domingo, 15 de outubro de 2017

Sistema Reprodutor Masculino: Humanos x Aves

Os testículos são os órgãos responsáveis pela espermatogênese e síntese de hormônios sexuais. Estes processos asseguram a fertilidade e o desenvolvimento e manutenção das características sexuais masculinas. A função testicular é regulada pelo sistema nervoso central (SNC) por meio principalmente das alças de retrocontrole com GnRH (gonadotropin releasing hormone ­– hormônio liberador de gonadotrofinas) hipotalâmico e gonadotrofinas hipofisárias. Fatores parácrinos, neurais e endócrinos contribuem para esta complexa regulação do sistema reprodutor masculino (AIRES, 2015). O sistema reprodutor masculino está organizado a partir dos testículos, do pênis e das glândulas acessórias, sendo estas, a próstata e as vesículas seminais.
Os testículos dos humanos são constituídos por novelos de tubos finos denominados de túbulos seminíferos, sendo as suas paredes o local onde ocorre a formação dos espermatozoides. Ainda, na parede dos túbulos seminíferos, encontram-se as células de Sertoli, se estendendo da lâmina basal até o lúmen tubular, responsáveis pelo suporte das células germinativas, exercendo, também, função regulatória sobre o eixo hipotálamo-hipófise, com a produção do hormônio inibina. No tecido que conecta os túbulos seminíferos, encontram-se as células de Leydig, responsáveis por secretar testosterona na rede capilar adjacente. Os túbulos seminíferos se convergem para uma rede de ductos, que, por sua vez, conduzem os espermatozoides a um tubo único e fortemente enovelado, o epidídimo, responsável pela etapa final de maturação dos gametas masculinos.

Figura 01. Aparelho reprodutor masculino.

A regulação hormonal na produção de espermatozoides e na produção da testosterona é realizada pelos hormônios produzidos na hipófise anterior ou adeno-hipófise, as gonadotrofinas - Hormônio luteinizante (LH) e o Hormônio folículo-estimulante (FSH), por controle do hormônio liberador de gonadotrofina do hipotálamo (GnRH). O hipotálamo produz o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), o qual vai agir na adeno-hipófise através da corrente sanguínea pelo sistema porta hipofisário, estimulando a produção das gonadotrofinas LH e FSH, pelo gonadotrofos adeno-hipofisãrios. O LH cai na corrente sanguínea e age nos testículos, especificamente nas células de Leydig, estimulando a produção de testosterona, o mesmo ocorre com o FSH agindo especificamente nas células de Sertoli, estimulando a espermatogênese. Ao atingir altas concentrações de testosterona na corrente sanguínea, desencadeia-se o processo de feedback negativo o qual a própria testosterona inibe a produção de LH E FSH e de GnRH. As células de Sertoli vão, ainda, produzir a inibina em situações de alta concentração de testosterona, inibindo a produção de LH, FSH e GnRH.
Como nos homens, os testículos de aves desempenham funções duplas, produção de hormônio e produção de gametas. Os testículos das aves se encontram internamente e estão localizados próximo da extremidade cefálica dos rins e ventral a eles, sendo compostos de túbulos seminíferos com células intersticiais dispersas entre eles, e, assim como nos homens, é onde se localiza as células germinativas em desenvolvimento.
Figura 02. Órgão reprodutor de um galo.

Os túbulos seminíferos conectam-se ao sistema de ductos excretores dos testículos; esse sistema de ductos consiste nos ductos eferentes, ductos conectores e ductos epidimários. Os ductos epidimários conectam-se ao ducto deferente distal, que conduz o sêmen para a cloaca, sendo que o caminho percorrido até a cloaca permite a absorção de líquidos nos túbulos seminíferos e a concentração de espermatozoides. Além disso, os espermatozoides adquirem a capacidade de se movimentar espontaneamente à medida que passam através do sistema de ductos excretores. As células de Sertoli nas aves, respondem ao FSH e à testosterona e são reguladas por tais hormônios. E as células de Leydig secretam diversos androgênios presentes no sangue e a testosterona. Os testículos de aves são regulados por mecanismos de retroalimentação negativa convencionais entre as gônadas e os hormônios hipofisários LH e FSH.


Figura 03. Desenho esquemático dos ductos excretores do testículo do galo. TS, túbulos seminíferos; RT, rede testicular; DE, ducto eferente; DC, ducto conector; RE, região epididimária; DE, ducto epididimário; DD; ducto deferente.

