quinta-feira, 28 de abril de 2016

Sistema respiratório em répteis: desvendando o jacaré-do-pantanal



O sistema respiratório é responsável por fornecer oxigênio e remover gás carbônico do organismo, atuando em conjunto com o sistema circulatório, além de estar envolvido no processo de vocalização. A respiração é fundamental para fornecer oxigênio para manter o metabolismo corporal, sendo essencial para a vida.
Em seres humanos, o sistema respiratório é constituído por: nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões. O ar entra no organismo através do nariz, onde será aquecido, umedecido e filtrado, seguindo através da laringe que é um órgão atuante no sistema digestório e respiratório. Em seguida, o ar e transportado para laringe, um órgão composto por um conjunto de cartilagens, sendo uma cartilagem tireóidea (pomo de adão), uma cricóidea e uma epiglote, e duas aritenóideas, corniculadas e cuneiformes. A epiglote tem a importante função de bloquear a passagem de alimento na via respiratória, encaminhando-o para o esôfago. A laringe apresenta as pregas vocais que geram os sons da vocalização e conduz o ar para os pulmões.
A traqueia é um tubo elástico constituído por anéis de cartilagem em forma de C, que se divide formando os brônquios. Os brônquios, também formados por anéis de cartilagem, entram nos pulmões e se ramificam em brônquios lobares e segmentares, formando, por fim, os bronquíolos. Os alvéolos pulmonares são pequenos sacos localizados no final dos bronquíolos e correspondem ao local onde ocorrem, efetivamente, as trocas gasosas. Os pulmões são envolvidos por uma lâmina denominada pleura e são constituídos pelos bronquíolos, alvéolos e vasos sanguíneos. O diafragma é um músculo que separa a cavidade abdominal da cavidade torácica, como função é auxiliar o processo respiratório.

 Figura 1. Sistema Respiratório em humanos


Comparando
A respiração dos répteis também é pulmonar, de maneira semelhante ao observado em humanos, e seus pulmões apresentam dobras internas que aumentam a sua capacidade respiratória. Seus pulmões não apresentam lobos e são constituídos por parênquima esponjoso e proporcionam aos répteis quantidade suficiente de oxigênio dispensando a respiração por meio da pele que é observada em anfíbios, por exemplo. Na verdade, a grande quantidade de queratina que a pele dos répteis apresenta impossibilita a aquisição de oxigênio por este meio.
Vamos utilizar o Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) como modelo para compreendermos a estrutura do sistema respiratório em répteis:
Assim como em humanos, a entrada do ar acontece pelas narinas, que são aberturas localizadas rostordorsalmente à cavidade nasal que possuem opérculos bem desenvolvidos e não possuem conchas nasais, sendo o ar encaminhado à faringe pelas coanas. A laringe, por sua vez, apresenta uma cartilagem que corresponde à cartilagem tireóidea da laringe humana e duas estruturas corniculadas, correspondentes às cartilagens aritenóides. A traqueia possui trajeto retilíneo, composta por 45 anéis cartilaginosos incompletos e 25 completos. Na entrada da cavidade celomática a traqueia se divide em dois brônquios principais, que, ao entrarem no parênquima pulmonar, se dividem em em vestígios de brônquios secundários.

Figura 2. Laringe do jacaré-do-pantanal. T - Cartilagem Tireóidea; Tq - Traqueia; E - Esôfago; H -Osso Hioide (retirado de ALVES, 2016)

Os pulmões estão localizados na cavidade celomática, no extremo cranial, e possuem formatos diferenciados, sendo o direito mais achatado e longo que o esquerdo. São revestidos por uma fina película de tecido conjuntivo que corresponde à pleura visceral. Na porção dorsomedial do pulmão esquerdo encontra-se uma concavidade que corresponde à “impressão cardíaca”.


Figura 3. Pulmões do jacaré-do-pantanal, demonstrando o ligamento pulmonar. PE - Pulmão Esquerdo; PD - Pulmão Direito; PA - Projeção Apical (retirado de ALVES, 2016)


O parênquima dos pulmões do jacaré-do-pantanal tem aspecto esponjoso, e apresenta múltiplas câmaras.

