quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Comparação entre o sistema respiratório dos seres humanos e das serpentes

As serpentes são vertebrados da classe Reptilia (répteis) e ordem Squamata (escamados). Apresentam algumas características morfológicas semelhantes aos humanos, mas também algumas peculiares. Quanto ao sistema respiratório, as serpentes, tal como os seres humanos, possuem a respiração pulmonar, responsável pelas trocas gasosas através dos pulmões.

Figura 1: Momento da deglutição da presa. Seta: Glote elevada


Figura 2: Sistema Respiratório Humano

A parte interna da cavidade oral da serpente é bem peculiar, e pode apresentar funções diferentes nos momentos de abrir e fechar a boca. A traqueia e a glote, localizadas ventralmente, permitem a conexão e a entrada do ar para os pulmões. Em condições normais, de boca fechada, a glote se eleva conectando-se ao ducto nasal para que o fluxo de ar adentre até a traqueia e, posteriormente, chegue aos pulmões. No entanto, ao capturar uma presa e, no momento da deglutição da mesma, a glote aliada à alguns músculos da superfície bucal, se projeta próximo a parte externa. Isso, facilita a respiração das serpentes enquanto a boca estiver obstruída por alguma presa. Ao passo que nos seres humanos, o ducto nasal é preenchido pelas fossas e conchas nasais, mas também os nervos olfatórios na parte superior. Além disso, a epiglote localizada na porção final da laringe, funciona como um alçapão que move-se para cima e para baixo. Durante a deglutição, a laringe se eleva e, com a elevação dessa, a epiglote se move para baixo (TORTORA; NIELSEN, 2013). Devido à esse movimento, o corpo humano não consegue engolir e respirar ao mesmo tempo, visto que os dois passam pela mesma cavidade. Ademais, a movimentação da epiglote nos humanos é bem restrita, pois ela move-se, apenas, como um alçapão. A laringe, além de impedir o conflito entre os dois sistemas, têm a função de produção da voz. Ela apresenta estruturas denominadas pregas vocais que são as principais para a produção. Nas pregas, são encontradas faixas de ligamentos elásticos esticadas entre as cartilagens rígidas da laringe, como as cordas de violão segundo Tortora e Nielsen (2013).

A traqueia tem a função de passagem de ar tanto para as serpentes quanto aos humanos, demonstrando-se alta similaridade.
A maioria das serpentes, apresentam o pulmão atrofiado. O pulmão direito é bem mais desenvolvido, estendendo-se pelos dois terços do corpo, e, em algumas espécies, podem também ter o auxílio do pulmão traqueal. Essa adaptação auxilia na respiração após a deglutição de uma grande presa que comprima o pulmão direito (ANDRADE; PINTO; OLIVEIRA, 2002).



Figura 3: Anatomia da Serpente




Enquanto nos humanos, possuem um par de pulmões não idênticos, na maioria dos casos, funcionais. O pulmão esquerdo é suavemente menor, visto que ele partilha espaço com a cavidade mediastino, onde está localizado o coração. Nas faces externas, é visível a presença de incisuras que dividem os pulmões em lobos. O pulmão direito é dividido por duas incisuras em três lobos. Já o esquerdo, esse apresenta apenas uma incisura, decorrendo a formação de dois lobos. Na parte interna, irá encontrar brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares, responsáveis pela hematose. 

Para auxiliar na inspiração e expiração, o corpo humano possui um músculo estriado esquelético extenso, chamado diafragma, que separa a cavidade torácica da abdominal.


Figura 4: Anatomia da serpente apresentando o pulmão direito.

Quando em estado de relaxamento, o diafragma possui formato de arco. Durante a inspiração, este músculo se contrai e ao distender-se aumenta a capacidade do tórax. Nesse processo, o ar tende a entrar nos pulmões para compensar o vazio gerado. No momento em que este músculo relaxa, o ar acumulado é expulso.