 As aves não apresentam próstata nem vesículas seminais e não possuem um pênis verdadeiro, como presente nos humanos. Patos e gansos possuem um pênis (pseudopênis) bem desenvolvido que é retorcido em espiral e serve como órgão de penetração, não sendo definido como um pênis verdadeiro pois, espermatozoides não fluem através dele, percorrendo o caminho ao longo do sulco espiral. Já os galos e perus possuem um pênis pequeno erétil sobre a parte ventral da cloaca e se torna ereto, com um líquido semelhante a linfa durante a excitação sexual e o sêmen flui ao longo do sulco longitudinal do pênis. Nestes animais a inseminação ocorre por contato cloacal, e não por penetração verdadeira.

Escrito por Mariana Bernardes Ribeiro

Referências Bibliográficas

AIRES, Margarida de Mello et al. FISIOLOGIA: Periferia auditiva. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda., 2015.
Dukes, fisiologia dos animais domésticos/ editoria de William O. Reece; [revisão técnica Newton da Cruz Rocha; tradução Cid Figueiredo, Idilia Ribeiro Vanzellotti, Ronaldo Frias Zanon]. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2006 il.

Fonte das imagens
Figura 01. Disponível em: < http://planetabiologia.com/sistema-reprodutor-masculino-anatomia-funcao-genital/>. Acesso em 01 out.2017.
Figura 02. Disponível em: Dukes, fisiologia dos animais domésticos/ editoria de William O. Reece; [revisão técnica Newton da Cruz Rocha; tradução Cid Figueiredo, Idilia Ribeiro Vanzellotti, Ronaldo Frias Zanon]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006 il.

Figura 03. Disponível em: Dukes, fisiologia dos animais domésticos/ editoria de William O. Reece; [revisão técnica Newton da Cruz Rocha; tradução Cid Figueiredo, Idilia Ribeiro Vanzellotti, Ronaldo Frias Zanon]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006 il.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Olhos de câmera e mosaico

Os seres humanos possuem uma visão do tipo câmera, composta por somente uma lente convergente, a qual forma somente uma imagem. O globo ocular é composto pela esclera, responsável por dar suportes e proteção ao globo ocular, coroide, que irá nutrir o olho através dos vasos sanguíneos, a retina composta por células fotorreceptoras sensíveis a luz, a córnea, camada transparente modificada da esclera que permite a entrada de luz, a íris, responsável por controlar o tamanho da abertura (pupila) por onde a luz vai ultrapassar, até chegar no cristalino, onde a imagem será focalizada e desviada para chegar corretamente até a retina, onde a informação será encaminhada pelo nervo óptico até o cérebro, e a imagem será interpretada, formando uma única imagem com ótima resolução.




Figura 1. Globo ocular humano
Disponível em: http://osfundamentosdafisica.blogspot.com.br/2011/11/cursos-do-blog-termologia-optica-e_08.html

Já alguns insetos possuem os chamados olhos compostos, os quais são junções de milhares de omatídeos que juntos formando uma imagem em mosaico. Cada unidade de omátideos é composta por uma córnea, que é uma lente biconvexa ou plano-convexa, por um cone cristalino, que atua como uma lente para focalizar os raios de luz, e pela rabdoma, que é um canal revestido por células reticulares e pigmentares, as quais juntas vão servir de guia para as ondas luminosas, as encaminhando para o nervo óptico e então chega no cérebro. Cada um desses omatídeos vai formar uma pequena imagem e a junção de todas essas imagens formará uma imagem em mosaico, que permite visualizar quase que ao redor de todo o corpo do animal; entretanto essa será uma imagem de baixa resolução.


Figura 2. Olho composto
Disponível em: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAcaEAJ/olho-composto

A visão dos insetos possui uma baixa qualidade quando comparada a dos humanos, entretanto devido a formação de varias unidade de imagens sua visão é particularmente apropriado a detecção de movimento. Assim como apresentam uma capacidade de se guiar pela radiação ultravioleta emitida pelo sol, até mesmo em dias nublados, onde há pouca penetração da luz solar, diferentemente dos humanos, que são incapazes de visualizar esse tipo de onda luminosa.


