quinta-feira, 2 de maio de 2019

Modificação dos músculos esqueléticos de peixes-elétricos para gerar choques elétricos




Os órgãos efetuadores de movimento do nosso corpo são formados de células musculares geradores de tensão mecânica. O musculo esquelético em grande maioria está associada ao esqueleto e garante a execução de movimentos e posturas do corpo possibilitando a sua relação com o meio externo. Nos animais vertebrados, a musculatura esquelética corresponde aproximadamente a 40% do peso corporal. Além de gerar tensão mecânica, o sistema muscular também desempenha outras funções fisiológicas importantes para o organismo.





 Figura 1. Esquema das características da fibra muscular e das características do sarcômero em vertebrados

Em espécies de peixes-elétricos, além da utilização da musculatura esquelética para a locomoção algumas dessas células musculares são modificados em órgãos elétricos.
Segundo Hill (2012), em diferentes animais, diferentes linhagens do músculo esquelético podem dar origem ao órgão elétrico como, por exemplo, músculos da cauda e do eixo corporal. As células musculares esqueléticas que constituem estes órgãos são chamadas de eletrócitos e são caracterizadas por serem achatadas e estarem dispostas em séries e apresentam poucos sarcômeros, o que determina que os eletrócitos não são capazes de realizar contração. Apesar disto, cada eleletrócito responde a um sinal neural, esse sinal acontece simultaneamente em cada eletrócito e produz uma grande voltagem gerando um campo elétrico em torno de todo o animal.




                    Figura 2. Representação dos eletrócitos de peixes-elétricos

Estas células musculares esqueléticas, assim como em todos vertebrados possuem neurônios motores pré-sinápticos fazendo sinapse química através da acetilcolina na placa motora que possui receptores colinérgicos, gerando o potencial de ação nas células musculares esqueléticas. E além da geração de eletricidade pelo animal eles também possuem eletrorreceptores que dá a capacidade de percepção de campos elétricos no ambiente. Essas habilidades conferem ao peixe-elétrico capacidade de se defender, detectar presas e possíveis predadores através da distorção que os mesmos podem realizar em corpos d´água, se comunicar e explorar o ambiente.

Escrito por Bianca Soares Astolfi

Referência:
HILL, Richard W. Fisiologia Animal. Porto Alegre: Artmed, 2012.
Referências imagens:
M.NISHIDA, Silvia. Fisiologia Muscular. 2013. Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu. Disponível em: <http://www.ibb.unesp.br/Home/Departamentos/Fisiologia/Neuro/aula.21.contracao_muscular_esqueletica.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2019
BIOFISICANDO. Eletricidade animal. 2010.
Disponível em: <http://biofisicando.blogspot.com/2010/02/eletricidade-animal-voce-ja-pensou-na.html>. Acesso em: 23 abr. 2019

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