As serpentes não possuem diafragma como as pessoas. Fazem o ar entrar e sair dos pulmões estreitando a caixa torácica, para empurrar o ar para fora, e depois alargando-a, para criar um vácuo que suga o ar para dentro. Esse alargamento da caixa torácica é disponível, uma vez que elas não possuem o esterno. Após cada ciclo respiratório, elas experimentam uma apneia, parada respiratória que dura de poucos segundos até alguns minutos.
Dessa forma, mesmo apresentando similaridades com os humanos por serem cordados, as serpentes possuem comportamento e estilo de vida diferentes, que proporcionaram à elas desenvolverem outras maneiras para sobrevivência.

 
 Escrito por Henrique Aguiar de Oliveira


Referências Bibliográficas:

ANDRADE, Antenor; PINTO, Sergio Correia; OLIVEIRA, Rosilene Santos de; Orgs. Animais de Laboratório: criação e experimentação. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2002. 177 p.
TORTORA, Gerard J.; NIELSEN, Mark. Princípios da Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 843 p.
TORTORA, Gerard J.; NIELSEN, Mark. Princípios da Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 844 p.


Fontes:
Figura2: http://www.euquerobiologia.com.br/2014/08/sistema-respiratorio-anatomia-e-funcoes.html
Figura2: http://www.euquerobiologia.com.br/2014/08/sistema-respiratorio-anatomia-e-funcoes.html








sábado, 4 de novembro de 2017

PUBERDADE E MATURAÇÃO SEXUAL MASCULINA: HUMANOS X “PEIXES”

Nos humanos a puberdade é o conjunto de transformações que marcam o amadurecimento sexual e o inicio da fertilidade (AIRES, 2008). Nos meninos, a puberdade é caracterizada pelo surgimento da secreção pulsátil de LH (hormônio luteinizante) durante o sono, sinalizando assim uma reativação da pulsatilidade do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Com o tempo, nota-se que há um aumento também da produção de LH no período diurno e esse aumento deve-se tanto á liberação mais intensa de GnRH pelo hipotálamo quanto á maior sensibilidade da hipófise ao estimulo hipotalâmico (AIRES, 2008).

Em seguida, ocorre o crescimento e amadurecimento testicular, sendo o FSH (hormônio folículo - estimulante) responsável, e há aumento significativo na produção de testosterona e inicio da espermatogênese. Assim, a maturidade sexual é obtida em torno dos 16 aos 18 anos, quando os níveis de testosterona no sistema encontra-se ente 10 a 30 ng/ml e nesse período a produção de espermatozoides é elevada e a maior parte dos caracteres sexuais secundários já se completou (AIRES, 2008).


Figura 1 – Eixo hipotálamo-hipófise testículo
Fonte: https://momentofisioex.files.wordpress.com/2013/10/testosterona2.jpg?w=604&h=404

Já em relação aos peixes, o desenvolvimento e maturação gonadal são controlados por fatores ambientais como a temperatura, fotoperíodo, pluviosidade, entre outros; e genéticos, sendo regulados por uma rede molecular de sinais (ANDRADE et al, 2015), e os mesmos são percebidos pelo organismo e acionam neuromodulaçoes na atividade do eixo hipotálamo-hipófise (figura 2) que iniciam a primeira maturação sexual ou puberdade (ALMEIDA, 2013).  Nos mamíferos, o início da puberdade é associado à frequência de liberação do hormônio luteinizante (LH), enquanto que nos peixes, o hormônio FSH (hormônio folículo-estimulante) tem mais relevância nessa fase, assim, como resposta a liberação de GnRH na hipófise, inicia-se a síntese e liberação de FSH, estimulando as atividades gonadais (ALMEIDA, 2013).