Pâmela  Nascimento Menezes de Oliveira

Referencias Bibliográficas

HICKMAN JUNIOR, Cleveland P.; ROBERTS, Larry S.; LARSON, Allan. Princípios Integrados de Zoologia. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda., 2004. 846 p.
CAVALCANTE, Rosangela. OLHO COMPOSTO. Arquivado na UNISA. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAcaEAJ/olho-composto>. Acesso em: 05 set. 2017.
OLHOS de Insetos. 2011. Disponível em: <http://profjabiorritmo.blogspot.com.br/2011/02/olhos-de-insetos.html>. Acesso em: 06 set. 2017.
OLHO Humano | Globo Ocular – Anatomia do Olho. Disponível em: <http://www.anatomiadocorpo.com/visao/olho-humano-globo-ocular/>. Acesso em: 07 set. 2017.
OLHO humano. Disponível em: <http://www.sofisica.com.br/conteudos/Otica/Instrumentosoticos/olhohumano.php>. Acesso em: 07 set. 2017.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sistema esquelético humano e anfíbio: similaridades e diferenças

O esqueleto humano fornece suporte estrutural do corpo, proteção aos órgãos internos e permite a realização de variados movimentos, como correr, pular caminhar juntamente com os músculos e as articulações. Segundo Tortora e Nielsen (2013) o esqueleto humano adulto consiste em 206 ossos, dos quais a maioria é duplo, com uma unidade de cada par no lado direito e outro no esquerdo do corpo.
O sistema esquelético adulto é dividido em: axial e apendicular. O esqueleto axial é o eixo principal do corpo e compreende o crânio, hioide, ossículos da audição, coluna vertebral e tórax somando um total de 80 ossos. Já o esqueleto apendicular consiste nos membros superiores e membros inferiores somando um total de 126 ossos.


Figura 1. Ossos do sistema esquelético adulto
Fonte: Tortora, Nielsen (2013, p. 192): “[...] Princípios de Anatomia Humana”


·         Esqueleto axial
O crânio é composto por 22 ossos que se conectam a coluna vertebral. A coluna vertebral é composta por uma série de ossos chamados vértebras, que protege o sistema nervoso e a medula espinal. O adulto possui 26 vértebras distribuídas em 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 1 sacro e 1 cóccix. Entre uma vértebra e outra os discos intervertebrais formam articulações que permitem os movimentos da coluna e absorvem impactos verticais. A parte do tórax é formado pelo esterno, as costelas que no total são 12 e suas cartilagens costais.
·         Esqueleto apendicular
Os ossos dos membros superiores incluem a clavícula, conectada a escápula. O úmero é o osso mais longo do membro superior formando o braço, e o rádio e ulna formando o antebraço. Os ossos da mão incluem os carpais, metacarpais e as falanges. Formando o osso do quadril estão o ílio, o ísquio e púbis. Em seguida o fêmur, a patela, fíbula e tíbia formando o restante do membro inferior. Os ossos do pé são formados pelos tarsais, metatarsais e as falanges.



Figura 2. Ossos do corpo humano
Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemaesqueletico.php


O filo Anura é conhecido popularmente como sapos, rãs e pererecas, e constitui o grupo dos anfíbios. Os anfíbios foram os primeiros vertebrados terrestres e, devido a sua morfologia especializada e variados modos de se locomover, o grupo obteve grande sucesso evolutivo.



Figura 3. Esqueleto de um Anuro. 
Fonte: http://www.geocities.ws/arturinfbio/infbioanf.html


Segundo Pough et al. (2008) uma característica esquelética importante nos anura é a especialização do corpo para o salto, com auxílio de músculos e dos membros traseiros que atuam como uma alavanca e faz o arremesso do animal no ar. Diferentemente dos humanos, os Anura possuem coluna vertebral curta, com apenas cinco a nove vértebras que são reforçadas pelas zigapófises, que articulam e restringem a flexão lateral. As vértebras mais caudais se fundem para formar o uróstilo. A pélvis se conecta a coluna vertebral, sendo que o íleo é um osso mais alongado. As patas traseiras também são alongadas e a tíbia e a fíbula estão fundidas. Ainda segundo Pough et al. (2008) os membros dianteiros e a cintura peitoral absorvem o impacto da aterrissagem, e os membros traseiros geram a potência que impulsiona o Anuro no ar.