Escrito por Mariana Bernardes


REFERÊNCIAS

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
ALVES, Ana Cláudia. Descrição morfológica do sistema respiratório e do coração do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare, DAUDIN, 1802) proveniente de zoocriatório. 2014. 77 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências Veterinárias, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2014. Disponível em: <http://repositorio.ufla.br/handle/1/2164>. Acesso em: 27 abr. 2016.

Textos disponíveis em:http://www.mundoeducacao.com/biologia/sistema-respiratoriodasaves.htm<http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/53561/aves-sistemarespiratorio#!1>< http://www.infoescola.com/biologia/sistema-respiratorio/>< http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/23746/o-sistema-respiratorio-dosrepteis>< http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos3/Repteis.php> Acesso em: 24 de Abril de 2016.
Fonte-figura 1: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/biologia/sistemarespiratorio-das-aves.htm>

Fonte-figura 2 e 3: ALVES, Ana Cláudia. Descrição morfológica do sistema respiratório e do coração do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare, DAUDIN, 1802) proveniente de zoocriatório. 2014. 77 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências Veterinárias, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2014. Disponível em: <http://repositorio.ufla.br/handle/1/2164>. Acesso em: 27 abr. 2016.

Fisiologia da respiração: como é a respiração nos insetos?

  O sistema respiratório dos seres humanos é composto pelas vias respiratórias que são: cavidades nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pelos pulmões, que são órgãos bem desenvolvidos (Figura 1). Os seres humanos realizam suas trocas gasosas quase exclusivamente pelo sistema respiratório, embora uma participação muito pequena da pele já tenha sido descrita.  O ar entra pelas cavidades nasais passa pela faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e chega até os alvéolos que compõem os pulmões, fazendo as trocas por difusão.




 Ao chegar aos alvéolos, como o ar está rico em O2 e o sangue rico em CO2, ocorre a difusão devido à diferença de concentração dos gases em questão, através das paredes alveolares e capilares (Figura 2).




 
   Os insetos possuem um sistema respiratório diferente dos humanos, pois eles não possuem nariz, nem pulmões e nem o transporte de gases pelo sistema circulatório. O que eles possuem é um conjunto de tubos, cheios de ar, denominados de sistema traqueal, que realiza a troca de gases por todo o corpo através da difusão (Figura 3).



  O ar entra por pequenas aberturas denominadas espiráculos (seta azul da figura 4), que se localizam na lateral do corpo, e é conduzido pelo sistema traqueal, através das traqueias e traquéolas, para chegar às células do corpo. Ao chegar às células o O2 é passado para a mesma através de difusão, e o CO2 é capturado para ser levado ao meio externo pelo mesmo caminho que o oxigênio entrou. Os insetos também possuem sacos aéreos, que estão localizados por todo o corpo e tem função de aumentar e diminuir o volume traqueal, armazenando oxigênio, além de poderem ser utilizados para flutuação ou para o equilíbrio.


  Os insetos apresentam músculos nos espiráculos podendo, assim, controla-los dependendo do ambiente em que se encontram (Figura 5). Por exemplo, se estão em um ambiente seco vão manter os espiráculos fechados para não perder água para o meio externo.





Escrito por Marcela Maruto


REFERÊNCIAS

KARLLA PATRÍCIA. Como os insetos respiram? Disponível em <http://diariodebiologia.com/2011/06/como-os-insetos-respiram/#prettyPhoto> Acesso em 27 de abril de 2016.

RANDALL, D.; BURGGREN, W.; FRENCH, K. Fisiologia Animal: mecanismos e adaptações. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 729 p.

TORTORA, G.J.; Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 1047 p.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sistema digestório em cefalópodes: semelhanças com seres humanos

Para compreendermos a anatomia do sistema digestório cefalópode e suas semelhanças com o sistema digestório humano, é essencial relembrarmos as características estruturais deste sistema. Vamos iniciar analisando a anatomia deste sistema nos seres humanos. 

