segunda-feira, 13 de junho de 2016

Fisiologia da digestão em Insetos

O trato digestório em humanos contém um tubo que se divide nas seguintes regiões: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus.  E está associado com órgãos e glândulas acessórias (dentes, a língua, as glândulas salivares, o fígado, vesícula biliar e o pâncreas).
O alimento entra pela cavidade oral constituída por dentes, língua e glândulas salivares. Os dentes são responsáveis por quebrar em pequenos fragmentos esse alimento e misturar junto à saliva.  A língua contem papilas gustativas que detectam os sabores dos alimentos (amargo, azedo ou ácido, doce e salgado) e iniciam o processo de deglutição, que empurra o bolo alimentar em direção à faringe. As glândulas salivares (parótida, submandibular, sublingual) são responsáveis por secretar a saliva, que possui a enzima amilase salivar, também chamada de ptialina, que inicia a digestão do amido e outros polissacarídeos, e os sais que neutralizam substâncias acidas mantendo o pH próximo de 7 para facilitar a ação da amilase.
Após a deglutição o alimento é empurrado através da faringe para o esôfago pelas ondas peristálticas. Durante este processo, a laringe se fecha evitando a passagem do alimento para as vias respiratórias.

Essas ondas peristálticas no esôfago permitem que o alimento seja engolido e entre no  estômago, mesmo que você esteja de cabeça para baixo.


Figura 1. Movimentos peristálticos no esôfago

O estômago tem função de armazenamento, mistura e trituração do alimento, propulsão peristáltica e regulação da velocidade de esvaziamento gástrico e estas funções são desempenhadas por regiões distintas do estomago. O armazenamento ocorre na região do fundo do estomago, onde o alimento pode ficar armazenado por quatro horas ou mais. A mistura ocorre na região média distal do corpo estomacal e a trituração é efetuada na parte distal do estômago, na região antral.
A propulsão peristáltica inicia-se na porção próximo ao corpo do estômago, que realiza a mistura do bolo alimentar com o suco gástrico que é um líquido que contêm ácido clorídrico, muco, enzimas e sais produzidos pelas células do estômago. O ácido clorídrico mantém o pH do interior do estômago entre 0,9 e 2,0. Por ação do ácido clorídrico, o pepsinogênio ao ser lançado no estômago, transforma-se em pepsina, uma enzima que catalisa a digestão de proteínas. A mucosa gástrica é revestida por um muco para não entrar em contato com o suco gástrico e essa mucosa produz o fator intrínseco que auxilia no processo de absorção da vitamina B12. Ao se misturar ao suco gástrico, o bolo alimentar transforma-se em uma massa cremosa acidificada e semilíquida chamada quimo.
Ao passar pelo esfíncter pilórico, o quimo vai descendo aos poucos para a primeira porção do intestino delgado, o duodeno, onde há a ação do suco pancreático que é produzido pelo pâncreas e é rico em enzimas digestórias (amilase, lipase, tripsinogênio, quimotripsinogênio, pro-carboxipeptidose). Além do suco pancreático, a bile, produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar, também é secretada no duodeno. A bile tem a função de emulsificar as gorduras, facilitando a ação da lípase pancreática. No jejuno e no íleo ocorre a absorção de nutrientes e a superfície interna dessas regiões possuem pequenas vilosidades que aumentam a superfície de absorção. Os vasos sanguíneos  e linfáticos absorvem os nutrientes do intestino e os leva ao fígado através da veia porta hepática, para ser distribuído para o resto do corpo (Figura 2).


Figura 2: vasos sanguíneos nas vilosidades na porção do jejuno e do íleo no Intestino Delgado.

Passa para o intestino grosso uma pequena porção de fluidos de alimentos não digeríveis. Esta porção do intestino sofrerá contrações haustrais, que auxilia na mistura e absorção de água e eletrólitos, para formação do bolo fecal. Com a presença de bolo fecal no reto e sua consequente dilatação desencadeia um reflexo autonômico que promoverá a abertura do esfíncter anal interno. Porém, devido à presença do esfíncter externo, de controle voluntário, a defecação pode ser adiada até o próximo reflexo de defecação.

Comparando...