Figura 2 – Eixo hipotálamo- hipófise em peixes
Fonte: http://www.cbra.org.br/pages/publicacoes/rbra/v37n2/pag174-180%20(RB455).pdf

Portanto, durante o período da reprodução, ocorre a liberação da kisspeptina por regiões do encéfalo, inclusive no hipotálamo, sendo que a mesma estimula a produção e liberação de GnRH pelo hipotálamo, e após ser secretado, estimula a adenohipófise a produzir as gonadotrofinas (LH e FSH) que ao cair na corrente sanguínea, as mesmas chegam nas gônadas e estimulam a produção de hormônios esteroides sexuais os quais são responsáveis por proporcionar a maturação sexual dos indivíduos  e o desenvolvimento de caracteres sexuais secundários (ANDRADE et al, 2015).  



                        Escrito por Carolina Monteiro de Almeida



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AIRES, M. M et al. Fisiologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
 ALMEIDA, F. L. Endocrinologia aplicada na reprodução de peixesRev. Bras. Reprod. Anim., Belo Horizonte, v.37, n.2, p.174-180, abr./jun. 2013. Disponível em: <http://www.cbra.org.br/pages/publicacoes/rbra/v37n2/pag174-180%20(RB455).pdf>. Acesso: Outubro, 2017.
ANDRADE, E. S. Biologia reprodutiva de peixes de água doce. Rev. Bras. Reprod. Anim., Belo Horizonte, v.39, n.1, p.195-201, jan./mar. 2015. Disponível em: <http://www.cbra.org.br/pages/publicacoes/rbra/v39n1/pag195-201%20(RB573).pdf>. Acesso: Outubro, 2017. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Sistema Tegumentar: Humanos e Platyhelminthes


Muitas pessoas conhecem somente como “pele”, no entanto, estamos falando sobre o maior órgão do nosso corpo, o qual faz parte de um sistema, o tegumentar.  Este sistema é composto de três camadas: a epiderme, a derme e a hipoderme (Figura 1).




Figura 1. Tegumento Humano



A primeira camada é avascular, se encontra na região mais periférica deste sistema, é integrado por quatro tipos de células diferentes, sendo que a predominante são os queratinócitos (células produtoras de queratina). E se subdivide em mais cinco estratos (Figura 2):
Ø    Estrato córneo: Estrato mais externo; está submetido à reciclagem contaste das células e se constitui de 20 a 30 camadas de queratinócitos mortos e achatados.
Ø Estrato lúcido: Possui somente queratinócitos mortos e achatados e se particulariza por estar, exclusivamente, presente em membros os quais apresentam pele glabra (mais grossa e sem pelos).
Ø    Estrato granular: Nesta camada há grânulos de proteínas e filamentos de queratina. Frequentemente ocorre a apoptose (morte celular) devido à falta de oxigênio.
Ø     Estrato espinhoso: Penúltima camada, mais interna, possui de oito a dez camadas de queratinócitos e células de Langerhans (são facilmente danificadas pelos raios UV e são responsáveis pelas respostas imunes).
Ø   Estrato basal: Finalmente, chegamos ao estrato mais proximal, nele é possível encontrar queratinócitos, melanócitos (produtoras de melanina) e células de Merkel, a qual se tipifica por fazer contato com neurônios, ou seja, podem ser consideradas células táteis.
Figura 2. Anatomia da Epiderme

A segunda camada do sistema tegumentar é a derme. Este revestimento é mais complexo que a epiderme e também se divide em duas partes (Figura 3):
Ø Papilar: Nesta camada se situam as papilas dérmicas (“digitais”) e as fibras colágenas e elásticas, é importante salientar que as estrias surgem a partir do rompimento desta.
Ø Reticular: Esta parte da derme está fixada à hipoderme, possui fibras elásticas e colágenas, adipócitos (armazenam gordura), vasos sanguíneos, nervos, folículos pilosos (estrutura capaz de produzir os pelos) e glândulas.
Figura 3. Anatomia da Derme



A terceira, e não menos importante, é a hipoderme ou tela subcutânea. Esta é a camada intermediária entre a derme e o músculo, local o qual há receptores de tato (corpúsculo de piccini) e ocorre o armazenamento de gordura.   
O Filo Platyhelminthes foi o primeiro grupo a apresentar simetria bilateral, terceiro folheto embrionário e cefalização. Além disso, neste grupo, se originou dois tipos de epiderme: ciliada e sincicial. E suas funções são de proteção, trocas gasosas e excreção (Figura 4). 