Sistema digestório humano

Para manter as atividades do organismo em bom funcionamento, os seres humanos precisam captar os nutrientes necessários para construir novos tecidos e fazer manutenção dos tecidos danificados, extraindo energias por meio da ingestão de alimentos.
O sistema digestório humano está localizado no peritônio, sendo constituído por: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, ânus e os órgãos anexos: glândulas salivares, pâncreas, fígado, vesícula biliar, dentes e língua.
A boca é a porção inicial do tubo digestório e onde começa o processo de digestão. Na cavidade própria da boca, está a língua, um órgão muscular, responsável pelo transporte de alimentos e pela gustação. E também os dentes, que são distribuídos em: 8 incisivos, 4 molares, 8 pré-molares e 12 molares, em adultos. Após o alimento ser mastigado e degustado ele é empurrado pela língua até a faringe. A faringe é um túbulo muscular que pertence tanto ao sistema respiratório quanto ao digestório. Quando o alimento chega à faringe, é empurrado até o esôfago por movimentos peristálticos. O esôfago também é um órgão  muscular, que assim como a faringe, empurra o alimento por peristaltismo até o estômago. Quando o alimento chega ao estômago os movimentos peristálticos feitos pelo órgão misturam o bolo alimentar ao suco gástrico. Esse suco contém ácido clorídrico, que mantém a acidez estomacal, dando condição favorável ao trabalho das enzimas do estômago. O suco alimentar resultante da digestão gástrica é denominado quimo (por isso esse processo pode se chamar quimificação). O quimo passa para o intestino por uma válvula chamada piloro. O intestino é um tubo muscular dividido em duas porções, o intestino delgado e o intestino grosso. O intestino delgado se inicia após o estômago e sua primeira porção denomina-se duodeno, onde ocorre a maior parte da digestão dos alimentos. No duodeno são lançados as secreções do fígado (bile) e do pâncreas(suco pancreático), realizando principalmente a digestão química de gorduras, proteínas e carboidratos no quimo. Ao terminar a digestão no duodeno, o conjunto de substâncias resultantes forma um líquido viscoso denominado quilo. A digestão e absorção dos nutrientes continua no jejuno e no íleo (segunda e terceira porções do intestino delgado). Após a digestão total do intestino delgado, o resto do quilo chega ao intestino grosso. Este absorve água e sais minerais nos resíduos alimentares e os leva para a circulação sanguínea. Além disso, algumas bactérias intestinais fermentam e assim decompõem resíduos de alimentos e produzem vitaminas, que são aproveitadas pelo organismo. Nessas atividades, as bactérias produzem gases, e parte deles são absorvidos pelas paredes intestinais e outra é eliminada pelo ânus. O material que não foi digerido nesse processo forma as fezes que são acumuladas no reto e, posteriormente, empurradas por movimentos musculares para fora do ânus.
Caracterização das glândulas anexas:
·         Glândulas salivares: Auxiliam na limpeza da boca e dos dentes, umedecimento e amolecimento dos alimentos, deglutição e digestão inicial. São três: Parótida, sublingual e submaxilar.
·         Fígado: É a maior glândula do organismo, e a função principal digestiva é produzir a bile (uma secreção verde amarelada) para secretar no duodeno. O fígado também metaboliza carboidratos, lipídios e proteínas, e ajuda no processamento de fármacos.
·         Vesícula biliar: Armazenamento de bile.
·         Pâncreas: Tem uma parte exócrina e uma endócrina. Sua parte exócrina produz o suco pancreático que entra no duodeno através dos ductos pancreáticos, e sua parte endócrina produz glucagon e insulina, hormônios responsáveis pelo controle de glicose plasmática.





Figura 1: Órgãos do sistema digestório humano




Sistema digestório dos cefalópodes

Diferentemente dos humanos, os cefalópodes são animais invertebrados, de alto mar e adaptados para uma alimentação raptorial (exclusivamente carnívora). São predadores eficientes rápidos, ágeis, ativos e inteligentes, dificilmente deixam suas presas escaparem.
Ainda que haja uma variação no sistema digestório dos cafalópodes, a grande maioria está em correspondência com um plano comum:





Figura 2: Órgãos do sistema digestório dos cefalópodes


A boca dos cefalópodes se abre para a cavidade bucal, enquanto o esôfago se estende posteriormente até o estômago. Já o intestino sai da região posterior ao estômago e se estende anteriormente até o ânus. Porém, a morfologia, o tamanho e a posição dessas estruturas variam de acordo com a espécie.
Dentro da cavidade bucal dos cefalópodes existe um par de mandíbulas (dorsal e ventral), que formam um bico (similar ao de um papagaio). Esse bico tira pedaços de tecido da presa, que são empurrados pela rádula até o esôfago. A rádula nada mais é do que fileiras transversais e longitudinais de pseudodentes, que têm a função de triturar o alimento, e está localizada na faringe. Essa estrutura funciona de maneira semelhante  aos dentes humanos.