O tubo digestório dos insetos é composto por três porções: estomodeu, mesênteron e proctodeu, onde válvulas que se localizam entre estas porções controlam os movimentos do alimento. O trato digestório está relacionado ao tipo de alimentação do inseto. Se este ingere mais alimentos sólidos seu trato digestivo será amplo, reto, curto, com musculatura mais forte e com proteção de adesão. Já os que consomem alimentos líquidos têm um trato digestivo longo, estreito e enrolado e não é necessária a proteção contra adesão nesse caso.

Figura 3: Trato digestivo de insetos

Os insetos capturam o alimento pela boca assim como os humanos. Com a entrada do alimento nos animais com peça bucal mastigadora, eles cortam e trituram esse alimento antes deste ser levado para a faringe. Já nos insetos com aparelho sugador, a faringe funciona como um tubo que suga o alimento até o esôfago. O alimento é levado por ação peristáltica até o esôfago, na região do estomodeu, onde ocorre a ação de enzimas (amilases e maltases). Alguns insetos têm o habito de liberar essas enzimas antes da ingestão pela cavidade oral para auxiliar na digestão.
As glândulas salivares estão localizadas na região abaixo da cabeça e no tórax e produzem principalmente enzimas que digerem carboidratos, além de umidificar o substrato ingerido. No caso de insetos que se alimentam de sangue, estes produzem substâncias anticoagulantes.
Após a ingestão e ação das enzimas, assim como nos humanos, o alimento é levado através do esôfago pelos movimentos peristálticos para as porções finais do estomodeu até o papo onde é armazenado e pode sofrer digestão. Em seguida o alimento passará pelo proventrículo que é revestido de espinhos ou dentes e auxiliam na trituração de partículas grandes em menores para passagem na válvula cardíaca.
Depois de passar pela válvula cardíaca, o alimento chega à porção do mesênteron (semelhante ao intestino delgado em humanos), onde ocorre a maior parte da digestão do bolo alimentar e é composto pelo ventrículo que secreta enzimas também semelhantes às presentes nos humanos, como: amilase (amido), invertase (sacarose), lipase (gorduras) e protease (proteínas). Além disso, é revestido por uma membrana peritrófica que permite a passagem das enzimas que digerem moléculas maiores até ficarem menores auxiliando no deslocamento para os cecos gástricos onde ocorre uma absorção.
O alimento parcialmente digerido por enzimas, circulam pelo mesênteron na direção posterior do espaço endoperitrófico e na direção anterior, do espaço ectoperitrófica. Essa circulação ajuda a mover o alimento para o ceco gástrico onde ocorre a absorção e digestão final, e conservar enzimas, que são retiradas do bolo alimentara antes que ela vá para o proctodeu (GULLAN et al., 2007).

Figura 4: Circulação do alimento para absorção de nutrientes no mesênteron

A última porção do tubo digestório dos insetos é o proctodeu, onde os túbulos de Malpighi e o reto são as estruturas atuantes no mecanismo de absorção e filtração. Os gafanhotos, por exemplo, produzem, nos túbulos de Malpighi, um filtrado isosmótico da hemolinfa que é rico em K+, pobre em Na+, e possui o  Cl-  como o principal ânion. A entrada de K+ para dentro do túbulo de Malpighi cria uma pressão osmótica, assim a água segue passivamente pela hemolinfa, isso ocorre também com açucares, aminoácidos e sais. Os túbulos de Malpighi levam essa urina primária para dentro do intestino. Onde no reto (almofadas retais), células ativam a recuperação de Cl- através de estímulos hormonais, o que acaba gerando gradientes elétricos e osmóticos, que promovem uma reabsorção de outros íons, água, aminoácidos e acetato.  (GULLAN, et al. 2007).
O alimento depois de ter sofrido as quebras enzimáticas e obtido o máximo de nutrientes para esses organismos, será excretado pelo ânus. A maioria dos insetos excretam metabólitos nitrogenados, sendo que os insetos terrestres esses resíduos consistem em ácido úrico.

Escrito por Isadora Paula Franco dos Santos


REFERÊNCIAS

AIRES, Margarida M. Fisiologia. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1999.   