Figura 4. Filo Platyhelminthes

Ø Epiderme ciliada: Este tipo de tegumento está presente nos seres da Classe Turbellaria. Esta epiderme é unilaminar, ciliada e sustentada por uma membrana basal. Ademais, possuem estruturas únicas do filo Platyhelminthes, como os rabditos (células em forma de bastão que libera um muco protetor). E no caso dos simbiontes, glândulas adesivas, cílios adesivos ou ventosas musculares (Figura 5).       

Figura 5. Epiderme Ciliada


Ø Epiderme sincial: Este tipo de resvestimento está presente nas classes que possuem plateomintos parasitas e surgiu a partir da Classe Neodermata (Neo = novo + dermata = derme), a qual possui esse nome devido a esta sinapormofia.  A epiderme sincicial se caracteriza por possuir uma cutícula de revestimento e pelo núcleo da celúla epitelias se localizar abaixo da membrana basal. Tal traço evolutivo permitiu uma maior permeábilidade, devido ao habito de parasitismo (Figura 6). 

Figura 6. Epiderme Sincial

Em suma, é possível perceber algumas estruturas em comum, como é possível observar tabela 1. Mas também podemos evidenciar que o sistema tegumentar humano é mais complexo do que a epiderme dos platelmintos.

Escrito por Gabriel Britto

Referências Bibliográficas
DO NASCIMENTO, Fábio Santos. Invertebrado II. 2009.
DOMINGUES, Marcus Vinicius. Filo Platyhelminthes. In: BRUSCA Richard C; BRUSCA, Gary J. Invertebrados. Segunda. ed. [S.I]: Guanabara Koogan, 2007. Cap.10, p.295-330.
TORTORA. G.J; NIELSEN. M.T, Princípios da anatomia. 12. Ed

domingo, 22 de outubro de 2017

Sistema circulatório: uma comparação entre seres humanos e testudines

Sistema Cardiovascular Humano

Segundo Tortora e Nielsen (2013), o sistema cardiovascular humano é composto por três componentes principais: sangue, coração e vasos sanguíneos. O sangue é responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões para as células, transporte de nutrientes vindos do trato gastrintestinal, regulação da temperatura do corpo por meio dos vasos sanguíneos. Já o coração tem a função de bombear o sangue para as partes do corpo, e está localizado próximo a linha mediana da cavidade torácica no mediastino.



 Figura 1. Estrutura anatômica do coração humano.

Anatomia e funcionamento do coração humano:

Câmaras do coração:

O coração humano é dividido em quatro câmaras, dois átrios, que são câmaras receptoras, sendo um direito e outro esquerdo. Recebem o sangue vindo dos vasos sanguíneos e dois ventrículos, que se tratam de câmaras de bombeamento, também composto por um ventrículo direito e outro esquerdo, que ejetam o sangue do coração para as artérias.
ü  Átrio direito: Recebe o sangue vindo de três veias (veia cava superior, veia cava inferior e seio coronário). Possui uma estrutura interna lisa e cristas paralelas denominados músculos pectíneos, que revestem o restante da parede do átrio. O sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito através da valva tricúspide.
ü  Ventrículo direito: Possui uma série de cristas em seu interior chamadas trabéculas cárneas. O sangue passa do ventrículo direito pela valva do tronco pulmonar, para um vaso, chamado tronco pulmonar, que transporta o sangue para os pulmões, onde ocorrerá a oxigenação do sangue.
ü  Átrio esquerdo: Recebe o sangue proveniente dos pulmões através das veias pulmonares, possui estrutura semelhante ao átrio direito. O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo pela valva bicúspide.
ü  Ventrículo esquerdo: Parte mais espessa do coração, contendo também trabéculas cárneas e cordas tendíneas que ancoram as válvulas da valva atrioventricular esquerda aos músculos papilares. O sangue passa do ventrículo esquerdo pela valva da aorta.

