sexta-feira, 18 de março de 2016

Fisiologia da digestão: digestão intracelular X digestão extracelular



Todos os animais precisam de matéria-prima e energia para crescimento, manutenção e reprodução. O alimento, seja ele de origem animal, vegetal ou fontes inorgânicas, é a fonte que disponibiliza o necessário para a manutenção dessas funções. Grande parte desse alimento pertence a três grupos principais, as proteínas, os lipídeos e os carboidratos, todos macromoléculas que inicialmente são degradados em unidades mais simples para serem absorvidas e fornecerem energia para as funções vitais dos animais.
A principal função da digestão é decompor estas macromoléculas em moléculas menores, passíveis de serem utilizadas pelo corpo. No reino animal existem dois tipos de processos digestórios, a digestão intracelular e a digestão extracelular. No caso dos organismos unicelulares, como os protozoários, a digestão normalmente acontece, por imposição, de maneira intracelular. Nestes organismos, a digestão acontece dentro de um vacúolo digestivo que recebe enzimas, por meio de secreção, que promovem a degradação de carboidratos, lipídeos e proteínas. Caso a membrana desse vacúolo seja rompida, as enzimas digestivas são lançadas no citoplasma e leva a célula a morte, por autodigestão. O vacúolo digestivo é a união de um vacúolo que contem o alimento (penetram na célula por endocitose) e do vacúolo que contem as enzimas. Assim que os nutrientes essenciais são absorvidos, o que não é utilizado constitui o corpo residual que é excretado da célula por clasmocitose. Quando esta digestão envolve componentes da própria célula, o vacúolo é chamado de autofágico.
Um processo semelhante a este também pode ocorrer em seres pluricelulares, como as esponjas. Nas esponjas, os coanócitos capturam as partículas de alimento através do colarinho de microvilosidades, formando assim, vesículas alimentares por pinocitose ou fagocitose e entrega para os amebócitos que por sua vez levam os nutrientes para todas as outras células (Figura 1 e 2).



Figura 1: Fluxo de água em uma forma organizada através de esponjas siconóides. Nesse corte diagramático, as setas retas indicam o fluxo de água. Uma proporção significativa desse fluxo resulta de redução na pressão hidrostática no ósculo em virtude do efeito de Bernoulli, produzido pelas correntes transversas de água (setas onduladas) que fluem sobre o ósculo em alta velocidade. O fluxo de água é também gerado pela atividade de coanócitos flagelados que recobrem as câmaras flageladas (e dão a elas seu nome). Os coanócitos são encontrados nas regiões das câmaras flageladas. A água que entra na esponja através do óstio passa através das câmaras flageladas e vai para a cavidade mais interna, a espongiocele. Os nutrientes são então absorvidos por células individuais através de endocitose (RANDALL; BURGGREN; FRENCH, 2000).


Figura 2: Coanócito.
           
Em animais mais complexos, que tem em seu trato digestivo a presença da boca e do ânus, a digestão é do tipo linha de montagem. Nesse processo o alimento entra pela boca e o material não digerido sai pelo ânus, sendo que, a passagem do alimento pelo trato digestivo permite que essa matéria orgânica sofra uma digestão enzimática e o produto solúvel desse processo seja absorvido. Nesse caso a digestão é extracelular, pois ocorre no interior do tubo digetivo, processo ocorrente também nos seres humanos.
A digestão dos vertebrados como os seres humanos envolvem processos físicos (mecânicos) como a mastigação, deglutição e movimentos peristálticos e processos químicos realizados por enzimas secretadas pelas glândulas anexas.
A mastigação e a deglutição são os primeiros processos mecânicos realizados pelos animais que possuem dentes e língua respectivamente, esta ultima é responsável também pela percepção do gosto através das papilas gustativas. Depois de passar pela língua o bolo alimentar é deglutido para a faringe, que o leva para o esôfago. No esôfago acontecem contrações involuntárias que levam o alimento para o estômago e posteriormente para o intestino. A musculatura lisa do tubo digestivo é inervada pelo sistema nervoso autônomo, que controla o peristaltismo através da estimulação do sistema nervoso simpático ou parassimpático.
A medida que o bolo alimentar passa pelo tubo digestivo, acontece também a digestão química dos alimentos com posterior absorção dos nutrientes. A digestão química começa na boca com a ação da amilase salivar secretada pelas glândulas salivares que catalisa a hidrolise de polissacarídeos como o amido, o glicogênio e seus derivados. O sistema nervoso autônomo é quem faz o controle da secreção salivar por meio de reflexos nervosos que acontecem quando o alimento entra na boca. Na parede estomacal existem glândulas que produzem o suco gástrico, substância ácida que contem enzimas responsáveis principalmente pela digestão proteica. Já no intestino delgado as principais enzimas atuantes são decorrentes do suco pancreático que por sua vez é secretado pelo pâncreas. Esse suco digere e/ou termina de digerir a maioria dos compostos que ainda não foram degradados até o momento. Por ser rico em bicarbonato ele neutraliza a acidez do bolo alimentar que acaba de chegar do estômago, permitindo desta forma, que as enzimas pancreáticas (funcionam em pH ligeiramente alcalino e neutro) atuem.
Outra substância que participa da digestão química é a bile, ela emulcifica gorduras e é produzida pelo fígado, considerado órgão anexo do tubo digestório. Além da emulsificação, os sais biliares solubilizam o que restou da digestão lipídica.
Após a digestão física e química, os nutrientes serão absorvidos pelas microvilosidades do intestino delgado. Neste, há uma grande absorção de glicose e aminoácidos e no estômago e intestino grosso acontece a absorção principalmente da água. Essa absorção, na grade maioria, acontece por difusão e transporte ativo e em pouca quantidade por pinocitose.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SCHMIDT-NIELSEN, K. Fisiologia Animal - Adaptação e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Livraria Editora Santos, 2002.
RANDALL, D.; BURGGREN, W.; FRENCH, K. E. Fisiologia Animal - Mecanismos e Adaptação. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara  Koogan, 2000.
BRUSCA, Richard C. BRUSCA. Gary J. Invertebrados. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
http://biologia.ifsc.usp.br/bio2/apostila/apost-fisiol-parte4.pdf