Apostila de Entomologia Geral . Disponível em:<http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfbbQAE/64254857-apostila-entomologia-geral?part=6 > acesso em :07/06/2016

Fisiologia do trato digestório em humanos disponível em :<http://www.afh.bio.br/digest/digest1.asp> Acesso em: 07/06/2016

GULLAN, P.J. & CRANSTON, P.S. Os Insetos: um resumo de entomologia.  3ª Ed. São Paulo: Roca,2007.

Zoologia dos invertebrados - CLASSE INSECTA: MORFOLOGIA INTERNA E FISIOLOGIA, Disponível em:<http://www.den.ufla.br/siteantigo/Professores/Luis/Disciplinas/disciplinaENT107_arquivos/morfologia_interna.htm> Acesso em: 07/06/2016

FIGURAS

Figura 1: Disponível em : <https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgPy92inmfjj4JFOZ00WBPT4Df8OU0fQpa3nv8apbXqNsq72OWxreRfhtwljREdCqMA4PF0gyWZOlpj3z_bgOqJKFsk5Srvn3ZugxeY3zypbj9xNCwG00DsfZ99xiAd6RDuaTne8DcQqFM/s400/Es%C3%B4fago+-+movimentos+peristalticos.jpg> acesso em: 03/06/2016

Figura 2:
Disponível em:<http://www.sobiologia.com.br/figuras/Corpo/paredeintestino.jpg> acesse em:03/06/2016

Figura 3
Disponível em: <https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjaoevKl5bNAhXDqR4KHZS5BAQQjRwIBw&url=http%3A%2F%2Fpt.slideshare.net%2FAdenomar%2Fsistema-digestrio-9430535&bvm=bv.123664746,d.eWE&psig=AFQjCNH4R0Zn-1BDL2_gnHyYOSTGIW0tiA&ust=1465398110186729> acesso em: 07/06/2016

Figura 4: Disponível em: <http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAfdJgAA-111.jpg> acesso em: 07/06/2016
 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Anatomia comparada do sistema esquelético de peixes ósseos e tartarugas marinhas

Peixes ósseos

Os peixes ósseos são formados por um endoesqueleto, dividido em esqueleto axial (crânio, vértebras e costelas) e apendicular (componentes de sustentação das nadadeiras).


Figura 1: Divisão esquelética dos peixes ósseos.

O crânio em geral é uma estrutura rígida com função de proteger e armazenar o encéfalo e outros órgãos sensoriais em animais vertebrados. O mesmo se localiza anteriormente à coluna vertebral, e em alguns peixes ósseos, o crânio pode ser dividido em dois de acordo com a sua origem embrionária. O neurocrânio é de origem endocondral, onde uma cartilagem é sucedida por ossos, e tem como função proteger o cérebro e as cápsulas neurais (óptica, olfatória e auditiva). E o dermatocrânio que é formado por ossos de origem dérmica (maxila, palato, mandíbula, opérculo e órbitas). O neurocrânio e o dermatocrânio formam o condrocrânio no qual os ossos são, na maioria das vezes, pequenos e em grande número. As articulações de todo o crânio são ligadas a coluna vertebral isso faz com que o peixe não consiga virar a cabeça de um lado para o outro.


Figura 2: Ossos do crânio de um peixe ósseo moderno.

A coluna vertebral é  a principal estrutura de apoio para os músculos que o peixe usa para nadar. Ela é formada por vértebras compostas por uma parte central e uma dorsal. A parte central é uma estrutura compacta e a dorsal é onde está localizada a medula espinhal. Nas vértebras do tronco se localizam as costelas, que protegem os órgãos internos desta região.


Figura 3: Vértebras pré-caudais.

As barbatanas são divididas em impares (dorsal, anal e caudal) e pares (peitoral e pélvicas), e são mantidas por "raios" ósseos ou cartilaginosos, dependendo da espécie. Devido à bexiga natatória presente em peixes ósseos, estes não precisam das barbatanas para flutuar, servindo necessariamente para se movimentar na água.



Figura 4: Barbatanas em destaque.






Tartarugas marinhas

As tartarugas ou quelônios são répteis que se caracterizam por sua carapaça óssea. O sistema ósseo é dividido em endoesqueleto (ossos internos) e exoesqueloto (carapaça e plastão). O endoesqueleto assim como nos peixes, é dividido em axial (cabeça, vértebra e costelas) e apendicular (membros e pelve).