Desta maneira em cada contração o coração bombeia o sangue para dois circuitos, formando dois caminhos distintos, também conhecidos como circulação sistêmica, na qual o lado esquerdo do coração recebe sangue oxigenado dos pulmões, o ventrículo esquerdo ejeta o sangue para a aorta que ramifica-se em artérias sistêmicas menores, que  levam o sangue para todos os órgãos do corpo. O outro caminho é a circulação pulmonar, onde o lado direito recebe todo o sangue desoxigenado que retorna da circulação sistêmica. O ventrículo direito ejeta o sangue para o tronco pulmonar, que se ramifica nas artérias pulmonares que levam o sangue para os pulmões, onde ocorrem as trocas gasosas e o sangue recém- oxigenado flui para as veias pulmonares e retorna para o átrio esquerdo.
Os vasos sanguíneos originam-se no coração, formando um sistema extenso de vias tubulares que transportam o sangue para todas as partes do corpo, funcionando como um sistema de irrigação contínua.  Estes vasos compreendem as artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias.


Figura 2. Esquema da circulação sistêmica e circulação pulmonar.
Fonte: Tortora e Nielsen (2013)

Sistema Cardiovascular dos Testudines

 Os Testudines são animais vertebrados e de vida longa que caracterizam-se, principalmente, pela presença do casco recobrindo o corpo, e que sofreram poucas mudanças ao longo do processo evolutivo. Atualmente são divididos em dois grandes grupos: os Cryptodira que retraem a cabeça para dentro do casco curvando o pescoço na forma de um S vertical, e os Pleurodira que retraem a cabeça curvando o pescoço horizontalmente.
Os principais representantes desse grupo são as tartarugas e os jabutis.
Segundo Pough et al. (2003), o sistema cardiovascular dos Testudines permite trocas de sangue entre os circuitos pulmonar e sistêmico, essa flexibilidade na rota sanguínea é possível pois as câmaras ventriculares de seu coração possuem continuidade anatômica, em vez de estarem completamente divididas por um septo, como ocorre, por exemplo, nos mamíferos.



Figura 3. Fluxo sanguíneo no coração de um Testudines.
Fonte: Pough  et al.(2003).

Os átrios esquerdo e direito  estão completamente separados e três subcompartimentos  podem ser distinguidos no ventrículo.
Uma crista muscular no centro do coração divide o ventrículo em dois espaços, denominados cavum pulmonale e cavum venosum, essa crista não se funde à parede do ventrículo e assim, o cavum pulmonale e o cavum venosum ficam separados apenas parcialmente. Um terceiro subcompartimento chamado cavum arteriosum, localiza-se dorsalmente ao cavum pulmonale e ao cavum venosum. O cavum arteriosum comunica-se com o cavum venosum por meio de um canal ventricular, então a artéria pulmonar abre-se no cavum pulmonale e os arcos aórticos esquerdo e direito abrem-se no cavum venosum.
O átrio direito recebe o sangue desoxigenado do corpo e esvazia-se no cavum venosum, e o átrio esquerdo recebe sangue oxigenado do pulmão e esvazia-se no cavum arteriosum. Os átrios se contraem, as válvulas atrioventriculares se abrem, permitindo que o sangue flua para o ventrículo, e impedindo que os sangues oxigenado e desoxigenado se misturem.
O ventrículo, então, se contrai e o sangue desoxigenado do cavum pulmonale é expelido através das artérias pulmonares, a válvula atrioventricular direita se fecha, impedindo que o sangue do cavum venosum retorne para o átrio. Neste momento a válvula deixa de bloquear o canal intraventricular, e o sangue oxigenado do  cavum arteriosum flui pelo canal e entra no  cavum venosum. Assim, a parede do ventrículo é pressionada  contra a crista muscular, separando o sangue oxigenado no  cavum venosum do sangue desoxigenado no cavum pulmonale.
Portanto pode-se concluir que as que apesar de terem algumas estruturas semelhantes, o funcionamento torna-se um pouco distinto, pois no humano há um sistema cardiovascular, dividido em dois circuitos separados, cada um com suas próprias estruturas para a oxigenação e distribuição do sangue. Já o sistema cardiovascular dos Testudines permite trocas de sangue entre os dois circuitos (sistêmico e pulmonar), pois em seu coração os câmaras ventriculares possuem continuidade e não são divididos por septos como no humano, além de possuírem estruturas distintas subdivididas no ventrículo chamadas: cavum pulmonale, cavum venosum e cavum arteriosum que recebem e expelem o sangue para o corpo.