Figura 3: Bico e rádula








                                                    



Semelhante aos humanos, os cefalópodes também possuem glândulas acessórias. Dois pares de glândulas salivares e uma glândula submandibular, se abrem na cavidade bucal esecretam muco. Em algumas espécies estas glândulas também produzem veneno e enzimas proteolíticas, que paralisam a presa.
Depois de passar pela cavidade bucal, o alimento passa da faringe para esôfago que, assim como nos humanos, realiza peristaltismo muscular empurrando o alimento até o estômago. Em algumas espécies o esôfago se expande formando uma estrutura chamada papo, onde o alimento é armazenado e amolecido. Após essa fase o alimento entra no estômago e é misturado a algumas enzimas secretadas pelas glândulas digestivas. As glândulas digestivas dos cefalópodes têm forma de tubo, sendo parte delas diferenciada, desempenhando as mesmas funções do pâncreas e do fígado dos vertebrados. Ambas se abrem no ceco via ductos digestivos chamados hepatopancreáticos. O ceco é uma bolsa, onde ocorre a absorção do alimento e é onde algumas das substâncias produzidas pelas glândulas digestivas são expelidas. Os resíduos restantes da digestão seguem pelo intestino, e a reabsorção ocorre no reto (parte distal do intestino). O que não é aproveitado na digestão é excretado pelo ânus em forma de fezes assim como nos humanos.



Escrito por Thamires Souza


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MOLUSCOS (Mollusca). Disponível em:< http://www.infoescola.com/biologia/moluscos-mollusca/>. Acesso em: 19 abr. 2016

BRUSCA, R. C. & BRUSCA, C. G. Invertebrados. Guanabara Koogan, 2007.

RUPPERT, E. E., FOX, R. S., BARNES, R. D. Zoologia dos invertebrados. ROCA, 2005.

TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6ª.ed. Porto Alegre: Artmed. 2006.

FONTE DAS IMAGENS

Figura 1: Disponível em:  https://profmariocastro.wordpress.com/2013/06/. Acesso em: 18 abr. 2016
Fiigura 2:Disponível em: http://malaconet.br.tripod.com/nova_pagina_3.htm. Acesso em: 18 abr. 2016

Figura 3: Disponível em: http://simbiotica.org/cefalopoda.htm/. Acesso em: 19 abr. 2016


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Fisiologia do sistema reprodutor: reprodução sexuada x reprodução assexuada

Os seres humanos, assim como em todos os mamíferos e demais vertebrados apresenta reprodução sexuada, na qual ocorre a junção do espermatozoide com o óvulo para gerar indivíduos que vão compartilhar do mesmo material genético e dar continuidade da espécie.
O sistema reprodutor masculino é composto por testículo, epidídimo, ducto deferente, vesículas seminais, próstata, glândulas bulbouretrais, escroto e pênis. Nos testículos são produzidos os espermatozóides (mais especificamente nos túbulos seminíferos), que são levados para o epidídimo onde ocorre o seu amadurecimento e armazenamento, seguindo pelo ducto deferente até a uretra.
O órgão reprodutor feminino é constituído por dois ovários, um útero, duas tubas uterinas, uma vagina e uma vulva. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica da mulher.
 Durante o ato sexual, o pênis fica rígido e em posição ereta para facilitar a penetração na vagina. No momento que acontece a ejaculação, o pênis libera algumas secreções de suas glândulas acessórias que são compostas pela próstata que produz um líquido prostático alcalino e leitoso que contribui na composição do sêmen, as glândulas bulbouretrais que secretam um muco claro e tem função lubrificante e as vesículas seminais que libera um líquido viscoso composto principalmente por frutose, prostaglandinas e várias proteínas que fornecem nutrição e energia para os espermatozóides.
Após a ejaculação os espermatozoides passarão pela vagina e irão em direção as tubas uterinas de encontro ao óvulo. Quando o óvulo for fecundado (Figura 1), logo ocorrerá a formação do zigoto (ou célula-ovo), e em seguida, este irá migrar para as tubas uterinas para que ocorra sua implantação na cavidade do útero e dessa forma, começará o desenvolvimento e crescimento do embrião.