Figura 1: RANDALL, D.; BURGGREN, W.; FRENCH, K. Eckert. Fisiologia Animal - Mecanismos e Adaptação. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara  Koogan, 2000.
Figura 2: http://pt.static.z-dn.net/files/deb/3c9ecc543f116bc5c161949589f72213.png

Escrito por Rafael Galisa de Oliveira

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

SISTEMA NERVOSO: HUMANOS X MOLUSCOS



O sistema nervoso é responsável pelas funções de controle em um organismo, coordenando e regulando as atividades corporais. Tem como unidade funcional os neurônios, que comunicam-se por meio das sinapses, sendo por eles que se propagam os impulsos nervosos.


Figura 1- Estrutura do neurônio.




Nos seres humanos, assim como nos demais vertebrados, o sistema nervoso é dividido em: sistema nervoso central e sistema nervoso periférico.
O sistema nervoso central é composto pela Medula Espinal e Encéfalo. A medula encontra-se organizada em segmentos, protegida pelas vértebras que formam a coluna vertebral. É dividida em segmentos cervical, torácico, lombar e sacral que dão origem a 31 pares de nervos. O encéfalo nos humanos é dividido em: telencéfalo, diencéfalo (tálamo, hipotálamo e epitálamo), cerebelo e tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) e dá origem a 12 pares de nervos cranianos.


Figura 2- Sistema nervoso Central







 Distribuído por todo corpo encontra-se o sistema nervoso periférico, que está diretamente ligado ao sistema nervoso central por meio de prolongamentos de neurônios, sendo constituído por nervos, gânglios e terminações nervosas. 
 
Figura 3- Sistema nervoso humano



Comparando:

Diferentemente do observado em seres humanos, o sistema nervoso do filo Mollusca é do tipo ganglionar, sendo constituído de conglomerados neuronais, os gânglios. Entretanto, assim como nos seres humanos, os moluscos já apresentam um processo de cefalização, onde os gânglios maiores se localizam centralmente formando gânglios cerebroides, que vão executar um papel de cérebro primitivo, inervando as principais estruturas. A partir dos gânglios cerebroides, aparecem os gânglios periesofágicos que se associam com uma dupla cadeia nervosa ganglionar ventral que inerva os pé,  responsáveis pela locomoção. Possuem também os gânglios viscerais que são responsáveis pela inervação das vísceras.
Os moluscos conhecidos como cefalópodes vão possuir um gânglio cerebroide maior, que pode lembrar o encéfalo de um vertebrado. Possuem os gânglios presentes nos outros moluscos, porém sua cefalização é extrema. A maioria dos gânglios foram deslocados em sentido anterior concentrando-se formando lobos de um cérebro grande, o qual circunda a porção anterior do tubo digestivo.Na maioria dos cefalópodes, grande parte do cérebro está envolvido por um crânio cartilaginoso. É provável que os polvos sejam os invertebrados mais inteligentes, uma vez que aprendem rapidamente atividades que dependem de memória. Eles tem um comportamento de fuga rápido devido a um sistema de fibras nervosas motoras gigantes controlam e sincronizam contrações do músculo do manto.


Figura 4- Gânglios cerebrais dos moluscos.





Escrito por Mariana Bernardes Ribeiro

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SISTEMA NERVOSO. Disponível em: <http://monografias.brasilescola.uol.com.br/medicina/sistema-nervoso.htm>. Acesso em: 08 dez. 2015.

 MOLUSCOS (Mollusca). Disponível em: <http://www.infoescola.com/biologia/moluscos-mollusca/>. Acesso em: 08 dez. 2015.

SISTEMA Nervoso. Disponível em: <http://www.infoescola.com/biologia/sistema-nervoso/>. Acesso em: 10 dez. 2015.

BRUSCA, R. C. & BRUSCA, C. G. Invertebrados. Guanabara Koogan, 2007.

