas brânquias através do vaso branquial aferente, a fim de ser oxigenado novamente e retornar para o sistema.



Figura 2. Sistema circulatório dos cephalópodes.  
Fonte: Moyes & Schulte. 2010

Apesar das diferenças observadas os dois sistemas podem ser facilmente comparados, de forma com que o lado direito do coração humano atua da mesma forma que os corações sistêmicos, irrigando os órgãos respiratórios e o lado esquerdo, como o coração sistêmico, irrigando todos os sistemas do corpo, porém nos humanos os dois lados apresentam-se grudados, mas sem apresentar uma importância para o funcionamento do sistema.

Escrito por Pâmela Oliveira. 



Referencias:
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