Figura 1: Formação de zigoto após fecundação


COMPARANDO:
Diferente dos vertebrados, os poríferos assumem os dois tipos de reprodução: sexuada e assexuada. As esponjas são monoicas ou hermafroditas, ou seja, a mesma produz gametas masculinos (espermatozoides) e femininos (óvulos).

Reprodução Assexuada:

As esponjas podem se reproduzir de forma assexuada por fragmentação, brotação e por formação de gêmula.
 A fragmentação ocorre quando as esponjas sofrem danos pelos seus predadores ou pelo movimento forte das águas, que acaba dispersando esses fragmentos para outro lugar onde se fixam no substrato formando uma nova esponja. O brotamento não é tão comum, mas se dá pela presença de brotos que ao se quebrarem, se prendem e crescem em outra esponja. Já a formação de gêmulas que são mais comuns em esponjas de água doce (Figura 2), dependem muito das condições climáticas para iniciar sua reprodução. Em períodos frios elas não se reproduzem, mas quando o clima é mais quente e favorável, essas gêmulas são germinadas e produzidas no meso-hilo pela concentração de arqueócitos, que se assemelham às células embrionárias e formam uma massa de tesócitos que é envolvovida pela espongina secretada por espongiócitos. Quando essa gêmula “eclode”, os tesócitos se diferem em uma pinacoderme que migra para o exterior da gêmula através da micrópila e se fixa em um substrato, para formar o interior de uma esponja jovem. Como se pode observar em na figura 3. (RUPPERT et al.,2005)



Figura 2: Gêmula (A); Eclosão de Gêmula(B)

Reprodução Sexuada

Os poríferos não possuem órgãos genitais como os mamíferos e os espermatozóides desses indivíduos surgem dos coanócitos que formam o cisto espermático. Os óvulos também surgem dos coanócitos ou arqueócitos, variando entre espécies que se aprofundam no meso-hilo. Quando os espermatozoides são liberados eles rompem a parede do cisto espermático entrando nos canais exalantes e são liberados pelos ósculos. Quando esse esperma é liberado, e se encontra com outra esponja, eles passam para seu sistema aquífero pelo fluxo de água inalante e assim o espermatozoide é transportado para a coanaderme, é fagocitado, mas sem ser digerido por um coanócito (células do colarinho), e, em seguida, perde seu flagelo se torna um amebóide e leva o núcleo para o óvulo.
Depois de alcançar o óvulo no meso-hilo, o núcleo do espermatozoide pode ser transferido para dentro do óvulo, ou o nucleo do espermatozoide juntamente com o coanócito ameboide podem ser fagocitados pelo óvulo. É importante ressaltar que o esperma das esponjas não tem acrossomo (estrutura responsável pela penetração na célula-ovo), pois o espermatozoide entra na célula-ovo por fagocitose.
Após a fertilização e a formação do zigoto, ocorre o desenvolvimento das larvas que podem ser: larvas celoblástula, com a estrutura de uma esfera oca composta por apenas uma camada de células flageladas, larvas anfiblástula composta por dois tipos de células: flageladas e não- flageladas, larvas parenquimelas caracterizada por possuir uma camada exterior compostas de células flageladas difundidas com outras células contendo vesículas e sem flagelos, e por fim, as larvas triquimelas que possuem uma faixa de células flagelas ao redor do corpo larval.
No caso da larva anfíblástula, quando liberada pelo ósculo, se fixa no substrato formarmando uma nova esponja. Quando a esponja jovem fica funcional, ela começará a se alimentar e ganhará um formato asconóide, que passará a ser chamado de olinto (RUPPERT et al,2005).