Figuras 5,6 e 7: Referentes ao esqueleto axial e ao apendicular; A interação dos ossos e a carapaça.



O crânio é formado por neurocrânio e esplancnocrânio, um abriga o crânio e o outro recobre. É uma estrutura relativamente grande, em geral, com uma mandíbula forte e ossos pequenos. As formas dos ossos são características de cada espécie.


Figura 8: Vista dorsal dos ossos do crânio.



Figura 9: Vista ventral dos ossos do crânio.



Figua 10: Vista lateral dos ossos do crânio.

A coluna vertebral é dividida em 8 vértebras cervicais, sendo que a oitava está fundida a carapaça assim como as vértebras torácicas (que são 10) e as costelas. As tartarugas têm de 2 a 3 ossos sacrais e  em média 12 caudais. Nas fêmeas os ossos caudais costumam ser menos numerosos, menores e mais largos.



Figura 11: Vértebras cervicais (Não mostra a oitava pois a mesma está fundida com a carapaça).



Figura 12: Vértebras caudais e sacro.

As nadadeiras são compostas pelo úmero, radio, ulna, carpais, metacarpais e 5 falanges. Os osso da nadadeira exceto as falanges, são curtos e pequenos. Em adultos estes ossos são fundidos por tecido fibroso.


Figura 13: Ossos da nadadeira ou pata das tartarugas.

O casco protege e envolve o corpo da tartaruga, é formado pela carapaça (parte superior) e o plastrão (parte inferior). Na maioria das tartarugas é formado por ossos unidos por queratina, porém em algumas o número de ossos reduziu e ao invés de queratina elas possuem um casco mole ou coberto por couro.
O casco costuma ser composto por 50 ossos cobertos por 26 placas de queratina, e no plastrão 11 ossos e  12 placas de queratina. Em algumas espécies de tartarugas o plastrão funciona como uma dobradiça e assim elas conseguem se esconder dentro do casco.
Uma curiosidade sobre o casco é que ele se regenera facilmente, e a cada ano que passa novas camadas de queratina são depositadas nas placas. Essa deposição em algumas espécies formam anéis, os chamados anéis de crescimento. Porém, isso não informa necessariamente a idade do animal pois com o passar do tempo estes tendem a desaparecer.


Figura 14: Divisões do casco.



Escrito por Thamires Souza


Referências:

BEMVENUTI DE A.M. Osteologia comparada entre as espécies de peixes-rei Odontesthes Evermann & Kendall (Osteichthyes, Atherinopsidae) do sistema lagunar Patos-Mirim, no extremo sul do Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81752005000200001 Acesso em 07 de Junho de 2016.

FOSTER, R. SMITH,M. Shells: Anatomy and Diseases of Turtle and Tortoise Shells. Disponiível em: http://www.peteducation.com/article.cfm?c=17+1797&aid=2700. Acesso em 28 de Maio de 2016.

WYNEKEN, J. The Anatomy of Sea Turtles. Disponível em: http://www.sefsc.noaa.gov/turtles/TM_470_Wyneken.pdf. Acesso em 28 de Maio de 2016.

Sea Turtle Anatomy. Disponível em: http://www.turtletime.org/sea-turtle-facts/sea-turtle-anatomy. Acesso em 28 de Maio de 2016.

External Fish Anatomy. Disponível em: http://myfwc.com/fishing/freshwater/fishing-tips/anatomy/. Acesso em 03 de Junho de 2016.

Apostila Reduzida de Anatomia Comparada. Disponível em: https://www.passeidireto.com/arquivo/1700679/apostila-reduzida-de-anatomia-comparada/4. Acesso em 04 de Junho de 2016.

Figura 1: Disponível em: ://segundoanobiologia.blogspot.com.br/2013/10/peixes.html. Acesso em 03 de Junho de 2016.

Figura 2: Disponível em: http://www.earthlife.net/fish/skeleton.html. Acesso em 04 de Junho de 2016.
Figura 3: Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbzool/v22n2/25128.pdf. Acesso em 04 de Junho de 2016.

Figura 4: Disponível em: http://filochordata.zip.net/ Acesso em 04 de Junho 2016.