 Escrito por Letícia Rodrigues


Referências Bibliográficas

TORTORA, Gerard J.; NIELSEN, Mark T.. Princípios de Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

POUGH, Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B.. A Vida dos Vertebrados. 3. ed. São Paulo: Atheneu Editora, 2003 (p.278)

domingo, 15 de outubro de 2017

Sistema Reprodutor Masculino: Humanos x Aves

Os testículos são os órgãos responsáveis pela espermatogênese e síntese de hormônios sexuais. Estes processos asseguram a fertilidade e o desenvolvimento e manutenção das características sexuais masculinas. A função testicular é regulada pelo sistema nervoso central (SNC) por meio principalmente das alças de retrocontrole com GnRH (gonadotropin releasing hormone ­– hormônio liberador de gonadotrofinas) hipotalâmico e gonadotrofinas hipofisárias. Fatores parácrinos, neurais e endócrinos contribuem para esta complexa regulação do sistema reprodutor masculino (AIRES, 2015). O sistema reprodutor masculino está organizado a partir dos testículos, do pênis e das glândulas acessórias, sendo estas, a próstata e as vesículas seminais.
Os testículos dos humanos são constituídos por novelos de tubos finos denominados de túbulos seminíferos, sendo as suas paredes o local onde ocorre a formação dos espermatozoides. Ainda, na parede dos túbulos seminíferos, encontram-se as células de Sertoli, se estendendo da lâmina basal até o lúmen tubular, responsáveis pelo suporte das células germinativas, exercendo, também, função regulatória sobre o eixo hipotálamo-hipófise, com a produção do hormônio inibina. No tecido que conecta os túbulos seminíferos, encontram-se as células de Leydig, responsáveis por secretar testosterona na rede capilar adjacente. Os túbulos seminíferos se convergem para uma rede de ductos, que, por sua vez, conduzem os espermatozoides a um tubo único e fortemente enovelado, o epidídimo, responsável pela etapa final de maturação dos gametas masculinos.

Figura 01. Aparelho reprodutor masculino.