Figura 3: Reprodução sexuada de Poríferos com formação de larva anfiblástula



Escrito por Isadora Franco




REFERÊNCIAS       
 Sistema reprodutor humano. Disponível em:
AIRES, Margarida M. Fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.
Sistema reprodutor de poríferos.Disponível em:
RUPPERT, E.E.; FOX, R.S. & BARNES, R.D. 2005. Zoologia dos Invertebrados. 7ª ed. Editora Roca, São Paulo



quinta-feira, 7 de abril de 2016

Sistema circulatório: comparando humanos e insetos



O sistema circulatório humano é um sistema fechado que tem como função o transporte de material nutritivo, oxigênio e gás carbônico, eliminação de produtos do metabolismo, homeostase e interações entre os sistemas e também a defesa do organismo. Possui duas divisões: o sistema cardiovascular, que é composto pelo sangue, coração (bomba propulsora para o sangue), vasos sanguíneos (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias), responsáveis pelo transporte do sangue pelo corpo, e o sistema linfático que consiste em órgãos que participam da resposta imune.
Sendo um sistema fechado, o sangue percorre ininterruptamente um trajeto do coração para as artérias, arteríolas, capilares, e em seguida para as veias, de onde retorna ao coração (SPENCE, 1991). Possui uma grande circulação, chamada sistêmica, que fornece suprimento de sangue rico em O2 e outros nutrientes para todo o organismo, e captura CO2, e uma circulação pulmonar que transporta sangue pobre em O2 para os pulmões, liberando CO2 e recebendo O2, e esse sangue oxigenado volta ao coração para ser bombeado para a circulação sistêmica.



Figura 1: esquema sistema circulatório.


Comparando:
            Nos insetos, diferentemente do obervado em humanos, o sistema circulatório é aberto e sua principal função é o transporte de nutrientes, produtos de excreção e hormônios. No entanto, raramente contém pigmentos respiratórios e, por isso, tem uma capacidade muito baixa de transporte de oxigênio (GULLAN & CRANSTON, 2007).
O aparelho circulatório consta de um vaso pulsátil localizado no dorso do animal, sendo a principal bomba, podendo, a parte anterior, ser chamada de aorta e a posterior de coração (GULLAN & CRANSTON, 2007). Na circulação a hemolinfa que é o meio circulante, geralmente transparente, sai do coração pela aorta e cai em uma cavidade chamada de hemocele, onde ocorreram as trocas nos tecidos e também promovem a irrigação de apêndices como antenas, asas e pernas, e que retorna ao coração por meio de óstios, que são aberturas no vaso dorsal que permitem o fluxo da hemolinfa em uma direção, ou seja, para dentro do mesmo.



Figura 2: sistema circulatório dos insetos.



            Escrito por Carolina Monteiro de Almeida



REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS

GULLAN, P.J.; CRANSTON, P.S. Os insetos: um resumo de entomologia. 3. ed. São Paulo: Roca, 2007. 440 p.
SPENCE, A. P. Anatomia humana básica. 2. Ed. São Paulo: Editora Manole LTDA, 1991. 713 p.
Entomologia geral. Disponível : <http://www.den.ufla.br/attachments/article/70/Fisiologia%20dos%20insetos.pdf>.
Sistema cardiovascular. Disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/cardiovascular/angiologia.htm>.

FONTES  DAS IMAGENS IMAGENS

Figura 1: http://gracieteoliveira.pbworks.com/w/page/38326118/Sistema%20circulat%C3%B3rio%20humano%20-%20Beatriz,%20Margarida,%20Rafael%20e%20Rui%20Matos
Figura 2:
http://biologia_ano1_epatv.blogs.sapo.pt/2009/12/28/ 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O sistema digestório: humanos x anelídeos



     O sistema digestório, tanto nos seres humanos quanto nos anelídeos, tem como função absorver os nutrientes provenientes da sua dieta e servir como fonte energética para que as células possam desempenhar suas funções vitais.
    O filo Anellida possui aproximadamente 16500 espécies, sendo agrupadas em três classes, os polychaetas, os oligochaetas e hirudíneas. O termo Anellida provem do latim (annelus=anel + ida, sufixo plural) e é caracterizada por possuir animais que apresentam metâmeros, ou segmentos, ao longo de sua estrutura corpórea.
     Para facilitar o nosso entendimento, utilizaremos a minhoca (Figura 1), um representante dos oligochaetas (oligoquetas), que possui características estruturais comuns a todas as classes de anelídeos.