Figura 5 a 13: Disponível em: http://www.sefsc.noaa.gov/turtles/TM_470_Wyneken.pdf. Acesso em 28 de Maio de 2016.

Figura 14: Disponível em: http://www.avph.com.br/. Acesso em 28 de Maio de 2016.


Sites sugeridos:




quinta-feira, 2 de junho de 2016

Coração humano x Coração Paca (Agouti paca)

O coração é a bomba responsável por promover a propulsão do sangue no sistema circulatório. É um órgão muscular oco (sua parede é composta pelo pericárdio, miocárdio e endocárdio), em forma de cone, ficando apoiado sobre o diafragma, e localizado no mediastino entre os pulmões na cavidade torácica. Tendo uma forma piramidal achatada com uma porção mais pontuda, o ápice, e outra oposta, a base.
Possui uma membrana fibroserosa que o reveste e protege, chamado de pericárdio, além de quatro câmaras que são separadas por septos, sendo duas superiores, os átrios direito e esquerdo que recebem o sangue e são revestidas por músculos pectíneos, e duas inferiores, os ventrículos direito e esquerdo que expulsam o sangue, são revestidos por trabéculas cárneas, e onde também estão localizadas as válvulas bicúspide (esquerdo) e tricúspide (direito) ao qual são conectadas aos músculos papilares pelas cordas tendíneas. 

Figura 1 – Coração humano.

Comparando...
O coração da paca (Agouti paca) também é um órgão em forma de cone e se encontra na cavidade torácica, envolto pelo pericárdio. Possui também quatro câmaras separadas por septos, sendo os átrios direito e esquerdo lisos na porção superior, porém apresentando nas aurículas músculos pectinados, e os ventrículos direito e esquerdo na porção inferior, que também apresentam músculos papilares conectados a cordas tendíneas. Além de outras estruturas como seio venoso, fossa oval e valvas atrioventriculares.
Figura 2- Coração paca (Agouti paca)


Escrito por Carolina Monteiro de Almeida

Referências

TORTORA, G. J. Princípios de Anatomia Humana. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
Pinheiro Avila, Bruna Helena; Fernandes Machado, Marcia Rita; de Oliveira, Fabricio Singaretti. Descrição anátomo-topográfica do coração da paca (Agouti paca). Acta Scientiae Veterinariae. Porto Alegre Rs: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), v. 38, n. 2, p. 191-195, 2010. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/2821>.
Imagens
Figura 1: https://cursandomedicina.wordpress.com/2015/09/25/o-funcionamento-do-coracao-humano/.

Figura 2: http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/2821/WOS000284357400014.pdf?sequence=1&isAllowed=y

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ardipithecus ramidus Vs Homo sapiens sapiens: Evolução Humana

A história evolutiva dos Seres Humanos, ainda nos dias de hoje, é vista com certa cautela pela sociedade. A interpretação equivocada de que nós teríamos evoluído a partir dos macacos é um conceito perigoso e que distorce a compreensão de como a evolução acontece. Mas  cientistas ao redor do mundo têm feito diversos estudos cada vez mais elucidativos a respeito da nossa história.  A edição de julho/2010 da revista National Geographic traz na capa o que eles intitulam de “o rosto da evolução”, remetendo à descoberta de um fóssil de Ardipithecus ramidus encontrado no Médio Awash, na Etiópia, sendo considerado o mais completo e revelador fóssil já encontrado, e que carrega uma grande riqueza de informações sobre a evolução humana.




 Figura 1: Localização do Médio Awash, Etiópia- África 
Fonte: http://www.datuopinion.com/awash-medio


            Descoberto em 1994 pelo paleoantropólogo norte americano Tim White, o fóssil, de 4,4 milhões de anos, foi apelidado de “Ardi” que significa solo, raiz, no dialeto local e possui algumas características muito distintas, algumas primitivas, e outras avançadas e exclusivas de hominídeos.