A regulação hormonal na produção de espermatozoides e na produção da testosterona é realizada pelos hormônios produzidos na hipófise anterior ou adeno-hipófise, as gonadotrofinas - Hormônio luteinizante (LH) e o Hormônio folículo-estimulante (FSH), por controle do hormônio liberador de gonadotrofina do hipotálamo (GnRH). O hipotálamo produz o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), o qual vai agir na adeno-hipófise através da corrente sanguínea pelo sistema porta hipofisário, estimulando a produção das gonadotrofinas LH e FSH, pelo gonadotrofos adeno-hipofisãrios. O LH cai na corrente sanguínea e age nos testículos, especificamente nas células de Leydig, estimulando a produção de testosterona, o mesmo ocorre com o FSH agindo especificamente nas células de Sertoli, estimulando a espermatogênese. Ao atingir altas concentrações de testosterona na corrente sanguínea, desencadeia-se o processo de feedback negativo o qual a própria testosterona inibe a produção de LH E FSH e de GnRH. As células de Sertoli vão, ainda, produzir a inibina em situações de alta concentração de testosterona, inibindo a produção de LH, FSH e GnRH.
Como nos homens, os testículos de aves desempenham funções duplas, produção de hormônio e produção de gametas. Os testículos das aves se encontram internamente e estão localizados próximo da extremidade cefálica dos rins e ventral a eles, sendo compostos de túbulos seminíferos com células intersticiais dispersas entre eles, e, assim como nos homens, é onde se localiza as células germinativas em desenvolvimento.
Figura 02. Órgão reprodutor de um galo.

Os túbulos seminíferos conectam-se ao sistema de ductos excretores dos testículos; esse sistema de ductos consiste nos ductos eferentes, ductos conectores e ductos epidimários. Os ductos epidimários conectam-se ao ducto deferente distal, que conduz o sêmen para a cloaca, sendo que o caminho percorrido até a cloaca permite a absorção de líquidos nos túbulos seminíferos e a concentração de espermatozoides. Além disso, os espermatozoides adquirem a capacidade de se movimentar espontaneamente à medida que passam através do sistema de ductos excretores. As células de Sertoli nas aves, respondem ao FSH e à testosterona e são reguladas por tais hormônios. E as células de Leydig secretam diversos androgênios presentes no sangue e a testosterona. Os testículos de aves são regulados por mecanismos de retroalimentação negativa convencionais entre as gônadas e os hormônios hipofisários LH e FSH.


Figura 03. Desenho esquemático dos ductos excretores do testículo do galo. TS, túbulos seminíferos; RT, rede testicular; DE, ducto eferente; DC, ducto conector; RE, região epididimária; DE, ducto epididimário; DD; ducto deferente.

 As aves não apresentam próstata nem vesículas seminais e não possuem um pênis verdadeiro, como presente nos humanos. Patos e gansos possuem um pênis (pseudopênis) bem desenvolvido que é retorcido em espiral e serve como órgão de penetração, não sendo definido como um pênis verdadeiro pois, espermatozoides não fluem através dele, percorrendo o caminho ao longo do sulco espiral. Já os galos e perus possuem um pênis pequeno erétil sobre a parte ventral da cloaca e se torna ereto, com um líquido semelhante a linfa durante a excitação sexual e o sêmen flui ao longo do sulco longitudinal do pênis. Nestes animais a inseminação ocorre por contato cloacal, e não por penetração verdadeira.

Escrito por Mariana Bernardes Ribeiro

Referências Bibliográficas

AIRES, Margarida de Mello et al. FISIOLOGIA: Periferia auditiva. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda., 2015.
Dukes, fisiologia dos animais domésticos/ editoria de William O. Reece; [revisão técnica Newton da Cruz Rocha; tradução Cid Figueiredo, Idilia Ribeiro Vanzellotti, Ronaldo Frias Zanon]. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2006 il.

Fonte das imagens
Figura 01. Disponível em: < http://planetabiologia.com/sistema-reprodutor-masculino-anatomia-funcao-genital/>. Acesso em 01 out.2017.
Figura 02. Disponível em: Dukes, fisiologia dos animais domésticos/ editoria de William O. Reece; [revisão técnica Newton da Cruz Rocha; tradução Cid Figueiredo, Idilia Ribeiro Vanzellotti, Ronaldo Frias Zanon]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006 il.

Figura 03. Disponível em: Dukes, fisiologia dos animais domésticos/ editoria de William O. Reece; [revisão técnica Newton da Cruz Rocha; tradução Cid Figueiredo, Idilia Ribeiro Vanzellotti, Ronaldo Frias Zanon]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006 il.