 Figura 1: (Eisenia foetida) Vermelha da Califórnia

Figura 2: filogenia que ilustra as diferentes linhas evolutivas apresentando os cordados (ao qual incluem os seres humanos) e anelídeos

          
  Mesmo que ambos possuam linhagens evolutivas bastante distantes, algumas características morfológicas e fisiológicas são similares entre os seres humanos e os anelídeos:

1-      Ambos possuem um sistema digestório completo, ou seja, possuem aberturas independentes, a boca e o ânus.

2-      Sua digestão é extracelular, ou seja, enzimas digestivas produzidas por glândulas especializadas são lançadas em cavidades gastrointestinais que degradam os alimentos em pequenas partículas, de modo a facilitar a absorção por parte das células. 

3-      Ambos apresentam boca, faringe, esôfago, intestino e ânus.

4-      O deslocamento do alimento no trato digestivo se dá por movimentos peristálticos.
            Por outro lado, os anelídeos não possuem órgãos anexos como o fígado e o pâncreas, que auxiliam no processo de digestão, não possuem dentes, tampouco estomago, e seu tubo digestório, ao contrário do trato digestório humano, é um tubo retilíneo que estende-se desde a boca até o ânus. 



Figura 3: Estrutura do sistema digestório das minhocas.

CARACTERISTICAS:
O sistema digestivo dos oligoquetas é basicamente um tubo reto, com vários graus de especialização regional, particularmente em direção à extremidade anterior. Nas minhocas, a boca leva a uma região anterior do trato bucal, uma faringe muscular e um esôfago. A parte posterior do esôfago frequentemente apresenta regiões dilatadas, formando um papo, onde fica armazenado o alimento, e uma ou mais moelas musculares, que trituram mecanicamente o material ingerido. O restante do tubo digestivo é dominado por uma região denominada intestino, reta, derivada da endoderme, levando a uma curta região posterior proctodeal e ao ânus, localizado no pigídio. A parte anterior do trato digestivo, normalmente produz enzimas como carboidrase, protease, celulase e quitinase, que são lançadas na luz do trato digestivo. Já a metade posterior do trato absorve os alimentos para o do sangue. O que não é digerido é expelido em forma de pelotas fecais.

REGIÃO
ESTRUTURAS
Parte anterior
Boca, faringe, esôfago, papo, moela
Parte posterior
Intestino e ânus.



Figura 4: corte longitudinal evidenciando a região anterior da minhoca

COMPARANDO
            A título de esclarecimento, este texto focará apenas em comparar os sistemas de ambos a partir das estruturas encontradas no sistema digestivo das minhocas.

CAMINHO DO ALIMENTO:
MINHOCA
Boca → faringe → esôfago → papo → moela → intestino → ânus
SERES HUMANOS
Boca → faringe → esôfago → estomago → intestino delgado e grosso → ânus

HABITO ALIMENTAR:

As minhocas possuem uma alimentação baseada em matéria orgânica encontrada no solo, portanto, são animais detritívoros.

Os humanos possuem uma gama alimentar muito diversificada, desde alimentos de origem vegetal como também de origem animal, portanto onívoros.




QUANTO A FUNÇÃO:
1-      BOCA
            Nas minhocas, a boca serve tão somente como uma abertura que coleta a matéria orgânica presente no solo. Talvez, a moela, um órgão muscular, seria o que chegaria mais próximo deste conceito. Nela, a matéria orgânica é triturada com o auxílio de grãos de areia que também são ingeridos juntamente com o alimento. 
            Nos seres humanos, a boca exerce basicamente duas funções, promover a mastigação do alimento por meio de uma dentição e também dar início ao processo de digestão por meio da amilase salivar secretada por glândulas situadas próximas a cavidade bucal, que basicamente iniciam o processo de degradação dos carboidratos formando o bolo alimentar.