 Escrito por Samuel Henrique de Souza Silva

Referências Bibliográficas

TORTORA, Gerard J.; NIELSEN, Mark T. Princípios de Anatomia Humana12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

POUGH, F. Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B. A vida dos vertebrados4. ed. São Paulo: Atheneu, 2008.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

A NEUROFISIOLOGIA DO SONO DE CETÁCEOS

            O sono é um estado comportamental complexo fundamental na manutenção fisiológica do organismo, sendo um repouso físico e mental que ocorre em um período de inconsciência total ou parcial e, por ser uma manifestação biológica, possui uma história evolucionária. Essa história pode ser estudada com dois objetivos diferentes: para se compreender o próprio sono, onde se considera o sono como um elemento definidor de um táxon (conjunto de entidades que faz um grupo distinto de outro); e para se compreender melhor o sono propriamente dito (TUFIK, 2008).
A identificação do sono com movimentos oculares rápidos, o sono REM (Rapid Eye Movements), foi feita em 1953 pelos pesquisadores Aserinsky e Kleirman, inaugurando o entendimento do sono. Atualmente atribui-se aos sistemas hipotalâmicos e suas respectivas interações funcionais com o sistema de controle temporizador circadiano o controle deste ciclo, sendo três sub-divisões hipotalâmicas importantes no sono-vigília: o hipotálamo anterior (núcleos gabaérgicose e núcleos supraquiasmáticos), o hipotámo posterior (núcleo túbero-mamilar histaminérgico) e o hipotálamo lateral (sistema hipocretinas) (ALÓE; AZEVEDO; HASAN, 2005).
A função do sono, por mais que não esteja totalmente esclarecida, é de restaurar os níveis normais de atividade e a homeostase normal entre as diferentes partes do sistema nervoso central, também está envolvido com a conservação do metabolismo energético, com a cognição, termorregulação, maturação neural e a saúde mental. Embora seja um período de descanso, o sono não é um indicador de estado passivo do sistema nervoso, e sim um episódio ativo, com fases distintas e bem características (ALBERTINI, 2017).
O sono apresenta estágios alternantes, e cada estágio possui padrões eletroencefalográficos característicos, segundo frequência e amplitude de ondas, que são diferentes daqueles observados durante a vigília. O sono normal é constituído pela alternância dos estágios REM e NREM (não REM). O sono NREM é caracterizado pela presença de ondas sincronizadas no eletroencefalograma e pode ser subdividido em quatro fases: estágio 1, 2, 3 e 4 (3 e 4 correspondem a ondas lentas ou sono delta). O eletroencefalograma (EEG) do sono REM é caracterizado por ondas dessincronizadas e de baixa amplitude. A sincronização-dessincronização das ondas do EEG do sono NREM-REM e vigília ocorre em virtude da atividade neural nos circuitos tálamo-corticais (núcleos reticulares do tálamo e córtex cerebral), decorrentes da interação entre os núcleos monoaminérgicos e colinérgicos do tronco encefálico. Durante o sono REM, os sistemas aminérgicos não estão ativos e a ativação colinérgica ativa o córtex diretamente. Na vigília, os sistemas aminérgicos, dopaminérgicos, hipocretinas e colinérgicos estão ativos (modulação aminérgica cortical) (ALÓE; AZEVEDO; HASAN, 2005).
Na fase NREM ocorre diminuição da tensão arterial, frequência respiratória e atividade muscular, porém, o indivíduo ainda possui capacidade de realizar movimentos, enquanto na fase REM, ocorre atonia de todos os músculos esqueléticos com exceção dos respiratórios, cardíaco, oculares e do ouvido (UFF, 2017).
Existe um tipo de sono caracterizado por uma fase denominada de USWS (unihemispheric slow-wave sleep), conhecido como “sono unihemisférico de ondas lentas", onde nesta fase ocorre desligamento de apenas um hemisfério cerebral enquanto o outro mantém-se ativo e permite ao animal proteção contra possíveis predadores e atenção para adquirir alimentos disponíveis, esse é o tipo de sono que os cetáceos possuem. Este tipo diferenciado de sono USWS é importante para esses animais, pois eles dispõem de respiração pulmonar, e assim evita que eles morram afogados enquanto dormem (RIBEIRO, 2014). O sono de ondas lentas ajuda o cérebro a consolidar memórias novas e recuperar-se de atividades diárias, este permite que os animais mantenham a atenção ao perigo enquanto descansam e também permite que o golfinho mantenha certos processos fisiológicos necessários para sua sobrevivência. Às vezes, os golfinhos permanecem imóveis na superfície da água durante o sono, em outras, nada lentamente. Dentro de 24 horas, cada metade do cérebro recebe cerca de 4 horas de sono de ondas lentas, há poucas evidências sobre a fase REM no sono de golfinhos, visto que no sono REM ocorre a perda do tônus muscular, o que é incompatível com o nado e leva a falta de controle de temperatura corporal em baixo d’água que leva a um esfriamento muito rápido (FROES, 2013; PENSADOR, 2014).
Os cetáceos só conseguem respirar quando estão conscientes, os golfinhos, por exemplo, passaram por um processo de adaptação o qual faz com que eles durmam em intervalos, que podem variar de 15 minutos a 2 horas. Portanto, esses animais passam o dia e a noite dormindo curtos períodos. Ao invés de, quando adormecem, entrarem em estado inconsciente como os humanos, o golfinho descansa um hemisfério cerebral por vez, portanto, enquanto um lado do cérebro está a descansar, o outro está ativo e isso permite que o golfinho consiga abrir seu espiráculo acima da superfície d’água e não morrer afogado. O olho do animal que se mantém aberto durante seu sono é o oposto ao que está ativo este lado se mantém ligado em alerta baixo útil para vigiar predadores, obstáculos e outros animais, monitorando o ambiente e também sinaliza o momento que é necessário subir para respirar, depois de certo intervalo de tempo o golfinho repete o processo alternando o hemisfério cerebral que será ativado. Além disso, os cetáceos em geral reduzem sua frequência respiratória enquanto repousam, na vigília respiram em média 8 a 12 vezes por minuto e em repouso, 3 a 7 vezes (RIBEIRO, 2014). Esse tipo de comportamento é de extrema importância quando relacionado a outras funções fisiológicas como a maternidade, onde a mãe baleia, por exemplo, não pode parar de nadar nem por um segundo sequer, pois seu filhote não possui gordura o suficiente para boiar ainda, e este se mantém muito próximo à ela enquanto se desenvolvem para juvenil.
Os cetáceos são ótimos exemplos de como a neurofisiologia é plástica e adaptável aos hábitos de cada espécie, estes demonstram grande vantagem em sua característica peculiar alternativa para o repouso fisiologicamente necessário.
           