FONTES das figuras
Figura 01: Disponível em: < http://www.infoescola.com/biologia/sistema-nervoso/>
Figura 02: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemanervoso.php>
Figura 03: Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/biologia/nervos-sistema-nervoso-periferico.html>
Figura 04: Disponível em:< http://pt.slideshare.net/JovemCientista/moluscos-25003286>

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

SISTEMA ESQUELÉTICO: HUMANOS X FELINOS DOMÉSTICOS




O sistema esquelético (também conhecido como sistema ósseo) é composto de ossos e cartilagens, e desempenha várias funções importantes, tais como: sustentação do organismo, proteção de estruturas vitais (coração, pulmões, cérebro), serve como base mecânica para o movimento, promove o armazenamento e liberação de minerais no sangue, a produção de células sanguíneas e armazenamento de triglicerídeos (reserva de energia). 
 Ossos são órgãos esbranquiçados, que unidos aos outros, por intermédio das articulações constituindo o esqueleto. São originados por meio de um processo conhecido como ossificação, a partir de membrana de tecido conjuntivo (periósteo). Os ossos do corpo humano podem ser classificados em: longos (ex.: fêmur), curtos (ex.: ossos do carpo), planos (ex.: costelas), irregulares (ex.: vértebras), pneumáticos (ex.: esfenóide), sesamóides (ex.: patela) e suturais (ex.: suturas do crânio).
O esqueleto humano é dividido em duas partes: o esqueleto axial e o esqueleto apendicular. O esqueleto axial forma o eixo do corpo e é constituído pelo crânio, coluna vertebral, costelas e esterno; enquanto que o esqueleto apendicular é constituído pelos ossos dos membros superiores e dos membros inferiores. A união das partes ocorre por­­­­ meio das cinturas escapular e pélvica.

Comparando...
Tanto em gatos quanto em humanos, o esqueleto fornece o mesmo conjunto básico de funções. Ambos possuem crânio e mandíbula bem formados, sete vértebras cervicais, uma coluna cervical e quatro membros.
Os humanos, por serem bípedes, possuem quadris e espinha dorsal diferenciados, sendo muito mais sólidos do que os dos felinos, que são quadrúpedes.
O ser humano adulto, apesar de ter um esqueleto cerca de 20 a 25 vezes maior que o tamanho do esqueleto de um gato, tem apenas 206 ossos, enquanto o gato possui entre 230 a 290 ossos, dependendo do comprimento da cauda e do número de dedos. Os ossos extras do felino localizam-se, em sua maioria, na espinha dorsal; estas vértebras são espaçadas e têm um revestimento acolchoado, o que lhes garante bastante flexibilidade para girar, virar e contorcer-se com maior agilidade.
Humanos têm clavículas, enquanto os gatos não. Porém, estes têm um conjunto de ossos avulsos em seus ombros, o que lhes permite entrar em qualquer fenda pela qual a cabeça passe e também alargar a passada durante a corrida, sendo suas patas dianteiras ligadas ao resto do corpo através de músculos.



Fonte:http://www.sobiologia.com.br/conteudos/FisiologiaAnimal/sustentacao3.php


Fonte:http://dicaspeludas.blogspot.com.br/2011/11/o-fascinante-esqueleto-do-gato.html

Curiosidade
Uma das partes anatômicas mais fascinantes do gato são as patas. O contraste entre as suaves almofadas que amortecem quedas e as afiadas garras retráteis dão-nos uma ideia da complexidade e adaptação ao meio atingida por este animal. As garras retráteis são uma característica de quase todos os felinos. A contração do tendão situado na parte inferior do dedo faz com que as garras sejam expostas, enquanto o seu relaxamento, faz com que as poderosas unhas permaneçam escondidas.



Escrito por Natália Cypriano de Carvalho



Referências

BIOLOGIA.COM, Toda. Ossos do Corpo Humano - Sistema Esquelético. Disponível em: <http://www.todabiologia.com/anatomia/ossos.htm>. Acesso em: 04 nov. 2015.

KERDNA. Anatomia Humana: Sistema esquelético. Disponível em: <http://anatomia-humana.info/corpo-humano/sistema-esqueletico.html>. Acesso em: 04 nov. 2015.

ANATOMIA, Aula de. Sistema Esquelético. Disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/osteologia/generalidades.htm>. Acesso em: 04 nov. 2015.

MORAES, Paula Louredo. Sistema Esquelético. Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/biologia/sistema-esqueletico.html>. Acesso em: 04 nov. 2015.

DENISE, Dicas Peludas. O FASCINANTE ESQUELETO DO GATO. 2011. Disponível em: <http://dicaspeludas.blogspot.com.br/2011/11/o-fascinante-esqueleto-do-gato.html>. Acesso em: 04 nov. 2015.

 GRACE, Kea. Comparação entre o esqueleto humano e de felinos. Traduzido por David Pohl. Disponível em: <http://www.ehow.com.br/comparacao-entre-esqueleto-humano-felinos-sobre_77998/>. Acesso em: 04 nov. 2015.