             
                                                                                                                                                                         Figura 2: Crânio de Ardipithecus ramidus moldado em resina
Fonte: http://discovermagazine.com/2011/jan-feb/29


Figura 3: Ossada do Ardipithecus ramidus esquerda e ilustração do
Espécime a direita
Fonte: http://www.wired.com/2009/10/ardi-2/



COMPARANDO

1-   Andar bípede - A pelve humana, ao longo de milhares de anos, passou por modificações para adaptar-se ao andar ereto. A pelve de Ardi apresenta sinais de um primata primitivo em pleno processo de humanização. A porção superior da pelve de Ardi é curta e larga e exibe outras características pouco vistas, exceto em hominídeos, mas a porção inferior de sua pelve é como a dos macacos antropoides, com ligamentos de músculos posteriores das pernas, indispensáveis em escaladas. Supõe-se então que o A. ramidus não era um exímio ser caminhante, mas seria possível afirmar que ele era capaz de, tanto caminhar sobre quatro pernas, quanto andar sobre duas pernas.
     Uma das perguntas que os cientistas se fizeram foi se o bipedalismo dos seres humanos teria realmente se desenvolvido a partir do A. ramidus devido à morfologia peculiar de seus pés adaptada pra viver em árvores. Por outro lado, o bipedalismo teria surgido por consequência da necessidade de acasalamento, que se dava no solo.

2-   Pés- A disposição oposta dos dedões do pé de Ardi (figura 4) indica uma ancestralidade em relação aos primatas, algo que já não é visto em “Lucy”, fóssil de Australopithecus afarensis, um milhão de anos mais novo que Ardi. Tal evidência sugere que, devido às pressões naturais e uma recorrente necessidade de um caminhar no solo, esta característica dos dedos do pé alinhados aos demais tenha se tornado mais evidente, visto que isso confere uma força de propulsão e estabilidade ao andar e ao correr.


Figura 4: Sistema esquelético Ar. ramidus
Fonte: http://roberto-furnari.blogspot.com.br/2015/05/evolucao-humana-parte-3-primeiros.html







3-   Dentição-  O cientista Owen Lovejoy, especialista em anatomia comparada, afirma que caninos pontiagudos e afiados (atrito com os dentes inferiores) muito presentes em antropoides vivos e já extintos, eram utilizados como arma contra outros machos. Porém, os caninos encontrados em 21 indivíduos de A. ramidus são menores, muito semelhantes a caninos de hominídeos. Lovejoy afirma que tal modificação poderia ter ocorrido quando, ao invés de disputar com outros machos, o A. ramidus passou a se concentrar em fornecer a(s) sua(s) parceira(s) e prole alimentos calóricos e em troca recebia favores sexuais. Por esse motivo, seus braços passariam a exercer a função de carregar os alimentos, exigindo um progressivo abandono do andar quadrupede. A espessura do esmalte encontrada em sua arcada dentaria encontra-se num nível intermediário entre os chimpanzés e homininios, o que sugere uma dieta alimentar a base de frutos e folhas.




Figura 5: Dentições de, (1) Ser humano; (2) A. ramidus e (3) chimpanzés, todos machos e abaixo, amostras correspondentes do primeiro molar maxilar.
Fonte: Adaptada de http://science.sciencemag.org/content/suppl/2009/10/01/326.5949.69.DC2




4-   Crânio-   A face do A. ramidus apresenta um focinho avantajado (figura 6), dando-lhe uma aparência de um macaco. Detalhes na parte inferior do crânio, por onde os nervos e veias que penetram no cérebro, indicam que o cérebro de Ardi estava posicionado de forma similar aos humanos modernos. Seu rosto e cérebros eram relativamente pequenos, medindo cerca de 350 cm³, algo próximo ao tamanho do cérebro de fêmeas de chimpanzés modernos.   



Figura 6. Vista lateral do crânio de Ardipithecus ramidus
Fonte: http://ib.usp.br/biologia/evolucaohumana/acervo-de-fotos/monos/category/29-ardipithecus-ramidus.html



Figura 7. Crânio de Homo sapiens sapiens
fonte: adaptada de http://veja.abril.com.br/ciencia/neandertais-coexistiram-com-os-humanos-na-europa-por-ate-54-mil-anos/



Conclusão
De fato, este fóssil é de grande importância no que diz respeito a evolução humana, pois ele traz características muito evidentes que poderiam ser a resposta de como nós seres humanos teríamos nos modificado a partir de um ancestral com características tão peculiares. É preciso reconhecer que ainda é cedo para se afirmar com plena certeza que teríamos como ancestral o Ardipithecus ramidus, porém, sabemos que, à medida que o tempo passa, novos fósseis são descobertos, novas tecnologias surgem para auxiliar na identificação desses fósseis, e pouco a pouco as lacunas vão sendo preenchidas.  