Escrito por Larissa Fernandes.

REFERÊNCIAS
ALBERTINI, Letícia. Sono: História e Plasticidade. Disponível em: <http://www.neurofisiologia.unifesp.br/sono.htm>. Acesso em: 01 ago. 2017.
ALÓE, Flávio; AZEVEDO, Alexandre Pinto de; HASAN, Rosa. Mecanismos do ciclo sono-vigília. Revista Brasileira de Psiquiatria, [s.l.], v. 27, n. 1, p.33-39, maio 2005. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1516-44462005000500007.
FROES, Maíra. O sono do golfinho. 2013. Disponível em: <http://blog.sbnec.org.br/2013/03/o-sono-do-golfinho/>. Acesso em: 02 ago. 2017.
PENSADOR, Lello. Como os golfinhos dormem? 2014. Disponível em: <http://socuriosidadesedicas.blogspot.com.br/2014/06/como-os-golfinhos-dormem.html>. Acesso em: 2 ago. 2017.
Ponto em Comum. Como Golfinhos Dormem Sem Se Afogar? | Ep. 47. S.i.. 2016. (6 min.), son., color. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=vKLFpzKKmcg>. Acesso em: 01 ago. 2017.
RIBEIRO, FabrÍzia. COMO É QUE OS GOLFINHOS NÃO SE AFOGAM QUANDO DORMEM?2014. Disponível em: <https://www.megacurioso.com.br/animais/43300-como-e-que-os-golfinhos-nao-se-afogam-quando-dormem.htm>. Acesso em: 01 ago. 2017.
TUFIK, Sergio. Medicina e Biologia do Sono. Barueri: Manole, 2008.

UFF. Sono dos animais. Disponível em: <http://www.uff.br/webvideoquest/sono/LM2.htm>. Acesso em: 02 ago. 2017.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Sistemas Genitais dos Mamíferos: Humanos X Marsupiais

           O sistema genital humano tem como objetivo produzir gametas para a reprodução e hormônios sexuais, sendo composto por estruturas internas e externas. O genital masculino é composto externamente por um único pênis, que é o órgão que realiza a copula e o escroto, bolsa onde se localizam os testículos, responsáveis pela produção de gametas e hormônios sexuais. Internamente, possui estruturas que amadurecem os espermatozoides e o conduzem até o pênis para serem liberados, como o epidídimo e o canal deferente.
            O sistema genital feminino, além de produzir gametas e hormônios, também fornece local para fertilização e desenvolvimento total do feto, realiza a nutrição do bebê e oferece condições para o parto. É composto por uma vagina, o órgão de copula, ovários, onde são produzidos os gametas femininos e os hormônios sexuais, tubas uterinas, local da fecundação, útero, onde ocorre a gestação e desenvolvimento completo do feto, até o nascimento.
            Após a copula e a liberação o espermatozoide chega aos óvulos que estão na tuba uterina e então ocorre a fecundação, após algumas semanas o zigoto migra para o útero onde se implanta e termina seu desenvolvimento até que esteja pronto para o nascimento.
           