2-      FARINGE
            Nas minhocas, a faringe tem por função promover a captura dos alimentos por meio de um mecanismo de sucção, criada pela contração dos músculos de suas “paredes”. Produz uma secreção salivar que dá início à digestão da matéria orgânica ingerida.
            Nos seres Humanos, a faringe trata-se de um tubo em forma de um funil. É composta de músculo esquelético e revestida por mucosa. Atua tanto na respiração quanto na digestão, através da nasofaringe e da orofaringe, respectivamente. Recebe o bolo alimentar formado na boca e o encaminha para o esôfago através de contrações musculares das parte oral e laríngea da faringe.

3-      ESÔFAGO
            O esôfago de muitos oligoquetas podem apresentar regiões mais espessadas, onde estão localizadas evaginações lamelares revestidas por tecido glandular. Essas glândulas calcíferas removem o cálcio do material ingerido em forma de calcita no trato digestivo, neutralizam a acidez dos alimentos, produzindo húmus com pH neutro ou ligeiramente alcalino e como não são absorvidas são expelidas pelo ânus
            Nos seres Humanos, o esôfago secreta muco e transporta alimento para o estômago. Não produz enzimas digestivas, e não participa da absorção. A passagem de alimento da parte laríngea da faringe para o esôfago é regulada, na entrada do esôfago, pelo esfíncter esofágico superior. O alimento é empurrado através do esôfago, por uma progressão de contrações e relaxamentos coordenados e involuntários, chamada peristalse ou peristaltismo. 

4-      PAPO
            O Papo, nas minhocas, funciona como uma câmara de armazenamento, amolecendo e umidificando o alimento, preparando-o para a etapa seguinte, que é a de trituração por parte da moela.
            Talvez, o órgão que possua certa similaridade, nos humanos, seja o estômago, que macera o alimento a partir de movimentos chamados ondas de mistura, que nada mais são do que movimentos peristálticos e ondulados suaves, misturando-o com secreções das glândulas gástricas, reduzindo-o a uma massa semilíquida denominada quimo.



5-      INTESTINO
            O Intestino, nas minhocas, representa cerca de ¾ do seu corpo. A digestão ocorre extracelularmente. Após a digestão extracelular, o alimento é absorvido. No intestino de Pheretima, mais ou menos na altura do trigésimo segmento, existem duas expansões laterais: os cecos intestinais. No intestino, na porção que continua por trás dos cecos, existe uma prega longitudinal interna, o tiflossole (Figura 5). Ambas as estruturas, cecos e tiflossole, têm o mesmo significado funcional: aumentar a superfície de contato com o alimento digerido, fornecendo assim uma maior superfície de absorção.


Figura 5: Corte transversal do corpo de um oligoqueta. Apresenta a estrutura Tiflossole. 


            Nos seres humanos, a conclusão da digestão se dá no intestino delgado e posteriormente no intestino grosso. No delgado ocorre a digestão dos nutrientes através de diversas enzimas digestivas produzidas no fígado, pâncreas e pelo intestino delgado. O intestino grosso absorve um pouco de água, íons e vitaminas; as bactérias do intestino grosso convertem proteínas em aminoácidos, decompõem aminoácidos e produzem um pouco de vitamina B e K. Os movimentos de propulsão multi-haustral, peristalse e peristalse em massa guiam o conteúdo do colo para o reto.
6-      ÂNUS
            Nas minhocas, o ânus é a porção final do trato digestivo, estrutura qual que fica responsável por expelir os restos não aproveitáveis da digestão.
            Nos seres humanos, assim como na minhoca, é uma estrutura que por onde as fezes são eliminadas. Abriga esfíncteres anais, um interno formado por músculo liso (involuntário) e outro esfíncter externo formado por musculo esquelético (voluntário). Normalmente se mantem fechados, exceto durante a eliminação das fezes.

Escrito por  Silas Cunha

 REFERÊNCIAS:
Digestão extracelular, disponível em:
<http://wikiciencias.casadasciencias.org/wiki/index.php/Digest%C3%A3o_Extracelular>

Características das minhocas, disponível em:
<http://fdr.com.br/formacao/2013/compostagem-e-minhocultura/caracteristicas-das-minhocas/>

Anelídeos, disponível em:
<http://www.coladaweb.com/biologia/reinos/anelideos >

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

BRUSCA, Richard C. BRUSCA. Gary J. Invertebrados. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.


Fonte das imagem:
Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5