 Escrito por Silas Cunha



Referencias
Ardi- humans origins: Disponível em: <http://www.age-of-the-sage.org/evolution/ardi_human_origins.html> Acessado em 27 de maio de 2016 
 Ardipithecus ramidus:  Disponível em:<http://ib.usp.br/biologia/evolucaohumana/acervo-de fotos/monos/category/29-ardipithecus-ramidus.html> Acessado em 27 de maio de 2016
Shreeve, J.  O Rosto da Evolução. National Geographic,  Julho/2010.

Su, D.F. The Earliest Hominins: Sahelanthropus, Orrorin, and Ardipithecus. Nature Education Knowlodge, 4(4):11, 2013.

Suwa, G. et al. Paleobiological Implications of the Ardipithecus ramidus Dentition. Science, 326(5949): 69-99, 2009




segunda-feira, 23 de maio de 2016

Aparelho reprodutor feminino humano X galinha

Aparelho reprodutor feminino

O aparelho reprodutor feminino está localizado no interior da cavidade pélvica e é constituído pelas gônadas (ovários) e pelo trato genital feminino (constituído por trompas, útero e vagina). É na fase fetal que acontece a diferenciação e desenvolvimento do sistema reprodutor, mas só na puberdade (transição entre fase infantil e adulta) é que vão ocorrer as alterações funcionais e estruturais para estabelecer a fase reprodutiva.
O ovário é o responsável pelo desenvolvimento dos folículos que contem os gametas, e pela ovulação (acontece uma vez por mês). Além disso, ele também produz hormônios sexuais que vão atuar no trato reprodutivo. A secreção desses hormônios é controlada pelas gonadotrofinas, hormônio luteinizante (LH) e pelo hormônio folículo estimulante (FSH), produzidos pela adenohipófise.
No aparelho genital feminino humano há a presença de dois ovários, onde se encontram folículos em diferentes estágios de desenvolvimento. O ciclo ovariano é divido em três fases, a folicular (pré-ovulatória – 9 a 23 dias), a ovulatória (1 a 3 dias) e a lútea (pós-ovulatória - se inicia após a ovulação e dura em torno de 14 dias, terminando com o inicio da menstruação), nelas há a predominância dos hormônios estrogênio, gonadotrofinas e progesterona respectivamente. O estrogênio vai preparar o trato genital para o transporte de gametas e a fertilização, o pico pré-ovulatório das gonadotrofinas vão fazer com que ocorra a ovulação e a progesterona vai preparar o trato genital para que ocorra a implantação e manutenção do embrião.
O ovócito chega ao trato genital feminino pelas trompas, local onde vai ocorrer a fertilização. Já os espermatozóides chegam ao trato genital pela vagina, e depois vão para o colo uterino  iniciando a migração rumo as trompas ao encontro do ovócito para que ocorra a fecundação e formação do zigoto. O zigoto formado vai passar por diversas etapas de transformação migrando para o útero até se implantar no mesmo e continuar se desenvolvendo até o nascimento do bebê. Caso não haja a fertilização e implantação haverá uma descamação do revestimento interno do útero acompanhada de sangue, constituindo assim a menstruação e consequentemente o inicio de um novo ciclo (desde o primeiro dia da hemorragia). É importante enfatizar que o ciclo uterino acontece em sincronia com ciclo ovariano.