           
 Figura 1. Sistema reprodutor humano 


            Grande maioria dos mamíferos tem a reprodução parecida com a humana, porém um grupo especifico possui um sistema genital totalmente diferente. Nos marsupiais as fêmeas possuem 2 úteros e 3 vaginas, duas laterais que são responsáveis por levar o esperma do macho até os úteros e uma mediana, chamada de canal pseudovaginal, que só se abre durante o parto para os filhotes saírem. O sistema genital masculino também é bastante diferente, os machos possuem o pênis bifurcado para poderem fecundar as duas vaginas das fêmeas ao mesmo tempo, e, ao contrario do humanos, onde o saco escrotal fica atrás do pênis, nos marsupiais o escroto fica a frente do pênis. 

           A gestação humana dura 9 meses e o bebê nasce totalmente desenvolvido, e precisa de menos cuidado parental, já a gestação dos marsupiais ocorre em tempo bem menor, de 8 a 43 dias,  os recém nascidos são pouco desenvolvidos e por isso chamados de altricias (filhotes que necessitam de extremo cuidado parental). Os filhotes nascem muito pequenos, de 2 a 5 cm, não possuem pelos e não enxergam, já seus músculos faciais, a língua e o membros torácicos são totalmente desenvolvidos, assim como o pulmão, porém o desenvolvimento de seu sistema nervoso central é retardado. Quando nascem os filhotes desse grupo se agarram em um mamilo da mãe, localizado no interior do marsúpio, que é como uma bolsa na parte ventral das fêmeas, a qual possui conexão com o canal do parto, assim o filhote ainda prematuro não tem contato com o meio externo, e assim seu desenvolvimento, que pode levar meses ou semanas, é totalmente protegido.





Figura 2. Sistema reprodutor masculino externo do marsupial. E. Escroto anteror; D. Pênis Bifurcado




Figura 3. Bexiga (b), ovários (o), vagina lateral (setas), canal da pseudovagina (*) e o seio urogenital (SU).
1B - Esquema dos órgãos genitais femininos do gambá, vista ventral. Notar o útero duplo (setas cheias), os ovários (O), as vaginas laterais (setas finas), o ureter (u), a bexiga (b), a pseudovagina (*) e o seio urogenital (SU). 




 Figura 4. Filhotes de marsupiais recém nascidos. 




Escrito por Gabriela Eliza dos Santos


Bibliografia


BRITES, Alice Dantas. Marsupiais: Mamíferos como o canguru, o gambá e o coala. 2008. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/marsupiais-mamiferos-como-o-canguru-o-gamba-e-o-coala.htm>. Acesso em: 16 jul. 2017.

MORAES, Paula Louredo. Marsupiais. Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/biologia/marsupiais.html>. Acesso em: 16 jul. 2017.

TORTORA, Gerard J.; NILSEN, Mark T.. Sistema Respiratorio. In: TORTORA, Gerard J.; NILSEN, Mark T.. Principios de Anatomia Humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda, 2013.



imagens


figura 3: http://www.revistas.usp.br/bjvras/article/view/26782/28565

figura 4:https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/marsupiais-mamiferos-como-o-canguru-o-gamba-e-o-coala.htm


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sistema auditivo comparado de pombos (Columba Livia) e seres humanos


O som, uma onda mecânica, tridimensional, longitudinal, semiconservativa que se propaga somente através de um meio material elástico e é provocado devido a movimentos de contração e rarefação, passíveis de sofrer interferência tanto construtiva, quanto destrutiva. A percepção dessa onda depende diretamente da intensidade e da frequência da oscilação e a unidade comumente utilizada e o hertz (Hz). A audição envolve todo um complexo mecanismo sinérgico entre os órgãos sensoriais, e esse mecanismo atinge seu ápice em aves a mamíferos.

O ouvido do ser humano é composto por três partes distintas, porém interligadas: o ouvido externo, que canaliza e auxilia no direcionamento do som até a membrana timpânica; o ouvido médio, formado por três ossículos (martelo, bigorna e estribo). Esses ossículos atuam formando um sistema alavanca que, durante a transmissão do tímpano para a janela oval, intensifica a oscilação captada. Esse sistema de alavancas detém a função de transmitir as oscilações de um meio para outro diferente do anterior, sem que este perca sua intensidade original. Ao chegar ao ouvido interno, adentra a cóclea, preenchida pelo fluido coclear.

Figura 1. Ouvido Humano
  Disponível em: <http://www.infoescola.com/audicao/ouvido/>. Acesso em 15 Jul. 2017.


Por sua vez, a cóclea possui uma estrutura espiralada (cerca de duas voltas e meia) e é composta por três diferentes porções: a rampa vestibular, região adjacente à janela oval; a rampa timpânica, em que o helicotrema mantém uma comunicação com a rampa vestibular, culminando na janela redonda; e a rampa média. As ondas sonoras que adentram a cóclea percorrem, através da perilinfa, a rampa vestibular, e em seguida reverberam na membrana basilar (ou órgão de Corti) situada na rampa média, que é responsável pelo processo de transdução sensorial. Essas oscilações provocam estímulos excitatórios e inibitórios nas células sensoriais, que captam esse estímulo com seus estereocílios presentes na região apical das respectivas células e estão, também, fixados na membrana tectorial.


Figura 2: Cóclea Humana
Disponível em: <http://www.teliga.net/2012/10/audicao-um-sentido-confiavel.html>. Acesso em 15 Jul. 2017.




                                                     Figura 3: Membrana Basilar                                                                                              Disponível em: <http://www.taringa.net/posts/ciencia-educacion/17306971/Como-oimos-Explicacion-simple-sobre-fisiologia-auditiva.html>. Acesso em: 15 Jul. 2017.

Ambos, aves e seres humanos, possuem um sistema auditivo composto pelo ouvido externo, médio e interno. Entretanto, diferentemente dos seres humanos, as aves não possuem pavilhão auditivo. Neste sentido, pode-se questionar, como elas direcionam a entrada do som no sistema auditivo? Ao redor do meato acústico as penas exercem uma função essencial, amortecendo e direcionando o som, reduzindo a turbulência e sem obstruir sua transmissão para o tímpano.  Em seu ouvido médio as aves possuem a columela, um único ossículo responsável pela transmissão do som à cóclea pela janela oval. Essa transmissão ocorre por conta das duas extremidades em forma de dobradiça que compõe a columela, uma está associada ao tímpano e a outra associada à janela oval, transmitindo o som para o ouvido interno.
A cóclea possui uma estrutura relativamente retilínea e é composta por estruturas cartilaginosas, que sustenta a papila basilar, não possuem helicotrema ou este é muito reduzido, desse modo, a pequena extensão da cóclea, seu formato e um helicotrema reduzido ou ausente conferem maiores probabilidades da membrana basilar se deformar e vibrar de acordo com o som captado. Suas janelas oval e redonda se encontram posicionadas ao longo da cóclea, e não na porção terminal como ocorre nos seres humanos. A percepção do som também é auxiliada pela presença de inúmeras células ciliadas, cerca de 6 a 10 mil células ciliadas presentes na membrana basilar, onde se encontram em maior densidade na porção apical.


Figura 4: Cóclea de Columba livia
Disponível em: <http://www.fmvz.unam.mx/fmvz/cienciavet/revistas/CVvol6/CVv6c11.pdf>. Acesso em: 15 Jul. 2017.





Figura 5: Membrana Basilar de Columba livia
Disponível em : <http://www.fmvz.unam.mx/fmvz/cienciavet/revistas/CVvol6/CVv6c11.pdf>. Acesso em: 15 Jul. 2017.

Dentre a miríade de células ciliadas, pode-se diferenciar três diferentes tipos, as células ciliadas sensoriais altas, curtas e um tipo celular intermediário entre os outros dois tipos. Ambos os tipos estão orientados em direção a membrana tectorial e os cílios se encontram no espaço subtectorial. Apesar das diferenças morfológicas e fisiológicas quanto à transdução e transmissão do som, o ouvido de aves possui, de maneira geral, uma estrutura muito próxima à estrutura do ouvido dos mamíferos, tornando os sistemas entre aves e seres humanos semelhantes.