Figura 1. Aparelho reprodutor feminino





 

Figura 2. Ciclo ovariano


Aparelho reprodutor da galinha

O aparelho genital da galinha é composto por um ovário e um oviduto localizados do lado esquerdo da cavidade abdominal desta ave. O ducto esquerdo possui maior número de receptores para estrogênio e é mais sensível a este hormônio quando comparado com o ducto direito. O ovário e o ducto direito são regredidos pela produção de substâncias inibidoras do ducto de Müller pelo ovário (origem do oviduto).
Nas aves apenas um único folículo é ovulado e o óvulo (gema) é liberado dentro de um intervalo mais curto (preferencialmente todos os dias). Além disso, o óvulo de aves quando comparado com os mamíferos, apresenta maior tamanho, pois o embrião deve obter todos os nutrientes para o desenvolvimento embrionário.
Assim como nos humanos, os hormônios nas galinhas desempenham um papel muito importante. Dentre eles, têm-se os hormônios esteróides produzidos pelo ovário e fundamentais para o crescimento e função do trato reprodutivo. A progesterona vai atuar na secreção de albúmen e indução do pico de LH, e os androgênios atuarão na síntese da gema pelo fígado, mobilização de cálcio dos ossos medulares para a glândula da casca e em características sexuais secundárias, como o desenvolvimento de crista e barbela.
As células da granulosa são as principais fontes de progesterona e de pequenas quantidades de androgênios, ao contrário dos humanos, estas não luteinizam, pois não há a necessidade de formação do corpo lúteo, sendo esta uma estrutura associada a gravidez. Já as células da teca produzem androgênios e estradiol.




Figura 3. Aparelho reprodutor da galinha

O oviduto dessas aves é separado anatomicamente em cinco partes (Figura 4):
1- Infundíbulo: capta o óvulo logo após a sua liberação pelo ovário e é o local onde vai ocorrer a fertilização.
2- Magno: local responsável pela secreção de albúmem.
3- Istmo: local onde acontece a formação das membranas da casca.
4- Útero ou glândula da casca: órgão muscular e secretório, onde o fluído é adicionado ao ovo e ocorre a formação da casca do ovo e deposição da cutícula.
5- Vagina: local de passagem do ovo do útero até a cloaca.


Figura 4. Oviduto da galinha

Os espermatozóides ficam armazenados nas glândulas hospedeiras de espermatozóides após a monta, quando, então, se deslocam em via ascendente em direção ao infundíbulo. Estas glândulas hospedeiras estão localizadas nos sítios especializados que se distribuem em dois locais distintos nestas aves. Algumas são encontradas na junção útero-vaginal e as outras se localizam na porção inferior do infundíbulo. Sendo que, as primeiras são consideradas o principal sítio de armazenamento de espermatozóide no oviduto. No infundíbulo é onde vai ocorrer a fertilização.
Os espermatozóides serão armazenados nestas glândulas por um período de 3 a 4 semanas, mas a percentagem de ovos férteis começa a cair dentro de 5 à 7 dias. O período entre a ovulação e a postura do ovo é de aproximadamente 26 horas.
A galinha inicia sua postura (botar ovos) em torno da 17ª e 18ª semana de idade e a maior parte do desenvolvimento embrionário acontece fora do organismo materno.


Escrito por Rafael Galisa de Oliveira


Referências bibliográficas

AIRES, M.M.. Fisiologia / Margarida de Mello Aires. 3.ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2008.
RUTZ, F. et al. Avanços na fisiologia e desempenho reprodutivo de aves domésticas. 2007. Disponível em: <http://www.cbra.org.br/pages/publicacoes/rbra/download/307.pdf>. Acesso em: 13 maio 2016.
LOPES, J.C.O. Avicultura. 2011. Disponível em: <http://200.17.98.44/pronatec/wp-content/uploads/2013/06/Avicultura.pdf>. Acesso em: 13 maio 2016.

Fonte das imagens

Figura 1:
http://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2013/04/aparelho-reprodutor-feminino.jpg
Figura 2:
 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgI7QjiRvdg7ggIjhZZyv-7yvpQjJ1aTSLpiC-dbeKDwKlUT-P0X9QGkI0ce67XaBl1TRpNd0un9UxTC54P36RITryOE_Ro-SsvRkKMFfUYNrIGnhbEDHst5bR5ysWkyC_g3NE2Y2eO8fcd/s506/ciclo_ovarico_areal.png
Figura 3:
http://cdn.camaleao.org/2014/11/Trato-reprodutivo-da-f%C3%AAmea-de-frango-galinha-Foto-Universidade-de-Kentucky-College-of-Agriculture.jpg
Figura 4:

 http://static.dicionarioportugues.org/800/oviduto.jpg