Escrito por Gustavo Siconello


Referências Bibliográficas

AIRES, Margarida de Mello et al. FISIOLOGIA: Periferia auditiva. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda., 2015.

LANDGRAVE, Alfredo Illescas; ESTRELLA, Silvia Gómez. ESTUDIO MORFOLOGICO DEL OIDO INTERNO DE LA PALOMA DOMESTICA {Columba livia}. 1994. Disponível em: <http://www.fmvz.unam.mx/fmvz/cienciavet/revistas/CVvol6/CVv6c11.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2017.

KIEFER, Cladis Loren. SENSIBILIDADE AUDITIVA DE NEURONIOS MESENCEFALICOS EM POMBOS (Columba livia).Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/80952/139919.pdf?sequence=1>. Acesso em: 14 jul. 2017.

ONDAS MECÂNICAS. Disponível em: <http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia2000/turmaA/grupo6/onda_mecanica.htm>. Acesso em: 15 jul. 2017.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Comparando o sistema digestório humano com o das aves

Segundo Tortora (2013), o sistema digestório dos humanos é constituído por dois grupos de órgãos: o trato gastrointestinal e os órgãos acessórios da digestão. O trato gastrointestinal, ou canal alimentar, é um tubo contínuo que se estende da boca até o ânus através da cavidade torácica e abdominopélvica. Os órgãos do trato gastrointestinal compreendem boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Os órgãos acessórios da digestão são dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas. As funções do sistema digestório são seis: ingestão, secreção, mistura e propulsão, digestão (mecânica e química), a mecânica faz o corte e a trituração dos alimentos com auxílio dos dentes e a química realiza a degradação em moléculas menores que podem ser absorvidas, absorção e defecação.
O processo de digestão se inicia na boca que é a porção inicial do sistema digestório, no qual compreende os dentes para a trituração do alimento, a língua, que auxilia no transporte e gustação, e as glândulas salivares, que umedecem e amolecem os alimentos. Depois o alimento passa pela faringe e segue para o esôfago, um órgão túbulo-muscular, que, através de movimentos peristalse (contrações), encaminha o alimento para o estômago, uma dilatação do tubo digestório entre o esôfago e o intestino delgado. O estômago atua como uma área de mistura e reservatório, dividido em quatro regiões: cárdia, fundo, corpo e piloro. Do estômago o alimento segue para o intestino delgado, a porção mais longa do tubo digestório e onde ocorre a maior parte da digestão que depende das atividades do pâncreas, fígado e vesícula biliar. O intestino delgado forma alças na parte central e inferior da cavidade abdominal, sendo dividido em três regiões: duodeno, jejuno e íleo, que se abre no intestino grosso, porção final onde ocorre a absorção de água, íons e vitaminas formando as fezes que depois são eliminadas.




Figura 1. Representação do trato digestório dos humanos.


Já o sistema digestivo das aves apresenta algumas modificações em relação a outros vertebrados, como a ausência de dentes e a presença somente de glândulas salivares sublinguais. O excesso de alimento que processam é mantido no esôfago, e estocado temporariamente no papo que é a porção mais dilatada em forma de saco. De acordo com Pough (2003), a forma do estômago das aves está relacionada com sua dieta. As aves carnívoras e piscívoras (que comem peixes) precisam expandir as áreas de estocagem para acomodar grandes volumes de alimentos moles; as que comem insetos e sementes precisam de um órgão muscular, que possa contribuir para a trituração mecânica do alimento. O trato gástrico das aves é divido em duas câmaras distintas: um estômago glandular chamado de proventrículo e um muscular caudal, a moela, que tem como função o processamento mecânico do alimento. O intestino delgado, assim como o obervado em seres humanos, é o principal local da digestão química, podendo ser enrolado ou formar alças. Já o intestino grosso é relativamente curto, além de possuir um ou dois cecos, na junção dos intestinos. A porção final é a cloaca, que estoca temporariamente os produtos residuais, enquanto a água é reabsorvida.


Figura 2. Representação do trato digestivo das aves.


Escrito por Samuel Henrique de Sousa Silva


Referências bibliográficas

TORTORA, Gerard J.; NIELSEN, Mark T. Princípios de anatomia humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
POUGH, Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2003.
ORR, Robert T. Biologia dos vertebrados. 5. ed. São Paulo: Roca, [20--?].

Referências de imagens